As letras… que maravilha
com elas a gente faz:
desde alegres redondilhas,
até um tratado de paz!
(Antônio Augusto de Assis)
As letras… que maravilha
com elas a gente faz:
desde alegres redondilhas,
até um tratado de paz!
(Antônio Augusto de Assis)
Cremilda faz campanha, ilustração de Maurício de Sousa.
Este mundo é interessante!
Eu conheço muita gente
que não tem mente brilhante
mas mente brilhantemente.
(José Nogueira da Costa)
Chuva, ilustração de Tatsuro Kiuchi.
Wilson W. Rodrigues
Chuva — miçangas do céu
de um invisível colar
que na amplidão se partiu
veio na terra tombar.
Chuva — miçangas do céu
feita de pingos de luz;
cada pingo — estojo d’água
que um diamante conduz.
Chuva — miçangas do céu
do colar que se partiu;
miçanga — orvalho perdido
que no seu peito luziu.
Em: Bahia Flor – Poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: s/d, p. 127
Nota: Na publicação original a palavra miçangas encontra-se escrita com dois esses — missangas. Ambas as formas: miçangas e missangas estão corretas. No entanto, desde a publicação deste livro [acredito que tenha sido publicado nos anos 50 do século passado] convencionou-se que a forma missanga é a correta em Portugal enquanto que a forma miçanga é a correta no Brasil. Assim, ao postar este poema troquei a grafia para corresponder à forma correta no Brasil.
Ilustração Elifas Andreato.
“Terra à vista!” – Um grito intenso
soou nos céus, como um cântico,
e o Brasil surgiu, imenso,
num parto às margens do Atlântico!
(José Ouverney)
“O mundo pertence aos corajosos”, ilustração de Margret Boriss.
Jamais esqueça, meu filho,
do rio a grande lição:
quando mais rude o seu trilho,
mais bela sua canção.
(José Nogueira da Costa)
Moça com passarinho, de Jocelyne Pache, 1969.
Não mais te quero esperar,
Que esperar é sofrimento…
Vou, desde já, começar
A esperar o esquecimento!…
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)
óleo sobre tela, 50 x 62 cm
Sônia Carneiro Leão
Ouvi uma batucada
vindo da encruzilhada
de uma rua do Recife.
Parei para dar uma olhada
e vi uma frota armada
de alfafas e abes
num batuque alucinado
o tal do baque virado
batuque de endoidecer.
Não um baque arrumadinho
feito o pagode e o chorinho
que cantam devagarinho
coisas boas de dizer.
Não.
Era um baque puro corte
saudando a vida e a morte
indo fundo até doer.
E algo foi-me exibido
em pleno Recife antigo
que mexeu tanto comigo
como nunca aconteceu.
Minh’alma já desarmada
pelo baque seco e cru
viu descer do céu Xangô
e toda nação Nagô
pra dançar Maracatu.
Em: Remendando Trapos: poesias, Sônia Carneiro Leão, Olinda, PE, Babeco: 2010, p. 42-3.
Quinzinho e Magali ao final do dia, ilustração Maurício de Sousa.
Tem muito mais graça a vida
Quando a gente tem com quem
Repartir bem repartida
A graça que a vida tem.
(A. A. de Assis)
[Tiragem póstuma por Reynal]
Oswaldo Goeldi (Brasil, 1895-1961)
Xilogravura policromada
Menotti del Picchia
Amanhã eu vou pescar.
Há um peixe fatalizado
que a Ritinha vai guisar
na panela de alumínio
que brilha mais que o luar.
Hoje ele está no seu líquido
e opaco mundo lunar,
pequena seta de prata
furando a carne do mar.
Qual será? O bagre flácido
de cabeça triangular?
O lambari que faísca
como uma mola a vibrar?
O feio e molengo polvo,
monstruoso, tentacular?
O peixe-espada, de níquel,
a viva espada do mar?
Hoje estão vivos e lépidos
os lindos peixes do mar.
Amanhã…
Nem pensem nisso!
Amanhã eu vou pescar…
Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 55.
Ilustração de Victor Tchetchet, década de 1930.
Morre a prece na garganta
como um travo de vinagre…
Vou procurar outra santa,
que a minha não faz milagre.
(Nair Starling)