Palavras para lembrar — Marcel Proust

15 10 2011

Menina lendo na poltrona, 2009

Ruth Addinall (Nigéria, 1960)

www.ruthaddinall.co.uk

“Na realidade, todo leitor é, quando lê, o leitor de si mesmo. A obra não passa de uma espécie de instrumento ótico oferecido ao leitor a fim de lhe ser possível discernir o que, sem ela, não teria certamente visto em si mesmo”.

Marcel Proust





Não à censura de Monteiro Lobato! Leia Gilberto Freyre sobre a censura, parte III

15 10 2011

Reproduzo aqui, a terceira parte  uma coletânea de textos de Gilberto Freyre, escritos entre 1948 e 1951  para a revista O Cruzeiro, em que o sociólogo esclarece alguns pontos sobre a censura.

Nacionalismo e internacionalismo nas histórias em quadrinhos

(parte III)   –    Gilberto Freyre

Dizem-me que um jornal do Rio está fazendo, com quadrinhos, histórias não de bandidos nem de rufiões mas de grandes homens e até de santos.  E alcançando sucesso.

Foi o ponto de vista que defendi em parecer na Câmara dos Deputados em 1948. Se não consegui que, por estímulo do Governo, se fizesse uma história em quadrinhos da Constituição de 1946 – como lembrei na Comissão de Educação e Cultura – ao menos esbocei, entre homens de responsabilidade nacional, uma reabilitação daquele gênero novo de histórias para meninos e mesmo para gente grande.

E estou certo de que essa reabilitação começa já a fazer-se; de que os homens de bom-senso e de alguma imaginação, principiam a ver na história de quadrinhos uma arma  moderna – moderna, mas nada secreta: ao contrário – que tanto pode ser posta ao serviço de Deus quanto do Diabo.  Que tanto pode servir para interessar o menino, o adolescente, o adulto em aventuras de “gangsters” como nas aventuras de Santos Dumont ou nas do General Cândido Rondon.  Ou nas de Santo Inácio de Loiola ou nas de São Jorge.  Santos em lutas contra dragões.  Inventores às voltas com o mais pesado que o ar.  Desbravadores de regiões do Brasil povoadas apenas por selvagens.

Assuntos fascinantes para as histórias de quadrinhos são também vidas como a de José Bonifácio, a de Mauá, a de Osvaldo Cruz, a de Vital Brasil.  Campanhas como a da Abolição.  Documentos aparentemente prosaicos, mas, na verdade, cheios de sugestões poéticas como a Constituição de 1946.

O que é preciso é que não se deixe só ao serviço do vício, da canalhice, do comercialismo o que pode ser posto também ao serviço da virtude, da boa educação do menino e do adolescente, da sã recreação do público.  Mas para isso é preciso, antes de tudo, que certos mediocrões enfáticos se desprendam da idade de que a Igreja, o Governo, a Escola, o Partido Político, o Jornal, para serem respeitáveis, devem ser cinzentamente convencionais.  Inimigos de toda espécie de pitoresco ou de novidade.

O exemplo que devem seguir é o dos Jesuítas do século XVI que, no serviço de Deus, se utilizaram das armas mais escandalosamente novas da publicidade. Novas e pitorescas.

Em: Pessoas, coisas e animais, de Gilberto Freyre, — ensaios e artigos reunidos e apresentados por Edson Nery da Fonseca,  São Paulo, edição especial MPM Casablanca-Propaganda: 1979.





Trova da ambição

15 10 2011

Ilustração francesa de Au clair de la lune.

Quantos há que, alucinados

pela ambição, pelos ciúmes,

querendo apanhar estrelas,

só apanham vagalumes!…

(Décio Valente)





Imagem de leitura — Pierre Augustin Thomire

14 10 2011

Mulher lendo,  c. 1775-1780

Pierre Augustin Thomire ( França, 1732-1799)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

Museu de Belas Artes, Bordeaux

Pierre Augustin Thomire foi um pintor francês ativo no século XVIII em Bordeaux.  Informações do Museu de Bordeaux.

