
Eu vi minha mãe rezando
aos pés da Virgem Maria:
— Era uma Santa escutando
o que a outra santa dizia.
(Ermírio Barreto Coutinho da Silveira)

(Ermírio Barreto Coutinho da Silveira)

Ilustração: Maurício de Sousa
Mãe
Sérgio Caparelli
De patins, de bicicleta,
de carro, moto, avião
nas asas da borboleta
e nos olhos do gavião
de barco, de velocípedes
a cavalo num trovão
nas cores do arco-íris
no rugido de um leão
na graça de um golfinho
e no germinar do grão
teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão
Em: Poesia fora da estante, ed. Vera Aguiar, Porto Alegre, Editora Projeto: 2007, 13ª edição.

Eu sou um pobre sapo
Que vivo a vida inteira
Debaixo de uma pedra
Do rio aqui na beira.
(J. Kopke)
Esta quadrinha faz parte do seguinte exercício: Passe para prosa, com suas palavras, esta quadrinha.
Em: Exercícios de Linguagem e Matemática: 2ª série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1958, p. 26

Renatinho foi a o circo
Vicente Guimarães
Renatinho foi ao circo
E voltou entusiasmado;
Estava alegre e feliz,
Mas um pouco impressionado.
Gostou muito dos atletas,
Também do malabarista,
Deu vivas ao domador,
Palmas ao equilibrista.
Mas quando a casa chegou,
Depois da grande função,
Foi contar ao papaizinho
Sua nova resolução:
— Quando eu crescer, quero ser
Um palhacinho brejeiro,
Para dar a cambalhota
No centro do picadeiro.
Em: João Bolinha virou gente, de Vicente Guimarães (vovô Felício), Rio de Janeiro, Editora Minerva, sem data.
———
Vicente de Paulo Guimarães, [Vovô Felício] ( Cordisburgo, MG, 1906 – 1981) — Poeta, contista, biógrafo, jornalista, autor de Literatura Infanto-Juvenil (1979), funcionário público, educador, membro da Academia Brasileira de Literatura (1980), prêmio Monteiro Lobato -ABL (1977). Em 1935, Vicente criou em Belo Horizonte a revista “Caretinha”, dedicada a jovens leitores; dois anos depois, foi o responsável pelo suplemento infantil do jornal “O Diário”. Um dos projetos de sucesso foi a revista “Era uma vez”, que começou a circular em 1947. Criou também no mesmo ano a Revista do Sesinho, para divertir e educar as crianças.
Obras:
Tranqüilidade
O pequeno pedestre
Campeão de futebol
Os bichos eram diferentes
Frangote desobediente
João Bolinha virou gente
Boa vida de João Bolinha
Histórias divertidas
Lenda da palmeira, 1944
Quinze minutos de poder
Os três irmãos, 1978
Festa de Natal, 1964
Rui, 1949
O pastorzinho de Pouy, 1957
Princesinha do Castelo vermelho
Gurupi
Marisa, a filha da Mireninha
Vida de rua, 1954
Era uma vez uma onça
O tesouro da montanha
Anel de vidro, 1956
História de um bravo, 1960
Gurupi
Ultima aventura do sete de ouros
Aventuras de um cachorrinho vira lata
Princesinha do Castelo Vermelho
História de uma menina pobre
A fama do jabuti
O macaquinho Guili
Bilac, história de um príncipe, 1968
Biografia de Rui Barbosa para a infância, 1965
Joãozito, infância de João Guimarães Rosa, 1971
Nonô, o menino de Diamantina, 1980
O menino do morro – Machado de Assis, 1980
Coleção vovô Felício – em seis volumes

