Imagem de leitura — Jacques-Louis David

1 10 2015

 

 

jacques louis dvidMadame François Buron, 1769

Jacques Louis David (França, 1748-1825)

óleo sobre tela, 66 x 55 cm

The Art Institute of Chicago





Resenha: “Tirza” de Arnon Grunberg

1 10 2015

 

Leonid Afremov, The Gateway to Amsterdam, 2000s, oil on canvas, [no dimensions], Private CollectionPorta de entrada para Amsterdã, 2000

Leonid Afremov (Bielorússia/Israel, 1955)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

Há muito tempo não leio um autor que demonstra tamanho domínio de seu texto como Arnon Grunberg. Ele brinca com o leitor sem que este o perceba. Ele nos envolve, nos seduz, nos puxa pela mão, mostra o que quer, esconde o que não precisa ser contado. Brinca. Cria. Joga xadrez conosco. Não percebemos a manipulação. Muito pelo contrário, queremos mais. Queremos mais de tudo, e as páginas são lidas com sofreguidão. O que as embala é uma sensação de que algo está para acontecer, algo será revelado a qualquer momento. A tensão é semelhante a de um filme de Alfred Hitchcock. Não se trata de uma história de uma centena de páginas. São 464 páginas em que o autor constrói aos poucos, deliberadamente, detalhes das personalidades envolvidas na narrativa, fazendo-nos íntimos dos membros da família Hofmeester. Ficamos familiarizados principalmente com Jörgen Hofmeester, pai de duas meninas, marido de uma artista plástica que entra e sai de sua vida à vontade, editor de ficção estrangeira de uma casa editorial em Amsterdã, homem em idade próxima à da aposentadoria, que mora num bairro da cidade de fazer inveja aos amigos, que possui uma casa de veraneio, que junta economias e as investe na Suíça, um homem, que tenta, porque tenta, sem colocar quaisquer barreiras, fazer aquilo que é certo e esperado dele. E, no entanto, há uma tensão imensa dentro desse pai de família. Tudo nele é quase obsessivo, mas sob controle. A perfeição é sua meta quer na cozinha, onde aprende a cozinhar quando sua mulher o deixa para “se encontrar”, quer no controle financeiro de sua vida, com a intenção de deixar um patrimônio sólido para as filhas.

 

TIRZA

 

Tirza é o nome da filha caçula de Jörgen Hofmeester, sua filha preferida, aquela que completa 18 anos e está pronta para entrar na universidade. Para comemorar essa passagem decide viajar pela África, e uma festa colocará o ponto final na vida anterior e marcará o início de sua nova aventura. Seu pai prepara a festa com cuidado, fazendo, ele mesmo, os quitutes, arranjando as bebidas. Durante esses preparativos aprendemos sobre a família. Sobre a mãe, as meninas, Ibi, a irmã que já não mora na Holanda e, sobretudo, conhecemos Jörgen. Apesar de um tanto fora da norma, nossa identificação com ele é inevitável. Conhecemos seus desejos, seus desapontamentos. Sua absoluta solidão. Há humor nessa narrativa, muito humor, porque entendemos sua visão do absurdo. Ocasionalmente a vida parece caótica e surreal, mas o humor vem mesmo das situações cotidianas, daquelas pequenas decisões que não dão certo, das expectativas frustradas,de sua inépcia social.

 

 

Arnon+Grunberg+©+RingelGoslinga+2013+-+RV+smallArnon Grunberg

 

Mas, há sempre a sensação de algo oculto. Há uma expectativa subjacente. Uma perturbação que nos deixa alerta. Há a sensação de que algo já aconteceu, mas não sabemos o que, há um ponto cego: incesto? Violência no casamento? O que? É como se tivéssemos sido as rãs numa panela com a água quente e não percebemos que a água ferveu. Esse mistério, essa dúvida só se esclarece nas últimas páginas. E é surpreendente. Um final estarrecedor. Imprevisível. Vale todas as horas dedicadas à leitura.

Este está, para mim, entre os melhores livros lidos neste ano e tem tudo para estar entre os meus favoritos de todos os tempos. É impossível discuti-lo sem revelar mais do que deveria. Mas recomendo sem constrangimento sua leitura para todos os leitores.