 





Não à censura de Monteiro Lobato nas escolas! Gilberto Freyre sobre censura (II)

14 10 2011

Ilustração de autoria desconhecida.

Reproduzo aqui, a segunda parte  uma coletânea de textos de Gilberto Freyre, escritos entre 1948 e 1951  para a revista O Cruzeiro, em que o sociólogo esclarece alguns pontos sobre a censura.

Nacionalismo e internacionalismo nas histórias em quadrinhos

(parte II)   –    Gilberto Freyre

Da campanha que se vem fazendo, entre nós, contra as histórias em quadrinhos – e não apenas contra os excessos e abusos que se cometem neste gênero de literatura destinada a meninos e a adolescentes, mas saboreado também por numerosos adultos – é possível que resulte um bem: o despertar nos principais responsáveis pela publicação dessas histórias, deveres que vinham sendo esquecidos por eles.  Deveres de vigilância contra aqueles excessos e contra aqueles abusos.

Mas todos que não compreendem que se mate um homem com um remédio heróico – contanto que se feche de repente a ferida que vinha avermelhando o rosto ou apostemando o pé do pobre homem –  desejam que esse resultado seja atingido sem alterar-se a Constituição para aí introduzir-se este perigo mortal para uma democracia: a censura prévia à literatura. Porque quem diz censura a qualquer gênero de literatura, diz literatura dirigida, diz fascismo, diz totalitarismo numa de suas piores expressões.  E não é justo que se chegue a tanto só para se acabar com os excessos ou os abusos das histórias de quadrinhos

A verdade é que, em si mesmas, as histórias em quadrinhos são uma forma nova de expressão contra a qual seria tão quixotesco no levantarmos, como contra o rádio, o cinema falado ou a televisão.  Como o rádio, o cinema falado e a televisão, as histórias em quadrinhos concorrem para o desprestígio da leitura dos longos textos para favorecer as suas dramatizações sintéticas, breves, incisivas.  Mas o que se deve ver aí é uma tendência da época: uma época caracterizada pela ascensão social de massas sôfregas, antes de síntese e de resumos dramáticos de fatos da atualidade e do passado, que de demorados contatos com o livro, com a revista, com o jornal, com o teatro, com o cinema ou com o próprio rádio.

A essa tendência da época a história em quadrinhos corresponde admiravelmente.  É um meio atualíssimo de expressão cuja substância deve ser, quanto possível, purificada de excessos, vulgaridade ou abusos – até aí têm razão os jornalistas, educadores e parlamentares empenhados em combater as histórias de quadrinhos – mas cuja forma ou cuja técnica, em vez de repelida, deve ser utilizada em escala cada dia maior pelo escritor, pelo artista, pelo educador desejoso de influência sobre a massa.

O missionário jesuíta deixou-nos, dos seus grandes dias de esforço heróico de cristianização de gentes pagãs ou bárbaras, esta lição digna de ser seguida pelos que hoje se dedicam , em países como o Brasil, à obras de recreação e, ao mesmo tempo, de educação do grande público: a lição de que os meios de contato do educador ou do artista com as massas devem basear-se nos hábitos, na capacidade e no grau de desenvolvimento intelectual da gente a que se dirige.  Por isso o Jesuíta inteligentemente recorreu, no Brasil do século XVI, aos cantos, à música e às danças indígenas.  Recorreu às trombetas, aos ruídos, às cores vivas, aos estandartes vistosos.

O que os admiráveis padres queriam era ganhar a atenção, o interesse e a curiosidade da massa indígena.  Sabiam que não alcançariam nunca este fim com a simples leitura, em voz alta, das Escrituras, com sermões, com discursos ou mesmo com a representação de comédias ou autos.  De modo que se serviram de técnicas de persuasão, educação e recreação da massa à altura do desenvolvimento intelectual dos caboclos.  Anteciparam-se nesse ponto aos industriais norte-americanos, mestres da propaganda comercial, e aos fascistas e nazistas europeus, exímios na arte de persuasão política de massas.

