Minha terra, poema de Casimiro de Abreu

26 06 2011

Paisagem com touro, 1925

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)

óleo sobre tela, 52 x 65 cm

Coleção Particular

Minha terra

                             Casimiro de Abreu

Todos cantam sua terra

Também vou cantar a minha

Nas débeis cordas da lira

Hei de fazê-la rainha.

— Hei de dar-lhe a realeza

Nesse trono de beleza

Em que a mão da natureza

Esmerou-se em quanto tinha.

Correi pras bandas do sul:

Debaixo de um céu de anil

Encontrareis o gigante

Santa Cruz, hoje Brasil.

— É uma terra de amores,

Alcatifada de flores,

Onde a brisa fala amores

Nas belas tardes de abril.

Tem tantas belezas, tantas,

A minha terra natal,

Que nem as sonha o poeta

E nem as canta um mortal!

— É uma terra encantada

— Mimoso jardim de fada –

Do mundo todo invejada,

Que o mundo não tem igual.

Em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, edição especial para o estado do Rio de Janeiro, RJ, Agyr:1957, 9ª edição.

Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos. 

Obras: 

Teatro:

Camões e o Jaú , 1856

 Poesia:

Primaveras, 1859

 Romances: 

Carolina, 1856

Camila, romance inacabado, 1856

A virgem loura,

Páginas do coração, prosa poética,1857





Versinho do pica-pau — Manoel Xudu, repentista

14 06 2011

Admiro um pica-pau

Numa madeira de angico

Que passa o dia todim

Taco-taco, tico-tico

Não sente dor de cabeça

Nem quebra a ponta do bico

Manoel Xudu Sobrinho, (São José do Pilar, PB, 1932-  Salgado de São Félix, PB, 1987) poeta repentista.





O filho de Sto Antônio, poema de Fagundes Varela

11 06 2011

Santo Antônio, 2009

Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)

Gravura, 80 x 65cm

O filho de Stº Antônio

(canção de um devoto)

……….Fagundes Varela

Bem sei, criança estouvada

Que por artes do demônio,

Furtaste, a noite passada,

O filho de Santo Antônio!

E sem medo, sem piedade,

Cheia de um ímpio alvoroço,

O mimo do pobre  frade

Correste a esconder no poço!

Arrepende-te.  Chiquinha,

Vida minha,

Minha linda tentação!

A divindade perdoa,

Terna e boa,

Os erros do coração.

Ah! que fizeste, insensata?

Demo gentil, que fizeste?

Por causa de um’alma ingrata

Tu’alma pura perdeste!

Tira depressa a criança

Do frio asilo onde está,

Tem nos santos esperança,

Que teu amor voltará.

Ainda é tempo, Chiquinha,

Rola minha,

Minha rosada ilusão!

A divindade perdoa,

Terna e boa,

Os erros do coração.

Acende uma vela benta

Junto ao santo que ofendeste,

Lançando a mão violenta

Contra o pirralho celeste.

Leva-lhe linda toalha

Cheia de finos bordados,

Talvez a oferta lhe valha

O olvido dos teus pecados.

Não te demores, Chiquinha,

Trigueirinha,

Que tens por cetro a paixão!

A divindade perdoa,

Terna e boa,

Os erros do coração.

E quando alcançado houveres

A remissão, minha vida,

Mais formosa entre as mulheres,

Vem, mimosa arrependida,

Vem que o santo receoso

De novo furto, quiçá,

Velará por teu repouso,

Nosso amor protegerá…

Não percas tempo Chiquinha!

Glória minha!

Minha dourada visão!…

A divindade perdoa,

Terna e boa,

Os erros do coração.

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




Bichano, soneto de Cristóvão de Camargo

9 06 2011


Bichano

Cristóvão de Camargo

Vejo, altiva, mover-se uma figura,

Lentamente, entre minhas porcelanas.

Desdobra-se esse tigre em miniatura

Em nobres atitudes palacianas.

Uma lembrança em seu olhar fulgura.

De algum harém de terras muçulmanas,

Onde roçava a sua pele escura

Pelos corpos lascivos das sultanas…

Adoro o seu ronrom feito em cadência…

Bem sei que o egoismo é de sua alma a essência,

Que é pérfido, cruel, vaidoso, ingrato:

Mas eu admiro, em toda a circunstância,

A sua filosófica arrogância,

Todo esse imenso orgulho de ser gato.

