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Françoise Collandre (França)
acrílica sobre tela, 73 x 60 cm
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“O valor de um livro é para ser medido pelo que se retira dele”.
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James Bryce
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Françoise Collandre (França)
acrílica sobre tela, 73 x 60 cm
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James Bryce
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Dezoito patinhos, filhotes de zarros, os patos selvagens mais raros do mundo, nativos de Madagascar e em processo de extinção, nasceram ontem em um centro de reprodução em cativeiro, onde estão sendo monitorados. Com esse pequeno número de filhotes, cientistas deram um passo incrível para a recuperação da espécie, já que com esta “explosão populacional”, aumenta-se em 30% toda a população mundial conhecida, do gênero Aythya innotata, hoje reduzida a 60 patos adultos.
No final dos anos 90, cientistas acreditavam que os zarros de Madagascar estivessem extintos. No entanto, alguns espécimes foram redescobertos em 2006, depois que uma expedição ao Lago Matsaborimena – também conhecido como Lago Vermelho – revelou a existência de 22 zarros. Só 22 desses patos cor de canela que pareciam livres na natureza.
Os grupos Wildfowl and Wetlands Trust e Durrell Wildlife Conservation Trust, que coordenaram o projeto de reprodução, disseram que esse tipo de iniciativa pode salvar as espécies em extinção. As duas entidades de conservação da natureza lançaram uma missão de emergência para garantir a sobrevivência da espécie em 2009. O objetivo era coletar ovos para começar um programa de reprodução em cativeiro. Eles pegaram 24 ovos dos ninhos do Lago Matsaborimena. Inicialmente os ovos foram sendo chocados dentro de uma banheira de hotel, enquanto o centro de reprodução estava sendo construído em Antsohihy, na ilha próxima da costa da África.
Os filhotes que nasceram nestas condições inusitadas agora estão dando à luz a sua primeira ninhada. “Estes patinhos representam um passo incrível na luta para salvar os zarros da extinção“, diz o biólogo Glyn Young, da Durrell Wildlife Conservation Trust.
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Ambientalistas dizem que a espécie continua a ser extremamente vulnerável à extinção de eventos únicos como a poluição ou surto da doença.
Dr. Glyn Young, um biólogo de conservação com Durrell Wildlife Conservation Trust, um dos parceiros no programa de melhoramento, disse: “Sete anos atrás, as pessoas pensavam que este pássaro já estivesse extinto, mas a descoberta de uma população pequena e agora a chegada desses patinhos levou a esperança real de que as aves possam um dia voltar à natureza novamente.”
O projecto de conservação, que também envolve o Wildfowl e Wetlands Trust (WWT), o Fundo Peregrine, Asity Madagascar e o governo de Madagáscar, estuda a população selvagem de zarros para entender por que ela está em declínio e onde seria o melhor lugar para liberar o grupo de criado em cativeiro.
Entre as preocupações dos cientistas está a taxa de sucesso muito baixa de reprodução, quando deixados à natureza, por exemplo, no Lago Matsaborimena, o último lugar natural e selvagem onde eles se congregaram.
Peter Cranswick, diretor de recuperação de espécies em WWT, disse: “Embora Lake Matsaborimena seja o último esconderijo para os patos, está longe de ser ideal como um habitat. Nossas investigações iniciais sugerem que há pouco alimentoe isso pode ser responsável pela baixa sobrevivência dos patinhos, nascido no lugar. Na verdade, eles estão morrendo de fome”
Cranswick disse que a equipe havia identificado alguns lagos onde as condições físicas eram potencialmente boas como lugares reprodutores para os zarros. Mas como acredita-se que a pesca seja um fator responsável pelo declínio da população de patos zarros e as comunidades locais dependem da pesca, o sucesso de um esquema de reintrodução dos patos à natureza depende de apoio local, das comunidades e de se encontrar uma solução que beneficie a moradores e aos pássaros.
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Fontes: Terra, The Daily Mirror
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Ann Kullberg (EUA)
Desenho a lápis de cor
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Ann Landers
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Estava o cordeiro a beber num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado , de horrendo aspecto.
— Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber? — disse o monstro arreganhando os dentes. Espere, que vou castigar tamanha má-criação!…
O cordeirinho, trêmulo de medo,respondeu com inocência:
— Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?
Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta. Mas não deu o rabo a torcer.
— Além disso — inventou ele — sei que você andou falando mal de mim o ano passado.
— Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci este ano?
Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu:
— Se não foi você, foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo.
— Como poderia ser meu irmão mais velho, se sou filho único?
O lobo furioso, vendo que com razões claras não vencia o pobrezinho, veio com uma razão de lobo faminto:
— Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!
E — nhoc! — sangrou-o no pescoço.
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Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição.
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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948). Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.
Obras:
A Barca de Gleyre, 1944
A Caçada da Onça, 1924
A ceia dos acusados, 1936
A Chave do Tamanho, 1942
A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955
A Epopéia Americana, 1940
A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924
Alice no País do Espelho, 1933
América, 1932
Aritmética da Emília, 1935
As caçadas de Pedrinho, 1933
Aventuras de Hans Staden, 1927
Caçada da Onça, 1925
Cidades Mortas, 1919
Contos Leves, 1935
Contos Pesados, 1940
Conversa entre Amigos, 1986
D. Quixote das crianças, 1936
Emília no País da Gramática, 1934
Escândalo do Petróleo, 1936
Fábulas, 1922
Fábulas de Narizinho, 1923
Ferro, 1931
Filosofia da vida, 1937
Formação da mentalidade, 1940
Geografia de Dona Benta, 1935
História da civilização, 1946
História da filosofia, 1935
História da literatura mundial, 1941
História das Invenções, 1935
História do Mundo para crianças, 1933
Histórias de Tia Nastácia, 1937
How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926
Idéias de Jeca Tatu, 1919
Jeca-Tatuzinho, 1925
Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921
Memórias de Emília, 1936
Mister Slang e o Brasil, 1927
Mundo da Lua, 1923
Na Antevéspera, 1933
Narizinho Arrebitado, 1923
Negrinha, 1920
Novas Reinações de Narizinho, 1933
O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926
O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930
O livro da jangal, 1941
O Macaco que Se Fez Homem, 1923
O Marquês de Rabicó, 1922
O Minotauro, 1939
O pequeno César, 1935
O Picapau Amarelo, 1939
O pó de pirlimpimpim, 1931
O Poço do Visconde, 1937
O presidente negro, 1926
O Saci, 1918
Onda Verde, 1923
Os Doze Trabalhos de Hércules, 1944
Os grandes pensadores, 1939
Os Negros, 1924
Prefácios e Entrevistas, 1946
Problema Vital, 1918
Reforma da Natureza, 1941
Reinações de Narizinho, 1931
Serões de Dona Benta, 1937
Urupês, 1918
Viagem ao Céu, 1932
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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC. Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC. Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada. Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.
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O teu segredo famoso
eu bem sei, direitinho…
chegou depressa, ditoso,
nas asas de um passarinho! …
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(Luiz Pereira de Faro)
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Paleontólogos chineses e canadenses descobriram um fóssil do maior dinossauro com penas encontrado até hoje. O tiranossauro chamado de Yutyrannus huali, que significa” belo tirano com penas”, media nove metros e pesava cerca de 1400 quilos. Embora fosse muito menor que o Tiranossauro rex, o peso do novo dinossauro era 40 vezes mais elevado do que o maior dinossauro com penas conhecido até hoje, o Beipiaosaurus.
Apesar de contar com penas de 15 centímetros estes dinossauros que viveram na Terra há 125 milhões de anos eram incapazes de voar. Além de serem muito pesados para saírem do chão, havia uma questão aerodinâmica nas penas que impedia o voo. “As penas eram filamentosas eram estruturalmente mais parecidas com cabelos ou cerdas do que as plumas das aves modernas, portanto não formavam superfície aerodinâmica para o voo“, disse Corwin Sullivan, paleontólogo canadense que participou do estudo publicado no periódico científico Nature.
Os pesquisadores acreditam que as penas tinham a função de isolamento térmico. “Os grandes animais geralmente conseguem conservar o calor mais facilmente. Eu suspeito que que o Y. huali era um animal de sangue quente para que pudesse se beneficiar deste mecanismo de retenção de calor“, disse ao iG Sullivan.
