Quadrinha sobre a semente para uso escolar

21 09 2009

plantando2

 

A mão de Deus, sabiamente,

pôs, com grandeza incontida,

na pequenina semente,

todo o mistério da vida.

 

(Chagas Fonseca)





Festa das árvores, poema infantil de Arnaldo Barreto, para o dia da árvore

18 09 2009

arvore que cresce, 1956, mary jane chase

Ilustração, Mary Jane Chase, 1956.

 

FESTA DAS ÁRVORES

                                                       Arnaldo Barreto

Cavemos a terra, plantemos nossa árvore,

que amiga bondosa ela aqui nos será!

Um dia, ao voltarmos pedindo-lhe abrigo,

ou flores, ou frutos, ou sombras dará!

O céu generoso nos regue esta planta;

o sol de Dezembro lhe dê seu calor;

a terra que é boa, lhe firme as raízes

e tenham as folhas frescura e verdor!

Plantemos nossa árvore, que a árvore é amiga

seus ramos frondosos aqui abrirá.

Um dia, ao voltarmos em busca de flores,

com as flores, bons frutos e sombras dará!

———

Arnaldo de Oliveira Barreto (Campinas, SP 1869 — SP, SP 1925) Professor, educador, escritor, poeta, pedagogo.

Obras:

Cartilha das mães, 1895

Leituras Morais, 1896

Cartilha Analítica, 1909

Ensino simultâneo de leitura e escrita, 1918

Vários estilos, s/d

Contos infantis, diversas datas, entre eles:

A festa da lanterna

A pétala de rosa

A rosa mágica

Aladino e a lâmpada maravihosa

Ali-Baba e os quarenta ladrões

A anão amarelo

O califa cegonha

O filho do pescador

O gato de botas e  Branca de Neve

O gigante do cabelo de ouro

O isqueiro encantado

O lago das pedras preciosas

O sargento verde

O velocino de ouro, 1915

Viagens maravilhosas de Simbad





Primavera, poema infantil de Olavo Bilac

17 09 2009

primavera, taro semba, 1960

Primavera, ilustração de Taro Semba, 1960.

 

A PRIMAVERA

 

Olavo Bilac

 

Coro das quatro estações:

 

Cantemos! Fora a tristeza !

Saudemos a luz do dia:

Saudemos a Natureza !

Já nos voltou a alegria !

 

A Primavera:

 

Eu sou a Primavera !

Está limpa a atmosfera,

E o sol brilha sem véu !

Todos os passarinhos

Já saem dos seus ninhos,

Voando pelo céu.

 

Há risos na cascata,

Nos lagos e na mata,

Na serra e no vergel:

Andam os beija-flores

Pousando sobre as flores,

Sugando-lhes o mel.

 

Dou vida aos verdes ramos,

Dou voz aos gaturamos

E paz aos corações;

Cubro as paredes de hera;

Eu sou a Primavera,

A flor das estações !

 

Coro das quatro estações:

 

Cantemos! Fora a tristeza !

Saudemos a luz do dia:

Saudemos a Natureza !

Já nos voltou a alegria !

 

Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro, pp. 35-6

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Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro.

Obras:

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas





Quadrinha infantil sobre a árvore, para o dia da árvore!

14 09 2009

arvore com frutosIlustração, Maurício de Sousa.

 

Quanta lição de bondade

muita árvore contém;

dando sombra a toda gente,

não nega fruto a ninguém.

 

(Geraldo Costa Alves)





Quadrinha infantil sobre a família

10 09 2009

família

Ilustração, Maurício de Sousa.

 

 

Não julgues uma família

por um de seus membros, não!

—  Vê como são diferentes

os cinco dedos da mão!…

 

(Michel Antônio)





Poetas no museu: Ladyce West

6 09 2009

Bez Batti, FLORAÇÂOFloração

João Bez Batti (RS, Brasil, contemporâneo)

 

 

 

Presença Invisível                

 

 

                                      Ao contemplar a obra  de João Bez Batti

                                      no Instituto Moreira Sales, RJ,  Novembro de 2006

 

 

 

Senti a presença invisível

De mãos grossas, calejadas,

Que acariciaram a pedra, 

O basalto negro

Ou vermelho,

Ou até mesmo o mármore.

 

Constatei mesmerizada

Que trouxeram à superfície

A essência;

Que libertaram, a Michelangelo,

A forma presa no seixo,

O orgânico escondido,

Inerte,

Meio-solto,

Quase-aprisionado.

