Travessa, poema de Machado de Assis

16 11 2011

Lendo no bosque, s/d

Ferdinand Heilbuth ( França, 1828-1889)

aquarela sobre papel com detalhes em guache, 24 x 33cm

Travessa

Machado de Assis

…………………………………………………..

Ai, por Deus, por vida minha!

Gosto de ti — gosto tanto

Dessa tua travessura

Que não dera o meu encanto,

Que não dera o meu gostar,

Nem por estrelas do céu,

Nem por estrelas do mar!

Alma toda de quimeras

Que acordou no paraíso

Vinda do leito de Deus;

E que rivais de teus olhos

Só tens dois olhoos — os teus!

Pareces mesmo criança

Que só vive e se alimenta

De luz, amor e esperança.

Ave sem medo à tormenta

Que salta e palpita e ri;

Não sabes como, não sabes,

As travessas primaveras

Assentam tão bem em ti!

Assentam sim, como as asas

Assentam no beija-flor;

Como o delírio dos beijos

Em uma noite de amor;

Como no véu que se agita

De beleza adormecida

A brisa mole e sentida!

Foi por ver-te assim —  travessa

Que eu pus a minha esperança

No imaginar de criança

Dessa formosa cabeça…

Foi por ver-te assim. — Que os sonhos

Eu sei como os tem, eu sei,

Puros, lindos e risonhos,

Um coração novo e calmo

Onde a lei do amor — é lei;

Foi por ver-te assim, que eu venho

por em ti as fantasias

De meus peregrinos dias,

Como a esperança no céu;

Em ti só, que és tão louquinha,

Em ti só por vida minha!

…………………………………………………….

(1859)

Em: O Espelho: revista semanal de literatura, modas, indústria e artes [ edição fac-similar] (1859-1860) Rio de Janeiro, MEC: 2008.





Papa-livros: Guia de discussão para o livro Um dia, de David Nicholls, leitura terminada em 18/10/ 2011

16 11 2011

Conversa Fiada, 1908

Rupert Bunny (Austrália, 1864-1947)

óleo sobre tela

A boa recepção, a popularidade imediata, que este livro teve tanto na Inglaterra, sua terra natal, onde foi publicado em 2009, assim como nos Estados Unidos – um país avesso às publicações estrangeiras – assim como a imediata filmagem do romance, numa produção para ser lançada em circuito aberto, aqui no Brasil em breve, fez com que muitos achassem tratar-se simplesmente de uma obra comercial, sem qualquer outro valor que valesse uma discussão mais aprofundada.  No entanto, é inescapável a realização de que a obra de David Nicholls [veja resenha nesse blog] falou a muitos, a uma geração inteira, nascida por volta de 1970 e a tantos outros que mantêm seus espíritos abertos a novas e interessantes aventuras.   O livro retrata dois personagens de  1998 a 2007, a cada capítulo um ano se passou.  Com detalhes pontuais de cada época, percebe-se a mudança de tempo e de atitudes não só dos dois protagonistas, como da sociedade à volta.

Sugestão de perguntas: 

1 – Logo no início, quase na apresentação dos personagens, tanto Emma quanto Dexter fazem uma resenha de como cada um imagina o outro, no futuro.  Você considera isso um prenúncio do que virá?  São visões que se realizam? 

2 — Dexter e Emma seguem seus diferentes caminhos, quase como lados opostos de uma mesma geração, de um mesmo grupo de pessoas.  Em que eles se opõem?  O que eles têm em comum, apesar de vidas aparentemente opostas? 

3 – A vida que Emma segue, seus diferentes “empreguinhos” são consistentes com o que ela diz querer da vida?   E Dexter?  Segue um caminho consistente com seus valores?  Quais são esses valores?

 4 – Dexter acha que Emma tem baixa auto-estima, que ela não se valoriza.  Você concorda?  Por que ele estaria notando isso sobre a amiga?

 5 – Dexter tem um comportamento auto-destruidor.  Auto-destruição está com frequência ligada à baixa auto-estima.  Por que ele sofreria dessa percepção de si mesmo, já que era atraente, sedutor e tinha uma carreira de sucesso? 

6 – A medida que eles se aproximam dos 30 anos há uma diferença de atitudes nas suas vidas.  Cada um dá uma guinada.  Emma se acha velha, e tem um caso amoroso que jamais teria pensado possível.  Dexter por outro lado também se encontra envolvido com Sylvie.  A reação de cada um deles com a aproximação dos 30 anos é condizente com suas vidas?  O que elas demonstram?  

7 –  Ambos vão separadamente a um casamento.  Este é um momento pivô no romance.  O que cada um descobre a respeito de si mesmo nessa ocasião?

8 —  O que muda no relacionamento deles depois que Emma tem sucesso como escritora e Dexter está num caminho oposto, tendo que lidar com sua falência profissional?

9 —  Como esse romance difere de e o que tem em comum com outros romances em que um envolvimento romântico entre um homem e uma mulher acontece?  

10 – David Nicholls por vezes parece se ater a pequenos incidentes na narrativa, coisas que não parecem importantes.  Até mesmo alguns personagens, que mais tarde se tornam importantes, têm sua estréia no romance como se fossem coadjuvantes de muito menor valia.  O que esta maneira de narrar traz dá ao leitor?  Por que ela foi usada?

