Trova do bebê dormindo

25 03 2015

 

bebe dormindo, Maria Pia Franzoni (1902 – , Italian)Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.

 

Não há música mais bela

do que a canção de ninar:

a mãe canta em voz singela,

e o bebê põe-se a sonhar!

 

(Alba Helena Corrêa)





O enamorado das rosas, poesia de Olegário Mariano

23 03 2015

 

 

66f8f6f784f6376200145e95a190d4baDesconheço a autoria dessa ilustração.

 

O enamorado das rosas

Olegário Mariano

 

 

Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,

Ouvindo a água da fonte que murmura,

Rego as minhas roseiras com ternura

Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

 

Cada uma tem um suave movimento

Quando a chamar minha atenção procura.

E mal desabrochada na espessura,

Mandam-me um gesto de agradecimento.

 

Se cultivei amores às mancheias,

Culpa não cabe às minhas mãos piedosas

Que ele passassem para mãos alheias.

 

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,

Alimento a ilusão de que essas rosas,

Ao menos essas rosas, sejam minhas.

 

 

Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 597.





Soneto à lua, Augusto Frederico Schmidt

20 03 2015

 

 

luar, moonlight-and-you, Gene Pressler (1893 – unknown)Ilustração de Gene Presler (EUA, 1893-?)

 

 

 

Soneto à lua

 

Augusto Frederico Schmidt

 

 

Vens chegando de longe, tão cansada,

Tão frágil e tão pálida vens vindo,

Que pareces, ó doce Lua amiga,

Vir impelida pelo vento leve.

 

Pelo vento gentil que está soprando

Tu pareces tangida, como um barco

Com as suas louras velas enfunadas,

E vens a navegar nos altos mares…

 

Atravessando campos e cidades,

Quantas artes e sortes não fizeste,

Ó triste Lua dos enamorados!

 

Quantas flores e virgens distraídas

Não seduziste para a estranha viagem

Por esse mar de amor, cheio de abismos!

 

 

Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 76





Trova dos tons cinzentos

17 03 2015

 

pintar a casa, ajudando na pinturaDesconheço a autoria.

 

 

Não deixe que maus momentos

Ofusquem seus ideais.

Sobre “velhos” tons cinzentos

“novas” cores brilham mais.

 

(Wandira Fagundes Queiroz)





Quadrinha do Descobrimento

11 03 2015

 

caravelas portuguesas ao marCaravelas portuguesas ao mar, ilustração sem designação de autoria.

A esquadra que descobriu

A nossa Terra Natal

Partiu do Porto do Tejo,

Comandada por Cabral

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965





Redemoinha o vento, poesia de Fernando Pessoa

10 03 2015

 

vendavalIlustração de George Barbier, 1924.

 

 

Redemoinha o vento,

Anda à roda o ar.

Vai meu pensamento

Comigo a sonhar.

 

Vai saber na altura

Como no arvoredo

Se sente a frescura

Passar alta a medo.

 

Vai saber de eu ser

Aquilo que eu quis

Quando ouvi dizer

O que o vento diz.

 

 

Em: Poesias, Fernando Pessoa, Lisboa, Ática, 1987, 12ª edição, p. 164.





Trova do meu adeus

7 03 2015

 

adeus, meu amor, cartão postalAdeus, cartão postal francês.

 

Meu lenço, na despedida,

tu não viste em movimento:

— Lenço molhado, querida,

não pode agitar-se ao vento.

 

(Carlos Guimarães)

 





Os bois, soneto de Olegário Mariano

24 02 2015

 

 

Georgina de Albuquerque,Fazenda com figuras e animais, óleo sobre tela,(c.1952) - 39 x 47 cm.Fazenda com figuras e animais, c. 1952

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela, 39 x 47 cm

 

 

Os bois

 

Olegário Mariano

 

É dolorosa a angélica atitude

Dos grandes bois lentos a trabalhar…

Sinto neles a força da saúde

A glória de viver para ajudar.

 

Da sua laboriosa juventude

Nada têm, pobres diabos a esperar…

Quem sabe? A vida pode ser que mude…

E eles se põem a olhar o campo, a olhar…

 

Tempo de safra. Brilham canaviais…

Gemem os carros e o rumor se irmana

À alma dos bois que geme muito mais.

 

Pacientemente seguem, dois a dois…

Há uma filosofia muito humana

No mugido e no olhar, tristes, dos bois…

 

 

Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas (1911-1955) , Olegário Mariano, Rio de Janeiro, Editora José Olympio: 1957, 1º volume (1911-1931), p. 93

 





As flores do jambeiro vão caindo, poesia de Augusto Frederico Schmidt

21 02 2015

 

Olímpia Couto,Composição c árvore vestse,1989, 90 x 70cmComposição com árvore, 1989

Olímpia Couto (Brasil, contemporânea)

vinil sobre tela colado em eucatex, 90 x 70 cm

www.olimpiacouto.com.br

 

 

As flores do jambeiro vão caindo

 

 

Augusto Frederico Schmidt

 

As flores do jambeiro vão caindo.

E aos poucos reina em sangue a madrugada.

Deste alto, o olhar domina ao longe

O mar tranquilo e azul.

E no mar, um veleiro vai fugindo

E o vento o afasta para longe,

para o reino que não sei.

 

Foge o veleiro e foge o tempo,

Para onde vão?

Não sei.

Vejo apenas as sombras

E as estrelas,

E mesmo a magra lua

Se esconderam;

E que no mar,

As asas claras de um veleiro

Fogem para um reino que não sei.

 

Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 134





Trova do livro

18 02 2015

 

leitor, leyendecker_001,Joseph Christian Leyendecker was born in Germany in 1874 and came to America ...Ilustração de Joseph Leyendecker.

 

O livro é o portão de acesso

à liberdade e ao saber.

E nem sequer cobra ingresso:

basta abri-lo, entrar… e ler!

 

(Antônio Augusto de Assis)