Quadrinha da vitória

30 06 2012

Pato Donald ganha um prêmio de fotografia, ilustração Walt Disney.

Guarde respeito à vitória,
não humilhe os perdedores;
porque a soberba na glória
marca o fim dos vencedores!


(José Valdez de Castro Moura)





Chácara, poesia de Domingos Pellegrini

29 06 2012

Ipê Rosa, s/d

Funchal Garcia (Brasil, 1889-1979)

óleo sobre madeira, 50 x 60 cm

Chácara

Minha chácara sempre surpreende

ora com novo canto passarinho

ora com a picada de um espinho

porém do mesmo ramo onde a flor pende

A lesma vai lambendo seu caminho

cachorro olha como quem entende

e o beija-flor é o único que tem de

mostrar pressa aqui nesse mundinho

Quando menos se espera amadurecem

frutos e idéias entre sentimentos

que de janela aberta adormecem

Para varrer emprego o Senhor Vento

embriagado sempre que florescem

os meus mais perfumados pensamentos

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





Quadrinha da minha infância

28 06 2012

Barquinho de papel, ilustração de Maurício de Sousa.

 De papel, foi meu barquinho,
 pelo rio, sem destino…
 Mas encontrou, no caminho,
 os meus sonhos de menino!
 (Mara Melinni)




Cantiga do lobo amável, poesia infantil de Stella Leonardos

27 06 2012

Ilustração de Loubli Bengali.
Cantiga do lobo amável

Stella Leonardos

— Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de framboesa!

— Que queres, lobo daninho?

— Acompanhar-te, beleza.

— Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de coral!

— Que queres, lobo daninho?

— Proteger-te de algum mal.

— Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor da alegria!

— Que queres, lobo daninho?

— Gozar tua companhia.

— Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de carmim!

— Que queres, lobo daninho?

— Guardar-te sempre pra mim.

Em: Fantoches, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956.





Quadrinha da avó

27 06 2012

Histórias da vovó, ilustração Rachelle Anne Miller.

Minha netinha embalando,

da alegria sigo os passos.

Julgo-me o Inverno cantando

com a Primavera nos braços.

(Lilinha Fernandes)





Trova (Quadrinha) da minha sombra

26 06 2012

Minha sombra, ilustração de Margaret Tarrant.

No meu humilde viver
a solidão é tamanha,
que só me falta perder
a sombra que me acompanha…


(José Carlos Lery de Guimarães)





O cartógrafo, poema de José Paulo Moreira da Fonseca

26 06 2012

Mapa antigo, Janssonius, América do Sul.

O cartógrafo

José Paulo Moreira da Fonseca

No azul desse mar distante

Porei uma nau feito as que de lá me trouxeram novas

De serpentes entre as algas

Que à sombra dos mastros igualmente vou desenhando

E ainda uma diurna costa com verdes palmas,

Flores rubras, pássaros e lagartos

Que sejam ornamento e nos fale da estranheza.

E porei, além, uma póvoa de aborígenes

E mais além, porque tudo ignoramos,

Cumpre-me deixar a carta em branco,

Sem palavras nem contornos,

Tão-só indagação, casta e silenciosa,

Como a do papel em que escrevo.

Em: Antologia Poética, José Paulo M. F., Rio de Janeiro, Leitura: 1968





Irmão menor — poesia infantil de Pedro Bandeira

24 06 2012

Meninos brigando, 1911, ilustração de Leyendecker para a revista americana Saturday Evening Post.

Irmão menor


Pedro Bandeira


Irmão menor
É pior
que catapora
irmãozinho
é pior do que carniça,
É pior do que injeção.


Mexe no que é meu,
rabisca meu caderno,
perde meu carrinho,
e eu fico de castigo
se lhe dou um safanão.

É praga, é prega,
é sarampo, é varicela!

E não venha
achar estranho,
só porque dei uma surra
no danado do moleque
que xingou o meu irmão.


Eu posso xingar,
Os outros não.





Trova (Quadrinha) da boa sorte

23 06 2012

Pato Donald encontra um sinal de sorte, ilustração Walt Disney.

A sorte tem seus encantos,
seus agrados, seus engodos;
às vezes agrada a tantos,
mas jamais agrada a todos

(Amália Max)





Feira moderna de Caruaru, poema de Domingos Pellegrini, Jr.

21 06 2012

Cabras, arte africana, sem autoria.

Feira moderna de Caruaru

Domingos Pellegrini Jr.

1

A carne-de-sol na sombra

das barracas de alvaiade

Quarenta cachorros magros

Ninguém pode ter piedade

C’uma costela de vaca

a fome toca rabeca

no coração da cidade.

A feira dura três dias

não deixa sobra nenhuma

Cada velho cada menino

é doutor de economia.

Um cego vendendo um bode

garante que produz leite

coalhada até requeijão

— Mas, cego, como é que pode?

O cego apenas responde:

— Hoje quem faz propaganda

não aceita discussão.

2

Mas cadê aquela feira

que irmão abraçava irmão

Fateira entregava a concha

pra mexer no caldeirão

Feirante botava a fruta

na boca do cidadão

Se não gostou, não comprava

Se azedou, devolvia

Se não vendia, era dado

Freguês pagava outro dia

Morria, era perdoado

Hoje são outros 500

São outros tempos, meu mano

O cego vendeu o bode

— Vendi, e sem garantia

Tinha mais de 30 anos

não vive mais 30 dias

Negócio tipo moderno.

Hoje aqui ninguém mais fia.

Quem pode, financia.

Quem não pode, vá pro inferno.

Em: Poesia viva 2: a diversidade de nosso tempo na visão de cada poeta, coord. e sel. Moacyr Félix, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira:1979