Imagem de leitura — Frank Duveneck

17 10 2011

Moça lendo, 1876

Frank Duveneck (EUA, 1848-1919)

óleo sobre tela

Museu de Belas Artes de Boston

Frank Duveneck nasceu em Kentucky em 1848.  Começou a estudar arte aos 15 anos com um artista local.  Em 1859 foi à Europa, estudar na Academia Real de Munique, na Alemanha, onde foi aprendendo a arte do realismo na pintura.  Mais tarde junto a outros artistas americanos  revoltou-se contra os preceitos do realismo a que se dedicara, preferindo um estilo mais livre.  Abriu uma academia de pintura em Munique em 1878.   Depois de ficar viúvo em 1890 ele retorna aos EUA e morou em Covington até sua morte em 1919.





Não à censura de Monteiro Lobato nas escolas — parte V de textos de Gilberto Freyre

17 10 2011

Reproduzo aqui, a quinta parte de  uma coletânea de seis textos de Gilberto Freyre, escritos entre 1948 e 1951  para a revista O Cruzeiro, em que o sociólogo esclarece alguns pontos sobre a censura.

Nacionalismo e internacionalismo nas histórias em quadrinhos

(parte V)   –    Gilberto Freyre

Ainda as histórias em quadrinhos.  Também na Inglaterra houve quem se levantasse contra elas considerando-as ianquismo ou americanismo da pior espécie.  Engano.  É apenas um modernismo que corresponde à época que atravessamos.  E que tanto pode ser utilizado no bom como no mau sentido.

O Reverendo Morris – segundo a revista brasileira que acaba de divulgar suas opiniões publicadas em “The Manchester Guardian”  — é o que inteligentemente acentua: “Os pais deveriam deixar de insistir numa censura negativa; ao invés disso, deveriam demonstrar um interesse positivo pelo que lêem seus filhos.  Deveriam escolher histórias em quadrinhos, nas quais os temas das narrativas são elevados, além disso, onde nem todos os vilões são estrangeiros…”

Exatamente o critério que defendi há três ou quatro anos na Comissão de Educação e Cultura da Câmara e neste meu recanto de “O Cruzeiro”.  Recebi, então, cartas terríveis.  Uma delas insinuava que eu estaria a serviço de alguma empresa ianque de histórias em quadrinhos.  Serviço encapuçado, mas serviço.

Outra coincidência de opinião do Rev. Morris com as idéias que esbocei em 1949: “A violência e a aventura existem na Bíblia. Em Shakespeare, em Sir Walter Scott e em Stevenson, em não menor grau do que nas histórias em quadrinhos americanas e nas historias Vitorianas de demônios e vampiros”.  O que é fácil, facílimo verificar.

Também a revista brasileira, que divulga as palavras sensatamente britânicas do Rev. Morris, reproduz sobre o assunto a opinião de uma Professora de Psiquiatria de Universidade norte-americana: a Dra. Bender. “Do ponto de vista psicológico” – diz ela – “as histórias em quadrinhos constituem uma grande experiência de atividade.  Seus heróis vencem o espaço e o tempo, o que dá às crianças senso de libertação, ao contrário de angústia e de medo”.  E ainda: “o uso de símbolos utilizados nas histórias em quadrinhos ajuda até mesmo os adultos a ajustar sua personalidade às duras provas do mundo contemporâneo”.

O que é preciso é que não se abandone um modernismo das possibilidades da história em quadrinhos aos maus exploradores desse e de outros modernismos.  E no Brasil, felizmente, começa a haver uma boa, não sei se diga, literatura, desse gênero.

Em: Pessoas, coisas e animais, de Gilberto Freyre, — ensaios e artigos reunidos e apresentados por Edson Nery da Fonseca,  São Paulo, edição especial MPM Casablanca-Propaganda: 1979.





