RS: descoberta toca de 10 mi de anos feita por tatu gigante

11 05 2009
paleotocas

Bifurcação no tunel das paelotocas. Foto: Francisco Buchmann

 

Francisco Buchmann, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no campus do Litoral Paulista em São Vicente (SP), descobriu mais de 60 túneis escavados por tatus gigantes que viveram na América do Sul entre cerca de 10 milhões e 10 mil anos atrás aproximadamente.

Segundo a Unesp, esses túneis podem revelar o comportamento desses animais e o ambiente em que viviam. A maior concentração de túneis foi descoberta em outubro de 2008, no município de Novo Hamburgo (RS). O estudo foi apresentado na 24ª Jornada Argentina de Paleontologia de Vertebrados, em Mendoza, no dia 6 de maio. Geralmente, esses túneis são encontrados totalmente preenchidos pela lama de enxurradas de chuva sedimentada ao longo de milhares de anos e recebem o nome de crotovinas.

 

 

 

Gráfico da extensão e formato dos túneis na paleotoca.

Gráfico da extensão e formato dos túneis na paleotoca.

 

Buchmann e seus colaboradores – o geólogo Heinrich Frank e os doutorandos Filipe Caron e Leonardo Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mais a paleontóloga Ana Maria Ribeiro e o mestrando Renato Pereira Lopes, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul – são os primeiros a encontrarem no Brasil os túneis desobstruídos e com marcas das garras e da carapaça do animal que os escavou.

Com as chamadas paleotocas, os pesquisadores podem descobrir o que não dá para saber analisando apenas os ossos fossilizados. “A paleotoca permite estudar quais eram os hábitos dos tatus gigantes” explica Buchmann. A maioria das paleotocas e crotovinas foi encontrada à beira de rodovias, em várias cidades no leste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os pesquisadores acreditam que o tatu gigante escolhia ficar perto de um rio, mas escavava em um local alto para não correr o risco de sua toca inundar. Buchmann explora as paleotocas usando vários equipamentos, incluindo uma máscara para não respirar fungos.

 

 

 

 

Francisco Buchmann fazendo moldes de marcas das paredes numa paleotoca.  Foto: Francisco Buchmann.

Francisco Buchmann fazendo moldes de marcas das paredes numa paleotoca. Foto: Francisco Buchmann.

 

Às vezes a circulação de ar não é suficiente e é preciso levar oxigênio. “Tem de ter uma certa boa vontade para explorá-las. A paleotoca tem um formato cilíndrico e contínuo que se estende por dezenas de metros”, ele descreve. “A toca do tatu atual tem de 10 cm a 50 cm de diâmetro, enquanto uma paleotoca de tatu gigante tem cerca de 1,5 m e 2 m de diâmetro; às vezes é muito fácil de entrar”.

De acordo com o pesquisador, os tatus gigantes começaram a evoluir há 60 milhões de anos para ocupar o vazio deixado pela extinção dos dinossauros, sendo ele mesmo totalmente desaparecido devido a mudanças climáticas, há seis mil anos atrás. “O índio brasileiro conviveu com esses tatus gigantes”, diz.

Buchmann e seus colegas vêm discutindo que espécie de tatu extinto escavou todas essas tocas no sul do Brasil. Até agora, as evidências sugerem que o escavador foi um tatu dos gêneros extintos Propraopus ou Eutatus.

 

Portal Terra





Descoberto “elo perdido” entre foca e antepassado terrestre

23 04 2009

eloDesenho de como seria o animal…

 

 

 

 

 

 

 

O fóssil de um tipo de “foca de quatro patas”, apresentado como o elo perdido na evolução de alguns mamíferos terrestres para os animais marinhos carnívoros atuais, foi encontrado no Ártico canadense, anunciou nesta quarta-feira uma equipe de cientistas do Canadá.

 

O esqueleto deste animal, de 110 cm de largura do focinho à calda, foi descoberto no local de um antigo lago formado em uma cratera de meteorito na ilha Devon, no território canadense de Nunavut, a 1,5 mil km do Pólo Norte. A descoberta, de cerca de 20 a 24 milhões de anos, é o fóssil mais antigo de um pinípede (mamíferos marinhos de vida anfíbia, como as focas, os leões marinhos e as morsas), indicaram os cientistas. O relatório será divulgado nesta quinta-feira na revista científica Science.

