Ilustração Andrea Laliberte.
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A verdadeira Poesia
não se prende a nenhum laço:
na tristeza, ou na alegria,
ela ocupa o mesmo espaço.
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(Moysés Augusto Torres)
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A verdadeira Poesia
não se prende a nenhum laço:
na tristeza, ou na alegria,
ela ocupa o mesmo espaço.
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(Moysés Augusto Torres)
René Magritte ( Bélgica, 1898-1967)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
National Gallery of Art, Washignton DC
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O lavrador consciente,
Que sabe reflorestar,
Quando tomba uma floresta,
Planta outra em seu lugar!
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(Walter Nieble de Freitas)
Ilustração: Bolinha posa para fotografia subindo na árvore.–
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Martins D’Alvarez
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Meninos, amai as árvores!
Pois elas são como nós…
Têm coração nas raízes
E as folhas falam, têm voz.
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Não devemos machucá-las;
Elas também sentem dor.
E são tão boas… Dão sombra,
E os seus frutos nos dão cor.
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Elas morrem para dar
Conforto ao nosso viver…
Do leito, para sonhar,
Ao carvão para aquecer.
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Sejamos irmãos das árvores!
Façamos-lhes festas mil!
A árvore é a fada da pátria…
Foi quem deu nome ao Brasil!
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Joaquim Figueira (Brasil, 1904-1943)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Hélio Pellegrino
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Quanto silêncio em tua raiz,
árvore, respiraste,
para chegar a ousar
a doçura que ousaste;
quanta nortada sacudiu,
na fúria rouca de águas bravas,
tua galharia, até que houvesse
esta flor calma em tua haste.
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Em: Minérios domados- poesia reunida, Hélio Pellegrino, Rio de Janeiro, Rocco: 1993
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Hélio Pellegrino nasceu em Belo-Horizonte em 1924 e morreu no Rio de Janeiro em 1988. Cursou a faculdade de medicina em Belo Horizonte, mas terde vindo para o Rio de Janeiro com a família, inicia-se na psicanálise, que praticou por décadas ao mesmo tempo que se dedicava ao jornalismo. Teve também a oportunidade de desenvolver sua carreira de escritor e poeta.
Obras literária :
Poema do príncipe exilado, 1947
A burrice do demônio, 1988
Minérios Domados, 1993
Meditação de Natal, 2003
Lucidez embriagada, 2004
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Ah! se as árvores falassem!
Diriam, por certo, assim:
Criança, sou tua amiga,
Peço que zeles por mim!
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(Walter Nieble de Freitas)
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Christina Rossetti
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Navegam botes nos rios,
navios andam no mar,
mas que é mais belo que as nuvens
que se transformam no ar?
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Vejo pontes sobre os rios,
belas esteiras de aço;
mas que ponte mais bonita
você conhece, no espaço?
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Sete cores reunidas
formando bonito véu,
um arco misterioso
que serve de ponte ao céu.
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É uma estrada colorida
que aparece, de repente,
levando, da terra ao céu,
tudo que nossa alma sente!…
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Tradução e adaptação de Helena Pinto Vieira
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Em: O mundo da crianças, poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1975, volume 1, p. 156
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Roberto de Souza ( Brasil, 1943)
óleo sobre tela, 88 x 55 cm
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Gilberto Mendonça Teles
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Fiz meu curso de madureza,
passei nos testes com bom conceito:
conheço tudo de cama e mesa,
tenho diplomas dentro do peito.
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Aluno médio de neolatinas,
vi línguas mortas, literaturas…
Mas eram tantas as disciplinas,
as biografias, nomenclaturas,
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tantos os rumos na encruzilhada,
tantas matérias sem conteúdo,
que acabei não sabendo nada,
embora mestre de quase tudo.
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Doutor em letras, as minhas cartas
são andorinhas nos vãos dos templos;
ensino o fino das coisas fartas
e amores livres com bons exemplos.
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Livre-docente, sou indecente
e nunca ensino o pulo-do-gato:
esta a razão por que há sempre gente
contra o meu jeito de liter-rato.
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Com tantos títulos e uma musa,
sou titular, mas jogo na extrema:
o ponta-esquerda que nunca cruza,
que sempre dribla nalgum poema.
