Imagem de leitura — Georgy Kurasov

16 03 2011

 

Romance gótico, 2007

Georgy Kurasov (Rússia, 1958)

Óleo sobre tela com folha de ouro

118 x 88 cm

www.kurasov.com

Georgy Kurasov nasceu em 1958, em São Petersburgo, Rússia, onde ainda vive e trabalha.  Começou a estudar arte aos 13 anos.  Inicialmente foi selecionado para participar das aulas de escultura já que parecia não ter sensibilidade para cores.  Em 1977 entrou para o curso de escultura da  Academia de Arte, onde permaneceu por 6 anos. Em 1984, depois de uma longa passagem pelo serviço militar obrigatório, Kurasov se encontra finalmente livre para correr atrás de seus sonhos.  Mudanças políticas no país levaram-no a fazer pequenos trabalhos de pintura.  Sua primeira exposição de pintura  no s Estados Unidos foi em 1993.  Desde então vende suas obras quase que exclusivamente nos EUA.   Visite seu portal:  www.kurasov.com





Minha profissão: Cris Bauer, analista de sistemas

15 03 2011

Cris Bauer

Esta é a quinta entrevista com o título Minha profissão, que foca em jovens profissionais falando sobre suas preparações para exercerem as profissões que têm.  As anteriores incluem: bibliotecária, músico, comércio exterior, veja links abaixo.

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Cris Bauer, analista de sistemas

Perfil

Mil caminhos a seguir e seguindo todos. OK, nem sempre os caminhos são compatíveis, mas não perco um único cruzamento! Para aqueles que acreditam, uma perfeita geminiana.

 Que tipo de trabalho você faz?

Sou Analista de Sistemas e trabalho com sites para internet e produtos voltados para Telefonia Celular, como jogos, promoções, etc. Há pouco abri uma loja de perfumaria e presentes personalizados. Uma forma de não virar uma “nerd’.

Você trabalha no campo de sua formação profissional ou trabalha numa área diferente daquela para qual estudou?

Sim!  Me formei em Ciência da Computação e em Comunicação Social. A junção dos dois cursos é meu diferencial no meu trabalho, pois consigo fazer a interface entre a área de tecnologia e todas as outras áreas – marketing, comercial, jurídico e principalmente, o cliente externo.

Também escrevo para um jornal local e até mesmo para a loja, os cursos me ajudaram bastante. Consegui bastante noção administrativa, de logística, desembaraço para lidar com os clientes. Com isso, basta liberar a criatividade.

Para o trabalho que você faz agora, o que poderia ter sido diferente no seu curso de formação?

Difícil dizer,  pois eu já trabalhava na área durante o curso de Computação, então eu mesma ia “escarafunchando” tudo o que eu achava interessante.

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O que você faz para continuar a se atualizar?

Estou sempre em contato com várias pessoas de diversas empresas acompanhando todas as novidades. Leio bastante revistas, blogs, sites especializados.

Você precisa usar alguma língua estrangeira frequentemente?

Inglês! A tecnologia está realmente integrada em todo o mundo e um único projeto engloba equipes de vários países. Espanhol tem sido um grande diferencial.

Que conselho daria a um adolescente que precisa decidir que carreira escolher?

Primeiro preste atenção na área que realmente goste. Nada pior do que tentar trabalhar com algo que não gostamos. Segundo lugar, tenha calma e não se entusiasme com as “profissões da moda”. Estude com carinho o mercado de trabalho e as perspectivas de crescimento, levando em conta a região onde mora e sua disponibilidade/vontade de se mudar ou não.

Você tem um lugar na internet que gostaria de mostrar para os nossos leitores? Um blog, twitter?

Tenho um blog que anda meio abandonado, mas onde escrevo de vez em quando.

www.crisb.zip.net

Também estou no Twitter, mas uso mais para informações informais

@crisbauer

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Veja outras profissões: 

BIBLIOTECÁRIA 

MÚSICO 

COMÉRCIO INTERNACIONAL

FOTÓGRAFO





Bolhas de sabão, poesia de Oliveira Ribeiro Neto, contribuição da leitora Leda Meira

15 03 2011

As bolhas de sabão, s/d

Charles Joshua Chaplin ( Inglaterra, 1825-1891)

óleo sobre tela

Quem acompanha este blog sabe que faz muito tempo que alguns leitores pedem essa poesia.  Coube a leitora Leda Meira descobrí-la e passá-la para mim.  Coloco essa postagem com muito prazer por saber que irá satisfazer a muitos que têm a poesia na lembrança. 

