Sublinhando…

20 06 2015

 

 

Johan Patricny (Suécia 1976) Mulher lendo, 2004, aquarelaMulher lendo, 2004

Johan Patricny (Suécia, 1976)

Aquarela

www.johanpatricny.com

 

 

“Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:

não amar, é sofrer; amar, é sofrer demais!”

 

 

Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato, publicado em 1917.





Trova do amor

14 06 2015

 

 

Casal, na escada, clarence coles phillipsIlustração Clarence Coles Phillips (EUA, 1880-1927).

 

Dizem que o amor é feitiço,

é mágoa, alegria e dor.

– Mas se amor não fosse isso,

que graça teria o amor?

 

(Lilinha Fernandes)





Trova humorística dos grilos — já pensando no dia dos namorados…

11 06 2015

 

 

aquarela chinesaSem título

Linag Zhi Qing (China, contemporâneo)

aquarela sobre papel de arroz, 40 x 40 cm

 

 

A grilinha, toda ardida,

murmurava, num queixume:

–Nunca mais, na minha vida,

Vou namorar vagalume.

 

(Mário Peixoto)





25 anos, soneto de Menotti del Picchia

8 06 2015

 

75e570ac2d6c8ac4e71bc03d71d14182Menino com cesto e cão, 1861

Édouard Manet (França,1832-1883)

Óleo sobe tela, 92 x 72 cm

Coleção Particular, Paris

 

25 anos

 

Menotti del Picchia

 

Quase me desconheço. Onde anda o imbele

menino alegre, de calcinha curta,

cantando, sempre aos saltos entre a murta,

entre os cafeeiros tão amigos dele?

 

Cresceu: ei-lo descrente… Eu sou aquele menino alegre.

A vida logo encurta as ilusões, a idade os risos furta…

E quem diria agora que eu sou ele?

Hoje me desconheço.

 

O outro, a criança lembro,

toda risonha, ao sol ardente

pelos campos em flor vagando a esmo…

 

Mas, sempre que me vem isto à lembrança,

sinto-me tão mudado e diferente

que chego a ter saudades de mim mesmo.

 

 

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 57.





Trova do rio

30 05 2015

 

 

rio pedregoso, hergéTintim e Milu sobem o rio pedregoso, ilustração de Hergé.

 

Já repararam que o rio,

quando vai a caminhar,

é nas pedras do caminho

que mais parece cantar?

 

 

(Albercyr Camargo)





Sublinhando…

26 05 2015

 

 

GESTEL, Leo - Interieur mit lesender Frau, ost, 50x60, decada de 30Interior com senhora lendo, década 1930

Leo Gestel (Holanda, 1881-1941)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 

 

“Por ser da minha terra é que sou nobre,

Por ser da minha gente é que sou rico.”

 

Olavo Bilac (Brasil, 1865-1918) do poema Aos meus amigos de São Paulo, também conhecido pelo primeiro verso: Se amo, padeço, e sonho, a recompensa.





Trova dos teus olhos

21 05 2015

 

 

jovem com colarIlustração, autoria desconhecida.

 

 

Os teus olhos (quem diria?)

São ladrões de profissão;

Me roubaram noutro dia,

num olhar, meu coração.

 

 

(Josué Silva)

 

 





Pitangueira, poesia de Palmira Wanderley

14 05 2015

 

TúlioMugnaini (Brasil, 1895-1975), Paisagem,ostcm, 27x 30cmColeção ParticularPaisagem

Túlio Mugnaini (Brasil, 1895-1975)

Óleo sobre tela colado em madeira, 27 x 30 cm

Coleção Particular

 

 

Pitangueira
 

Palmira Wanderley

 

 

Termina Agosto… A pitangueira flora…

A úmbela verde cobre-se de alvura;

E, antes que Setembro finde a aurora,

Enrubece a pitanga… Está madura.

 

Da flor, o fruto é de esmeralda, agora…

Num topázio, depois, se transfigura,

E, pouco a pouco, um sol de estio a cora,

Dando a cor dos rubis à canadura.

 

A pele é fina, a carne é veludosa,

Vermelha como o sangue, perfumosa

Como se humana a sua carne fosse…

 

Do fruto, às vezes, roxo como o espargo,

A polpa tem um travo doce-amargo,

— O sabor da Saudade, amargo e doce…

 

 

Em: Panorama da Poesia Norte- Rio-Grandense, Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, p. 144-5.





Trova do sabiá

9 05 2015

 

 

mapa-passaro Jason LaFerrera,Ilustração de Jason La Ferrera, colagem de antigos mapas.

 

 

Sabiá põe em seu canto
tal ternura que ao cantar,
mais parece um acalanto
para a alma cochilar.

 

(Amália Max)





Crepúsculo, soneto de Agnelo de Souza

6 05 2015

 

 

Night-Taos-Pueblo-by-Pedro-Joseph-de-LemosNoite, Pueblo Taos, 1921

Pedro Joseph de Lemos (EUA, 1882-1954)

pastel e carvão sobre papel tecido cinza

 

 

Crespúsculo

 

 

Agnelo de Souza

 

 

Hora crepuscular! Tarde. Agonia.

Dobres de sinos, murmurar de prece!

Luz benfazeja que desaparece,

Deixando na alma funda nostalgia.

 

Serenamente vai morrendo o dia

E o véu da noite sobre a terra desce!

É o véu sombrio que ela mesma tece

Para o noivado da melancolia!

 

Hora de tédio e de recolhimento,

Hora criada para o meu tormento,

Hora feita de prantos e gemidos!…

 

Dentro de ti e pela noite densa,

Passam gemendo, nessa mágoa imensa,

Sonhos desfeitos, corações partidos.

 

 

Em: Panorama da poesia norte-rio-grandense, Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, p. 155.