Trova das letras

27 04 2016

 

 

abc, cubos, antigos

 

As letras… que maravilha

com elas a gente faz:

desde alegres redondilhas,

até um tratado de paz!

 

 

(Antônio Augusto de Assis)

 





Trova da mente brilhante

14 04 2016

 

 

eleiçãoCremilda faz campanha, ilustração de Maurício de Sousa.

 

 

Este mundo é interessante!

Eu conheço muita gente

que não tem mente brilhante

mas mente brilhantemente.

 

 

(José Nogueira da Costa)





Miçanga, poema de Wilson W. Rodrigues

12 04 2016

 

chuva,Tatsuro KiuchiChuva, ilustração de Tatsuro Kiuchi.

 

 

Miçanga

 

Wilson W. Rodrigues

 

Chuva — miçangas do céu

de um invisível colar

que na amplidão se partiu

veio na terra tombar.

 

Chuva — miçangas do céu

feita de pingos de luz;

cada pingo — estojo d’água

que um diamante conduz.

 

Chuva — miçangas do céu

do colar que se partiu;

miçanga — orvalho perdido

que no seu peito luziu.

 

Em: Bahia Flor – Poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: s/d, p. 127

 

 

Nota: Na publicação original a palavra miçangas encontra-se escrita com dois esses — missangas.  Ambas as formas: miçangas e missangas estão corretas.  No entanto, desde a publicação deste livro [acredito que tenha sido publicado nos anos 50 do século passado] convencionou-se que a forma missanga é a correta em Portugal enquanto que a forma miçanga é a correta no Brasil.  Assim, ao postar este poema troquei a grafia para corresponder à forma correta no Brasil.





Trova do Descobrimento do Brasil

10 04 2016

 

 

elifas_andreato_-_brasilIlustração Elifas Andreato.

 

 

“Terra à vista!” – Um grito intenso

soou nos céus, como um cântico,

e o Brasil surgiu, imenso,

num parto às margens do Atlântico!

 

(José Ouverney)





Trova da lição do rio

9 04 2016

 

 

rio, atravessando o riacho, margret boriss“O mundo pertence aos corajosos”, ilustração de Margret Boriss.

 

Jamais esqueça, meu filho,

do rio a grande lição:

quando mais rude o seu trilho,

mais bela sua canção.

 

(José Nogueira da Costa)





Trova da espera

5 04 2016

 

moça com passarinho, Jocelyne Pache, 1969Moça com passarinho, de Jocelyne Pache, 1969.

 

 

Não mais te quero esperar,

Que esperar é sofrimento…

Vou, desde já, começar

A esperar o esquecimento!…

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

 





O Maracatu, poesia de Sônia Carneiro Leão

22 03 2016

 

ROSINA BECKER DO VALLE (1914- 2000) - Maracatu em Pernambuco (Folclore Brasileiro),ost, 50 x 62. Assinado no c.i.e. e datado (1966)Maracatu em Pernambuco, 1966

Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)

óleo sobre tela, 50 x 62 cm

 

 

O Maracatu

 

Sônia Carneiro Leão

 

 

Ouvi uma batucada

vindo da encruzilhada

de uma rua do Recife.

 

Parei para dar uma olhada

e vi uma frota armada

de alfafas e abes

num batuque alucinado

o tal do baque virado

batuque de endoidecer.

 

Não um baque arrumadinho

feito o pagode e o chorinho

que cantam devagarinho

coisas boas de dizer.

 

Não.

Era um baque puro corte

saudando a vida e a morte

indo fundo até doer.

 

E algo foi-me exibido

em pleno Recife antigo

que mexeu tanto comigo

como nunca aconteceu.

 

Minh’alma já desarmada

pelo baque seco e cru

viu descer do céu Xangô

e toda nação Nagô

pra dançar Maracatu.

 

 

 

Em: Remendando Trapos: poesias, Sônia Carneiro Leão, Olinda, PE, Babeco: 2010, p. 42-3.





Trova da companhia

21 03 2016

 

fim 8Quinzinho e Magali ao final do dia, ilustração Maurício de Sousa.

 

 

Tem muito mais graça a vida

Quando a gente tem com quem

Repartir bem repartida

A graça que a vida tem.

 

 

(A. A. de Assis)





Destino, poema de Menotti del Picchia

10 03 2016

 

 

Goeldi,Oswaldo(1895-1961)pescador,1973,xilo,25x37Pescador, 1973

[Tiragem póstuma por Reynal]

Oswaldo Goeldi (Brasil, 1895-1961)

Xilogravura policromada

 

 

Destino

 

Menotti del Picchia

 

 

Amanhã eu vou pescar.

 

Há um peixe fatalizado

que a Ritinha vai guisar

na panela de alumínio

que brilha mais que o luar.

Hoje ele está no seu líquido

e opaco mundo lunar,

pequena seta de prata

furando a carne do mar.

 

Qual será? O bagre flácido

de cabeça triangular?

O lambari que faísca

como uma mola a vibrar?

O feio e molengo polvo,

monstruoso, tentacular?

O peixe-espada, de níquel,

a viva espada do mar?

 

Hoje estão vivos e lépidos

os lindos peixes do mar.

Amanhã…

 

Nem pensem nisso!

 

Amanhã eu vou pescar…

 

 

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 55.





Trova da nova santa

7 03 2016

 

710ba6bda638e540800f915aef38c7b4Ilustração de Victor Tchetchet, década de 1930.

 

 

Morre a prece na garganta

como um travo de vinagre…

Vou procurar outra santa,

que a minha não faz milagre.

 

 

(Nair Starling)