Ilustração de Jon Whitcomb (EUA, 1906-1988)
Os teus olhos, pretos, pretos,
são como a noite cerrada…
Mesmo pretos, como são,
sem eles, não vejo nada.
(Trova anônima)
Os teus olhos, pretos, pretos,
são como a noite cerrada…
Mesmo pretos, como são,
sem eles, não vejo nada.
(Trova anônima)
Sinos, 1934.
Carlos Pena Filho
— Sino, claro sino,
tocas para quem?
— Para o Deus menino
que de longe vem.
— Pois se o encontrares
traze-o ao meu amor.
— E que lhe ofereces
velho pecador?
— Minha fé cansada,
meu vinho, meu pão,
meu silêncio limpo,
minha solidão.
Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição, p.36.
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–
Lua Cheia… Céu de prata…
Há cordas em vibração…
E, baixinho, a serenata
nos embala o coração.
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(Ermelinda Amazonas de Almeida)
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Docemente equilibrada,
ia a lua pelos ares,
qual linda concha embalada
pela corrente dos mares.
–
(Gonçalves Dias)
Ilustração, mãe e filho, Frederick Richardson, 1975.—
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Tudo o que fui e que sou
devo ao seu zelo e carinho.
— Mãezinha, você plantou
roseiras no meu caminho!
—
—
( Pedro Peixoto de Aguiar)

A rosa amarela, 2008
Fernanda Guedes
Caneta Fredix sobre tela, 20 x 25 cm
A mesma rosa amarela
Carlos Pena Filho
Você tem quase tudo dela,
o mesmo perfume, a mesma cor,
a mesma rosa amarela,
só não tem o meu amor.
Mas nestes dias de carnaval
para mim, você vai ser ela.
O mesmo perfume, a mesma cor,
a mesma rosa amarela.
Mas não sei o que será
quando chega a lembrança dela
e de você apenas restar
a mesma rosa amarela,
a mesma rosa amarela.
Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, ed. Edilberto Coutinho, Editora Global: 2000, São Paulo.
Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro.
Obras:
O tempo da busca, 1952
Memórias do boi Serapião, 1956
A vertigem lúcida, 1958
Livro geral, 1959
Uma pequena homenagem aos nossos cordelistas.
…………..
Agora com mensalão
Tudo virou um mistério
O homem rico do Brasil
Agora é Marcos Valério
Nossa justiça não brinca
Eu digo que o caso é sério
O povo tá arretado
E coberto de razão
Dinheiro sendo roubado
Para pagar o mensalão
Eu só vou me conformar
Depois de pegar o ladrão
FIM
Duas últimas estrofes de – Mensalão: um vírus no Brasil, em literatura de cordel de Davi Teixeira. Capa: xilogravura do autor. ©2005
David Teixeira da Silva nasceu em Bezerros em 1959 começou a escrever seus poemas em 1998, alguns deles já foram publicados no jornal A Folha de Pernambuco.
Para mais informações sobre O dia do cordelista.