 

Mãos que revelaram os escravos encapsulados,

Seres encarcerados no mesozóico,

Como se, conhecendo o desastre de Pompéia

Depois do escarro fulminante do Vesúvio,

Soubessem encontrar:

O cactos florescente, o cágado,

A abóbora moranga.  

Caracóis.

E bólidos petrificados.

 

Estas mãos, que brincam

Sedutoramente

Com o poder divino,

Conhecem o conteúdo,

A alma invisível da pedra.

Descobrem o cascalho gaúcho,

Chocam os grandes ovos de rio,

E parem os seres cativos nas  pedras,

Como Eva o tinha sido na costela de Adão.

 

E o que surpreende: estas mãos,

Que revelam o coração do basalto

Regurgitado  pela Terra,

Lixado pelas águas,

Rolado, burilado e aveludado pelo tempo,

São humanas.

Mãos peãs.

Agraciadas pela arte da divinação,

Que brincando de Deus,

Mostram o divino em todos nós.

 

 

© Ladyce West, 2006, Rio de Janeiro





Quadrinha infantil pela Semana da Pátria

6 09 2009

independencia menino maluquinho

Ilustração: Ziraldo

 

A Pátria, meus coleguinhas,

É o recanto onde nascemos;

É a família, o Lar, a Escola…

É a Terra onde vivemos!

 

(Walter Nieble de Freitas)





O Brasil, poema de Renato Sêneca Fleury, para o dia da Pátria

2 09 2009

José Pancetti, Igreja de Santo Antonio da Barra, 1951, ost, 60 x 73 cm MNBAIgreja de Santo Antônio da Barra, 1951

José Pancetti ( Brasil, 1902-1958)

Óleo sobre tela,  60 x 73 cm

Museu Nacional de Belas Artes,  Rio de Janeiro

 

 

O BRASIL

 

                                  Renato Sêneca Fleury

 

 

Perguntei ao céu tão lindo,

— Por que é todo cor de anil?

Ele me disse, sorrindo:

— Eu sou o céu do Brasil!

 

Perguntei ao Sol, então,

A causa de tanta luz.

— Sou a glorificação

Da Terra de Santa Cruz!

 

Depois perguntei à Lua:

— Por que noites de luar?

— É para enfeitar a tua

Grande Pátria à beira-mar.

 

Perguntei às claras fontes:

— Por que correis sem cessar?

— Nós brotamos destes montes

Para a terra fecundar!

 

Então eu disse à floresta:

— És tão bela, verde inteira!

Ela respondeu em festa:

— Sou a mata brasileira!

 

Perguntei depois às aves:

— Por que estais a cantar?

— Cantamos canções suaves

Para tua Pátria saudar.

 

Céu e sol, luar e cantos,

Florestas e fontes mil

Enchem de eternos encantos

És minha Pátria, — o Brasil!

 

 

 

 

Renato Sêneca de Sá Fleury ( SP 1895- SP 1980) Pseudônimo: R. S. Fleury, ensaísta, pedagogo, escritor de Literatura Infantil, professor, professor catedrático de Pedagogia e Psicologia, jornalista, membro da Academia de Ciências e Letras de São Paulo, membro fundador do Centro Sorocabano de Letras.

 

 

Obras:

 

Anchieta    

Ao Passo das Caravanas    

Barão do Rio Branco,  1947  

Contos e Lendas Orientais  1941  

Francisco Adolfo de Varnhagen  1952  

História do Pai João  1939  

José Bonifácio    

Osvaldo Cruz    

Rui Barbosa

Almirante Tamandaré

Santos Dumont

A Vingança do João de Barro/ A Jóia Encantada/ Quem faz o Bem

Ao Passo das Caravanas

As Amoras de Ouro

Breves Histórias Orientais

Cálculo Escolar, 1945

Como é bom trabalhar!