Prima Belinha, de Ribeiro Couto: retrato de um Brasil inocente

17 10 2011

Mulher com turbante, 1930

Oscar Pereira da Silva (Brasil,1867-1939)

óleo sobre tela, 41 x 33 cm

PESP — Pinacoteca do Estado de São Paulo

Este é um romance leve, encantador, que retrata um Brasil de surpreendente inocência.  Prima Belinha foi o primeiro romance de Ribeiro Couto, escrito “quase todo em 1926” —  como o autor explica na apresentação — mas só publicado em 1940, depois que o autor já havia se tornado membro da Academia Brasileira de Letras.

O romance segue a vida de um jovem mineiro que,  praticamente deixado à porta do altar por sua prima de quem se considerava noivo desde sempre, vem para o Rio de Janeiro.  Na capital do país ele encontra uma situação política diferente daquela a que estava acostumado em S. Antonio do Mutum, onde seu pai era chefe político.  Sem rumo, sem ambição definida, José Viegas, que não tinha aptidão para coisa alguma além do bem e quieto viver no interior do país,  não consegue, como esperava um bom emprego.  A influência política de seu pai, forte no interior, não tem a importância que ele ou o pai imaginavam.  Na falta de melhor oportunidade, Viegas permanece na capital.

A simplicidade do movimento político retratado reflete a inocência de José Viegas.  Recém-chegado à capital, o jovem, por vingança de amor, se envolve numa trama para derrubar o governo que desde o início o leitor desconfia não ter respaldo.  Fadada ao insucesso, a aventura do mineiro em terras cariocas lembra o despreparo político do cidadão comum, e a inocência da sociedade brasileira da década de 1920.

Ribeiro Couto

A deliciosa prosa do autor com um estilo leve, mas preciso, esconde habilmente qualquer crítica social.  Isso ele deixa ao leitor, que nos dias de hoje, acha difícil acreditar em um mundo tão inocente quanto o representado, quer em Minas quer no Rio de Janeiro.  Vamos e venhamos, fica difícil, nos dias de hoje, imaginar, um grupo de revolucionários encontrando-se nos fundos de uma padaria do subúrbio, aonde chegam através de prosaicas viagens de bonde.  Talvez, mesmo em 1926, quando o romance foi escrito, essa realidade parecesse propositadamente inocente.  Mas com os olhos da segunda década do século XXI ela parece imensamente anacrônica.  Seria surpreendente então dizer que Prima Belinha é uma boa leitura?  Não, não é surpresa.  A prosa de Ribeiro Couto encanta.

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Você encontra neste blog um poema de Ribeiro Couto:  INSÔNIA





Quadrinha do amanhecer

17 10 2011

Manhã de sol, ilustração Maurício de Sousa.

A aurora corou de pejo

naquele claro arrebol,

sentindo na face o beijo

da boca rubra do Sol.

(Lilinha Fernandes)





Imagem de leitura — Emma Irlam Briggs

16 10 2011


Um livro na hora de dormir, s/d

Emma Irlam Briggs (Inglaterra,1890-1951)

òleo sobre tela,  60 x 90cm

Nenhuma informação biográfica sobre a pintora, além do postado aqui.





Não à censura de Monteiro Lobato nas escolas — parte IV de textos de Gilberto Freyre

16 10 2011
Lothar e Mandrake.

Reproduzo aqui, a quarta parte [de seis]  uma coletânea de seis textos de Gilberto Freyre, escritos entre 1948 e 1951  para a revista O Cruzeiro, em que o sociólogo esclarece alguns pontos sobre a censura.

Nacionalismo e internacionalismo nas histórias em quadrinhos

(parte IV)   –    Gilberto Freyre

Quando membro da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados – e nas comissões do Parlamento Nacional há quem trabalhe, embora em torno desse trabalho não se faça o menor ruído, mas, ao contrário, se mantenha um frio silêncio britânico, que da parte dos jornais chega a ser sistemático – fui dos que se colocaram contra o projeto de lei, traçado aliás com a melhor das intenções e o melhor dos brasileirismos, com que ilustres representantes da Nação pretenderam dar solução imediata ao problema das más histórias em quadrinhos.  Solução violenta: acabando com o mal pela raiz.  Tornando-o assunto policial.