 

Os cientistas recuperaram 65% do esqueleto desse animal, de crânio parecido com o de uma foca e corpo similar ao de uma nútria, e cuja conservação foi favorecida pelos sedimentos do antigo lago de água doce. Esta descoberta “mudou nosso conhecimento de como e onde ocorreu a evolução desse animal“, disse Natália Rybczynski, paleontóloga do Museu da Natureza canadense e chefe da equipe de cientistas.

 

Sabíamos que os pinípedes descendiam de um antepassado terrestre, mas não tínhamos idéia de como havia ocorrido essa transição da terra para o mar“, indicou. Segundo a cientista, a descoberta, realizada em 2007, refuta a teoria que prevalecia até agora, segundo a qual as focas eram originárias da costa noroeste da América do Norte.

 

Também leva a crer que as focas possuem grandes olhos para caçar na escuridão do inverno ártico, e não para enxergar melhor nas profundezas do mar, como se pensava. A “foca de quatro patas” foi batizada Puijila darwini, com a associação de uma palavra que significa jovem mamífero marinho em inuktitut, língua dos esquimós, com o nome do pai da teoria da evolução, Charles Darwin.

 

Darwin havia mencionado a existência de “uma forma animal de transição entre a terra firme e o mar” em seu livro “A origem das espécies”, publicado há 150 anos, destacou a equipe científica em um comunicado.

 

Fonte: Portal Terra





Resgatando o DNA de insetos em museus, mas sem destruição….

9 04 2009

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O DNA antigo pode ser uma ótima ferramenta para o estudo da evolução, da diversidade e de outros assuntos, mas sua obtenção pode ser complicada. Quando os antigos organismos são insetos pequenos, a retirada de um pouco de DNA pode significar a destruição total ou parcial deles. Agora, uma equipe de cientistas mostrou que é possível extrair DNA de um espécime de inseto de quase 200 anos, sem destruí-lo. Eles colocam os insetos de molho.

 

Eske Willerslev e Philip Francis Thomsen, do Centro de Genética e Ambientes Antigos, do Museu de História Natural da Universidade de Copenhage,  e colegas usaram uma solução chamada tampão de digestão, cuja receita havia sido previamente desenvolvida.  O processo de obtenção do DNA teve sucesso não só com macrofossils siberianos de até 26.000 anos de idade, como também com besouros secos, exemplares de acervo de museus,  espécimes de até 188 anos.  Isto revela que o método tem um grande potencial para a investigação do DNA.  Vinte espécimes de besouro de museus, os mais antigos datados de 1820, foram imersos na solução por 16 horas e então retirados e secados, com seus exoesqueletos e outras características intactos. Os ácidos nucléicos na solução restante foram separados.

 

Apesar da enorme diversidade demonstrada entre os insetos, este grupo é,  em geral, quase sempre negligenciado nos estudos de DNA.  Estes tendem a se concentrar principalmente em vertebrados e plantas.  Menos estudados ainda são os micróbios.  Este processo se anuncia então como uma excelente e poderosa ferramenta que poderá vir a testar muitas hipóteses em biologia, pelo estudo mais detalhado do DNA destes seres até hoje relegados a um segundo plano.

 

Até então, uma das maiores limitações para o estudo do DNA de antigos espécimes de insetos era a destruição dos elementos morfológicos da amostra,  quando o antigo processo se fazia inevitável.  Obviamente, este é um problema relacionado com  o DNA de muitas fontes, mas é de particular preocupação com as pequenas amostras, tais como insetos.  Até hoje, a maioria dos antigos estudos genéticos sobre insetos foi vítima desses métodos de amostragem destrutivos.  Os resultados obtidos com o método não-destrutivo na amostragem deste estudo sugerem que a destruição de espécimes já não se fará necessária.   A utilização de modelos históricos encontrados em museus tem importantes aplicações em estudos genéticos da população, onde espécimes poderão revelar antigas estruturas genéticas até agora indetectáveis.  Enquanto que o estudo dos macro fosseis poderão trazer dados de potencial valor para melhor compreensão de ecossistemas e mudanças climáticas.