Fossem hoje os Jesuítas a mesma força espantosamente ativa que foram no século XVI e eles é que estariam se utilizando, em países como o Brasil, da técnica da história de quadrinhos para a educação e recreação da massa brasileira de meninos e adolescentes, dentro dos ideais cristãos de vida e de cultura.  É o que devem fazer hoje os bons educadores, artistas, intelectuais e jornalistas: dominar a nova técnica de educação e recreação do menino e do adolescente que é a história em quadrinhos.

Em vez de se deixarem envolver pelo horror furioso à história de quadrinho, devem servir-se dessa técnica, melhorando-lhe a substância e purificando-lhe o conteúdo de excessos de sensacionalismo, de vulgaridade e de mau gosto.  Nada de polícia nem de censura prévia à literatura para a solução de um problema que não se resolve nem com a polícia nem com a censura.  Resolve-se é com esforço, com inteligência e com bom-senso e havendo cooperação dos diretores de jornais e revistas do país, com os mestres, com a Igreja, com os diretores do escotismo.

Em: Pessoas, coisas e animais, de Gilberto Freyre, — ensaios e artigos reunidos e apresentados por Edson Nery da Fonseca,  São Paulo, edição especial MPM Casablanca-Propaganda: 1979.





Quadrinha do bem-viver

14 10 2011

Pato Donald pensa que vai descansar hoje, o dia inteiro!  — ilustração Walt Disney.

Hei de viver sem encrencas,

de maneira pitoresca.

— Sou da ordem das avencas:

só quero sombra e água fresca.

(José de Almeida Corrêa)





Imagem de leitura — Henry Caro-Delvaille

13 10 2011

Mulheres lendo, 1910-1911

Henry Caro-Delvaille (França, 1876-1928)

óleo sobre tela, 66 x 81 cm

Henry Caro-Delvaille nasceu em Bayonne, na França em 1876.  Estudou na Escola de Belas Artes de sua cidade natal até 1897 quando passou a estudar no ateliê de Léon Bonnat em Paris. Além de se dedicar à pintura, aos  retratos, à pintura  gênero e às paisagens, Caro-Delvaille ficou famoso por suas hablidades como decorador.  Foi agraciado com a Legião de Honra do governo francês em 1910.  Em 1917  vai para os Estados Unidos onde permanece até 1925, assegurando-se de importantes encomendas de retratos  e de decoração da elite da sociedade americana.  Retorna então à França onde falece três anos mais tarde , em Paris, em 1928.





Velha anedota, soneto de Artur Azevedo

13 10 2011

Homem elegante ao espelho, c. 1930

Leon Gordon ( Rússia, 1889 — EUA, 1943)

óleo sobre tela, 90×80 cm

Velha anedota

Artur Azevedo

Tertuliano, frívolo peralta,

Que foi um paspalhão desde fedelho,

Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,

Tipo que morto não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,

E, indo à casa do pai, honrado velho,

A sós na sala em frente a um espelho,

À própria imagem disse em voz bem alta:

— Tertuliano, és um rapaz formoso!

És simpático, és rico, és talentoso!

Que mais no mundo se te faz preciso?

Penetrando na sala, o pai sisudo

Que por trás da cortina ouvira tudo,

Severamente  respondeu: — Juizo!

Em: Poesia brasileira para a infância, ed. Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968.

Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (São Luís, 1855 — Rio de Janeiro, 1908)  dramaturgo, poeta, contista e jornalista. Foi diretor do teatro João Caetano.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Sonetos, 1876

Contos fora de moda, 1901

Contos efêmeros

Contos possíveis, 1908

Rimas, 1909

Para o teatro escreveu mais de duzentas peças.





Não à censura de Monteiro Lobato! Vejam como pensa Gilberto Freyre

13 10 2011

John Gannam, (EUA 1907-1965), Lendo os quadrinhos, aquarela e guache, anúncio para uma companhia de lençóis.