Cristóvão Torres de Camargo – pseudônimo  Fabrício Velho — nasceu em  Paulicéia, no estado de São Paulo a 29 de Agosto de 1902. Advogado, jornalista, poeta.  Mudou-se para o Rio de Janeiro. Escreveu poesia contos, peças teatrais, ensaios e literatura infantil.  Diversos livros publicados na Argentina e na França.

Obras:

Bronze

Sonetos

Poèmes de la nuit





Relógios, poeminha de Sílvio Ribeiro de Castro

6 06 2011

O Relojoeiro, de Norman Rockwell, capa da revista The Saturday Evening Post, 3/11/1945.

Relógios

Sílvio Ribeiro de Castro

amor vem e não se espera

saudade não manda aviso

a morte não marca encontro

de relógios não preciso

Em: Branco silêncio, solidão azul, na coletânea: Poesia Simplesmente, Rio de Janeiro, 1999.

Sílvio Ribeiro de Castro ( RJ, século XX) Advogado e poeta.  Integra o grupo Poesia Simplesmente.

Obras:

Memórias, confissões e outras mentiras, 2002

Quando o amor acaba, 2005

50 poemas escolhidos pelo autor, 2010






História Pátria, poema de Oswald de Andrade

2 06 2011

Marinha, 1986

José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil, 1922-2004)

óleo sobre tela, 20 x 60 cm

História Pátria

………..Oswald de Andrade

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Aventureiros

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Bacharéis

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Cruzes de Cristo

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Donatários

Lá vai uma barquinha carregada de

…………………………………….Espanhóis

…………………………………….Paga prenda

…………………………………….Prenda os espanhóis.

Lá vai uma barquinha carregada de

…………………………………….Flibusteiros

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Governadores

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Holandeses

Lá vai uma barquinha cheinha de índios

Outra de degredados

Outra de pau de tinta

……….Até que o mar inteiro

……….Se coalhou de transatlânticos

……….E as barquinhas ficaram

……….Jogando prenda com raça misturada

……….No litoral azul do meu Brasil.

Retrato de Oswald de Andrade, 1922

Tarsila do Amaral ( Brasil 1886-1973)

óleo sobre tela

 

 

José Oswald de Sousa de Andrade Nogueira (São Paulo,1890 — São Paulo, 1954) foi um escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro.  Foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro.

Obras:

Os Condenados (trilogia), romance, 1922-1934

Memórias Sentimentais de João Miramar, romance, 1924

Pau-Brasil, poesia, 1925

Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade,poesia, 1927

Serafim Ponte Grande, romance, 1933

O Homem e o Cavalo, teatro, 1934

A Morta, teatro, 1937

Rei da Vela, teatro, 1937

 Marco Zero à Revolução Melancólica, romance, 1943

 Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão, poesia, 1945

 O Escaravelho de Ouro, poesia, 1945

 O Cavalo Azul, poesia,1947

Manhã, poesia, 1947





Gemedeira dos pássaros , poesia de Roberto Pontes

18 05 2011

Gemedeira dos pássaros

                                       Roberto Pontes

                                                     Para Gracia Levine

Onde é que ficaram as praças

E os meus doces passarinhos

Da infância inesquecida?

Na aragem dos caminhos?

— As flores murcharam cedo

E os passarinhos com medo

Ai! ai! uui! ui!

Foram viver sozinhos.

Deixaram algum recado

Nos canteiros ressequidos?

Na trança tenra dos ninhos

O trinar pros meus ouvidos?

— O tziu levou seus filhos

A murta fechou seus cílios

Ai! ai! ui! ui!

Tão breve adormecidos.

Meus canteiros carregados

Minhas jandaias de sonho

O passado onde eu regava

E ainda  hoje amanho.

Jardins como um vasto véu

E asas pardas pelo céu

Ai! ai! ui! ui!

Vocês me põem tristonho.

Em: Poesia simplesmente, coletânea de diversos poetas, Edição independente, 1999.

