Ilustração Margaret Evans Price
Do espelho da tua sala,
procura o exemplo seguir:
ele reflete e não fala,
tu falas sem refletir…
(Carlos Guimarães)
“
Ilustração Margaret Evans Price
Do espelho da tua sala,
procura o exemplo seguir:
ele reflete e não fala,
tu falas sem refletir…
(Carlos Guimarães)
“
Pescaria, John Newton Howitt (1885 – 1958)Para não faltar o peixe,
Na mesa do nosso lar,
O pescador bem cedinho,
Sua rede atira no mar.
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Ouça, cartão postal holandês, 1929.
Você mente quando diz
que me tem um grande amor;
mas isto me faz feliz:
— Minta sempre, por favor…
(Agmar Murgel Dutra)

“Ano Novo, vida nova”
– reza o dito popular.
Tal fato só se comprova
se você mesmo mudar.
(Sonia Regina Rocha Rodrigues )

José Jorge Letria
Vêm dos tios, dos avós
em embrulhos coloridos:
são livros e são brinquedos
já há muito prometidos
E nunca mais chega a hora
de serem desembrulhados;
enquanto o momento tarda
há meninos acordados.
Ao Natal do presépio
deram os reis os presentes
magos, vindos de tão longe
com túnicas reluzentes.
O menino, mal os viu,
logo se pôs a pensar:
“Talvez o melhor presente
seja o amor que vou dar.”
Chega embrulhado no sono
o presente mais gostoso:
é o colinho dos pais
abrindo a porta ao repouso.
E paira no ar a pergunta
que faz o maior sentido:
para se ter um presente,
há que tê-lo merecido?
Seja Jesus ou Pai Natal,
nisto hão de concordar:
o que conta nesta vida
é sabermos partilhar.
Em: O livro do Natal, José Jorge Letria, ilustrações de Afonso Cruz, editora Oficina do Livro: 2008

Fernando Pessoa
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Em: Cancioneiro, Fernando Pessoa, Cyberfil: 2002 – página 34
Papai Noel, ilustração de Dan Andreasen.
Minha maior alegria,
no Natal, era a emoção
do amor, que meu pai
trazia sob a barba… de algodão!
(Sérgio Ferreira da Silva)

Ruy Espinheira Filho
Há uma luz suave em que respiram.
Não mudaram nada e fingem não ver
como sou mais moço na fotografia.
Contam histórias, sempre, mesmo quando em silêncio
(e tanto quanto se contam, contam-me também de mim).
Não mais precisam beber, só se refletem no copo
que ergo e em que bebo, por eles e por mim,
trespassado ainda dos sonhos que compunham a alma
de que se iluminava o moço nas fotografias.
Em: Sob o céu de Samarcanda: poemas, Ruy Espinheira Filho, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil e Fundação da Biblioteca Nacional: 2009, página 152.

Pleno outono … e em meu atalho,
sem um amor que me acolha,
invejo a sorte do orvalho
que se abriga em qualquer folha.
(Edmar Japiassú Maia)
Ilustração, ©Walt Disney
O trabalho do banqueiro
está no seu jogo impuro:
tem lucro com meu dinheiro
e ainda me cobra juro.
(Olympio Coutinho)