Libélulas, s/d
Kashimira Jahveri (Índia)
Gravura em metal
Libélula
Alberto de Oliveira
À flor da água do tanque ou da corrente
Voa a fugaz libélula erradia
De asas de vidro e prata, à flor somente,
Que, como vivo espelho, arde e irradia;
Somente à flor… Que importa, refulgente,
Ao fundo algum tesouro lhe sorria,
Ouro haja, ou lama? Passa indiferente,
Folga, doudeja, toda se extasia
À flor… que isso lhe basta ao leve e brando
Vôo: trêmula e clara refletida
Na água acenando-lhe a ilusão celeste.
Como que sabe, à flor somente voando
Que aprofundar as cousas, como a vida,
É tirar-lhes o encanto que as reveste.
Em: Poesias completas de Alberto de Oliveira, org. Marco Aurélio Melo Reis, 3 vols, Rio de Janeiro, Núcleo Editorial da UERJ, 1979, 3° volume.
Alberto de Oliveira (Antônio Mariano A. de O.), farmacêutico, professor e poeta, nasceu em Palmital de Saquarema, RJ, em 28 de abril de 1857, e faleceu em Niterói, RJ, em 19 de janeiro de 1937. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupou a Cadeira nº 8, cujo patrono, escolhido pelo ocupante, é Cláudio Manuel da Costa.
Obras poéticas:
Canções românticas (1878)
Meridionais, com introdução de Machado de Assis (1884)
Sonetos e poemas (1885)
Versos e rimas (1895)
Poesias completas, 1ª. série (1900)
Poesias, 2ª. série (1906)
Poesias, 2 vols. (1912)
Poesias, 3ª. série (1913)
Poesias, 4ª. série (1928)
Poesias escolhidas (1933)
Póstumas (1944)
Poesia, org. Geir Campos (1959)
Poesias completas de Alberto de Oliveira, org. Marco Aurélio Melo Reis, 3 vols.

Que eu seja grande vadia
Não quero que pensem, não!
Não falto à escola um só dia
Sabendo sempre a lição.
Esta quadrinha faz parte do seguinte exercício: Passe para prosa, com suas palavras, esta quadrinha.
Em: Exercícios de Linguagem e Matemática: 2ª série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1958, p. 32

Primeira Missa no Brasil, 1861
Victor Meirelles (Brasil 1832- 1903)
Óleo sobre tela, 268 x 358 cm
Museu Nacional de Belas Artes
Rio de Janeiro
Estampa da Primeira Missa
Murilo Araújo
Na terra amanhecida,
entre as ondas a rir jubilosas de luz
e as árvores em flor, se ergue a árvore da Vida –
a Cruz.
Entre os tupis a marujada ajoelha.
Uma legião de beija-flores passarinha.
Então “no ilhéu chamado a Coroa Vermelha”
Frei Henrique de Coimbra se aparelha
e em paramentos de ouro beija o altar…
A alma argentina de uma campainha
se une aos gorjeios da manhã solar.
Junto aos altos pendões do palmar nunca visto
treme um pendão mais alto, o estandarte de Cristo.
Longe um som de clarim morre em glória no ar.
As resinas do mato, onde em onde,
erguem incenso
turibulando pelos troncos bons.
Frei Henrique celebra e é Deus quem lhe responde
na voz do oceano, seu harmônio imenso,
rolando ao longe um turbilhão de sons.
As campânulas trêmulas nos galhos
tlintam à brisa
sua matina aos pingos dos orvalhos;
e a várzea que se irisa
oferenda ao Senhor
nas passifloras roxas os martírios
e na água em sono as ânforas dos lírios…
Há um repousório em cada moita em flor.
São candelabros de ouro os ipês flamejantes!
E ascenderam ao sol corolas delirantes
como se fossem círios
em louvor.
Quando a hóstia se eleva angelical
sobe com ela o sol no firmamento.
As borboletas – que deslumbramento! –
com os tucanos e arás de tom violento
pintam no azul policromias vitral…
Canta a araponga na floresta longa
como um sino a tanger, dominical.
As naus florem de branco o deserto marinho.
Lembram virgens trazendo, em túnicas de linho,
na alva das velas uma cruz cristã;
e a patena dos sol as consagrou com o vinho
aéreo da manhã.
Oh hora ingênua da Fé! Oh primeiro evangelho!
Pero Vaz escreveu que “um índio já bem velho
apontou para a cruz…” Oh gesto anunciador!
Cabral e os que domaram os sete mares
Unem as mãos tremendo de fervor.
E na luz recém-vinda
em bênçãos tutelares,
a terra em flor se alegra em jubileus…
“a terra graciosa” e tão nova e tão linda! –
a terra desde então desposada de Deus.
Em: Poemas Completos de Murillo Araújo, com introdução de Adonias Filho, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti: 1960, 3 volumes.
Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito. Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.
Obras:
Poesia:
Carrilhões (1917)
A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)
Árias de muito longe (1921)
A cidade de ouro (1927)
A iluminação da vida (1927)
A estrela azul (1940)
As sete cores do céu (1941)
A escadaria acesa (1941)
O palhacinho quebrado (1952)
A luz perdida (1952)
O candelabro eterno (1955)
Prosa:
A arte do poeta (1944)
Ontem, ao luar (1951) — uma biografia de Catulo da Paixão Cearense
Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)
Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)
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Victor Meirelles; ou Victor Meireles; ou Vitor Meirelles, ou ainda Vitor Meireles
Victor Meirelles de Lima (Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis SC 1832 – Rio de Janeiro RJ 1903). Pintor, desenhista, professor. Inicia seus estudos artísticos por volta de 1838, com o engenheiro argentino Marciano Moreno. No ano de 1847, muda-se para o Rio de Janeiro e se matricula na Academia Imperial de Belas Artes – onde, em 1849, inicia o curso de pintura histórica. Em 1852 ganha o prêmio de viagem ao exterior e no ano seguinte segue para a Itália. Em Roma freqüenta, em 1854, as aulas de Tommaso Minardi (1787 – 1871) e, posteriormente de Nicola Consoni (1814 – 1884), com quem realiza uma série de estudos com modelo vivo. Com a prorrogação da pensão que lhe fora concedida continua sua formação estudando em Paris onde, em 1857, matricula-se na École Superiéure des Beaux-Arts [Escola Superior de Belas Artes], freqüentando as aulas de Leon Cogniet (1794-1880) e, em seguida, recebendo orientações de seu discípulo Andrea Gastaldi (1810-1889). Durante o período em que permanece no exterior corresponde-se com Porto Alegre (1806 – 1879). Retorna ao Brasil em 1861 e, um ano depois, é nomeado professor de pintura histórica da Aiba. Entre os anos de 1869 e 1872 executa duas grandes telas, Passagem do Humaitá e Batalha de Riachuelo. Em 1879 participa da Exposição Geral de Belas Artes, expondo a Batalha dos Guararapes ao lado da Batalha do Avaí de Pedro Américo (1843 – 1905). A apresentação das duas obras gera grande polêmica e um intenso debate no meio artístico. A partir de 1886 passa a se dedicar à execução de panoramas. Entre eles destacam-se: o Panorama Circular da Cidade do Rio de Janeiro, feito na Bélgica, juntamente com Henri Langerock (1830 – 1915) e Entrada da Esquadra Legal no Porto do Rio de Janeiro em 1894, produzida nesse mesmo ano.