Francisco Roberto Silveira de Pontes Medeiros, nasceu em Fortaleza, Ceará (04/02/1944). Cursou Direito (1964) e mestrado em Literatura Brasileira (1991) na UFC. 

Dados biográficos: Antônio Miranda





As velhas negras, poema de Gonçalves Crespo, no dia 13 de maio, comemoração da Lei Áurea

13 05 2011

Mulata Quitandeira, 1893-1905

Antônio Ferrigno ( Itália, 1863-1940)

óleo sobre tela,  179 x 135 cm

Pinacoteca do Estado de São Paulo

As velhas negras

Gonçalves Crespo

                                           A Mme Aline de Gusmão

As velhas negras, coitadas,

Ao longe tão assentadas

Do batuque folgazão.

Pulam crioulas faceiras

Em derredor das fogueiras

E das pipas de alcatrão.

Na floresta rumorosa

Esparge a lua formosa

A clara luz tropical.

Tremeluzem pirilampos

No verde-escuro dos campos

E nos côncavos do val.

Que noite de paz!  que noite!

Não se ouve o estalar do açoite,

Nem as pragas do feitor!

E as pobres negras, coitadas,

Pendem as frontes cansadas

Num letárgico torpor!

E cismam: outrora, e dantes

Havia também descantes,

E o tempo era tão feliz!

Ai!  que profunda saudade

Da vida, da mocidade

Nas matas do seu país!

E ante o seu olhar vazio

De esperanças, frio, frio

Como um véu de viuvez,

Ressurge e chora o passado

— Pobre ninho abandonado

Que a neve alagou, desfez…

E pensam nos seus amores

Efêmeros como as flores

Que o sol queima no sertão…

Os filhos quando crescidos,

Foram levados, vendidos,

E ninguém sabe onde estão.

Conheceram muito dono:

Embalaram tanto sono

De tanta sinhá gentil!

Foram mucambas amadas,

E agora inúteis, curvadas,

Numa velhice imbecil!

No entanto o luar de prata

Envolve a colina e a mata

E os cafezais ao redor!

E os negros mostrando os dentes,

Saltam lépidos, contentes,

No batuque estrugidor.

No espaço e amplo terreiro

A filha do Fazendeiro,

A sinhá sentimental,

Ouve um primo-recém-vindo,

Que lhe narra o poema infindo

Das noites de Portugal.

E ela avista entre sorrisos,

De uns longínquos paraísos

A tentadora visão…

No entanto as velhas, coitadas,

Em

Cismam ao longe assentadas

Do batuque folgazão…

 –

Em: Obras Completas de Gonçalves Crespo, Rio de Janeiro, Livros de Portugal: 1942

Antônio Cândido Gonçalves Crespo (Rio de Janeiro, 1846 — Lisboa, 1883), jurista e poeta, membro das tertúlias intelectuais portuguesas do final  do século XIX. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo colaborado em diversos periódicos, entre os quais O Ocidente e a Folha, o jornal de que era director João Penha, o poeta que introduziu em Portugal o Parnasianismo. Naturalizou-se português quando precisou ter cidadania portuguesa para exerger a advocacia.  Casou-se com a escritora e poetisa portuguesa Maria Amália Vaz de Carvalho. Faleceu aos 37 anos de tuberculose, em 1883.

Nota da Peregrina:  Tenho uma grande admiração por esse poeta luso-brasileiro.  Dos poetas do século XIX Gonçalves Crespo está entre os meus favoritos.  Acho que deveríamos conhecê-lo melhor no Brasil.





Vida de flor, poema de Fagundes Varela, 1861

17 03 2011

 

Flores, 1961

Agostinho Batista de Freitas ( Brasil, 1927-1997) 

óleo sobre tela,  50 x 70 cm

—-

—-

Vida de flor

                             Fagundes Varela

Por que vergas-me a fronde sobre a terra,

Diz a flor da colina ao manso vento,

SE apenas às manhãs o doce orvalho

          Hei gozado um momento?

Tímida ainda, nas folhagens verdes

Abro a corola à quietação das noites,

Ergo-me bela, me rebaixas triste

          Com teus feros açoites!

Oh! Deixa-me crescer, lançar perfumes,

Vicejar das estrelas à magia,

Que minha vida pálida se encerra

          No espaço de um dia!

