Ilustração Phyllis M. Purser.
Tão lindas, de várias cores,
vivem na terra e no ar:
as borboletas são flores
que aprenderam a voar.
(Edmilson Ferreira Macedo)
Ilustração Phyllis M. Purser.
Tão lindas, de várias cores,
vivem na terra e no ar:
as borboletas são flores
que aprenderam a voar.
(Edmilson Ferreira Macedo)
Chico Bento viaja de cavalinho, ilustração Maurício de Sousa.
Sérgio Caparelli
O cavalinho na estrada
pacatá, pacatá,
com sua sombra mais atrás
pacatá, pacatá.
Para ao lado de um riacho,
pacatá, pacatá,
e se vê no espelho d’água,
pacatá, pacatá.
Que água limpa e fresca,
pacatá, pacatá,
corre aqui, corre acolá,
pacatá, pacatá,
e uma sombra tão boa
pacatá, pacatá,
não vi noutro lugar,
pacatá, pacatá,
mas a estrada já me chama
pacatá, pacatá,
sempre está a me chamar,
pacatá, pacatá.
O cavalinho volta à estrada
pacatá, pacatá,
com sua sombra mais atrás,
pacatá, pacatá.
Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre, LPM: 2000, 27ª edição, p. 30.
Ilustração John La Gatta, 1940.
Fico em teus braços… depois
rogo a Deus mais uma vez
que o segredo de nós dois
fique só entre nós três.
(Cezário Brandi Filho)
O velho tempo, ilustração de Edmond Dulac, 1906
Olavo Bilac
Sou o Tempo que passa, que passa,
Sem princípio, sem fim, sem medida!
Vou levando a Ventura e a Desgraça,
Vou levando as vaidades da Vida!
A correr, de segundo em segundo,
Vou formando os minutos que correm…
Formo as horas que passam no mundo,
Formo os anos que nascem e morrem.
Ninguém pode evitar os meus danos…
Vou correndo sereno e constante.
Desse modo, de cem em cem anos,
Formo um século e passo adiante.
Trabalhai, porque a vida é pequena
E não há para o Tempo demoras!
Não gasteis os minutos sem pena!
Não façais pouco caso das horas!
Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, 3º livro de leitura, especial para o Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Agir: 1952, p. 91
Carl Bengts (Finlândia, 1876 – 1934)
óleo, 27 x 35 cm
“Recordo-me.
Perdi-me.
Ou foi a vida
que me perdeu?”
Em: Armindo Rodrigues (1904-1993), Aventura.
Coelhinho Tibúrcio com cenoura, ilustração Belli Studio.
Leonel Neves
Com quatro patinhas, o rabo curtinho,
Orelhas compridas, peludo – é verdade –
E sempre a mexer o nariz quando come,
Louco por cenouras e alfaces, louquinho,
Há tanto no campo como na cidade.
O nome não digo. Qual é o seu nome?
Em: Bichos de trazer por casa: poemas para crianças, Lisboa, Livros Horizonte: 1981, 3ª ed.
Homero Massena (Brasil, 1886-1974)
óleo sobre tela
Mauro Mota
Libertos da trouxa tremem
as calças e os paletós.
Doem na pedra pano e carne
sem anotações no rol.
Canto azul da lavadeira
lavado na ventania.
Mistura de corpos gastos,
de sabão, espuma e anil.
O suor da blusa operária
(chora o lenço de Maria)
Transita o amor pela anágua.
geme o lençol de agonia.
O sonho dorme na fronha,
a camisa precordial,
nódoas da fome da criança
na toalha da mesa oval.
Nas águas têxteis do rio,
há sabor de sangue e sal.
Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura: 1968, p. 80.
Hubert-Denis Etcheverry (França, 1867-1950)
óleo sobre tela
Museu Bonnat-Helleu, Bayonne
Fernando Pessoa (Portugal, 1888-1935) em Contemplo o lago mudo.
Ilustração, Leonard Shortall.
Quando faz muito calor
Em lugar de água gelada
É melhor para a saúde
Uma boa laranjada
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Ivan Serpa (Brasil, 1923-1973)
óleo sobre tela, 97 x 130 cm
Coleção Particular
Maria da Graça Almeida
Seguindo as trilhas do chão,
em toda e qualquer estação,
andam deitadas demais,
as linhas horizontais.
Afastando-se dos mares,
galgando os céus, pelos ares,
acenando para o cais,
vão-se as linhas verticais.
Quando as duas se alcançam,
iniciam bela dança
e com passos ensaiados,
formam um quadriculado!
Quanto às linhas paralelas,
nunca dançam, pobre delas!
Bem sabemos de antemão,
que jamais se cruzarão!