O luar de minha terra
é de prata e diamante…
Quer no vale, prado ou serra,
parece ser mais brilhante.
(Moyses Augusto Torres)

Navio Pirata
Ribeiro Couto
Navio pirata
Num mar confidente,
Levando ouro e prata;
Percorre caminhos
Sabidos somente
Dos gênios marinhos;
Pela madrugada
Uma luz cansada
Olha nas vigias;
E outra luz responde
Nas águas vazias
— Não se sabe onde.
Em: Poemas para a infância: antologia escolar, ed. Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Ediouro, s/d.
Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro.
Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.
Obra
Poesia
O jardim das confidências (1921)
Poemetos de ternura e de melancolia (1924)
Um homem na multidão (1926)
Canções de amor (1930)
Noroeste e alguns poemas do Brasil (1932)
Noroeste e outros poemas do Brasil (1933)
Correspondência de família (1933)
Província (1934)
Cancioneiro de Dom Afonso (1939)
Cancioneiro do ausente (1943)
Dia longo (1944)
Arc en ciel (1949)
Mal du pays (1949)
Rive etrangère (1951)
Entre mar e rio (1952)
Jeux de L’apprenti Animalier. Dessins de L’auteur. (1955)
Le jour est long, choix de poèmes traduits par l’auter (1958)
Poesias reunidas (1960)
Longe (1961)
Prosa
A casa do gato cinzento, contos (1922)
O crime do estudante Batista, contos (1922)
A cidade do vício e da graça, crônicas (1924)
Baianinha e outras mulheres, contos (1927)
Cabocla, romance (1931);
Espírito de São Paulo, crônicas (1932)
Clube das esposas enganadas, contos (1933)
Presença de Santa Teresinha, ensaio (1934)
Chão de França, viagem (1935)
Conversa inocente, crônicas (1935)
Prima Belinha, romance (1940)
Largo da matriz e outras histórias, contos (1940)
Isaura (1944)
Uma noite de chuva e outros contos (1944)
Barro do município, crônicas (1956)
Dois retratos de Manuel Bandeira (1960)
Sentimento lusitano, ensaio (1961)
Jardineira, ilustração de Margaret Evans Price.
Planta do bem a semente
em solo limpo e seguro,
e colherás certamente,
lindas flores no futuro.
Quadrinha de Luciana Long