Imagem de leitura — Jean-Baptiste Greuze

30 09 2015

 

 

greuze-bourgevin-nante, J.-Baptiste Greuze  Portrait de J.-Baptiste de Bourgevin de Vialart, comte de St Morys, enfant.Retrato de Charles-Etienne de Bourgevin de Vialart, Conde de Saint Morys, criança

Jean-Baptiste Greuze (França, 1725-1805)

óleo sobre madeira, 65 x 54 cm

Museu de Belas Artes de Nantes, França





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

30 09 2015

 

 

BURLE MARX, Roberto Burle Marx, Natureza Morta. Técnica mista sobre cartão, 17 X 17 cm. datado 1973. Assinado no canto inferior direitoPeras, 1973

Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1964)

técnica mista sobre cartão, 17 x 17 cm





Comentários na rede, observação de José Eduardo Agualusa

30 09 2015

 

 

Cabinet_of_Curiosities_1690s_Domenico_RempsArmário de curiosidades, c. 1690

Domenico Remps (Itália, 1620-1699)

óleo sobre tela

Museo dell’Opificio delle Pietre Dure, Florença

 

 

“…Os comentários nas redes sociais, ou nos jornais on-line, são uma versão moderna dos antigos gabinetes de curiosidades, ou quartos de maravilhas, salas onde, nos séculos XVI e XVII, os fidalgos endinheirados acumulavam coleções de bizarrias, sortilégios e impossibilidades, como sereias empalhadas, cornos de unicórnios ou lágrimas de crocodilo. Nas caixas de comentários dos jornais, os prodígios, deformidades e monstruosidades não são físicos, mas ideológicos e morais. As pessoas exibem ali, com um estranho orgulho, as suas piores deformidades morais, a estreiteza aflitiva dos espíritos, as ideias mais monstruosas…”

 

Em: “Raças impuras”, José Eduardo Agualusa, O Globo, 28/09/2015, 2º caderno, página 2.





Sublinhando…

29 09 2015

 

 

(c) Walker Art Gallery; Supplied by The Public Catalogue FoundationMarquesa de Kildare, c. 1765

Allan Ramsay (GB, 1713-1784)

óleo sobre tela, 125 x 102 cm

Walker Art Gallery, Liverpool

 

 

“Que importa a mim que a luz do sol se ria,
Se é tão profunda esta tristeza minha
Que eu já nem sei se fui alegre um dia!”

 

 

Emílio Kemp (Brasil, 1874- 1955) em Melancolia.





Eu, pintor: Jacques-Louis David

29 09 2015

 

 

David_Self_PortraitAuto-retrato, 1794

Jacques-Louis David (França, 1748-1825)

óleo sobre tela, 80 x 64 cm

Museu do Louvre, Paris





O cavalo sertanejo, texto de Gustavo Barroso

29 09 2015

 

 

ANTONIO PARREIRAS - (1860 - 1937) - Cavalo - osm - 50 x 70 - cidCavalo

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre madeira, 50 x 60 cm

 

 

O cavalo sertanejo

 

Gustavo Barroso

 

O cavalo sertanejo é esguio, sóbrio, pequeno, rabo compridíssimo, crinas grandes, capaz de resistir a todas as privações, a todos os serviços e a todos os esforços. É o melhor auxiliar do vaqueiro e ele o estima e trata com o maior carinho. O cavalo do sertão é feioso como um corcel quirguiz. Lá uma vez aparece um exemplar bonito, esbelto, alto. Não tem saracoteios, nem saltos, nem corcovos, salvo quando espantadiço. O olhar só brilha quando se apresenta ocasião de correr; depois as pálpebras murcham numa sonolência lassa. É ativo e parece ronceiro; forte e parece fraco; ágil e parece pesado. É pasmosa a sua agilidade. Nos imprevistos das furibundas carreiras pelos matos em fora, salta galhos baixos, mergulha sob os altos, alonga-se, encurta-se, pula de lado, faz prodígios.  É necessariamente baixo para essas ligeirezas; a aridez do clima não produz outro. É raridade um animal de sete palmos do casco à cernelha. O meio torna-o sóbrio e magro. Passa dias sem comer, quase sem beber. Num dia faz quinze léguas, puxando um pouco; dez faz normalmente. É manso; quando o cavaleiro cai, para ao lado.

 

[Exemplo de descrição de animal]

 

Em: Flor do Lácio, [antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário) p. 85.





Imagem de leitura — Fritz von Uhde

28 09 2015

 

XKH152154O livro de ilustrações, 1889

Fritz von Uhde (Alemanha, 1848-1911)

óleo sobre tela, 145 x 116 cm





Nossas cidades: Mariana

28 09 2015

 

 

Cassio Antunes, Rua Direita em dia de Chuva - Mariana, OSP, 24x30, ACID, 2015Rua Direita em dia de chuva, Mariana, 2015

Cássio Antunes (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre madeira, 51 x 60 cm