Trova das borboletas

14 09 2015

 

menina com flores, phyllis m purserIlustração Phyllis M. Purser.

 

 

Tão lindas, de várias cores,

vivem na terra e no ar:

as borboletas são flores

que aprenderam a voar.

 

(Edmilson Ferreira Macedo)





A estrada e o cavalinho, poesia infantil de Sérgio Caparelli

11 09 2015

 

cavalinho 2Chico Bento viaja de cavalinho, ilustração Maurício de Sousa.

 

 

A estrada e o cavalinho

 

Sérgio Caparelli

 

 

O cavalinho na estrada

pacatá, pacatá,

com sua sombra mais atrás

pacatá, pacatá.

 

Para ao lado de um riacho,

pacatá, pacatá,

e se vê no espelho d’água,

pacatá, pacatá.

 

Que água limpa e fresca,

pacatá, pacatá,

corre aqui, corre acolá,

pacatá, pacatá,

e uma sombra tão boa

pacatá, pacatá,

não vi noutro lugar,

pacatá, pacatá,

mas a estrada já me chama

pacatá, pacatá,

sempre está a me chamar,

pacatá, pacatá.

 

O cavalinho volta à estrada

pacatá, pacatá,

com sua sombra mais atrás,

pacatá, pacatá.

 

 

Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre,  LPM: 2000, 27ª edição, p. 30.

 

 





Trova do nosso amor

30 08 2015

 

john la gattaIlustração John La Gatta, 1940.

 

 

Fico em teus braços… depois

rogo a Deus mais uma vez

que o segredo de nós dois

fique só entre nós três.

 

(Cezário Brandi Filho)





O tempo, poesia de Olavo Bilac

27 08 2015

 

Dulac-FatherTime-1906-LO velho tempo, ilustração de Edmond Dulac, 1906

 

 

O tempo

Olavo Bilac

 

 

Sou o Tempo que passa, que passa,

Sem princípio, sem fim, sem medida!

Vou levando a Ventura e a Desgraça,

Vou levando as vaidades da Vida!

 

A correr, de segundo em segundo,

Vou formando os minutos que correm…

Formo as horas que passam no mundo,

Formo os anos que nascem e morrem.

 

Ninguém pode evitar os meus danos…

Vou correndo sereno e constante.

Desse modo, de cem em cem anos,

Formo um século e passo adiante.

 

Trabalhai, porque a vida é pequena

E não há para o Tempo demoras!

Não gasteis os minutos sem pena!

Não façais pouco caso das horas!

 

 

Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, 3º livro de leitura, especial para o Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Agir: 1952, p. 91





Sublinhando…

26 08 2015

 

 

Bengts, Carl - Sanomalehteä lukeva nainen, 1925Mulher lendo o jornal, 1925

Carl Bengts (Finlândia, 1876 – 1934)

óleo,  27 x 35 cm

 

 

“Recordo-me.

Perdi-me.

Ou foi a vida

que me perdeu?”

 

Em: Armindo Rodrigues (1904-1993), Aventura. 

 

 





“Advinha”, de Leonel Neves

24 08 2015

 

 

coelhinho  tibúrcio com cenoura, Belli StudioCoelhinho Tibúrcio com cenoura, ilustração Belli Studio.

 

Advinha

 

Leonel Neves

 

Com quatro patinhas, o rabo curtinho,
Orelhas compridas, peludo – é verdade –
E sempre a mexer o nariz quando come,
Louco por cenouras e alfaces, louquinho,
Há tanto no campo como na cidade.

 

O nome não digo. Qual é o seu nome?

 

 

Em: Bichos de trazer por casa: poemas para crianças, Lisboa, Livros Horizonte: 1981, 3ª ed.





Cantiga da lavadeira, poesia de Mauro Mota

19 08 2015

 

 

Homero Massena (Brasil, 1886-1969) Lavadeiras, ost, sdLavadeiras, s.d.

Homero Massena (Brasil, 1886-1974)

óleo sobre tela

 

 

Cantiga da Lavadeira

 

Mauro Mota

 

 

Libertos da trouxa tremem

as calças e os paletós.

Doem na pedra pano e carne

sem anotações no rol.

 

Canto azul da lavadeira

lavado na ventania.

Mistura de corpos gastos,

de sabão, espuma e anil.

 

O suor da blusa operária

(chora o lenço de Maria)

Transita o amor pela anágua.

geme o lençol de agonia.

 

O sonho dorme na fronha,

a camisa precordial,

nódoas da fome da criança

na toalha da mesa oval.

 

Nas águas têxteis do rio,

há sabor de sangue e sal.

 

 

Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura: 1968, p. 80.

 





Sublinhando…

19 08 2015

 

Hubert-Denis Etcheverry - La dame en bleuSonho  [Dama em azul] c. 1930

Hubert-Denis Etcheverry (França, 1867-1950)

óleo sobre tela

Museu Bonnat-Helleu, Bayonne

 

 

“Por que fiz eu dos sonhos

A minha única vida?”

 

Fernando Pessoa (Portugal, 1888-1935) em Contemplo o lago mudo.





Quadrinha da laranjada

12 08 2015

 

lanche, leonard shortallIlustração, Leonard Shortall.

 

Quando faz muito calor

Em lugar de água gelada

É melhor para a saúde

Uma boa laranjada

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965





As linhas, poesia infantil de Maria da Graça Almeida

10 08 2015

 

 

ivan serpaPintura número 178, 1957

Ivan Serpa (Brasil, 1923-1973)

óleo sobre tela, 97 x 130 cm

Coleção Particular

 

 

As linhas

 

Maria da Graça Almeida

 

Seguindo as trilhas do chão,
em toda e qualquer estação,
andam deitadas demais,
as linhas horizontais.

Afastando-se dos mares,
galgando os céus, pelos ares,
acenando para o cais,
vão-se as linhas verticais.

Quando as duas se alcançam,
iniciam bela dança
e com passos ensaiados,
formam um quadriculado!

Quanto às linhas paralelas,
nunca dançam, pobre delas!
Bem sabemos de antemão,
que jamais se cruzarão!