Johan Patricny (Suécia, 1976)
Aquarela
“Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:
não amar, é sofrer; amar, é sofrer demais!”
Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato, publicado em 1917.
Johan Patricny (Suécia, 1976)
Aquarela
Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato, publicado em 1917.
Ilustração Clarence Coles Phillips (EUA, 1880-1927).
Dizem que o amor é feitiço,
é mágoa, alegria e dor.
– Mas se amor não fosse isso,
que graça teria o amor?
(Lilinha Fernandes)
Linag Zhi Qing (China, contemporâneo)
aquarela sobre papel de arroz, 40 x 40 cm
A grilinha, toda ardida,
murmurava, num queixume:
–Nunca mais, na minha vida,
Vou namorar vagalume.
(Mário Peixoto)
Édouard Manet (França,1832-1883)
Óleo sobe tela, 92 x 72 cm
Coleção Particular, Paris
Menotti del Picchia
Quase me desconheço. Onde anda o imbele
menino alegre, de calcinha curta,
cantando, sempre aos saltos entre a murta,
entre os cafeeiros tão amigos dele?
Cresceu: ei-lo descrente… Eu sou aquele menino alegre.
A vida logo encurta as ilusões, a idade os risos furta…
E quem diria agora que eu sou ele?
Hoje me desconheço.
O outro, a criança lembro,
toda risonha, ao sol ardente
pelos campos em flor vagando a esmo…
Mas, sempre que me vem isto à lembrança,
sinto-me tão mudado e diferente
que chego a ter saudades de mim mesmo.
Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 57.
Tintim e Milu sobem o rio pedregoso, ilustração de Hergé.
Já repararam que o rio,
quando vai a caminhar,
é nas pedras do caminho
que mais parece cantar?
(Albercyr Camargo)
Interior com senhora lendo, década 1930
Leo Gestel (Holanda, 1881-1941)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Olavo Bilac (Brasil, 1865-1918) do poema Aos meus amigos de São Paulo, também conhecido pelo primeiro verso: Se amo, padeço, e sonho, a recompensa.
Ilustração, autoria desconhecida.
Os teus olhos (quem diria?)
São ladrões de profissão;
Me roubaram noutro dia,
num olhar, meu coração.
(Josué Silva)
Túlio Mugnaini (Brasil, 1895-1975)
Óleo sobre tela colado em madeira, 27 x 30 cm
Coleção Particular
Palmira Wanderley
Termina Agosto… A pitangueira flora…
A úmbela verde cobre-se de alvura;
E, antes que Setembro finde a aurora,
Enrubece a pitanga… Está madura.
Da flor, o fruto é de esmeralda, agora…
Num topázio, depois, se transfigura,
E, pouco a pouco, um sol de estio a cora,
Dando a cor dos rubis à canadura.
A pele é fina, a carne é veludosa,
Vermelha como o sangue, perfumosa
Como se humana a sua carne fosse…
Do fruto, às vezes, roxo como o espargo,
A polpa tem um travo doce-amargo,
— O sabor da Saudade, amargo e doce…
Em: Panorama da Poesia Norte- Rio-Grandense, Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, p. 144-5.
Ilustração de Jason La Ferrera, colagem de antigos mapas.
Sabiá põe em seu canto
tal ternura que ao cantar,
mais parece um acalanto
para a alma cochilar.
(Amália Max)
Pedro Joseph de Lemos (EUA, 1882-1954)
pastel e carvão sobre papel tecido cinza
Agnelo de Souza
Hora crepuscular! Tarde. Agonia.
Dobres de sinos, murmurar de prece!
Luz benfazeja que desaparece,
Deixando na alma funda nostalgia.
Serenamente vai morrendo o dia
E o véu da noite sobre a terra desce!
É o véu sombrio que ela mesma tece
Para o noivado da melancolia!
Hora de tédio e de recolhimento,
Hora criada para o meu tormento,
Hora feita de prantos e gemidos!…
Dentro de ti e pela noite densa,
Passam gemendo, nessa mágoa imensa,
Sonhos desfeitos, corações partidos.
Em: Panorama da poesia norte-rio-grandense, Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, p. 155.