Voltei a ler ontem, no Dia da criança, a respeito da pressão de alguns grupos sobre o Ministério da Educação para que livros de  Monteiro Lobato sejam banidos  das nossas salas de aula, em particular, Caçadas de Pedrinho.  É triste ver que ainda há aqueles que acreditam em censura, que esse monstro, muito mais feio do que qualquer coisa que se possa ler em Monteiro Lobato,  continue  a ser uma opção para pensadores de pequeno alcance.  Logo aqui, num país que já sofreu tanto com esse mal.  É mais triste ainda que queiramos apagar das nossas memórias o pequeno mas forte lastro cultural deixado por nossos antepassados.  É ainda mais patético que consideremos os nossos  professores tão  fracos e  incapazes que não acreditamos nas suas habilidades de explicar nas salas de aula as diferenças de atitudes que hoje existem em comparação com  aquelas que já tivemos um dia.  Porque é nisso que implica essa censura.  Com esse foco passo a reproduzir aqui, uma coletânea de textos de Gilberto Freyre, escritos entre 1948 e 1951  para a revista O Cruzeiro, em que o sociólogo esclarece alguns pontos sobre a censura.

Nacionalismo e internacionalismo nas histórias em quadrinhos

 (parte I)   —    Gilberto Freyre

Há quem deseje emendar a Constituição para aí estabelecer a censura prévia à literatura destinada às crianças e adolescentes.  Alegam que é uma literatura toda especial.  Sustentam que essa censura não põe em perigo a “verdadeira literatura”.

Engano.  Quem diz literatura para crianças e adolescentes, não deixa de dizer literatura.  Repito aqui o que já disse na Câmara quando ali apareceu a estranha idéia: as fronteiras entre gêneros literários  são vagas.  Vagas seja qual for o critério que se estabeleça para fixá-las. Inclusive o critério de públicos e público a que se destine cada gênero  — menino ou gente grande, mulher ou homem, moço ou velho.

Rigorosamente, a literatura é uma só.  Sua divisão em subgrupos é arbitrária ou convencional.  Sujeito à censura um gênero, a ameaça recai sobre o todo.  Quando se atinge a literatura para crianças e adolescentes é a literatura inteira que se ameaça. Mesmo porque são numerosos os livros para crianças e adolescentes que são também livros para gente grande.

Há anos, quando entre nós exagerou-se tanto o perigo chamado vermelho, isto é, comunista, que à sombra desse exagero cresceu o extremo oposto, houve quem começasse enxergar “comunismo” em obras-primas da literatura brasileira e da universal.  Inclusive em livros que são lidos com igual encanto por crianças, adolescentes e pessoas grandes.  Por pessoas que lêem soletrando e por doutores que sabem latim.  Pois livros como “Viagens de Gulliver”, o “Don Quixote”, o “Robinson Crusoé”, os romances e aventuras de Robert Louis Stevenson, os de Cooper sobre índios, os de Walter Scott sobre castelos antigos, as próprias “Fábulas” de La Fontaine, ninguém sabe se são para crianças ou para gente grande.

E lembro-me, a este propósito, de fato que fez, há anos, muito estrangeiro rir-se a custa do Brasil: o de ter certa autoridade estadofortista das que se julgaram com o direito de intervir na vida intelectual do país, condenado como perigosas à mocidade brasileira páginas imortais de Mark Twain.  Note-se que essa autoridade era pessoa dota, professor do Pedro II até.

Pato Donald não gosta do que os sobrinhos estão lendo,  ilustração Walt Disney.

