–
–
Chuva, ilustração de Walter Crane.
–
Em manhã chuvosa, a vida
canta no seio da mata
e há notas de água caída
no piano da cascata.
–
(José Lucas de Barros)
–
–
–
Em manhã chuvosa, a vida
canta no seio da mata
e há notas de água caída
no piano da cascata.
–
(José Lucas de Barros)
–
–
–
Paciência é uma virtude
que se tem, mas que se gasta
quando se toma a atitude
de, para alguém, dizer: – Basta!
–
(Antônio José Barradas Barroso)
–
–
Na corda bamba da vida
meu equilíbrio anda perto
de descobrir a medida
entre um tombo e um passo certo.
–
(Alba Christina)
–
–
Ilustração, autoria desconhecida.–
Padece a Nação inteira
e explodem forças armadas,
quando a Sorte põe, arteira,
o poder em mãos erradas! …
–
(Heloísa Zanconato Pinto)
–
–
–
O pôr-do-sol no horizonte,
com seus raios, me seduz
e eu vejo por trás do monte
uma cascata de luz.
–
(Hélio Pedro Souza)
–
–

–
Bem cedinho, o pescador,
No rio, foi apanhar
Esse peixe apetitoso
Que eu vou comer no jantar.
–
(Walter Nieble de Freitas)
–
–
Morro do Borel, Rio de Janeiro, 1971
Armando Vianna ( Brasil, 1897-1992)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
–
–
Celina Ferreira
–
–
Navios vão-se atracando,
chegam noturnos mineiros,
andarilhos vêm andando
e em cavalos, cavaleiros
trocando o sul e os cavalos,
as colheitas e o dinheiro
por uma braça de um rio
de inexistente janeiro.
–
As casas vertiniginosas
na floresta de cimento
sobem doidas, caprichosas,
arranhando o firmamento.
As ruas crescem, comprimem
o corpo azul do gigante
que se levanta irrascível,
touro raivoso e espumante.
–
Medrosos troncos se abraçam
na floresta verdadeira.
Cipós covardes se enlaçam
pelo corpo das palmeiras.
Tudo debalde. O homem lança
um olhar de certeira flecha,
dardo de fogo que alcança
o coração da floresta.
–
Ai soluço ressequido,
pranto escuro de carvão!
Ai fundo e negro suspiro
que se eleva na amplidão!
Línguas de um fogo faminto
estralam gula e paixão.
Ai! Das matas sobe um grito,
descem lavas de um vulcão.
–
Os homens plantam sementes
de fogo e míseras casas,
crivam duros alfinetes
na renda verde das matas.
Nas grimpas nuas, as chagas,
ontem, rubras de clarão,
hoje são tendas plantadas
entre reboco e carvão.
E a miséria fecundada
no gineceu das taperas
rebenta nas densas matas
uma estranha primavera.
–
–
Em: Poesia Cúmplice, Celina Ferreira, Rio de Janeiro, Livraria São José Ed.: 1959
–
–
Celina Ferreira — nasceu em Cataguases, Minas Gerais, em 1928. Jornalista, dedicou-se também à literatura infantil.
Obras:
A princesa Flor-de-Lótus , 1958
Papagaio gaio: poeminhas, 1998
Obra poética:
Poesia de ninguém, 1954
Poesia cúmplice, 1959
Hoje poemas, 1967
Espelho convexo, 1973
–
–
Pato Donald e Margarida parados no trânsito, ilustração Walt Disney.–
Motorista, paciência…
Calma lá, meu companheiro!
Não se esqueça: competência
nem sempre é chegar primeiro.
–
(Antônio Augusto de Assis)
–
–
–
Em cauda de lagartixa
está a lealdade que louvo:
– Se puxada, não espicha;
cortada, nasce de novo!
–
(Humberto Lyrio da Silva)
–
–
Retrato de Senhora, 1921,
Oscar Boeira (Brasil, 1883-1943)
óleo sobre eucatex, 48 x 50 cm
Acervo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
–
–
Os teus olhos (quem diria?)
São ladrões de profissão;
me roubaram noutro dia,
num olhar, meu coração…
–
(Josué da Silva)