Bolhas de Sabão

                                  Oliveira Ribeiro Neto

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Queima o sol do meio-dia.
Feitas de espuma fria
sobem bolhas de sabão
luzentes como estrelas…
E vendo o neto fazê-las,
chora-lhe de saudades o coração.

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Em tempos há muito passados,
quando era pequenina,
seus olhitos espantados
viam as bolhas amarelas
como as asas daquelas
borboletas dos prados.

E a bolha refletia
os seus sonhos de pequena:
—  um gato branco (que mia),
e uma boneca morena
com grandes olhos de louça…

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Mais tarde, quando era moça,
a bolha maravilhosa
não tinha a cor amarela
das borboletas de ouro;
— era toda cor-de-rosa
qual seus sonhos de donzela…


Então via um príncipe bem loiro
de brilhantes coroado
e um castelo encantado!

Depois,  já cansada a vista
e a cabeleira prateada,
a bolha de sabão triste ela via
da cor saudosa da ametista…


… Não mais uma boneca ela queria,
ou um príncipe armado duma espada:
—  Hoje, o espelho de ametista refletia
um céu azul e mais nada…

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Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro Netto (SP, 1908 – SP, 1989) jornalista, crítico literário, escritor, poeta e tradutor.  Diplomado em letras e em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade do Largo de São Francisco, promotor público, juiz, adido cultural do Itamarati, membro.  Foi membro e secretário-geral da Academia Paulista de Letras por 35 anos, tendo sido por três vezes eleito presidente.

União Brasileira de Escritores  —  http://www.ube.org.br/biografias-detalhe.asp?ID=993

Obras:

Dia de sol, poesia, 1928

A Festa do amor, poesia, 1929

Luiz Gama, o libertador, ensaio, 1931.

Vida, poesia, 1932

A Confederação dos Tamoios, ensaio, 1934

Estrela d’Alva, poesia, 1937

A Vida continua, romance, 1939

Canções das sete cores, poesia, 1941

Cantos de glória, poesia,  1946.

Sol na montanha, poesia, 1949

O Natal de Jesus, 1950

Barrabás, o Enjeitado, 1954

Cinco Capítulos das Letras Brasileiras, crítica literária, 1962

O Rei Dom Carlos de Portugal, ensaio, 1964

As Árvores do vale, poesia, 1964

O Romance de Maria Clara, romance, 1965

Arco triunfal,  poesia, 1968

Sicília Poesia, poesia, 1970.

Pastor do Tédio, poesia, 1970

Eu Canto a América, poesia, 1976





Imagem de leitura — Joseph De Camp

14 03 2011

Sol de junho, 1902

Joseph De Camp (EUA, 1858-1923)

óleo sobre tela

Joseph Rodefer De Camp (EUA, 1858-1923)  Nasceu em Cincinnati, Ohio.  Estudou com Frank Duveneck .  Mais tarde foi à Alemanha onde estudou na Academia Real de Munique. Passando algum tempo mais tarde em Florença.  Viajou através da Itália, de onde retornou a Boston nos EUA, em 1883.  Quatro anos mais tarde fundou o grupo Ten American Artists – um grupo de pintores aos moldes do impressionismo nos EUA: Childe Hassam, John Henry Twachtman, J. Alden Weir, Thomas W. Dewing, Joseph De Camp, Frank W. Benson, Willard Leroy Metcalf, Edmund Tarbell, Robert Reid, and E.E. Simmons.  Quando Twachtman morreu em 1902, William Merritt Chase tomou o seu lugar.





O verde do meu bairro: abricó de macaco

14 03 2011

Abricó de Macaco Couroupita guianensis Aubl.; Lecythidaceae]

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Uma das grandes vantagens de se morar fora da nossa terra natal é ter olhos diferenciados na volta, olhos “quase estrangeiros” que se deliciam com as coisas que os nativos nem sempre percebem ser tão singulares.  A minha visão do Brasil e do Rio de Janeiro, certamente voltou diferente, e contrário ao que muitos pensam, quase tudo, que nos faz o que somos, é positivo.  O negativo é menor e felizmente corrigível.  Ou seja com uma boa educação conseguiremos resultados ímpares.

A nossa flora, não só a nativa, mas a importada há muitos séculos, como a mangueira, está entre as coisas mais extraordinárias que temos.  E esses exemplos de tropicalismo verde nos enchem os olhos sem que notemos, sem nos darmos conta de que são raros os lugares do mundo com a abundância de variedades de verde presentes  no nosso dia a dia.  Assim sendo, começo hoje pequenas postagens sobre a nossa exuberância tropical, me concentrando nas plantas, nas árvores, naquilo verde que encontro no meu bairro e ruas periféricas que percorro nas caminhadas matutinas.  

