Ilustração de Michael Silver.
Saudade, quase se explica
Nesta trova que te dou:
Saudade é tudo que fica
Daquilo que não ficou.
(Luís Otávio)
Ilustração de Michael Silver.
Saudade, quase se explica
Nesta trova que te dou:
Saudade é tudo que fica
Daquilo que não ficou.
(Luís Otávio)
Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866-1944)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Gonçalves Crespo
Cercada de mestiças, no terreiro,
Cisma a Senhora Moça; vem descendo
A noite, e pouca a pouco escurecendo
O vale umbroso e o monte sobranceiro.
Brilham insetos no capim rasteiro,
Vêm das matas os negros recolhendo;
Na longa estrada ecoa esmorecendo
O monótono canto do tropeiro.
Atrás das grandes, pardas borboletas,
Crianças nuas lá se vão inquietas
Na varanda correndo ladrilhada.
Desponta a lua; o sabiá gorjeia;
Enquanto às portas do curral ondeia
A mugidora fila da boiada.
1869
Em: Obras Completas, Gonçalves Crespo, Livros de Portugal, s/d, Rio de Janeiro, p. 114.
Moça com chapéu de palha, Ilustração de Harrison Fisher.
Na vida que vou vivendo,
Muitas coisas aprendi;
E, afinal, fiquei sabendo:
Não posso passar sem ti.
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Nestor se distrai, ilustração Disney.
Não bata assim, coração!
Cuidado!… Jamais me assuste,
pois uma nova ilusão
pode ser um novo embuste.
(Zeni de Barro Lana)
Desconheço a autoria dessa ilustração.
Cleómenes Campos
Amigo, faze o bem: esse prazer dispensa
a maior recompensa:
— Aqueles frutos saborosos
que o teu vizinho colhe, às vezes, a cantar,
custaram com certeza, os trabalhos penosos
de alguém que já sabia
que nunca em sua vida, os colheria…
Mas nem por isso os deixou de plantar.
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 87.
Jean Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)
óleo sobre papelão sobre madeira, 32 x 41 cm
National Gallery, Washington, DC
Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato.
Ilustração de Fabius Lorenzi.
Existem coisas na vida
Que não posso compreender:
— Como é que sendo esquecida,
Não te consigo esquecer!
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)
óleo sobre tela, 46 x 56 cm
Olavo Bilac
Domingo… Os sinos repicam
Na igreja, constantemente,
E todas as ruas ficam
Alegres, cheias de gente.
Todo um dia de ventura…
Como o domingo seduz!
O homem, cansado, procura
Ter paz, ter ar, e ter luz.
Paradas e sem trabalho,
Dormem na roça as enxadas;
Dormem a bigorna e o malho
Nas oficinas fechadas.
Também, meninos cansados,
Os vossos livro deixai!
Deixai lições e ditados!
Dormi! Sorride! Cantai!
Fechem-se as aulas! E o bando
Ruidoso das criancinhas
Livre se espalhe, voando,
Como um bando de andorinhas!
Deus, quando o mundo fazia,
Sete dias trabalhou,
E ao fim do sétimo dia
Do trabalho descansou…
Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 47-8.

Na biblioteca há mil sábios
a nosso inteiro dispor.
Sem querer mover os lábios,
cada livro é um professor.
(A. A. de Assis)
Beijo roubado, ilustração de Howard Chandler Christy, 1904.
Fico em teus braços… Depois,
rogo a Deus, mais uma vez,
que o segredo de nós dois
fique só entre nós três.
(Cezário Brandi Filho)