11 – A narrativa de uma vez por ano exige que o leitor preencha em muitos parênteses em aberto sobre a vida de cada um dos personagens principais, sobretudo quando no dia 15 de julho de um determinado ano, nada de grandioso ou importante parece ter acontecido.  Essa ferramenta de narrativa é eficaz?  O que ela tem como objetivo? 

12 – Você acredita que esse romance conseguiu fazer um retrato convincente da geração que descreve?





Imagem de leitura — Angus McBride

15 11 2011

Histórias para a hora de dormir

Angus McBride (Inglaterra, 1931- 2007)

Guache sobre papel

Coleção Particular

[Nota: ilustração usada para a capa da revista Era uma vez [ Once upon a time, nº 13]

Angus McBride nasceu em Londres.  Ficou órfão de mãe aos 5 anos de idade e órfão de pai durante a Segunda Guerra Mundial, aos 12 anos de idade.  Foi educado na Escola do Coro da Catedral de Canterbury.  Depois de fazer o serviço militar, mudou-se para a África do Sul, por causa da má situação economica de pós-guerra na Inglaterra.   Fez bastante sucesso em Cape Town como ilutrador de livros, mas em 1961 voltou à Inglaterra, onde havia um maior mercado para as artes gráficas.  Na década de 1970 volta à Africa do Sul.  Ficou conhecido por suas ilustrações históricas.  Faleceu em 2007.





Imagem de leitura — Daire Lynch

13 11 2011

Gina lendo

Daire Lynch (Irlanda, contemporânea)

óleo sobre tela

www.dairelynch.com

Daire Lynch nasceu em Dublin na Irlanda e hoje vive em Cong, no condado de Mayo.  Estudou desenho e animação em Ballyfermot.    Também se dedica à música.





Imagem de leitura — Gregory Calibey

12 11 2011

Poeta de domingo, 2003

Gregory Calibey (EUA, 1959)

óleo sobre tela, 48 x 60 cm

Bob Rauschenberg Gallery

Gregory Calibey nasceu no estado de Connecticut, nos EUA em 1959.  Mostrou sua aptidão para a pintura muito cedo, chegando a ganhar três prêmios nacionais de pintura antes mesmo acabar o ensino médio. Estudou arte na Universidade Wesleyan e na Universidade da Carolina do Norte.  Depois de formado tentou diversas disciplinas no campo das artes do design em arquitetura ao design de mobiliário. Experimentou o desenho gráfico de ilustração e trabalhou também com produções para a televisão, até chegar a conclusão de que a pintura e a escultura seriam as dedicações de sua vida.





Imagem de leitura — Victor Zhuravlev

11 11 2011

Repouso, 1996

Victor Zhuravlev ( Ucrânia,contemporâneo )

óleo sobre papelão, 80 x 80cm

Victor Zhuravlev





Palavras para lembrar — Goethe

10 11 2011

Afrodite, 1910-14

Jeanne Mammen ( Alemanha, 1890-1976)

Desenho [Catálogo Raisoné] WVZ: SB IX/7.

“Um livro é um espelho: quando é um macaco que se olha nele, não pode encará-lo de volta nenhum apóstolo”.

Goethe





Imagem de leitura — Jerry Salinas

10 11 2011

No café, 2008

Jerry Salinas ( EUA, 1967)

50 x 40 cm

Jerry Salinas

Jerry Salinas nasceu em Chicago nos Estados Unidos em 1967.   Começou a estudar pintura no Instituto de Arte de Chicago, passando para a Academia America de Arte onde se graduou em Ilustração e Pintura.   Dedica-se a uma grande variedade de temas assim como a uma grande variedade de técnicas que vão da pintura à arte digital.  Hoje, mora e trabalha em Fênix, Arizona





Imagem de leitura — Pablo Picasso

8 11 2011

Homem lendo jornal, 1914

Pablo Picasso ( Espanha, 1881-1973)

desenho, guache e grafite sobre papel, 16 x 13 cm

Museu Nacional Picasso, Paris

Pablo Picasso nasceu em Málaga na Espanha em 1881.  Foi um dos grandes mestres da arte do século XX.  Sua vontade de experimentar de testar seus limites o fizeram um dos mais interessantes artistas visuais de todos os tempos.   Foi um dos “pais” do Cubismo,  pintor, gravador, desenhista, ceramista, escultor,  Faleceu em Mougins, na França em 1973.





Imagem de leitura — Sir John Lavery

7 11 2011

Miss Auras, o livro vermelho,  c. 1890

Sir John Lavery (Irlanda, 1856-1941)

óle sobre tela,  76 x 63 cm

Coleção Particular

John Lavery nasceu na Irlanda em 1856.  Ficou conhecido principalmente por seus retratos.   Na década de 1870 estudou pintura em Glascow, na Academia Haldane, e nos anos seguintes foi para Paris onde estudou na Académie Julian.   Foi em 1888 que ele foi escolhido para pintar o retrato da Rainha Vitória numa visita que ela fez a Irlanda.  Isso foi o suficiente para que ele se tornasse muito popular na sociedade como retratista.   Faleceu em 1941, aos 84 anos.