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Pescadores, ilustração Walt Disney.
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Do peixe, como eu dizia,
sem pretensão de iludi-los,
somente a fotografia
pesava mais de oito quilos!
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(José Machado Borges)
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Pescadores, ilustração Walt Disney.–
Do peixe, como eu dizia,
sem pretensão de iludi-los,
somente a fotografia
pesava mais de oito quilos!
–
(José Machado Borges)
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Casamento, ilustração Arthur Sarnoff.–
Deu-lhe o sogro uma gravata…
– E a sua emoção foi tanta
que casou antes da data,
sentindo um nó na garganta!…
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(Manuel de Oliveira Costa)
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Caquis e uvas, s/d
Jean Xanthakos (Brasil, 1936 (?))
óleo sobre madeira
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Ah! Os caquis,
esses tomates inflados.
Os caquis,
esses pneus assanhados,
risonhos, safados,
que nos convidam a morder
sua carne aguada, açucarada.
–
Os caquis,
vítimas da nossa voracidade.
Os caquis,
que se abrem à primeira dentada,
docemente, docilmente,
feito fêmea dominada.
–
Ah! Os caquis já vão-se embora.
Despeço-me deles agora.
Mas não faz mal,
estou satisfeita,
esperando a próxima colheita.
–
Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife, Editora da autora: 2010
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
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Pato Donald se lembra dos últimos Carnavais, ilustração Walt Disney.–
O Carnaval já vai alto,
com desfiles no sereno…
Minha alma rola no asfalto,
sambando atrás do moreno.
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(Ilza Tostes)
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Ilustração de Isabelle Arsenault.–
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Il est perdu jadis.
Mais il est vivant encore.
Maintenant et toujours.
SAINT-JOHN PERSE
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João Manuel Simões
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São dois meninos.
Coexistem em mim
constantemente:
o adulto terrestre
e o jovem alado,
seu mestre.
Inquilinos,
até o fim,
um dos quartos da mente,
outro do corpo cansado.
–
Em: Poemas da infância: antologia poética, João Manuel Simões, Curitiba, HDV:1989
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Jardim, ilustração de Ethel Blains, capa da Revista House & Garden, Abril 1921.–
Galo, ilustração de livro, sem autoria, 1890.–
A serenata de um galo
vai, de quebrada em quebrada,
e de intervalo a intervalo,
acordando a madrugada!
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(Sebastião Paiva)
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Ana Maria Machado
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Siri
não ri
em serviço.
Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.
Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.
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Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.
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Amadeu Luciano Lorenzato (Brasil, 1900-1995)
óleo sobre eucatex, 48 x 36 cm
Coleção Particular
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Maurílio Leite
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Quando o sol nasce em pompa radioso
De luz banhando o universo inteiro,
O girassol desperta no canteiro
Para seguir-lhe o rastro luminoso.
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E fica assim, à terra preso e em gozo,
Apesar da distância o rotineiro,
Corola aberta ao beijos do luzeiro,
Cada vez mais distante e mais formoso.
–
Comparo o girassol à nossa lida;
Cada vez a distância é mais sentida
No infinito do espaço em que vivemos.
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Vivo sempre a seguir-te em pensamento,
Não poder alcançar-te é o meu tormento.
Sou como a flor… tu és meu sol … Giremos.
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* Este soneto foi musicado pelo autor.
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Em: Panorama da poesia norte-riograndense, coletado por Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, introdução Luiz da Câmara Cascudo.
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Maurílio Leite (RN 1904- RJ 1939) nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte em 1904. Foi aluno do Grupo Escolar Augusto Severo, e depois do Ateneu Norte-Riograndense e da Escola de Comércio de Natal. Desde o curso primário demonstrou vocação para a música e para a poesia. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde continuou compondo versos e músicas, aproveitando temas folclóricos e líricos. Percorreu o Brasil como musicista e compositor. Morreu subitamente em 1939, no Rio de Janeiro, após executar uma das Polonaises de Chopin. Em 1942, seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério do Alecrim em Natal.
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Cebolinha abre o bico… Ilustração de Maurício de Sousa.–
“Homem que é homem, não chora!”
— Obedeci, sem defesas.
Pergunto: o que faço agora
com tantas lágrimas presas?
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(Newton Meyer Azevedo)