 

 

 

 

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Em um artigo no periódico online de acesso livre PLoS ONE, os pesquisadores relatam que todos os 20 espécimes produziram seqüências de DNA mitocondrial utilizáveis. Acredita-se que o tampão de digestão penetre nos exoesqueletos através da boca, dos orifícios respiratórios e de outras características anatômicas, e através dos orifícios feitos quando os espécimes são fixados para exibições.

 

A técnica teve menos êxito com restos de besouros mais antigos – congelados no permafrost por dezenas de milhares de anos. Apenas três das 14 amostras produziram DNA utilizável. Mas os pesquisadores tiveram mais sucesso com sedimentos não-congelados e menos antigos de uma caverna – com cerca de 1,8 a 3 mil anos de idade. Eles obtiveram seqüências de DNA de um besouro e uma mariposa ou borboleta.

 

 

 

 

 

 

Outras entradas neste blog que tratam de insetos:

 

NOVAS DESCOBERTAS:  Nova Guiné

 

 

 

PALEONTOLOGIA: Monstro, Insetos no Cretáceo

 

 

 

TEXTO LITERÁRIO: Coelho Neto

 

 

POESIA,  Manoel de Barros- um cachorro vira-lata; Olavo Bilac — As formigas

 

 

 

 

 

 





Um monstro predador de 500 milhões de anos!

20 03 2009

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O Hurdia victoria foi descrito  pela primeira vez  em 1912, quando suas características lembravam as de um crustáceo, Mas agora, pesquisadores revelaram que a aparência de um crustáceo, digamos de um camarão gigante,  é apenas parte de um outro animal, complexo e notável.  Um animal que certamente tem importante história para contar sobre a origem do maior grupo de animais vivos, os artrópodes.

 

O Hurdia victoria, que viveu há cerca de 505 milhões de anos nos mares da América do Norte,  foi reconstruído com base em pedaços de fósseis recolhidos ao longo de um século no sítio arqueológico de Burgess Shale, na British Columbia, no Canadá – um local protegido pela ONU como patrimônio da humanidade.

 

Os pesquisadores Allison Daley e Graham Budd da faculdade de Ciências da Terra (Earth Sciences) de Uppsala, na Suécia, junto com colegas do Canadá e da Grã-Bretanha descreveram a história deste exemplar único, que foi uma dos grandes quebra-cabeças da ciência.   Agora, reconstruído, o Hurdia Victoria mostra que tinha um corpo formado por vários segmentos e uma espécie de “carapuça” sobre a cabeça.  Usava dezenas de dentes e um par de garras.  Com estas características deve ter sido um formidável predador, em seu tempo.

 

 

 

 

 

 

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A primeira referência a este fóssil que o descrevia de maneira que se  assemelhava aos crustáceos é de 1912.  Aliás, é oportuno que esta nova descoberta venha praticamente às vésperas do aniversário de cem anos de sua descoberta.   Naquela época pensou-se que suas partes comporiam o corpo de um crustáceo gigante.    Isto porque outras partes deste animal haviam sido classificadas como outros animais independentes, tais como águas-marinhas, pepinos do mar e outros artrópodes.  Por isso, levou-se muito tempo para colocar todas as peças do Hurdia victoria nos seus respectivos lugares.  

 

Mas, com a coleta feita por expedições na década de 90,  descobriu-se mais espécimes mais completos  e centenas de peças isoladas que levaram às primeiras conclusões de que o Hurdia victoria era muito mais do que parecia ser.  

 

A nova descrição mostra que o Hurdia Victoria está realmente relacionado aos  Anomalocaris: um corpo segmentado,  com uma cabeça que ostenta um par de garras espinhosos e uma estrutura mandibular circular com muitos dentes.  No entanto, ele  difere de Anomalocaris por ter uma grande carapaça, tripartida projetada a partir da frente de sua cabeça.

 

Os Hurdia e os Anomalocaris são ambos antigos membros de uma linhagem evolutiva que se desenvolveu nos artrópodes, o grande grupo que contém os modernos insetos, crustáceos, aranhas e centopéias.   Esta reconstituição finalmente revela detalhes sobre as origens de importantes características que definem os artrópodes modernos, tais como as suas estruturas cabeça e membros.

 

“Esta estrutura é diferente de tudo o que já se conhecia sobre outros fósseis ou antrópodes vivos”, afirma a pesquisadora Allison Daley, que analisa estes fósseis há três anos como parte de sua tese de doutorado.

