Cidade brasileira, ilustração, Norbim.
Cidade brasileira, ilustração, Norbim.
Ilustração de Kate Greenaway, 1910, para o Flautista de Hamelin
Para dar cor aos matizes
da mais bela floração,
humildemente, as raízes
vivem ocultas no chão !
(Cipriano Ferreira Gomes)
Ilustração Maurício de Sousa.
Ao sofrer uma agressão
a terra não choraminga
nem esboça reação,
mas… cedo ou tarde, se vinga…
(Adélia Victória Ferreira)
Ilustração de Marli Soares Borges.
Maria da Graça Almeida
Perfilados, apontados,
estão todos bem guardados
numa caixa tão bonita,
desenhada e com fitas!
São eretos, são brilhantes
coloridos, elegantes!
Têm o corpo de madeira,
têm a cor na cabeleira!
O azul colore o céu,
o verdinho aviva as folhas.
Pra pintar um bom painel,
o tom fica a sua escolha.
Tenho um sol brilhante e belo
com o lápis amarelo!
Lápis preto escurece
e o desenho entristece.
Com o branco passo apuros,
mas às vezes nele aposto,
sua cor em fundo escuro
quando vejo sempre gosto!
Ilustração japonesa, praia à noite.
Mostrando ser feminina,
a praia ouve os segredos
que o mar, por trás da neblina,
conta baixinho aos rochedos.
(Durval Mendonça)
Ilustração de Marcel Marlier ( Bélgica, 1930-2011)
Trago minhas mãos manchadas
de sangue, pelos espinhos
das mil rosas perfumadas
que espalhei nos teus caminhos…
Izo Goldman

Manuel Bandeira
Olho a praia. A treva é densa.
Ulula o mar, que não vejo,
Naquela voz sem consolo,
Naquela tristeza imensa
Que há na voz do meu desejo.
E nesse tom sem consolo
Ouço a voz do meu destino:
Má sina que desconheço,
Vem vindo desde eu menino,
Cresce quanto em anos cresço.
– Voz de oceano que não vejo
Da praia do meu desejo…
Em: Estrela da Vida Inteira- poesias reunidas, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1979, pp 30.
Ilustração de Mort Engel.
Teu retrato, enraivecida,
eu rasguei, sem embaraços…
mas a saudade, atrevida,
juntou de novo os pedaços!…
(Marilúcia Rezende)
Ilustração de John Gannam, 1948.
Entra o sol pela vidraça
e em teu leito empalidece,
deslumbrado pela graça
que teu corpo lhe oferece.
(Durval Mendonça)
Domingo
Cláudio Dantas (Brasil, 1959)
óleo sobre tela
Carlos Drummond de Andrade
Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou na relva para pegar um pássaro.
O mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo ao redor de Clara.
As crianças olhavam para o céu… Não era proibido!
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos…
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim pela manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs, naquele tempo!!!
Em: Poemas para a Infância: antologia escolar, editado por Henriqueta Lisboa, s/d, São Paulo: Edições de Ouro, p. 26-7