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Abricó de macaco

Sem dúvida uma árvore esdrúxula.  Não há como negar.  Prestem atenção: é uma árvore alta,  pode chegar aos 30 metros quando em seu habitat natural [as cultivadas são mais baixas],  que dá flores e frutos, não em sua copa, mas em seu tronco.  Florida é um assombro da natureza.  Flores grandes, carnudas e perfumadas: rosadas, com lustro como se fossem enceradas…  As abelhas as adoram.  As mamangabas também.  Ainda bem, porque sem elas, não haveria polinização.   O abricó de macaco dá frutos ao alcance das mãos.  Poderíamos imaginar ser uma árvore de um mítico paraíso, de uma “terra em que se plantando tudo dá”, de um local onde não se precisa nem subir num tronco para colher um fruto.  Mas… nem sempre é assim…  Apesar de serem comestíveis, seus frutos em geral são apreciados só pelos pássaros e animais:  quando maduros, a polpa exala um cheiro muito desagradável aos seres humanos.  Assim os frutos, que são bem grandes, redondos com quase 20 cm de diâmetro, e podem pesar 3 kg, são deixados ao léu.  O fruto tem uma casca meio dura, como uma casquinha de árvore e tem a mesma cor,  mas a polpa é bastante apreciada por pássaros e … macacos.   Daí o nome:  abricó de macaco.

É nativa do Brasil.  Da Amazônia.  Pensem bem, que outro lugar do mundo poderia ter tanto charme?  Porque ela é amazônica,  também é nativa dos nossos vizinhos:  Peru, Equador, Colômbia, Guiana, Suriname,  e Venezuela.

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Por causa de seus frutos pesados e do mau cheiro das polpas maduras, não é recomendado o uso dessas árvores para calçadas, para lugares próximos às residências.  Mesmo assim o Rio de Janeiro tem um número muito grande dessas árvores ladeando ruas.  A da foto está na Praça Santo Dumont, na Gávea.

De acordo com FLORES NA WEB, para produção de mudas:

Recolher os frutos no chão logo após sua queda natural, quebrando-os manualmente para a retirada das sementes imersas na polpa suculenta. Para isso, lava-se a polpa em água corrente dentro de uma peneira, separando-se as sementes e deixando-as secar a sombra. Um kg de sementes contém aproximadamente 3500 unidades. Sua viabilidade em armazenamento é inferior a 120 dias. Para obtenção de mudas, colocar as sementes para germinação logo que colhidas e preparadas em canteiros semi-sombreados ou diretamente em embalagens individuais contendo substrato organo-argiloso (solo vegetal argiloso com esterco bem curtido). Cobri-las com uma camada de 1 cm do mesmo substrato peneirado e irrigar duas vezes ao dia. A emergência ocorre em 8-15 dias e a taxa de germinação é geralmente superior a 80%. Após 5-7 meses com as mudas alcançando 6-10 cm de altura já podem ser levadas para o plantio no local definitivo. O desenvolvimento das plantas no campo é rápido, podendo atingir 3,5 m de altura aos 2 anos.





Para uma estátua — poesia de Gracia Levine

13 03 2011

Mulher sentada, cerca de 1890

Jean-Léon Gerome ( França 1824-1904)

Mármore policromado

Museu do Instituto de Arts de Detroit

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Para uma estátua

                                           Gracia Levine

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Acorda!

É meia-noite!

A lua brilha no teu mármore branco.

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Nua,

teu rosto deitado

nos braços

dobrados sobre os joelhos erguidos,

ninguém está aqui, agora,

para olhar-te

em teu pedestal.

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Em: Poesia Simplesmente, [coletânia de diversos poetas] com prefácio de Roberto Pontes, 1999





Imagem de leitura — Lily Furedi

13 03 2011

Metrô, 1934

Lily Furedi (Hungria, 1896-1969)

óleo sobre tela, 99 x 123 cm

American Art Museum, Smithsonian Institution

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Lily Furedi nasceu em Budapeste em 1896.  Morreu em Nova York em 1969.  Muito pouco é sabido a respeito da pintora dessa maravilhosa tela.  Não há concordância nem mesmo sobre a data de nascença.  Alguns dão 1901, enquanto outros dão 1896.  Mantenho aqui as informações do museu da  Smithsonian Institution, onde este quadro se encontra.  Como Lily Furedi emigrou para os Estados Unidos é possível que tenha havido troca de datas.  É possível também que tenha emigrado durante a 1ª Guerra Mundial, já que este quadro de 1934, retrata o metrô de Nova York.  Quem souber de mais dados sobre a pintora, por favor contatar-me.