 

Texto baseado no artigo: Allison Daley, Graham Budd, Jean-Bernard Caron, Gregory Edgecombe e Desmond Collins, “The Burgess Shale anomalocaridid Hurdia and and its significance for early euarthropod evolution”, Science, 20 de março de 2009, e reproduzido no SCIENTIFIC BLOGGING.





Um novo dinossauro homenageia Confúcio

19 03 2009

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Uma equipe de cientistas chineses e americanos anunciaram a descoberta do fóssil de um dinossauro do grupo dos ornitópodos (herbívoros), encontrado na província de Liaoning, na China. O fóssil indica que o animal teria tido algo parecido com plumas, o que modificaria a teoria sobre a origem da plumagem dos animais pré-históricos.

 

A descoberta do animal que teria vivido no período Cretáceo Inferior, entre 144 e 99 milhões de anos, foi publicada na revista científica britânica Nature.

 

Batizado como Tianyulong confuciusi, o fóssil tem em várias partes do corpo estruturas filamentosas externas parecidas com plumas, afirmam os cientistas.

 

Essas estruturas, que não apresentam sinais de ramificações, têm o mesmo tamanho e estão agrupadas em três zonas, mais uma quarta, na cauda, onde são mais longas, de até 6 centímetros.

 

Até agora, os especialistas acreditavam que os pássaros atuais, que vêm a ser dinossauros com plumas, descendiam dos terópodes, dinossauros carnívoros bípedes do grupo dos saurísquios que viveram desde o Triásico superior até o Cretáceo superior (há entre 228 e 65 milhões de anos).

 

No entanto, o fóssil descoberto por Hai-Lu You, da Academia Chinesa de Ciências Geológicas, e Lawrence Witmer, da Universidade Americana de Ohio, desafiaria a teoria, pois apresenta indícios de plumas, mas, por outro lado, pertence à família dos pequenos heterodontossauros, do grupo dos ornitópodes (fitófagos).

 

Artigo baseado no portal Terra.





Dinossauros ancestrais de aves eram pais exemplares

19 12 2008

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Quem diria que os dinossauros, até mesmo os carnívoros, seriam aqueles pais maravilhosos, chocando os ovos que as fêmeas puseram?  Mas é isso exatamente o que está aos poucos sendo considerado verdadeiro principalmente depois da publicação dia 18  do artigo de Erik Stokstad, na ScienceNOW Daily News em que David Varricchio, paleontologista da Universidade de Montana, explica que estudando dinossauros ancestrais das nossas aves atuais, chegou-se a conclusão de que algumas espécies de dinossauros carnívoros machos teriam sido pais exemplares, incubando e protegendo sozinhos os ovos de várias fêmeas.  

 

Os fósseis dos dinossauros estudados foram encontrados sobre uma quantidade incomum de ovos, explica David Varricchio.  É provavel que os machos tenham fecundado várias fêmeas ao mesmo tempo, e essas tenham depositado os ovos em um mesmo grande ninho, acrescentou, sugerindo que quando as fêmeas partiam, os machos incubavam e protegiam os ovos.

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Oviraptor Philocerataps

Os cientistas discutem há tempos o sistema que prevaleceu em torno do cuidado dos ovos – se eram os machos sozinhos, ou machos e fêmeas juntos“, afirmou, explicando que “esses novos trabalhos indicam que o sistema com os machos incubando e protegendo sozinhos os ovos e sua prole é o primeiro entre os dinossauros mais próximos dos ancestrais das aves“.

 

Os cientistas analisaram o tamanho dos ninhos e as estruturas internas dos ossos fossilizados dos dinossauros Troodon, Oviraptor e Citipati.  Estudos anteriores haviam mostrado que os dinossauros compartilham várias características de seus sistemas reprodutivos com as aves atuais, como os ovos assimétricos e suas cascas quase idênticas.