Consultor Popular da Língua Portuguesa

Contos e lendas do deserto

Contos e lendas orientais

Correspondência para todos, 1944

D. Pedro II, 1967

Duque de Caxias,

Emendas à gramática

Gusmão, o padre voador, 1957

Heroínas e mártires brasileiras

História do Corcundinha

Histórias de Bichos, 1940

No reino dos bichos, 1940

O caminho de ouro, 1957

O esposo, a esposa, os filhos

O Padre Feijó

O Padre Gusmão

O Pássaro de ouro

O Pequeno polegar

Os vasos de ouro e as rosas do dragão

Proezas na roça

Prudente de Morais

Visconde de Mauá

 —-

 

Giuseppe Gianinni Pancetti (Campinas SP 1902 – Rio de Janeiro RJ 1958). Pintor. Muda-se para a Itália em 1913. Em 1919, ingressa na Marinha Mercante italiana e viaja por três meses pelo Mediterrâneo. Em 1920, de volta para o Brasil, executa diversos ofícios; trabalhando em fábrica de tecidos, como ourives e garçom, entre outros. Conhece o pintor Adolfo Fonzari (1880-1959) e auxilia-o na pintura decorativa de uma residência. Em 1922, alista-se na Marinha de Guerra brasileira, onde trabalha por mais de vinte anos. Em 1933 ingressa no Núcleo Bernardelli e recebe orientação de Manoel Santiago (1897-1987), Edson Motta (1910-1981), Rescála (1910-1986) e principalmente do pintor polonês Bruno Lechowski (1887-1941). Participa das exposições do Salão Nacional de Belas Artes, sendo premiado em várias edições. É considerado um dos principais pintores de marinhas do país.
Fonte: Itaú Cultural





Quadrinha infantil sobre guardar segredos, uso escolar

31 08 2009

passarinho 4

 

O teu segredo famoso

eu bem o sei, direitinho…

chegou depressa, ditoso,

nas asas de um passarinho.

 

(Luiz Pereira de Faro)





Poetas no museu: Raquel Naveira

29 08 2009

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Vênus do espelho, 1650  [Também conhecida como Vênus Rockeby]

Diego Velázquez  (Espanha 1599-1660)

Óleo sobre tela,  122,5 x 177 cm

National Gallery, Londres.

 

 

Vênus ao espelho

 

[inspirado num quadro de Velazquez]

                       

                                       Raquel Naveira

 

 

Nua,

Reclinada sobre musgo de veludo,

Vênus mira-se ao espelho,

Quadro de cristal polido,

Seguro por Cupido.

 

Adorna os cabelos com violetas singelas,

Morde maçã

E canela,

Acaricia os seios

Que brilham como luas.

 

Toda ela é úmida:

Anêmona de primavera,

Espuma marinha,

Rosa encharcada;

A umidade é o princípio que gera

E fecunda

Criaturas nacaradas.

 

Momento de banho,

De repouso,

De idéia clara;

Contemplar-se

É seu gozo.

Tão atraente,

Tão fora de qualquer limite,

Como vencer essa força dissolvente?

Quem não seria seduzido por ela?

Quem quebraria esse espelho ardente?

Que mortal,

Que divindade defenderia a honra

E a arte? 

 

 

 

 

Em: Stella Maia e outros poemas, Campo Grande, MS; Editora UCDB:2001

 

raquel naveira

 

Raquel Naveira (Campo Grande, MS 1957) Poetisa, ensaísta, graduada em Letras e Direito, professora no Curso de Letras da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), mestranda em Comunicação e Letras, na Universidade Presbiteriana Mackienzie (SP), e empresária de turismo (Pousada Dom Aquino, em Campo Grande – MS), Raquel Naveira destaca-se por seu talento e engajamento nas atividades culturais do centro-oeste brasileiro.  A escritora tem recebido reconhecimento nacional através de inúmeras premiações e várias indicações para prêmios. Em sua obra, são constantes a religiosidade, o misticismo e os temas épicos.

 Obra:

Via Sacra, poesia, 1989

Fonte luminosa, poesia, 1990

Nunca Te-vi, poesia, 1991

Fiandeira, ensaios, 1992

Guerra entre irmãos, poesia, 1993

Canção dos mistérios, poesia, 1994

Sob os cedros do Senhor, poesia, 1994

Abadia, poesia, 1995

Mulher Samaritana, 1996

Maria Madalena, prosa poética, 1996

Caraguatá, poesia, 1996

Pele de jambo, infanto-juvenil, 1996

O arado e a estrela, poesia, 1997

Intimidades transvistas, 1997

Rute e a sogra Noemi, prosa poética, 1998

A casa da Tecla, poesia, 1998

Senhora, poesia, 1999

Stella Maia e outros poemas, 2001

Casa e castelo, poesia, 2002

Maria Egipcíaca, poesia, 2002

Tecelã de tramas: ensaios sobre interdisciplinaridade, ensaios, 2004

Portão de ferro, poesia, 2006

Literatura e Drogas e outros ensaios, crítica literária, 2007