A descoberta foi feita a partir da análise de três esqueletos completos do Yutyrannus huali. Os três esqueletos – um exemplar adulto e dois filhotes -, foram encontrados na província de Liaoning, na China. Os paleontólogos tinham conhecimento, há mais de uma década, que alguns pequenos dinossauros tiveram plumas semelhantes às dos pássaros, com tamanhos semelhantes às de uma galinha, graças às descobertas de vários fósseis nesta região chinesa. Mas esse achado mostra que existiu pelo menos uma grande espécie que também tinha penas.
Enquanto os dois filhotes deveriam pesar cerca de meia tonelada, o exemplar adulto teria alcançado 1.400 quilos e nove metros de comprimento, dimensões que o transformam no maior animal com penas que já existiu. Seu tamanho era consideravelmente menor do que seu primo Tiranossauro Rex, mas quarenta vezes maior do que as espécies com penas anteriormente descobertas.
Engana-se, porém, quem pensa que as penas do “Yutyrannus” eram belas como as de alguns pássaros atuais. Sua plumagem era feita de “simples filamentos e se pareciam com as de um pintinho“, explicou Xu Xing, principal autor do artigo e pesquisador do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados de Pequim.
O caso do Yutyrannus, cujo corpo era apenas parcialmente coberto com penas, pode refletir uma adaptação a um ambiente frio incomum, afirma o estudo. Ao contrário de seu parente, o tiranossauro, que viveu numa época quente, o “Yutyrannus” habitou a Terra em meados do Cretáceo Inferior, um período que se estendeu de 145 milhões de anos a 98 milhões de anos atrás, e no qual as temperaturas caíram. Por isso suas penas devem ter servido para proteção contra o frio, já que supõe-se que esse período tenha sido muito mais frio do que o resto do Cretáceo, 10°C contra 18°C em média.
O estudo revela mais um novo elemento sobre a evolução dos primeiros animais com penas. É possível que a dimensão e a natureza da plumagem “evoluiu de acordo com as mudanças de massa corporal e da temperatura do ambiente“, acreditam os pesquisadores.
Pode-se até considerar, de acordo com o estudo, que o Tiranossauro e seus parentes tiveram penas em partes do corpo. A descoberta pode ser uma prova de que “as penas estavam muito mais disseminadas do que os cientistas pensavam até poucos anos, pelo menos entre os dinossauros carnívoros“, disse o autor do estudo.
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Palavras
Ray Caesar (Inglaterra, 1958)
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Logan Pearsall Smith
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Londres, Casas do Parlamento, 1903
Claude Monet ( 1840-1926)
óleo sobre tela
[Claude Monet pintou uma série enorme de paisagens como esta, retratando as casas do parlamento inglês, num estudo sobre os efeitos da neblina. Não sei exatamente o número total de varições desse tema, mas elas foram pintadas em 1900-1904]
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Esta semana vimos muitos programas na televisão e artigos no jornal que lembram o aniversário de 30 anos da Guerra das Ilhas Malvinas ou Faulklands. Não me pronuncio politicamente nesse blog. Este não é o objetivo desse lugar, mas não pude deixar de me lembrar dessa crônica de Elsie Lessa, quando vi tais comemorações: uma crônica que eu havia lido há alguns anos. Devo dizer, que sou fã de algumas cidades no mundo. Londres está entre elas. [As outras? Paris, Madri, Coimbra, Córdoba, Sarlat e Siena, lugares que por várias e diversas razões cheguei a conhecer muito bem e a visitar inúmeras vezes]. Mas meu sonho de consumo, aquele que a gente acalenta sem dizer palavra porque sabe ser quase impossível, aquele que só se realizaria se um dia eu ganhasse na loteria, (e jogo sempre na esperança) é ter um “flat” em Londres, uma cidade verdadeiramente cosmopolita. Como poucas.
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Elsie Lessa
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Estrangeira, com quase cinco anos de Londres, é muito frequente virem me perguntar, brasileiros e ingleses, o que acho da Inglaterra. Posso dizer a ambos, sem mentir, que acho um privilégio ter desfrutado dela por tanto tempo. Porque? Tranquilidade, um sentido de segurança, de ser respeitado como ser humano, de ser deixada viver, sem atritos, num mecanismo social de rodas bem azeitadas, dentro das falibilidades humanas. É um sapato que não dói no pé, como todas as felicidades, negativo, não incomoda, não machuca e a gente só se dá conta disso quando, à força de uso, lembra que está na hora de substituí-lo ou de ter que deixar o país.