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Troodon formosus

 

Características:

 

Troodon formosus

 

Nome: Dente cortante

Comprimento: 3 metros

Peso:  50 kilos

Época: Cretáceo Tardio     

Onde foi encontrado:  Montana, USA; Alberta, Canada    

 

Oviraptor philocerataps

 

Name: Ladrão de ovos

Comprimento: 2,5 m

Peso: 30 kilos

Época: Cretáceo Tardio 

Onde foi encontrado:  Mongólia, China    

 





Dinossauros reconheciam companheiros pela voz

31 10 2008
Lambeossauro, foto The New York Times

Lambeossauro, foto The New York Times

 

Os lambeossauros – dinossauros com bicos semelhantes aos dos patos viveram entre 85 milhões e 65 milhões de anos atrás, no que chamamos de Período Cretáceo, tardio.  Conhecidos por terem uma crista, feita de ossos, e às vezes bastante complexas, bem em cima de suas cabeças como se fossem coroas, estes dinossauros sempre atraíram a curiosidade dos estudiosos, que já imaginaram todo tipo de função para tal apêndice.    A imaginação de paleontólogos parecia não ter limites quando ainda considerava que nestas cristas  haviam longas e tortuosas passagens nasais.  Inicialmente pensou-se que fizessem parte de um sistema de refrigeração do cérebro.  Ou talvez uma maneira dos dinossauros respirarem debaixo d’água.  Talvez eles tivessem a capacidade de melhorar o faro desses animais?  

 

Recentemente, no entanto, exames de tomografia computadorizada das passagens nasais desses dinossauros sugerem que os dinossauros tinham a capacidade de reconhecer indivíduos da espécie com base apenas em suas vozes.   Cientistas de três universidades canadenses e norte-americanas criaram reconstruções digitais dos fósseis de cérebros e das cavidades das cristas de quatro espécies diferentes de lamebossaurídeos.   Chegaram à conclusão de que estas cristas ósseas  faziam com que os dinossauros pudessem reconhecer outros dinossauros de sua espécie com base apenas em suas vozes.  As vozes desses animais provavelmente mudavam à medida que eles envelheciam, assim como mudavam os tamanhos de suas cristas.

 

O estudo revelou que uma porção, em forma de tubo, no ouvido interno dos dinossauros, a que se dá o nome de cóclea, era sensível o suficiente para detectar os sons em freqüências graves que as cristas produziam.  E como as cristas cresciam com a idade, as cócleas tomavam formas diferentes, mudando muito entre cada indivíduos. 

Isto indica que as cavidades nasais podem ter sido tão únicas quanto as impressões digitais humanas.

 

“Os jovens têm apenas o começo de uma crista e passagens de ar ligeiramente expandidas”, disse Lawrence Witner, paleontologista da Universidade do Ohio que participou do estudo. “À medida que envelhecem, começam a desenvolver passagens de ar muito mais tortuosas e cristas mais altas”.

 

Como resultado, os lambeossaurídeos podem ter tido maneiras únicas de se identificarem a ponto de permitir que seus chamados fossem distinguidos por outros animais.

 

Mais informações, aqui.





Novo dinossauro descoberto na China!

23 10 2008

Arqueólogos na China descobriram fosseis de um dinossauro do tamanho de um pombo que acreditam ser um ancestral não-direto dos pássaros.  O fóssil preservado numa rocha na Mongólia, no condado de Ningcheng no Norte da China, tem 90% de seu corpo preservado.  Deve ter habitado a Terra aproximadamente há 176 – 146  milhões de anos passados, no Médio ao Jurássico Tardio.   

 

O novo dinossauro, recebeu o nome de Epidexipteryx  hui – que em grego quer dizer: o que tem penas de exibição.   Pela data ele se mostra antecessor, ou seja, mais antigo do que os dinossauros Archaeopteryx, que viviam por volta de 155 to 150 milhões de anos atrás, e que são as primeiras aves, com aspecto de dinossauro. 

 