Meu ponto de vista foi então o de que, nesse particular, o mal, poderia ser superado extra-policialmente pelo bem.  A história em quadrinhos em si não era nem boa nem má: dependia do uso que se fizesse dela.  E ela bem que poderia ser empregada em sentido favorável e não contrário à formação moderna do adolescente, do menino, ou simplesmente do brasileiro ávido de leitura rápida em torno de heróis e aventuras ajustadas à sua idade mental.

Agora, uma revista do Rio, especializada em publicações para rapazes, moças e crianças que, em vez de desdenhar, dá a melhor das suas atenções às histórias em quadrinhos, divulga o seguinte: que jornais britânicos do porte de “The Times” e “The Manchester Guardian” acabam de publicar palavras de ingleses eminentes que, tendo resolvido estudar o assunto, chegaram à mesma conclusão a que chegamos alguns de nós, brasileiros, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara, quando enfrentamos o mesmo problema em 1949.  Primeiro, que as histórias em quadrinhos “constituem elementos de ajuda na alfabetização”.  Segundo, “contribuem para o ajuste da personalidade às lutas da agitada época por que passa o mundo”.

Um desses ingleses é o Reverendo Morris.  Para ele – já era o nosso critério, no Brasil, em 1949 – as histórias em quadrinhos “preenchem a necessidade que tem a mente infantil de histórias de ação e de aventuras, concentradas em torno da figura de um herói”.  Além do que constituem o que alguns chamam de “ponte para a leitura”.

Mas não ficam ai os argumentos do educador inglês, divulgados pela revista brasileira.  Vão além.  E como coincidem em vários pontos com as evidências por alguns de nós reunidas em 1949 a favor das então combatidíssimas histórias em quadrinhos, voltarei ao assunto para fixar tais coincidências.

Em: Pessoas, coisas e animais, de Gilberto Freyre, — ensaios e artigos reunidos e apresentados por Edson Nery da Fonseca,  São Paulo, edição especial MPM Casablanca-Propaganda: 1979.





Filhotes fofos — elefante

16 10 2011

Foto:EFE

Uma votação na internet decidiu  o nome de um filhote de elefante no zoológico de Viena. O nome escolhido faz justiça ao elefantinho: Tuluba – “orelhas enormes“, na língua africana wolof.   Veja como esse elefantinho tem orelhas grandes!  Foram cerca de 10 mil votos e o nome escolhido teve 60% deles.





Muito treino e um resultado surpreendente!

16 10 2011





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Tenham uma boa semana!




Quadrinha das andorinhas

16 10 2011

Lá se vão as andorinhas

buscando novo verão

batendo as pretas asinhas

sob o azul da imensidão.

(Waldyr dos Santos)





Imagem de leitura — Pablo Uranga y Diaz de Arcaya

15 10 2011

Retrato do pintor Ignacio Zuloaga, 1893

Pablo Uranga y Diaz de Arcaya (Espanha 1861-1935)

óleo sobre tela, 67 x 54 cm

Museu Goya, Castres, França

Pablo Uranga y Diaz de Arcaya nasceu em Vitória, no País Basco, na Espanha.  Descobrindo talento para a pintura deixa sua terra natal em direção a Paris, por volta de 1889-1890.  Lá se alia ao pintor basco Ignacio Zuloaga (Eibar, 1870 – Madri, 1945)e com mais dois outros espanhóis dividem aposentos.   Sua amizade com Zuloaga continua, mesmo depois que este amigo tem maior sucesso do que Uranga.  Vão para Nova York juntos em 1924 quando Zuloaga é convidado para sua exposição nos EUA.  Em seguida Uranga retorna ao País Basco, onde se casa e constitui família na aldeia de Elgueta, próximo de onde nasceu, lugar onde permanece até a morte em 1935