Quadrinha da tua volta…

5 01 2013

barquinhoDesconheço a autoria da ilustração, acredito que seja capa de um número de verão da revista americana Modern Priscilla, que deixou de existir por volta de 1930 depois de algumas décadas de existência. Já procurei mas ainda não achei a autoria, qualquer dica será bem-vinda.

As nuvens já vão chegando,

voltam barcos, devagar;

as aves surgem flanando…

e você não vai voltar?…

(Luiz Pereira de Faro)





Quadrinha da vovó

3 01 2013

avóIlustração Maurício de Sousa.

Vovó, teu nome é ternura,
canção de amor e amizade.
Quem te possui, que ventura!
Quem te perdeu, que saudade!

(Nair Starling dos Santos Almeida)





Quadrinha do amor e da vida

1 01 2013

T

Brincadeira de roda, c. 1885

Frederick Morgan (Inglaterra, 1847-1927)

Óleo sobre tela, 81 x 104 cm

Towneley Hall Art Gallery and Museum

Burnley, Lancashire, Inglaterra

O amor eterniza as vidas

e, a vida, vem nos lembrar:

– Correntes de mãos unidas

ninguém consegue quebrar!…

(José Maria Machado de Araújo)





Quadrinha da cigarra

29 12 2012

musicosPateta e Mickey tornam-se músicos, ilustração Walt Disney.

Quantos contrastes abriga
minha existência bizarra:
obrigado a ser formiga,
eu que nasci pra cigarra.

(Assumpção Botti)





Chuva sobre a cidade, poema de Lêdo Ivo

23 12 2012

chuva um dia deUm dia de chuva, ilustração: ignoro a autoria.

A chuva sobre a cidade

Lêdo Ivo

Chove sobre a cidade

e a chuva inunda o asfalto, difunde o desastre e o desencontro

e procura abater as palmeiras que do fim da tarde

queriam apenas — graça plena — as estrelas.

Os trovões reboam, espantando os pássaros

que vieram refugiar-se no meu quarto.

Os relâmpagos, fotógrafos do absoluto, iluminam as pessoas que passam

— são outros rostos, minha irmã, são as faces

revoltadas porque as divindades impossibilitaram os idílios,

a chegada pontual a uma casa, o já adiado trespasse com o inefável.

As sarjetas recebem finalmente a Poesia. Como são belos

e nítidos os barcos de papel

que navegam buscando os reinos fantásticos, os inaccessíveis!

A chuva tem uma canção. Jamais uma elegia

para saudar sua gentileza. Jamais uma ode,

um himeneu, uma écloga deploratória.

Meu irmão, deixa que a goteira molhe tuas últimas

poesias. Pouco importa que amanhã te reconcilies com os grandes temas poéticos.

O amanhã é inconsumível. A chuva te ensina

a ser invariável sem se repetir.

Em: Central Poética: poemas escolhidos, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, Aguilar:1976

Em homenagem ao poeta Lêdo Ivo, falecido hoje, aos 88 anos.





Canto Natalino, poesia de Ubirajara Raffo Constant

15 12 2012

São Nicolau e o Auto do Natal

Luiz Roberto da Rocha Maia (Brasil, 1947)

http://www.rochamaianaif.com

Canto Natalino


Ubirajara Raffo Constant

Dos reis magos no céu brilha
A estrela clara e viajeira;
De uma igrejita campeira
Soa ao longe a voz do sino;
Flete ao tranco sem destino,
Na solidão de um corredor,
Abre o canto um pajador
Saludando ao Deus Menino.

E todas as vozes do pago
Cantam salmos na planura
Irmanados na ternura
Do cantar do pajador;
Pedindo à Nosso Senhor,
Na humildade de seus versos,
Que só exista no universo
Fraternidade e amor.

Ubirajara Raffo Constant nasceu no Rio Grande do Sul em 1938.  Poeta  de  Uruguaiana.

Obras:

Retorno Bravo, poesia, 2003

Pampa em 23, prosa, 2004

Sepé Tiaraju, uma Farsa Em Nossa História, história, 2006





Soneto de Natal — Machado de Assis

11 12 2012

Ó, árvore de Natal!

Hans Stubenrauch (Alemanha, 1875-1941)

óleo sobre tela, 28 x 19 cm

Leilão Christie’s South Kensington,  2012

Soneto de Natal

Machado de Assis

Um homem, — era aquela noite amiga,

Noite cristã, berço do Nazareno, —

Ao relembrar os dias de pequeno,

E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno

As sensações da sua idade antiga,

Naquela mesma velha noite amiga,

Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto… A folha branca

Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,

A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,

Só lhe saiu este pequeno verso:

“Mudaria o Natal ou mudei eu?”





Quadrinha da aparência

10 12 2012

lobo e carneiroIlustração, autoria desconhecida.

Quanta gente nos ilude

e julgamos ser verdade

aquela máscara rude

que finge sinceridade!

(Gabriel Bicalho)





Natal, soneto de Lindolfo Gomes

9 12 2012

Ano Novo, s/d

Alexandre Gulyaev (Rússia, 1917-1995)

óleo sobre tela

Natal

Lindolfo Gomes

Nas noites de Natal, da minha infância,

Tinha brinquedos nos meus sapatinhos,

Que um Anjo transformava em doces ninhos,

Iludindo-me à ingênua vigilância.

Do nosso lar na idolatrada estância,

A mesa posta, com iguaria, vinhos…

Minh’alma respirava a sã fragrância

Dessas flores silvestres dos caminhos.

Agora no Natal desta velhice,

Seguindo a vacilar por ínvios trilhos,

Arrasto os sapatões, ao léu do fado…

Mas me revejo em plena meninice,

Ao ver nos sapatinhos de meus filhos

Meus brinquedos, meus sonhos, meu passado…

Lindolfo Eduardo Gomes (SP 1875 – RJ 1953) Poeta, Jornalista, contista, ensaísta, folclorista, professor e teatrólogo.  Passou sua juventudo em Resende, no estado do  RJ, mudando-se mais tarde para Juiz de Fora, MG, onde passou grande parte da sua vida profissional tendo redigido para os jornais O Pharol, Jornal do Commercio, Diário do Povo, Diário Mercantil, revista Marília,entre outros.

Obras:

Folclore e Tradições do Brasil, 1915

Contos Populares Brasileiros, 1918

Nihil novi, 1927





Quadrinha do exemplo da árvore

7 12 2012

plantando, Jesus Blasco (1919 – 1995, Spanish)Ilustração, Jesus Blasco (Espanha, 1919 – 1995).

Planta uma árvore e repara

o exemplo que ela oferece:

vai dar fruto à mão avara

e sombra a quem não merece.

(José Valeriano Rodrigues)