Marinheiro, poema de Ladyce West

14 01 2026

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Capa da Revista Judge, de junho de 1925, com ilustração de Ruth Eastman.
Marinheiro

Ladyce West

Sou marinheiro de muitos mares,
De vários pares, de poucos lares,
De rumo impreciso,
De longos caminhos.
Redemoinhos…
Sou marinheiro de muitas águas
E poucas mágoas.
Destino traçado
Nas sombras das vagas
Em promessas pagas
No fluxo do amor

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014

(Poesia escolhida e publicada no Desafio da Poesia de 2014, e esquecida na gaveta até hoje. Rs…)

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Trova da margarida

9 01 2026

 

Margarida vai passando
no seu traje original.
Pensa que está abafando,
parece um pavão real…

 

(Anônima, folclore nacional, cantiga de roda)





Trova dos olhos negros

2 01 2026
Ilustração de Jon Whitcomb (EUA, 1906-1988)

 

 

Os teus olhos, pretos, pretos,

são como a noite cerrada…

Mesmo pretos, como são,

sem eles, não vejo nada.

 

(Trova anônima)





A minha terra natal, poesia de Helena Lellis de Andrade

10 12 2025

Paisagem mineira

Armínio Pascual (Brasil, 1920 – 2006)

óleo sobre eucatex, 30 x 40 cm

A minha terra natal

 

Helena Lellis de Andrade

 

Há montanhas azuladas
E campinas verdejantes
Um rio murmurante
De águas sempre a rolar

Há coqueiros, altaneiros
Sapatinhos e ipês
Há prédios altos, vistosos
Há choupanas de sapé

Há uma cruz no alto do morro
Com capelas pra rezar
Lembram passos dolorosos
De Jesus a se imolar

Há no lindo azul do céu
Brancas nuvens a passar
Estrelas brilham, cintilam
Nas noites claras de luar

Há estradas, automóveis
Trens, bondes e oficinas
Há sirenes e buzinas
Há coisas intermináveis

Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias
Chorando para os finados

Não é brilhante nem ouro
Mas vale mais que tesouro
É a imagem milagrosa
Da nossa padroeira
A Senhora Aparecida
Do Brasil tão querida
Das Graças a medianeira

Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias

 

(29 de julho 1952)





O homem e sua morte, poesia de Sávio Soares de Sousa

1 12 2025
Ilustração de Yan Nascimbene.

 

 

O homem e sua morte

 

Sávio Soares de Sousa

 

Foi minha morte que nasceu comigo.

Trago-a em mim, circulando nas artérias,

latente em cada célula, no fundo

tranquilo de minha alma resignada.

 

Em verdade, nasceu com a minha sombra,

ou é, talvez, a própria sombra incôngrua,

com que diuturnamente me confundo,

ao meio-dia, sobre o chão da estrada.

 

Sou igual aos demais, de igual destino.

Pouco me importa o prazo destas férias,

nem me inquieta a imutável companhia,

 

que de mim nunca mais se apartará:

no instante em que, sem luz, se suma a sombra,

comigo a minha morte morrerá.





Trova dos amigos

26 11 2025
Pato Donald faz amigos, ilustração Walt Disney.

 

Para mantê-los me empenho,     

porque penso sempre assim:

tendo os amigos que tenho,

eu nem preciso de mim!

 

(Izo Goldman)





Trova do ciúme

4 11 2025
Ilustraçao: Anúncio da marca Cashmere Bouquet, 1950.

 

 

Tenho ciúme até das rosas

abertas no teu jardim,

pois sei que ao vê-las, formosas,

te esqueces logo de mim.

 

(Heitor Stockler) 





Trova do mar

2 11 2025
Xilogravura poli-cromada japonesa. Ignoro a autoria. 

 

 

Morro de inveja do mar,

felizardo, vagabundo,

que não se cansa em beijar

as praias de todo o mundo!

 

(Cesídio Ambroggi)





Trova do acidente

25 10 2025
“Minha nossa é o carro deles!… Pare, por favor… eu desço”, Tintin o detetive belga, por Hergé.

 

 

Todo “barbeiro” sustenta

que a batida foi assim:

– Veio um poste a mais de oitenta,

na contra-mão, contra mim!…

(Izo Goldman)





Trova do jardineiro

19 10 2025
O jardim, ilustração de Pierre Brissaud,1926, para a revista House & Garden, mês de outubro.

 

 

 

Sou jardineiro imperfeito,

pois, no jardim da amizade,

quando planto um amor-perfeito,

nasce sempre uma saudade…

 

 

(Adelmar Tavares)