As pequenas coisas da vida: o inevitável “obrigado por ter chamado” de qualquer amiga inglesa, para quem a gente ligou. O “por favor” e o “muito obrigado” de que é recheado o cotidiano.
Outro dia eu esperava o ônibus na esquina e, decerto para entreter a espera, aquele senhor de cabelos brancos e roupa meio puída me chamou atenção para aquele desperdício de dois postes tão juntos. Não era preciso não estava ali aquele com a tabuleta da parada? Para que o outro? Era assim que eles gastavam o nosso dinheiro e por aí vai. Entrei contente na conversa e na argumentação, tinha todíssima razão, a gente devia escrever ao “Council” (Conselho Municipal), dona Tatcher era uma senhora sem juízo, a vida estava cara, essas amenidades. Veio o meu ônibus, o dele não. E eu já estava dentro quando o meu vizinho de rua, como fazia meu pai quando lhe agradeciam ter pago a passagem de bonde, levantou um pouco o chapéu, saudou-me, agradecendo: “obrigado por ter falado comigo”. Está aí um obrigado que nunca ninguém antes me dissera.
Sou jornalista, gosto de papear, num dia a dia sem muitos interlocutores e usufruo os privilégios da feliz idade a que cheguei, que me põe a salvo de intenções equívocas, ao iniciar uma conversa com um vizinho de balcão de café. Era ali na Brompton Arcade para o cafezinho das 4, com um cheiro que deixa os fregueses de bom humor. Entrei na deixa fácil do café do Brasil, falamos de outros, cafés e países, ele já me oferecia galante uma segunda xícara quando me despedi. Este já era um “gentleman” bem-apessoado,ao contrário do homem reclamador de Chelsea. Só os unia a mesma boa educação: “muito obrigado por ter falado comigo”. Tudo boa gente.
Há 8 semanas este país está em estado de conflito, se não de guerra, já tendo ceifado uma meninada e alguns dos seus comandantes. Não ouvi uma discussão em voz alta sobre ela, embora seja muito comentada. A televisão tem vozes soturnas, nunca esbravejantes. Inevitavelmente são transmitidas as notícias e as estatísticas dos dois lados, embora divirjam. São mostrados trechos inteiros da televisão argentina. Sem comentários ou com um único, certa vez: “A televisão aqui é um pouco diferente”. Nos programas de auditório, fascinantes, em que se discute tudo, (outro dia tomava parte um argentino do auditório), aceitam-se, em voz baixa, todos os argumentos a favor, contra, nem a favor nem contra, muito pelo contrário. Admite-se que seres humanos tenham diferentes pontos de vista e que os defendam, com bons modos e serenidade. A Rainha tem um filho na frente de batalha e nem ela nem ninguém faz estardalhaço disso. Ela respondeu simplesmente, perguntada: “São tempos de preocupação e sofrimento para todos nós. Nossos corações estão com eles, Mas a vida deve continuar…” O príncipe mais moço, Edward, acaba de se alistar como fuzileiro naval. Com uma única nota para a imprensa: não por causa da guerra, mas como parte da educação dos rapazes da família real”. É, a Inglaterra não dói no pé.
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Em: Ponte Rio-Londres, Elsie Lessa, Rio de Janeiro, Record:1984.
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Elin Danielson-Gambogi ( Finlândia, 1861-1919)
óleo sobre tela.
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Elin Kleopatra Danielson nasceu em Moormarkku, na Finlândia, em 1861. Em 1876 mudou-se para Helsinki onde estudou desenho na Sociedade de Arte Finlandesa. Depois, entre 1878 e 1880, estudou pintura na academia particular do pintor finlandês Adolf Von Becker (1831-1909). De 1883 a 1885 foi aluna na Academia Colarossi em Paris. Retornou à Finlândia, onde permaneceu por um único ano, voltando para Paris em 1888. Visitou a Itália em 1898, apaixonou-se pelo país, onde acabou permanecendo até sua morte em 1919. Também conhecida como Elin Danielson-Gambogi, nome de casada.