A aparência do Epidexipteryx é interessante.  Tinha penas, mas não voava.  Tinha uma arcada dentária projetada para fora, como a maioria dos carnívoros, mas pesava só aproximadamente 164 gramas.  Os cientistas ainda não sabem de que se alimentava.  Suas refeições seriam de insetos?  De outros répteis ou anfíbios?  Ou seria ele vegetariano, alimentado-se de plantas?   Tinha quatro longas e finas penas saindo de seu curto rabo.  Era bípede (um terópode) pequeno.  O que o faz singular são as quatro longas penas, que saíam da cauda e neste caso específico, para nossa felicidade, ficaram bem preservadas.  Os investigadores julgam que estas penas, que se parecem com uma fita poderiam não só serem ornamentais mas talvez até ajudado no seu movimento por entre ramos de árvores.  Como ornamentação elas deveriam cumprir uma função importante para a reprodução. Há muitas espécies de aves com penas grandes e de cores exóticas, que são importantes para o ritual de acasalamento. O mesmo poderia acontecer com o Epidexipteryx.  Já suas penas curtas, que cobrem o corpo todo do dinossauro provavelmente funcionariam com protetores da temperatura, insulando o corpo do animal das mudanças em temperatura.   Na época em que este dinossauro vivia erupções vulcânicas eram muito comuns.  Ele era parte de um ambiente cheio de lagos e árvores.  Junto a este dinossauro diversos insetos, plantas, salamandras, lagartos, pterossauros cabeludos e mamíferos primitivos voadores e nadadores foram encontrados.

 

Cientistas estão certos de que este dinossauro não pertence ao grupo Microraptor , que são dinossauros apresentando penas e que os acredita-se que voava além de planar.  Mas como o Microraptor – um dinossauro que viveu mais tarde entre 130 a 125 milhões de anos – também tinha dois grupos de asas semelhantes aos primeiros bi planos. Esta nova descoberta ajuda na evidência, muito importante, da relação entre dinossauros e pássaros.  O esqueleto tinha várias características parecidas com os das aves e os paleontólogos colocaram a espécie ao lado das primeiras linhas evolutivas dos dinossauros voadores.   Apesar de este dinossauro não poder ser considerado na linha direta dos ancestrais dos pássaros, é um dinossauro que tem a mais próxima relação filogenética aos pássaros.  Conseqüentemente, pode fornecer informações sobre a transição dos dinossauros a pássaros, incluindo as mudanças ocorridas nas penas e nos rabos.  A sua descoberta nos leva mais próximo do pássaro ancestral – o grande pai dos pássaros que conhecemos hoje.  Descobre-se também com este novo achado que a complexidade da evolução dos dinossauros para pássaros é maior do que até aqui imaginávamos.  

 

Esta descoberta foi publicada na revista científica Nature, com edição desta semana,  por um grupo de investigadores da Academia de Ciências da China, encabeçada por Zhonghe Zhou do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e  Paleo-antropologia da Academia de Ciências da China em Pequim.  

Para saber mais clique:

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Araraquara, a cidade das calçadas jurássicas *

14 10 2008
* Este post é uma compilação de 4 artigos sobre o assunto.  Seus links encontram-se no fim deste post.

 

 

Muitos não sabem, mas as calçadas da área central de Araraquara, no interior de São Paulo, escondem evidências da existência de mamíferos e de outros dinossauros maiores do período jurássico e cretáceo no Brasil, há cerca de 140 milhões de anos. As pegadas podem ser facilmente encontradas em placas de arenito usadas na cidade .  O Arenito Botucatu, extraído das pedreiras da região do Ouro, no Município de Araraquara, desde o século XIX, teve suas lajes utilizadas para a construção de calçadas e guias de sarjetas, em grande espaço do centro histórico da cidade, além de aproveitamento em revestimentos de paredes, quintais, jardins de residências, entradas, etc.  Foi também comercializado para muitas cidades da região. 

 

Rua Voluntários da Pátria em Araraquara

Rua Voluntários da Pátria em Araraquara

 

A história da paleontologia da região tem uma data marcante: 1976.  Mesmo sabendo-se desde 1911 que o engenheiro de minas Jovino Pacheco, encontrou nas calçadas em São Carlos 18 pegadas impressas na rocha arenito (extraída na região do Ouro, em Araraquara).  Mas foi só em 1976 que o paleontólogo Giuseppe Leonardi foi até Araraquara.

 

O padre Giuseppe Leonardi, um dos maiores paleontólogos do mundo, viajava pelo interior paulista em 1976 quando uma súbita dor de dente o obrigou a fazer uma parada em Araraquara- Ao pisar nas lajes cor-de-rosa usadas como calçamento na cidade, reparou em algo estranho. Ficou tão entusiasmado que até se esqueceu de ir ao dentista. A análise das marcas confirmou o seu palpite. Ali estavam impressas pegadas de répteis que habitaram a região de Araraquara 180 milhões de anos atrás. As lajes tinham sido arrancadas das rochas de uma pedreira, nos arredores da cidade. Lá ficaram gravados os únicos registros de dinossauros brasileiros do período jurássico. Leonardi explicou ao prefeito que precisava arrancar os trechos de calçadas com pegadas de dinos. 0 prefeito riu da cara dele e negou o pedido. Mas o padre-cientista não se abalou. Esperou o Carnaval, quando a cidade inteira estava muito ocupada em se divertir, para meter a picareta no calçamento e levar o tesouro para o Departamento Nacional da Produção Mineral, no Rio de Janeiro, que o guarda até hoje.