Notas familiares: Revolução de ’32

12 03 2011
Batalhão de Pouso Alegre, MG

FOTO: Empório de notícias.

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Quem visita este blog já sabe que tenho predileção por ler diários e publicações de pessoas comuns;  quero saber como viviam, do seu dia a dia, e se possível, ter a noção de como reagiram a eventos históricos.  Acho que qualquer período ganha tridimensionalidade, quando conseguimos ter muitas visões de como as coisas aconteceram; quando usufruimos da interpretação das mais diversas fontes…  Foi com essa intenção que em 2008, coloquei aqui as anotações sobre a Revolução de 1932, que meu avô, Gessner Pompílo Pompêo de Barros, fizera quando trabalhava nos Correios e Telégrafos de Itapetininga, SP.     Hoje volto ao assunto, mas com as observações do Diário de Vera, um capítulo do livro A família de Guizos: história e memórias de Ivna Thaumaturgo [ Ivna Thaumaturgo Mendes de Moraes Duvivier].  Nascida em 1915, ela é neta do marechal Gregório Thaumaturgo de Azevedo, primeiro chefe de uma comissão mista Brasil-Bolívia encarregada de demarcar a fronteira entre esses países e neta, por parte de pai, do general Feliciano Mendes de Moraes.  A família era toda de militares sendo Ivna filha do futuro marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes.   Como as observações de meu avô aqui postadas anteriormente,  essas também não dão qualquer informação de fatos históricos além do que já se conhece, mas dão um “gosto” da época.  

Em 1932, Miguel Salazar  Mendes de Moraes,  estava em Itajubá como comandante do 4º Batalhão do Exército.   Assim a família eventualmente se muda para essa pequena cidade mineira de grande importância geográfica.  A descrição abaixo acontece nessa cidade.

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Antiga Itajubá, foto: Bruno Casarini/Flicker.  Bruno Casirini Grillo

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9 de Julho de 1932

Estive hoje na praça com Moraes e presenciamos um pequeno meeting ocasionado pelo falatório que partia de um café.  Aproximando-me, pude notar a voz aguda de um locutor que avisava ao Brasil inteiro que São Paulo fizera uma revolução.  O tenente Valença e sua mulher Amália estavam em frente, num banco da praça, e ouviram atentos, enquanto ele tomava notas de tudo que ouviam.  No entusiasmo que se apossou dela, dizia: “Vai, Valença, vai, se você morrer fica um herói. “

À noite esteve em nossa casa dona Luiza Lebon, nora do Dr. Wenceslau Braz, com o marido, dr. Mário Braz.  Trouxeram um convite para irmos à sua fazenda em Campos do Jordão.  Papai, que não é muito dado a passeios resolvidos por outros, não prometeu aceitar, não mostrou mesmo nenhuma vontade de aderir ao tal convite, apesar dos nossos pedidos para que fosse.  Por fim, para que não o amolássemos mais, disse que não iria e nem nos deixaria ir.

Não falamos mais no assunto e fomos dormir.

De madrugada veio um soldado trazendo para papai um telegrama.  Imediatamente ele saiu, depois de ter se fardado apressadamente.

De manhã, soubemos, pela mamãe, que ele fora chamado no quartel porquanto rompera uma revolta em São Paulo, sendo necessária a presença do comandante e oficiais no quartel, para as mais urgentes providências.

Tomamos café sem papai, que não virá em casa enquanto não se normalizar a situação.  O mesmo está acontecendo com os outros oficiais, cujas esposas vêm todas para nossa casa à procura de conforto, pois somos calmas e otimistas.  Desde já vemos os governistas vencendo os paulistas, apesar de dizerem que estes são valentes e estão armados até os dentes.

Hoje vi um oficial amigo do papai que disse que seguirá breve para São Paulo para combater as forças do general Klinger, que avançam.  Apareceu também aqui pela manhã a Luiza Lebon, que se mostrou muito penalizada por não poder levar avante o passeio e entrou logo no assunto da revolução.  Vimos logo que era uma “revolta”, assim como o seu sogro e todo o povo mineiro.  Encheu-nos de boatos e afirmou que os paulistas avançavam, dispostos a tomar os quartéis de Minas.  Mamãe ficou aflita e tocou o telefone oficial para o papai, que se limitou a dizer para não acreditarmos em boatos, pois ia tudo muito bem.  Luiza Lebon, vendo que nada arranjava, começou a diminuir suas visitas, até que desapareceu.  Ela queria ver se conseguia “sublevar” o batalhão.  E o tal convite feito às pressas?  Não seria para afastar o papai daqui e colocá-lo na boca do lobo?

