Grandes começos, IV de XII, escolha de Ana Maria Machado

9 03 2015

 

 

Interior-benson-greyroomA sala cinza, 1913

Frank Benson (EUA, 1862-1951)

óleo sobre tela, 64 x 78 cm

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“O homem me pede fogo. Ergo para ele o isqueiro aceso e noto contrariado que minha mão treme um pouco. Seus olhos cor de zinco se fixam nos meus dedos. Nervoso? Sacudo a cabeça negativamente, odiando-o como se pode odiar a pessoa que nos descobre o segredo que mais queremos ocultar.”

 

Érico Veríssimo, Saga

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.





Grandes começos, III de XII, escolha de Ana Maria Machado

8 03 2015

 

 

Léopold_von_Kalckreuth-La_Comtesse_MarieA Condessa Marie, 1888

Léopold von Kalckreuth (Alemanha, 1855-1928)

óleo sobre tela

Museu de Artde Contemporânea de Strasbourg

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“No dia em que o matariam, Santiago Nazar levantou-se as 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava um bosque de grandes figueiras onde caía uma chuva branca, e por um instante ficou feliz no sonho, mas ao acordar sentiu-se completamente salpicado de cagada de pássaros.”

 

Garcia Marquez, Crônica de uma morte anunciada

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.

 





Flores para um sábado perfeito!

7 03 2015

 

 

Eugenio Latour Ano (Brasil, 1874-1942) FloresVaso de flores, 1939

Eugênio Latour (Brasil, 1874-1972)

óleo sobre tela, 65 x 54 cm





Grandes começos, I de XII, escolha de Ana Maria Machado

6 03 2015

 

Mary Cassatt (1844-1926) The Reader 1877 Oil on canvasLeitora, 1877

Mary Cassatt (EUA, 1844-1926)

óleo sobre tela, 81 x 64 cm

Crystal Bridges Museum of American Art

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Em meus anos mais jovens e mais vulneráveis, meu pai me deu um conselho que, desde então, tenho feito virar e revirar em minha mente. ‘Sempre que tiver vontade de criticar alguém‘, disse, ‘lembre-se de que nem todo mundo teve a vantagens que você teve‘”.

 

Scott Fitzgerald, O grande Gatsby.

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.

 





Vila Lobos, texto de Menotti del Picchia

5 03 2015

 

 

ARMÍNIO PASCUAL (1920) Trem, óleo sobre madeira industrializada - 49 x 64.Trem, s.d.

Armínio Pascual (Brasil, 1920-2006)

óleo sobre tela, 30 x 40 cm

 

 

 

Vila Lobos

Menotti del Picchia

 

 

Jantei outro dia com Vila-Lobos. Recordamos muita coisa da luta comum. Lembramos do chinelo que lhe ornava o pé esquerdo, quando dentro de uma impecável casaca. O grande Vila regia a orquestra do Municipal, numa das famosas noitadas da Semana de Arte Moderna de 1922.

— Eles pensaram que casaca de chinelo era parte da indumentária futurista. Acharam original. O que eu tinha era uma unha encravada…

Rimos. Lembramos da então tão jovem e tão linda Yvonne Daumerie no palco vestida de libélula, asas enristadas nas espáduas, chorando, apavorada, fugindo das vaias com que uma plateia ululante e desesperada coroara nosso heroísmo afrontando-a com a impertinência de um programa polêmico e agressivo feito, então, do que se consideravam “as loucuras de Mário de Andrade, Oswald, Ronald, Graça Aranha” e dos demais revolucionários.

— Vá dançar, Yvonne.

A graciosa bailarina dançou, uma dança clássica. Foi ovacionada. A ojeriza da platéia era conosco, não com Yvonne, Guiomar Novais, nem com o próprio Vila-Lobos. O formidável criador das Bacchianas bebia seu vinho e comia com apetite. As memórias vinham em fila: casa de D. Olívia, as viagens de concertos culturais, as primeiras concentrações corais. Os companheiros mortos e vivos: Mário, Oswald, Ronald, Brecheret…

— Você sabe que não foi a Semana de Arte Moderna que me lançou. Eu já era revolucionário na música muito antes.

Vila Lobos faz questão de fixar bem que ele não é resultante do movimento. Ele começou sozinho a sua revolução musical. Vila Lobos, porém, ignora, que nós todos, os autores da “Semana”, não fomos feitos por ela. Nós é que a fizemos. Anos antes já sonhávamos com a nossa revolução. Que eram o Moisés, o Juca Mulato senão rebeldias e discordâncias do ritmo mental dominante? Moisés é de 1917. Em 1921, com Osvaldo, dirigíamos a revista Papel e Tinta, onde exaltávamos a pioneira Malfatti, o rebelde criador de Paulicéia Desvairada. A “Semana” foi apenas uma data como 7 de setembro a eclosão de um movimento de independência nacional que vinha de longe. A “Semana” foi um encontro de valores e não um ponto de partida. Foi a oficialização da rebeldia criando uma data histórica. Vila Lobos pode ficar tranquilo; a “Semana” não disputará sua originalidade pioneira, apenas a registrará com o seu comparecimento tão pitoresco na ribalta do nosso Municipal, cabeleira agitada, chinelo no pé, marcadamente modernista.

Fomos, depois, ouvir, as últimas criações do mestre. Seu apartamento é um museu fotográfico dos maiores vultos contemporâneo, todos eles depondo, em dedicatórias consagradoras, sobre o gênio do maior compositor patrício.

