Um presente para o Dia das Mães!

22 04 2023

Livro À meia voz, de Ladyce West, em todas as livrarias e na Amazon, papel e digital.





Trova da liberdade

18 04 2023
Cascão lendo, ilustração  Maurício de Sousa.

 

 

 

Disseram que Tiradentes

fora apenas sonhador,

mas o sonho deu sementes:

e as sementes deram flor!

 

(Durval Mendonça)





Um encontro delicioso…

21 03 2023

Chá da tarde, 1935

Louise Visconti (França-Brasil, 1882-1954)

aquarela sobre papel

 

 

ENCONTRO DELICIOSO
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Ontem, dia 20 de março, início do outono eu me encontrei com o Grupo de Leitura Preciosa, para um bate-papo. Eles me deram a honra de ter meu livro de poesias como leitura do mês de março. E foi um encontro muito bom. Cada integrante do grupo selecionou uma poesia de que tivesse gostado e leu para o grupo. Mais tarde repetiram a façanha. E novas observações foram feitas.
 
Fiquei encantada. Sendo este meu primeiro livro, de poesias, há tempos marco o nome de quem gostou, do que, no meu próprio volume. Essa tem sido uma experiência incrível, porque pessoas marcam coisas muito diferentes, e até ontem, ninguém havia considerado aquelas poesias, que considero as que mais me movem, as que mais me tocam. Mas no Grupo de Leitura Preciosa, encontrei essas pessoas.
 
De qualquer jeito, é uma honra inigualável ver tantas pessoas fazendo uma leitura próxima do texto e tantas observações pertinentes serem levantadas.
 
Foi uma honra, Rose Nobre. Muito obrigada.
 
 
 




Noite e dia, poesia de Alice Ruiz

14 03 2023

O domínio da luz, 1950

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela, 99 x 79 cm

MOMA, New York

 

Noite e dia

 

Alice Ruiz

 

não me agradam

essas coisas que despertam

barulho, susto, água fria

tudo na minha cara

mas nenhum sonho por perto

 

não me agradam

essas coisas que adormecem

vazio, escuro, calmaria

tudo que lembra morte

quando nada mais dá certo

 

não me agradam

essas coisas sem poesia

uma noite só noite

um dia só dia

 

Em: 101 Poetas Paranaenses: V.1 (1844 -1959) –  antologia de escritas poéticas do século XIX ao século XXI, seleção e apresentação de Ademir Demarchi, Curitiba, Biblioteca Pública do Paraná: 2014, p. 203





Trova da morte

9 02 2023

Ilustração francesa de conto de fadas.

Sem resposta que conforte,

dúvida imensa me corta:

Qual o segredo da morte?

Fim? Partida? Porto? Porta?

(Alonso Rocha)





Trova da arte

26 01 2023

Clarabela ensina Horácio a pintar, ilustração Walt Disney.

 

 

Ama a tua arte. Por ela

faze o bem: ama e perdoa.

A bondade é sempre bela,

a beleza é sempre boa.

 

(Bastos Tigre)





Mangueiras de Belém, Sílvia Helena Tocantins

10 01 2023

 

 

joao-baptista-da-costa-no-banco-do-jardim-oleo-sobre-madeira, 25 x 19No banco do jardim

João Baptista da Costa (Brasil, 1865 – 1926)

óleo sobre madeira, 25 x 19 cm

 

Mangueiras  de Belém

 

Sílvia Helena Tocantins

 

Gentil mangueira que me dá abrigo

no aconchego morno do teu braço,

na tua ramagem encontro o ninho amigo

que há de embalar sempre o meu cansaço.

 

És tu mangueira de real grandeza,

só espalhando o Bem em tua missão,

além de embelezares a natureza,

és teto, és fruto, és sombra, és proteção.

 

E nunca negas à mão que te apedreja,

terno repouso contra a chuva e o mormaço,

em troca dá-lhes fruto, seja a quem seja

e ainda embalas, maternal, num abraço.

 

Bendita seja a mão que te plantou

o sol que fecundou a terra, o orvalho,

onde a tua semente fértil, germinou,

para medares sombra doce e agasalho.

 

E no teu colo verde de folhagem,

quero sonhar meus ideais acalentados,

esconder meus segredos em tua ramagem

como se eu fosse altivo pássaro encantado.

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 381

 





Trova do pai

9 01 2023

Embora não fosse nobre,

meu pai deixou — que nobreza —

em seu nome honrado e pobre,

minha única riqueza.

(José Corrêa Villela)





Esse punhado de ossos, poesia de Ivan Junqueira

5 01 2023

De longe, próximo, 1937

[From the Faraway, Nearby]

Georgia O’ Keefe (EUA, 1887-1986)

óleo sobre tela, 91 x 101 cm

Metropolitan Museum

Esse punhado  de ossos

 

Ivan Junqueira

 

Esse punhado de ossos que, na areia,

alveja e estala à luz do sol a pino

moveu-se outrora,  esguio e bailarino,

como se move o sangue numa veia.

Moveu-se em vão, talvez, porque o destino

lhe foi hostil e, astuto, em sua teia

bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia

o que havia de raro e de mais fino.

Foram damas tais ossos, foram reis,

e príncipes e bispos e donzelas,

mas todos a morte apenas fez

a tábua rasa do asco e das mazelas.

E ali, na areia anônima, eles moram.

Ninguém os escuta. Os ossos não choram.

 

Em: O Tempo além do Tempo, Ivan Junqueira, organização e prefácio de Arnaldo Saraiva, Editora Quasi, Vila Nova do Farmalicão: 2007, p, 108





Trova da magreza

28 12 2022

De ser magro, minha gente,

não tenho — confesso — mágoa,

o rio, em sua nascente,

é também filete d’água.

(Carlos Ribeiro Rocha)