Siri, poesia infantil de Ana Maria Machado

1 02 2013

caranguejo 1

 

Siri

Ana Maria Machado

Siri
não ri
em serviço.

Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.

Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.

Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.





O girassol, poema de Maurílio Leite

27 01 2013

Lorenzato – Girassóis--ose - 1979 - 48x36 cmGirassóis, 1979

Amadeu Luciano Lorenzato (Brasil, 1900-1995)

óleo sobre eucatex, 48 x 36 cm

Coleção Particular

O Girassol *

Maurílio Leite

Quando o sol nasce em pompa radioso

De luz banhando o universo inteiro,

O girassol desperta no canteiro

Para seguir-lhe o rastro luminoso.

E fica assim, à terra preso e em gozo,

Apesar da distância o rotineiro,

Corola aberta ao beijos do luzeiro,

Cada vez mais distante e mais formoso.

Comparo o girassol à nossa lida;

Cada vez a distância é mais sentida

No infinito do espaço em que vivemos.

Vivo sempre a seguir-te em pensamento,

Não poder alcançar-te é o meu tormento.

Sou como a flor… tu és meu sol … Giremos.

* Este soneto foi musicado pelo autor.

Em: Panorama da poesia norte-riograndense, coletado por Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, introdução Luiz da Câmara Cascudo.

Maurílio Leite (RN 1904- RJ 1939)  nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte em 1904.  Foi aluno do Grupo Escolar Augusto Severo, e depois do Ateneu Norte-Riograndense e da Escola de Comércio de Natal.  Desde o curso primário demonstrou vocação para a música e para a poesia.  Mudou-se para o Rio de Janeiro onde continuou compondo versos e músicas, aproveitando temas folclóricos e líricos.  Percorreu o Brasil como musicista e compositor.  Morreu subitamente em 1939, no Rio de Janeiro, após  executar uma das Polonaises de Chopin. Em 1942, seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério do Alecrim em Natal.





Quadrinha das lágrimas

23 01 2013

choro 32Cebolinha abre o bico…  Ilustração de Maurício de Sousa.

Homem que é homem, não chora!

— Obedeci, sem defesas.

Pergunto: o que faço agora

com tantas lágrimas presas?

(Newton Meyer Azevedo)





Quadrinha da criança dormindo

21 01 2013

rezando antes de dormir coby, 70sRezando, ilustração anericana,  Coby, década de 1970.

Instante de um doce infindo,
aquele depois da prece,
quando a criança, sorrindo,
beija a boneca e adormece…

(Amadeu Fontana Lindo)





Quadrinha do sonhar

18 01 2013

sonhando acordado

É feliz quem tem o dom
de sonhar a vida inteira.
Se não acha o mundo bom
faz um à sua maneira.

(Dimas Lopes de Almeida)





Quadrinhas dos nossos pedidos

17 01 2013

lista

Monica faz uma lista de pedidos, ilustração Maurício de Sousa.

Se Deus sempre deferisse
tudo o que lhe suplicamos,
veríamos a tolice
do que tanto desejamos.

(Manoelita Amorim Meyer)





Quadrinha da alvorada

16 01 2013

galo, canto do galo, ils Caroline YoungO canto do galo, ilustração de Caroline Young.

O galo canta e desperta

a festiva passarada,

que deixa o morno dos ninhos

para saudar a alvorada.

(Manuel Lins Caldas) [psed. Daslak]





Quadrinha dos mexericos

15 01 2013

segredinhos, eloise wilkinSegredinhos, ilustração de Eloise Wilkin.

Quer chova, quer brilhe o sol,
comentam-na os mexericos.
Não importa ao rouxinol
o pio dos tico-ticos!…

(Sudra Vana)





Quadrinha do entendimento

14 01 2013

casal enamorado

Não tenho o nome do ilustrador, mas o estilo lembra Clarence Coles Phillips, a verificar.

Nem escrito, nem falado,
porém fácil de entender,
é o silêncio do recado
que um olhar sabe dizer.

(Sebas Sundfeld)





Quadrinha da colcha de retalhos

13 01 2013

COSTURA FruitGardenAndHome1923-04a

Ilustração: capa da revista Fruit, Home & Garden, de abril de 1923 (EUA).

Numa colcha de retalhos
costurei nossas lembranças
e alinhavei os atalhos
com a linha da esperança.

(Alice Cristina Velho Brandão)