Padre paleontólogo Giuseppe Leonardi

Padre paleontólogo Giuseppe Leonardi

Fascinado, José Leonardi, acabou voltando para Araraquara dezenas de outras vezes, por um período de dez anos, sempre estudando esses vestígios.   Hoje, esta pesquisa já encerra três décadas de dedicação. 

 

Os  icnofósseis  (pegadas e vestígios de seres pré-históricos deixados em rochas fossilizadas)  são estudados por um setor ainda pouco conhecido da paleontologia e surpreendem os visitantes de Araraquara porque ainda são encontrados em vários pontos da cidade.  São vestígios e pistas de pegadas fósseis com uma idade média de 130 -140 milhões de anos: do final do período jurássico ao início do cretáceo.  A região de Araraquara fez parte do maior deserto de areia da história geológica do planeta e desfrutava deum clima muito quente e seco.  Dunas como as que encontramos, hoje, no deserto do Saara, abundavam cobrindo uma área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados,  do Sul de Minas Gerais até o Uruguai.  Os rastros pesquisados  indicam povoamento local tanto de vertebrados quanto de invertebrados, como a equipe do paleontólogo Marcelo Fernandes demonstra.

 

Marcelo Adorna Fernandes, morador de Araraquara, professor e paleontólogo do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), já reconheceu em alguns pontos pegadas do ornitópodo, um dinossauro com até cinco metros de comprimento e cerca de três metros de altura.  Muitas vezes, diz Adorna Fernandes, é difícil de se reconhecer esses vestígios porque  como as placas foram utilizadas como calçamento  há um desgaste muito grande e chegam a sumir com o tempo. Uma pegada com marcas de unha ao lado de uma praça quase foi destruída para a instalação de um orelhão. Em outro ponto, vestígios de um mamífero quase foram cobertos pelo cimento por uma moradora desavisada. “As pessoas acham que esse buraco na pedra é um defeito”, comentou o pesquisador.  Mas. “há marcas até de escorpiões pré-históricos.”

 

Araraquara, Pedreira de São Bento

Araraquara, Pedreira de São Bento

As pedreiras da região do Ouro foram largamente exploradas para obtenção das lajes, sem que se soubesse da presença das pegadas e outros vestígios de formas de vida existentes naquele período da história.  Os estudos geológicos da região vêm ganhando importância pelo fato da rocha sedimentar ser a formadora do Aqüifero Guarani, fundamental como reserva de água doce subterrânea.

 

O estudo destes vestígios, levou o paleontólogo Marcelo Fernandes, que procurava em Araraquara rastros de animais pré-históricos na pedreira São Bento, de onde vem o calçamento das ruas da cidade à uma outra descoberta que respondeu a uma pergunta sobre a vida dos dinossauros que ainda não havia sido respondida: como os dinossauros eliminavam os resíduos líquidos de seu corpo?

 

Até bem pouco tempo atrás não havia evidências de que esses animais urinavam: pensava-se que eles excretavam apenas materiais sólidos, a exemplo da maioria das aves, consideradas seus parentes mais próximos.  Mas recentemente  Marcelo Fernandes, que desenvolveu esta pesquisa em sua tese de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou, através de rastros fossilizados de líquidos, que pelo menos alguns dos gigantes pré-históricos acumulavam reservas de água no corpo.

 

Os dois urólitos ( urina de pedra) não apresentam componentes da urina. “Estimamos que eles tenham cerca de 145 milhões de anos, e a matéria orgânica depositada não sobrevive tanto tempo assim”, explica Marcelo Fernandes.  Estes urólitos foram encontrados na pedreira São Bento, de onde se extrai material para o calçamento das ruas de Araraquara, quando Fernandes procurava rastros de animais pré-históricos.