Repito aqui o que já disse na Câmara, tentando alertar os deputados contra um perigo que se aproxima de nós com pés de lã, disfarçando em “proteção à moral” ou “resguardo do bom gosto”: consagrada pela constituição a censura prévia à literatura chamada infanto-juvenil são os Mark Twain, os Robert Louis Stevenson,, os Cervantes, os De Foe, os Swift, os La Fontaine, os Andersen, os Walter Scott, os Cooper, os Monteiro Lobato, as Lúcia Miguel Pereira, os José Lins do Rego, os Luiz Jardim, que podem vir a ser condenados amanhã como “comunistas”, “corruptores da juventude”, “daninhos” ou “perniciosos” à formação da mocidade.  O conceito de que é “pernicioso” em literatura ou em arte é vário e elástico.  O conceito do que é decente ou decoroso, também. Na época Vitoriana, entre os ingleses mais rígidos no seu moralismo, não se dizia perna de mesa ou perna de cadeira na presença de senhoras para não sugerir a imagem de perna de mulher.  Também varia o conceito da literatura que convém, segundo os preconceitos do país, convém ao desenvolvimento da personalidade dos filhos.  No meu tempo de menino, muito pai brasileiro condenava com aspereza os romances de detetive do tipo das “Aventuras de Sherlock Holmes” considerando-os não apenas inconvenientes à formação moral dos filhos como “vulgares”, “perniciosos”, “daninhos”.  Quando algum meninote era apanhado por um pai mais rigoroso com um fascículo de Conan Doyle nas mãos, era como se estivesse praticando feio pecado.  Era como se estivesse lendo as histórias mães ou avós dos quadrinhos.  Entretanto, Sherlock Holmes é considerado uma das criações mais interessantes da literatura inglesa dos fins do século XIX e dos começos do atual; e do ponto de vista ético e educativo, tido por leitura saudável e boa.

Dos grandes poetas brasileiros de hoje há um que às vezes escreve poemas para crianças.  É Manuel Bandeira.  Mas o poeta Manuel Bandeira num dos seus poemas refere-se a certo cachorrinho que fazia pipi no jardim.  Temo que por essas e outras liberdades de palavra sua poesia pudesse vir a ser condenada como “indecente”, “vulgar”, “perniciosa” para a mocidade se, amanhã estabelecida na Constituição a censura prévia a literatura infanto-juvenil, essa fosse exercida pedagogos ou policiais estreitos ou arcaicos em suas idéias de moralidade ou vulgaridade.

A verdade é esta: todos podemos estar de acordo quanto ao que seja baixa vulgaridade ou pura obscenidade na literatura ou na arte.  Mas há um ponto em que a vulgaridade é aparente: o que há é realismo.  Há zonas de confusão fácil entre os dois.  E na discriminação o censor simplista poderá imaginar-se na defesa ou no resguardo do que o bom gosto tem de essencial, quando está apenas defendendo convenções já arcaicos e até estreitos preconceitos de grupo político, literário ou economicamente dominante.

De modo que, estabelecida num país como princípio constitucional, a censura prévia à palavra, em qualquer de suas expressões literárias, a censura prévia ou pensamento, em qualquer de suas formas de criação ou de crítica, a ameaça se estende sobre o sistema inteiro de liberdade de consciência, de pensamento, de idéia, de criação artística, sobre o qual repouse a organização democrática do mesmo país.

E desgraçada da sociedade com aspirações a democrática que, para viver decentemente, para conservar-se moralizada, para desenvolver sua cultura, para manter sua religião, não disponha de outros meios de conservação e desenvolvimento desses valores morais, intelectuais, estéticos, religiosos, senão o braço forte do gendarme e o lápis vermelho do censor. Recursos para os dias excepcionais ou da calamidade: nunca para os normais e comuns.  Nos dias normais quem deve guardar a mocidade, educá-la, aperfeiçoá-la, é menos o Estado, através dos seus policiais e dos seus censores, que a comunidade inteira por meio de suas instituições de cultura articuladas umas com as outras para fins socialmente construtivos.  

Em: Pessoas, coisas e animais, de Gilberto Freyre, — ensaios e artigos reunidos e apresentados por Edson Nery da Fonseca,  São Paulo, edição especial MPM Casablanca-Propaganda: 1979.





Quadrinha infantil sobre os dentes

13 10 2011

Coma bem, coma de tudo,

Pois a nossa dentição

Em grande parte depende

Da boa alimentação.

(Walter Nieble de Freitas)