Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.
Não há música mais bela
do que a canção de ninar:
a mãe canta em voz singela,
e o bebê põe-se a sonhar!
(Alba Helena Corrêa)
Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.
Não há música mais bela
do que a canção de ninar:
a mãe canta em voz singela,
e o bebê põe-se a sonhar!
(Alba Helena Corrêa)
Desconheço a autoria dessa ilustração.
Olegário Mariano
Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.
Cada uma tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura.
E mal desabrochada na espessura,
Mandam-me um gesto de agradecimento.
Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que ele passassem para mãos alheias.
Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 597.
Ilustração de Gene Presler (EUA, 1893-?)
Augusto Frederico Schmidt
Vens chegando de longe, tão cansada,
Tão frágil e tão pálida vens vindo,
Que pareces, ó doce Lua amiga,
Vir impelida pelo vento leve.
Pelo vento gentil que está soprando
Tu pareces tangida, como um barco
Com as suas louras velas enfunadas,
E vens a navegar nos altos mares…
Atravessando campos e cidades,
Quantas artes e sortes não fizeste,
Ó triste Lua dos enamorados!
Quantas flores e virgens distraídas
Não seduziste para a estranha viagem
Por esse mar de amor, cheio de abismos!
Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 76
Desconheço a autoria.
Não deixe que maus momentos
Ofusquem seus ideais.
Sobre “velhos” tons cinzentos
“novas” cores brilham mais.
(Wandira Fagundes Queiroz)
Caravelas portuguesas ao mar, ilustração sem designação de autoria.A esquadra que descobriu
A nossa Terra Natal
Partiu do Porto do Tejo,
Comandada por Cabral
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Adeus, cartão postal francês.
Meu lenço, na despedida,
tu não viste em movimento:
— Lenço molhado, querida,
não pode agitar-se ao vento.
(Carlos Guimarães)
Fazenda com figuras e animais, c. 1952
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela, 39 x 47 cm
Olegário Mariano
É dolorosa a angélica atitude
Dos grandes bois lentos a trabalhar…
Sinto neles a força da saúde
A glória de viver para ajudar.
Da sua laboriosa juventude
Nada têm, pobres diabos a esperar…
Quem sabe? A vida pode ser que mude…
E eles se põem a olhar o campo, a olhar…
Tempo de safra. Brilham canaviais…
Gemem os carros e o rumor se irmana
À alma dos bois que geme muito mais.
Pacientemente seguem, dois a dois…
Há uma filosofia muito humana
No mugido e no olhar, tristes, dos bois…
Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas (1911-1955) , Olegário Mariano, Rio de Janeiro, Editora José Olympio: 1957, 1º volume (1911-1931), p. 93
Olímpia Couto (Brasil, contemporânea)
vinil sobre tela colado em eucatex, 90 x 70 cm
Augusto Frederico Schmidt
As flores do jambeiro vão caindo.
E aos poucos reina em sangue a madrugada.
Deste alto, o olhar domina ao longe
O mar tranquilo e azul.
E no mar, um veleiro vai fugindo
E o vento o afasta para longe,
para o reino que não sei.
Foge o veleiro e foge o tempo,
Para onde vão?
Não sei.
Vejo apenas as sombras
E as estrelas,
E mesmo a magra lua
Se esconderam;
E que no mar,
As asas claras de um veleiro
Fogem para um reino que não sei.
Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 134
Ilustração de Joseph Leyendecker.
O livro é o portão de acesso
à liberdade e ao saber.
E nem sequer cobra ingresso:
basta abri-lo, entrar… e ler!
(Antônio Augusto de Assis)