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Visita à vovó, ilustração Marie Cramer.
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Fizemos na vida ingrata
do nosso amor um tesouro:
os filhos nos deram prata!
Os netos nos deram ouro!
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(José Maria Machado de Araujo)
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Visita à vovó, ilustração Marie Cramer.–
Fizemos na vida ingrata
do nosso amor um tesouro:
os filhos nos deram prata!
Os netos nos deram ouro!
–
(José Maria Machado de Araujo)
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Pedro Bandeira
–
Sei que o mundo é mais que a casa,
Mais que a rua, mais que a escola,
Mais que a mãe e mais que o pai.
–
Vai além do horizonte,
Que eu desenhei no caderno,
Como linha reta e preta,
Que separa azul de verde.
–
Sei que é muito, sei que é grande,
Sei que é cheio, sei que é vasto.
–
Me disseram que é uma bola,
Que flutua pelo espaço,
Atirada pelo espaço,
Atirada pelo chute
De um gigante poderoso;
Vai direto para um gol,
Que ninguém sabe onde é.
–
Mas para mim o que mais conta
É este mundo que eu conheço
E que cabe direitinho
Bem debaixo do meu pé.
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Em: Cavalgando o arco-íris, Pedro Bandeira, São Paulo, Moderna:1984.
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A casa alheia varrendo
antes de limpar a sua
– é o que o homem está fazendo,
tão preocupado com a Lua.
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(Ney Damasceno)
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Decalcomania, 1966
René Magritte (Bélgica, )
óleo sobre tela
Coleção Particular, Dr. Noémi Perelman Mattis e Dr. Daniel C. Mattis
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Pedroso Rodrigues
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Que sombra vacilante e receosa,
De pedra em pedra, ao longo do caminho,
Vem seguindo os meus passos de mansinho,
E para, quando eu paro, cautelosa?
–
Vê-me partir da terra e corre, ansiosa,
Morre e renasce, à luz do luar de arminho;
Sobre as ondas do mar, como um golfinho,
Corta do meu navio a proa airosa.
–
Vai onde eu vou, onde eu existo existe;
Afasta-se sutil se a luz da esperança
Afaga o meu olhar; se me vê triste
–
Vem logo a mim guardar-me noite e dia…
Sombra fiel, quem és, que não te cansa
Ser a sombra da luz que me alumia?
–
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Em: Poemas em sonetos, Pedroso Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora do autor: 1933.
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Pedroso Rodrigues (Portugal? — Brasil?)
Obras:
Auto Pastoril, teatro, 1903
Bodas de Lia, teatro, 1906
A Cilada, teatro, 1912
Poemas em Sonetos, poesia, 1933
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Recordo o velho sobrado…
meus pais… a infância inocente…
e as essências do passado
vão perfumando o presente!…
–
(Arlindo Tadeu Hagen)
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A jaula do leão, 1883
Daniel Hernández Morillo (Peru, 1856-1932)
óleo sobre tela
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Domingos Pellegrini
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No zoológico o mais esquisito
não é o bicho encolhido de medo
nem é o condor encarcerado em tédio
em vez de viajar ao infinito
–
Não é tigre triste e sem remédio
não é macaco com olhar aflito
não é o leão vizinho do cabrito
ou a girafa longe de arvoredo
–
Não é o rinoceronte sem campina
nem a onça sem caça a nos olhar
com a selvageria já mofina
–
Bicho mais esquisito é o que aprisiona
a bicharada para se apreciar
arrotando pipoca e Coca-Cola
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Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005
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Francisco Azevedo
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Nesta vida
a gente vai tomando sorvete
como pode.
–
O pescoço torto
lambe em volta
pra não cair respingo.
–
De repente, suspense:
a língua salva
em segundos
o excesso que escorre.
–
Os olhos não enxergam
um palmo adiante do nariz:
riscos e cuidados
sujeira por um triz.
–
Ao final
(Mesmo de colher)
só os raros chegam
sem melar as mãos.
–
— Me alcança um guardanapo, vai.
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(New York, 1982)
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Em: A casa dos arcos, Francisco Azevedo, Paz e Terra: 1984, Rio de Janeiro
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Francisco José Alonso Vellozo Azevedo, (Rio de Janeiro, RJ , 23/2/1951) – formado em direito, diplomata, escritor, roteirista, cinematógrafo e poeta.
Obras:
Contra os moinhos de vento, poesia e prosa, 1979
A casa dos arcos, poesia, 1984
O arroz de palma, romance, 2008
Doce Gabito, romance, 2012
Unha e carne, teatro
A casa de Anaïs Nin, teatro
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Cebolinha no carro com papai. Ilustração Maurício de Sousa.–
Pai, tu foste um exemplo
de coragem e honestidade.
Fizeste da vida um templo
– Culto ao amor e à verdade!
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(Jessé Nascimento)
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As ruas são labirintos
onde eu noto, em profusão,
milhões de dramas distintos
vagando na multidão!
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(Arlindo Tadeu Hagen)
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José Paulo Moreira da Fonseca
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Antes do rubor da aurora
O teu vermelho canto se ergue em flamas
Ferindo a noturna paisagem, mas tão rude e sôfrego
Que dir-se-ia tudo perdido. E o repetes
E um novo cantar, ao longe, nos relembra a imensidão das sombras.
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Em: Antologia Poética, José Paulo M. F., Rio de Janeiro, Leitura: 1968