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Itajubá, Estação de trens.

FOTO: ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS

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No terceiro dia da revolta, começaram a chegar tropas do Rio e de Juiz de Fora.  Os trens passavam repletos de soldados muito bem equipados que, apesar de irem para o front, mostravam grande indiferença e sangue-frio dizendo adeus todos risonhos.  Dirigiam-se para o B/E, onde ficarão alojados até seguir viagem para as linhas de frente. O 28º B.C. desembarcou aqui pela manhã e o 4º R.C.D. à tarde, ficando alojados no Grupo Escolar recentemente acabado de construir.  Os mineiros estão furiosos…  Inventam horrores dos soldados governistas, dizendo que roubam nas horas vagas.  O mais engraçado é que o dr. Wenceslau não cumprimenta a família Mendes de Moraes.  Os boatos continuam cada vez mais ferozes.  Vovó, lá do Rio, anda aflita, pois, conforme nos mandou dizer, ouviu o rádio anunciar a prisão do major Mendes de Moraes em São Paulo, quando saía de um café…  Fala-se no embarque do B/E para Itapira, a fim de construir pontes rapidamente, pois os paulistas estão bombardeando tudo para impedir a passagem dos governistas.  Diariamente chegam tropas de todas as partes do Brasil.  Até do Norte chegaram duas companhias do Batalhão de Caçadores.  Vemos sempre o trem chegando, pois a estrada passa bem atrás da nossa casa.  Agora estamos ficando mais tristes porque a viagem para Itapira está senda marcada para muito breve.

Papai já chegou a Itapira e de lá escreveu duas cartas cheias de novidades.  Recebemos também um retrato ótimo tirado pelo tenente Braga, onde ele aparece no novo QG. 

Sempre que se apresenta um portador, mandamos os melhores petiscos feitos em casa.  Os tijolinhos de milho da mamãe vão em primeiro lugar.   Da mesma forma, sabemos, quando os oficiais vêm de lá gozando um período de férias, das novidades do front.   Há dias tivemos a visita do Arquimedes, filho do subcomandante Masson Jacques, que contou haver tomado parte num feroz combate.  Disse que os paulistas jogaram um canhão dos governistas pela ribanceira abaixo e mais tarde, quando foi iniciado o tiroteio, eles gritavam do morro onde  estavam entrincheirados.

— Vem pra cá, seus tolos!  Lutem por São Paulo!

20 de julho de 1932

Este mês tem sido bastante difícil para mamãe, que anda assustadíssima porque papai partiu para Campinas com o fim de reconstruir uma linda ponte bombardeada pelos revoltosos paulistas e causou a morte de seis soldados, entre os quais um do batalhão que tinha sido promovido a cabo por merecimento. 

Papai mandou  por um mensageiro apetrechos dos soldados prisioneiros durante um combate em Mogi-Mirim.  Capacetes de aço novinhos, cinturões, cantis etc. e uma caixa de papelão que continha um pão de forma, uma lata de carne em conserva e um papel escrito em letras vermelhas:  Refeição de emergência para a trincheira.

Papai brevemente estará de volta, graças a Deus.  Romualdo e Morato passaram por aqui, trouxeram boas notícias.  Os dois estavam barbados, gozadíssimos!

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Em:  A família de guizos: história e memória, de Ivna Thaumaturgo, Rio de Janeiro, Ed. Civilazação Brasileira, 1997.





Pirilampos, poesia infantil de Henriqueta Lisboa

12 03 2011

Ilustração, Vagalumes, de Leslie Harrington.

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Pirilampos

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Henriqueta Lisboa

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Quando a noite

vem baixando,

nas várzeas ao lusco-fusco

e na penumbra das moitas

e na sombra erma dos campos,

piscam piscam pirilampos.

São pirilampos ariscos

que acendem pisca-piscando

as suas verdes lanternas,

ou são claros olhos verdes

de menininhos travessos,

verdes olhos semitontos,

semitontos mas acesos

que estão lutando com o sono?

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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.





Imagem de leitura — Sandro Corradin

11 03 2011

O leitor, 2007

Sandro Corradin ( Brasil, 1965)

acrílica sobre tela, 80 x 75 cm

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Sandro Corradin (Ibiúna, SP, 1965)  Mora e trabalha em Jundiaí onde tem seu ateliê. Depois de freqüentar a faculdade de arquitetura em Campinas, dedica-se à pintura e participa de salões de arte contemporânea em Piracicaba e Santo André, entre outros.  Realiza uma exposição individual na Itália e participa de várias exposições coletivas na Itália e no Brasil. Tem quadros em coleções particulares nos dois países.