Sol na manhã enevoada, Beth Whitney, aquarela.
Nossa estrada, que era igual,
dividiu-se em dois caminhos:
eu, regando o roseiral,
você…contando os espinhos.
(Vanda Fagundes Queiroz)
Sol na manhã enevoada, Beth Whitney, aquarela.
Nossa estrada, que era igual,
dividiu-se em dois caminhos:
eu, regando o roseiral,
você…contando os espinhos.
(Vanda Fagundes Queiroz)
Luluzinha, Glória e Plínio da revista em quadrinhos Luluzinha, criação de Marjorie Henderson Buell.
Ruth Rocha
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes…
Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queira que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas,
Mas são muito diferentes.
Ilustração de Walter Heubach.
Vitor Caruso
Maldosa como ninguém
Finge que reza, na igreja.
Porém não reza, pragueja
Acrescentando um “Amém”…
Em: 232 Poetas Paulistas:antologia, ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 149
Igreja de Montmagny (Seine-et-Oise)
Maurice Utrillo (França, 1883 – 1955)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Na velha igreja te ouço
sino alegre … Estás dizendo
que há muito coração moço
em peito velho batendo.
(Lilinha Fernandes)
Monica pega chuva voltando do mercado, Ilustração Maurício de Sousa.
Rosana Rios
Tenho quatro guarda-chuvas
todos os quatro com defeito;
Um emperra quando abre,
outro não fecha direito.
Um deles vira ao contrário
seu eu abro sem ter cuidado.
Outro, então, solta as varetas
e fica todo amassado.
O quarto é bem pequenino,
pra carregar por aí;
Porém, toda vez que chove,
eu descubro que esqueci…
Por isso, não falha nunca:
se começa a trovejar,
nenhum dos quatro me vale –
eu sei que vou me molhar.
Quem me dera um guarda-chuva
pequeno como uma luva
Que abrisse sem emperrar
ao ver a chuva chegar!
Tenho quatro guarda-chuvas
que não me servem de nada;
Quando chove de repente,
acabo toda encharcada.
E que fria cai a água
sobre a pele ressecada!
Ai…
Burglar Bill, ilustração de Janet Ahlberg.
No carnaval, tem mania
de se vestir de ladrão;
mas, tirando a fantasia,
não muda de profissão!..
(Rodolpho Abbud)
Desconheço a autoria.
Miguel Torga
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Cartão postal francês.
No instante que precisares
Uma rua atravessar,
Olha bem para os dois lados
Para depois avançar.
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Sem título, 2014
[No camarote]
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)
óleo sobre tela
Alvarenga Peixoto
Eu vi a linda Estela, e namorado
Fiz logo eterno voto de querê-la;
Mas vi depois a Nize, e é tão bela,
Que merece igualmente o meu cuidado.
A qual escolherei, se neste estado
Não posso distinguir Nize d’Estela?
Se Nize vir aqui, morro por ela;
Se Estela agora vir, fico abrasado.
Mas, ah! que aquela me despreza amante,
Pois sabe que estou preso em outros braços,
E esta não me quer por inconstante.
Vem, Cupido, soltar-me destes laços,
Ou faz de dois semblantes um semblante,
Ou divide o meu peito em dois pedaços!
Em: Alvarenga Peixoto, Obras Poéticas. Edição da Prefeitura do Município de São Paulo, [Coleção Documentos – Clube da Poesia], 1956, p.29.
Alvarenga Peixoto (Brasil, 1742-1793) advogado e poeta do círculo da Inconfidência Mineira. Foi preso e degredado para a África.
Abelha feliz, ilustração anônima, acredito ser brasileira.
Rosa Clement
A abelha voou, voou.
Queria molhar o pé
e pousou na minha xícara
cheia de leite e café.
A abelha voou, voou.
desenhando um coração.
Queria provar um pouco
da geléia no meu pão.
A abelha voou, voou
Queria voar no céu
e eu que queria provar
um pouquinho de seu mel.
A abelha voltou, voou.
Queria me deixar feliz.
Achou que eu era um doce
e pousou no meu nariz.
(2010)