Irmãos metralha, ilustração Walt Disney
Que elegante está você!
Este pijama é perfeito!
Só não entendo por que
tantos números no peito!???
(José Ouverney)
Que elegante está você!
Este pijama é perfeito!
Só não entendo por que
tantos números no peito!???
(José Ouverney)
Carnaval. Reina a folia.
Quantos, nessa confusão,
se escondem na fantasia
para mostrar o que são!
(Paulo Emílio Pinto)
Triste vida a do Pierrô:
sofrer pela Colombina,
que, nos braços de Arlequim,
ri de sua triste sina!
(Paluma Filho)
Ferreira Gullar
Ter medo da morte
é coisa dos vivos
o morto está livre
de tudo que é vida
Ter apego ao mundo
é coisa dos vivos
para o morto não há
(não houve)
raios rios risos
E ninguém vive a morte
quer morto quer vivo
mera noção que existe
só enquanto existo
Em: Muitas vozes: poemas, Ferreira Gullar, 3ª edição, Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p. 48
Terra – bendito seu nome,
sinônimo de fartura;
só quem nunca sentiu fome
menospreza a agricultura!
(Arlindo Tadeu Hagen)
Do meu anúncio em jornal
gostei tanto quando li
que antes do prazo final
comprei tudo o que eu vendi.
(Abílio Kac)
Glicínia em flor
Da série: Flores da Primavera
Yushi Osuga (Japão, 1946-1970)
xilogravura policromada
CHUVA DE PRIMAVERA
Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.
FESTA MÓVEL
Nós dois? – Não me lembro.
Quando era que a primavera
caía em setembro?

Casinha da vovó,1976
Lorenzato (Brasil, 1900-1995)
óleo sobre cartão, 38 x 32 cm
(Diário I, 1941)
Miguel Torga
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.
Procurei a felicidade
por este mundo sem fim,
sem saber que na verdade
estava dentro de mim.
(José Carlos Dutra do Carmo)
Arca de Noé, 1978
Adelson do Prado (Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 29 x 33 cm
Defendei, meu São Francisco,
os cachorrinhos e os gatos.
Protegei-os contra o risco
do abandono e dos maus-tratos.
(A. A. de Assis)