Mas o vento agitava sem piedade

A fronte virgem da formosa flor,

Que pouco a pouco se tingia, triste,

          De mórbido palor.

Não vês, ó brisa?  lacerada, murcha,

Tão cedo ainda vou pendendo ao chão,

E em breve tempo esfolharei já morta

          Sem chegar ao verão?

Tem piedade de mim!  Deixa-me ao menos

Desfrutar um momento de prazer,

Pois que é meu fado despontar n’aurora

          E ao crepúsc’lo morrer!…

Brutal amante não lhe ouviu as queixas,

Nem às suas dores atenção prestou,

E a flor mimosa, retraindo as pétalas,

          Na tige se inclinou.

Surgiu n’aurora,   não chegou à tarde,

Teve um momento de existência só!

A noite veio, procurou por ela,

          Mas a encontrou no pó.

Ouviste, ó virgem, a legenda triste

Da flor do outeiro e seu funesto fim?

Irmã das flores à mulher, às vezes,

          Também sucede assim.

São Paulo, 1861

 

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




Bolhas de sabão, poesia de Oliveira Ribeiro Neto, contribuição da leitora Leda Meira

15 03 2011

As bolhas de sabão, s/d

Charles Joshua Chaplin ( Inglaterra, 1825-1891)

óleo sobre tela

Quem acompanha este blog sabe que faz muito tempo que alguns leitores pedem essa poesia.  Coube a leitora Leda Meira descobrí-la e passá-la para mim.  Coloco essa postagem com muito prazer por saber que irá satisfazer a muitos que têm a poesia na lembrança. 

Bolhas de Sabão

                                  Oliveira Ribeiro Neto

—-

Queima o sol do meio-dia.
Feitas de espuma fria
sobem bolhas de sabão
luzentes como estrelas…
E vendo o neto fazê-las,
chora-lhe de saudades o coração.

——

Em tempos há muito passados,
quando era pequenina,
seus olhitos espantados
viam as bolhas amarelas
como as asas daquelas
borboletas dos prados.

E a bolha refletia
os seus sonhos de pequena:
—  um gato branco (que mia),
e uma boneca morena
com grandes olhos de louça…

—-
Mais tarde, quando era moça,
a bolha maravilhosa
não tinha a cor amarela
das borboletas de ouro;
— era toda cor-de-rosa
qual seus sonhos de donzela…


Então via um príncipe bem loiro
de brilhantes coroado
e um castelo encantado!

Depois,  já cansada a vista
e a cabeleira prateada,
a bolha de sabão triste ela via
da cor saudosa da ametista…


… Não mais uma boneca ela queria,
ou um príncipe armado duma espada:
—  Hoje, o espelho de ametista refletia
um céu azul e mais nada…

—-

—-

—-

Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro Netto (SP, 1908 – SP, 1989) jornalista, crítico literário, escritor, poeta e tradutor.  Diplomado em letras e em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade do Largo de São Francisco, promotor público, juiz, adido cultural do Itamarati, membro.  Foi membro e secretário-geral da Academia Paulista de Letras por 35 anos, tendo sido por três vezes eleito presidente.

União Brasileira de Escritores  —  http://www.ube.org.br/biografias-detalhe.asp?ID=993

Obras:

Dia de sol, poesia, 1928

A Festa do amor, poesia, 1929

Luiz Gama, o libertador, ensaio, 1931.

Vida, poesia, 1932

A Confederação dos Tamoios, ensaio, 1934

Estrela d’Alva, poesia, 1937

A Vida continua, romance, 1939

Canções das sete cores, poesia, 1941

Cantos de glória, poesia,  1946.

Sol na montanha, poesia, 1949

O Natal de Jesus, 1950

Barrabás, o Enjeitado, 1954

Cinco Capítulos das Letras Brasileiras, crítica literária, 1962

O Rei Dom Carlos de Portugal, ensaio, 1964

As Árvores do vale, poesia, 1964

O Romance de Maria Clara, romance, 1965

Arco triunfal,  poesia, 1968

Sicília Poesia, poesia, 1970.

Pastor do Tédio, poesia, 1970

Eu Canto a América, poesia, 1976