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Sou bem casado, mas já fiz bodas;
Já fui cassado, tive anistia:
e, buliçoso, conheço todas
as coisas boas de cada dia.
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Só não conheço o que mais excita,
o que me envolve por todo lado:
talvez a essência da coisa escrita,
talvez a forma de um mau-olhado.
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Em: Plural de nuvens, Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro, José Olympio: 1990
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Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro.
Obras:
Alvorada, 1955.
Estrela-d’Alva, 1958
Fábula de Fogo, 1961
Pássaro de Pedra, 1962
Sonetos do Azul sem Tempo, 1964
Sintaxe Invisível, 1967
La Palabra Perdida (Antología),1967
A Raíz da Fala, 1972
Arte de Armar. Rio de de Janeiro: Imago, 1977
Poemas Reunidos, 1978
Plural de Nuvens, 1984
Sociologia Goiana, 1982
Hora Aberta, 1986
Palavra (Antologia Poética),1990
L ´Animal (Anthologie Poétique), 1990
Nominais, 1993
Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles
Sonetos (Reunião), 1998
Casa de Vidrio (Antología Poética, 1999
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Pé de romã, 1990
Amadeu Luciano Lorenzatto (Brasil, 1900-1995)
óleo sobre eucatex, 60 x 40 cm
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Aristeu Bulhões
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No chão do meu quintal, que rústico era,
Eu, que de sonhos enfeitava a vida,
Numa linda manhã de primavera,
Plantei ramos de uma árvore caída…
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E, cheio de ilusão e de quimera,
Abandonei a terra estremecida
Como o viajante que atingir espera
A rósea meta, a que o Ideal convida…
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Anos depois voltei… Na alma cansada
nem mais um sonho, uma ilusão trazia
Porque tudo eu perdera na jornada.
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Mas, cada ramo que plantei a esmo,
Era uma árvore imensa que floria
Para arrimo e conforto de mim mesmo.
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Em: Apologia da árvore, Leonam de Azeredo Penna, Rio de Janeiro, IBDF: 1973
Ipê amarelo, s/d
Paulo Gagarin (Brasil, 1885-1980)
óleo sobre tela, 41 x33 cm
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Banhado de sol e de ouro,
tanta é a beleza que encerra,
que o Ipê parece um tesouro
saído há pouco da terra!
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(Clóvis Brunelli)
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Olegário Mariano
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Terra florida. Estação nova. Tanta
Vida em redor! Ser folha quem dera!
Cada arbusto que vejo é uma garganta,
Um grito de entusiasmo à Primavera!
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Bendito o sol que no alto céu flameja
E desce em fogo pelas serranias…
O sol é um velho sátiro que beija
Sofregamente as árvores esguias.
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Anda, toto pelo ar, espanejante,
Um enxame fantástico de abelhas
Que estonteadoramente paira diante
De corolas e pétalas vermelhas.
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Vida para o trabalho! Ouve-se o coro
Dos lavradores e das raparigas…
Ondula ao sol, como um penacho de ouro,
A cabeleira fulva das espigas.
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Primavera! No teu aspecto antigo,
Alucinante e triste muitas vezes,
Quando chegas pelo ar trazes contigo
Calma e fartura para os camponeses.
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Dá arrepios fortes e desejos…
Teu nome é seiva, é força, é mocidade…
A terra anda a clamar pelos teus beijos
Que são sementes da fecundidade.
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Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas, Olegário Mariano, vol 1 ( 1911-1931), Rio de Janeiro, José Olympio:1957
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Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro. Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac. Membro da Academia Brasileira de Letras.
Obras:
Angelus , 1911
Sonetos, 1921
Evangelho da sombra e do silêncio, 1913
Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917
Últimas Cigarras, 1920
Castelos na areia, 1922
Cidade maravilhosa, 1923
Bataclan, crônicas em verso, 1927
Canto da minha terra, 1931
Destino, 1931
Poemas de amor e de saudade, 1932
Teatro, 1932
Antologia de tradutores, 1932
Poesias escolhidas, 1932
O amor na poesia brasileira, 1933
Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933
O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937
Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939
Em louvor da língua portuguesa, 1940
A vida que já vivi, memórias, 1945
Quando vem baixando o crepúsculo, 1945
Cantigas de encurtar caminho, 1949
Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953
Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957