— Isto que é, Vila?

Homenagens. Homenagens de governos, de corporações artísticas, de sociedades de concertos. Nem sei o que o Vila poderá fazer de tanta glória. O mundo inteiro é hoje sua plateia. Lá está a saudação de Stravinsky. Lá está o abraço de Stokowski. Lá está o agradecimento de Casals.

— Você lembra quando compôs o Trenzinho do caipira?

Passa pelos olhos de Vila Lobos uma rajada de melancolia. Há quantos anos? Mocidade, divina mocidade, única coisa boa da vida! Foi em São Paulo, dentro de um trem da Paulista, numa excursão artística pelo Interior na qual o compositor genial tocava violoncelo, D. Antonieta Rudge, o piano.
Nessa hora, porém, a vitrola sonorizava uma das Bacchianas que eu não conhecia, recentemente gravada nos Estados Unidos. Era o Vila Lobos romântico – romântico mas moderníssimo – o melhor Vila Lobos. E eu entrei em êxtase. Por vários minutos fiquei, pairando no Paraíso.

 

 

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 107.





Nomes e apelidos… texto de Pedro Nava

4 03 2015

 

 

DÉCIO RODRIGUES VILLARES, Retrato de senhora, 1889, mnbaRetrato de Senhora, 1889

Décio Rodrigues Villares (Brasil , 1851-1931)

óleo sobre tela

Museu Nacional de Belas Artes, RJ

 

 

Há uma propaganda de carro na televisão no momento lembrando que devemos ter orgulho do nosso nome, que ele nos faz únicos!  Será?  Será que é sempre assim?  Lembrei-me desse trecho das memórias de Pedro Nava.

 

 

“A irmã mais moça de meu pai recebera, em lembrança de certa tia e madrinha de meu avô paterno, nome absolutamente igual ao desta antepassada: Maria Euquéria Nava.  Além disso, quando ela nasceu, era tão mofina e miúda que o tio Itriclio, ao vê-la no primeiro banho, dissera logo que aquilo não era gente. Isto é um belisco… E a menina, além de Euquéria, teve de arcar com o apelido que pegara e Belisco ficou sendo. O Euquéria, ela rifou ao assinar o registro de casamento. O Belisco, depois, quando, com muita paciência e muito jeito, ela conseguiu modificá-lo no Bibi com que morreu. Tia Bibi. Delicada, reservada, discreta criatura. ”

 

Em: Baú de Ossos: memórias, Pedro Nava, Rio de Janeiro, Sabiá: 1972, p. 338.

 

Tenho alguns casos na família semelhantes a esse. E você?





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

4 03 2015

 

 

ANTONIO CUNHA - óleo s tela,  60 cm x 49 cmNatureza Morta com melancia, década 1940

Antonio Cunha (Brasil ?– ?)

óleo sobre tela, 60 x 49 cm

 





Flores para um sábado perfeito!

28 02 2015

 

 

Paulo Rossi Ozir, Vaso de Flores, Óleo sobre tela, 65 alt X 54 larg (cm), acie, 1923Vaso de flores, 1923

Paulo Rossi Osir (Brasil, 1890-1959)

óleo sobre tela,  65 x 54 cm





Arte estrangeira, escolha do mês: Claude Verlinde

28 02 2015

 

Le_Bourdon_4d416e8525009A abelha, 1978

[Série: A música]

Claude Verlinde (França, 1927)

óleo sobre tela, colada em madeira, 55 x 46 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

 

Egalit___4d874237ac421Igualdade, 1989

[Da série: A revolução]

Claude Verlinde (França, 1987)

óleo sobre tela, colado em madeira, 60 x 73 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

 

Le_Caf______Deux_4d875659ab322Café para dois, 1975

[Da série: O sonho]

Claude Verlinde (França, 1927)

óleo sobre tela, colado em madeira, 35 x 27 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

 

Arlequin_4d4155510f711Arlequim, ou convite ao jogo do teatro, 1994

Claude Verlinde (França, 1927)

óleo sobre tela colada em madeira, 124 x 78 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

La_Gare_4d416eeabe8bcA estação de trens, 2004

Claude Verlinde (França, 1927)

óleo sobre tela colada em madeira, 91 x 103 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

 

Le_Mythe_de_Sisy_4d41a0be23a70O mito de Sísifo, 2005

Claude Verlinde (França, 1927)

óleo sobre tela colada em madeira, 59 x  52 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

 

Les_Marottes_24_4d87418618a95Ninharias de comediante, 1989

Claude Verlinde (França, 1927)

óleo sobre tela colada em madeira, 81 x 130 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

 

Arbre_G__n__alog_4d4145d6c2865Árvore genealógica, 1980

Claude Verlinde (França, 1927)

óleo sobre tela colada em madeira, 55 x 46 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

La_Foule_4d42a46d5ad93As massas, 1988

Claude Verlinde (França, 1927)

óleo sobre tela colada em madeira, 92 x 65 cm

http://www.claude-verlinde.fr

 

 

Le_Narcissisme_4d4194017ca6fO narcisismo, 1990

Claude Verlinde (França 1927)

desenho

http://www.claude-verlinde.fr

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

25 02 2015

 

ROMANELLI, Armando (1945) - Laranjas, óleo sobre chapa de madeira industrializada - 21 x 20 cm. Assinado frente e no verso assinado datado 1979.Laranjas, 1979

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre placa de madeira, 21 x 20 cm