ilustração, “Back home for good”, por John Whutcomb, Life, 16/10/1942.
Perdoa se fui ousado…
Não estou arrependido!
Quem ama, não tem pecado,
pecado… é o tempo perdido!
(Alba Helena Corrêa)
Perdoa se fui ousado…
Não estou arrependido!
Quem ama, não tem pecado,
pecado… é o tempo perdido!
(Alba Helena Corrêa)
Henriqueta Lisboa
Passos de brinquedos, leves,
que não conhecem o chão.
É o bebê que faz a estréia
com sapatinhos de lã.
Passos que dizem bom-dia
de tão claros, tão alegres!
São as meninas crescidas
que voltaram do colégio.
Passos enérgicos, largos,
tremem as próprias paredes.
São os homens do trabalho,
que não têm tempo a perder.
Vagarosos passos últimos
arrastados em chinelos.
São as vovozinhas surdas
acalentando seus netos.
Em: O menino poeta, Henriqueta Lisboa, (Edição ampliada) Imprensa Oficial de Belo Horizonte, Governo do Estado de Minas Gerais: 1975, p. 141
Mui decentes eu não acho
teus vestidos minha prima:
são altos demais em baixo,
são baixos demais em cima!
(Belmiro Braga)

Olavo Bilac
Ano-Bom. De madrugada,
Bebê desperta, e, assustada,
Avista um vulto na cama.
Que será? Que medo! E, tonta,
Eis que Bebê se amedronta,
Chora, grita, chama, chama…
Mas, quando se abre a cortina,
Quando o quarto se ilumina,
Bebê, de pasmo ferida
Vê que o medo não é justo:
Pois a causa de seu susto
É uma boneca vestida.
Que linda! é gorda e corada,
Tem cabeleira dourada
E olhos cor do firmamento…
Põe-na no colo a criança,
E de olhá-la não se cansa,
Beijando-a a todo o momento.
Nisto a mamãe aparece.
Como Bebê lhe agradece,
Com beijos, risos e abraços!
— Porém, logo, de repente,
Diz à mamãe, tristemente,
Prendendo-a muito nos braços:
“Mamãe! como sou ingrata!
“Com tantos mimos me trata,
“Tão boa, tão dedicada!
“Dá-me vestidos e fitas,
“Dá-me bonecas bonitas,
“E eu, mamãe, não lhe dou nada!…
“Tolinha! (a mãe diz, num beijo)
“As festas que eu mais desejo,
“Ó minha filha, são estas:
“A tua meiga bondade
“E a tua felicidade…
“Não quero melhores festas!”
Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, pp 98-100
Não te desvies da estrada,
buscando atalhos bisonhos;
a vida não vale nada
se sufocares teus sonhos…
(Ercy Maria Marques de Faria)
Partir é quase morrer.
É deixar na despedida
um pouco do próprio ser
e muito da própria vida…
(Izo Goldman)
Jardim
Henriqueta Lisboa
— Menina faceira
de laço de fita
não vás tão bonita
sozinha ao jardim.
Se pensar Beija-Flor
que teu laço é flor,
pelos ares levará
um anel dos teus cabelos.
— Mamãe, não tenha cuidado,
eu sei dar laço bem dado.
— Menina trigueira
de faces vermelhas
no jardim sem teu irmão
não fiques, não.
Se Beija-Flor imagina
que teu rosto é flor,
menina, minha menina,
de certo um beijo te dá.
— Quando ele me der um beijo,
nas minhas mãos estará.
Em: O menino poeta, Henriqueta Lisboa, (Edição ampliada) Imprensa Oficial de Belo Horizonte, Governo do Estado de Minas Gerais: 1975, pp 65-66
Telefonei-te, outro dia
e ninguém me respondeu.
Confundi-me, que ironia!
— Teu telefone era o meu.
(Alberto Lima)
A. Isaias Ramires
Vão-se os dois, de braços dados,
felizes, os namorados,
pelos caminhos, sorrindo…
Permita Deus, entretanto,
que jamais um desencanto
desperte um sonho tão lindo!
A vida só tem encanto
para quem vive sorrindo!…
Em: Cascalhos: sonetos, poemas, trovas, A. Isaias Ramires, Rio de Janeiro: 1986, p. 38