 

Paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes

Paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes

O pesquisador e sua equipe – formada pela bióloga Luciana Fernandes, da Universidade Federal de São Carlos, e pelo geólogo Paulo Souto, da UFRJ – se surpreenderam ao encontrar duas formas completamente diferentes de qualquer rastro descoberto anteriormente. “Eram rochas com sulcos em forma de elipse e um longo fluxo escorrido de areia, em um plano inclinado”, conta.  Já que a região formava o maior  deserto de areia do planeta, Marcelo Fernandes lembra que para se adaptar a um meio tão árido, os animais precisavam armazenar água no corpo. “Ocasionalmente, quando havia maior disponibilidade de água no ambiente, eles poderiam eliminar o excesso na forma de urina”, esclarece Fernandes.

 

Araraquara, rastro fossilizado

Araraquara, rastro fossilizado

O ambiente, chamado de paleodeserto, também ajudou a equipe do paleontólogo a imaginar que tipo de dinossauro eliminou os líquidos. Como as poucas aves que urinam (o avestruz, a ema e o casuar australiano) vivem em locais áridos ou semi-áridos, acredita-se que os resíduos sejam de um ornitópode (dinossauro herbívoro com pés semelhantes aos de pássaros), devido ao seu grau de parentesco com essas aves de grande porte. As pegadas desses animais são facilmente visualizadas em Araraquara, até mesmo nas calçadas das ruas.

 

Além de comparar os urólitos encontrados com os rastros deixados pela urina de um avestruz vivo, Fernandes realizou experimentos que simulavam a eliminação de líquidos em solo arenoso. “A semelhança entre as marcas (do fóssil, do avestruz e do experimento) não deixa dúvidas de que encontramos registros de urina”, diz. Assim, ele conseguiu provar que pelo menos os dinossauros que viviam em áreas desérticas eram capazes de urinar.  

Araraquara Iguanadonte

Araraquara Iguanadonte

 

 

 

A prova foi encontrada durante a retirada de placas de arenito da pedreira São Bento, em Araraquara. A descoberta ocorreu quando o pesquisador fazia um trabalho no local buscando icnofósseis – pegadas e vestígios de seres pré-históricos deixados em rochas fossilizadas. As camadas sobrepostas de arenito – que mantém os icnofósseis – eram retiradas na utilização de placas em calçadas em uma cidade vizinha.

 

A região de Araraquara era habitada por um dinossauro denominado Ornitópode, batizado de pés de aves. Acreditava-se que o animal medisse até 5 m de comprimento com cerca de 3 m de altura. “Achamos que esse Ornitópodo foi que deu origem ao urólito”, diz o paleontólogo.  

 

A prova da urina trata-se de duas estruturas, cada uma com 34 cm de comprimento – com pequenas crateras elípticas de escavação – provocadas pelo impacto de líquido em queda, com sedimentos depositados pela ação da gravidade em um plano inclinado. Para o pesquisador, não há como confundi-las com pegadas que têm como marca uma elevação semelhante a uma meia-lua nas bordas. Além disso, o material pode ter sido conservado porque os dinossauros Ornitópodes (herbívoros bípedes) e terópodes (carnívoros) caminhavam pelas dunas do paleodeserto compactando a areia.

 

O teste feito com a areia da própria pedreira mostra claramente que a marca encontrada é um líquido. Mas como provar que esse líquido era urina? Para Fernandes, é muito simples. A chuva não acumulava em um ponto único dessa maneira na areia e, naquela época, não existiam árvores com folhas capazes de reter a água da chuva possibilitando essa queda brusca ao chão. “Estudos referentes à ‘palcofauna’ da região atestam a presença de pequenos mamíferos e de dinossauros. Assim, o urólito só poderia ter sido provocado por animais de médio ou grande porte como os dinossauros”.

 

Pedra com imagem de urina de dinossauro

Pedra com imagem de urina de dinossauro

Antes, os paleontólogos acreditavam que os dinossauros excretassem em forma sólida. Agora, existe prova de que eles urinavam líquido. Segundo o paleontólogo, biologicamente também já fora comprovado que alguns dinossauros evoluíram para as aves. “Se os compararmos com um avestruz, que é uma ave e urina, o processo faz sentido. É que o avestruz tem uma espécie de bexiga que armazena uma estrutura para absorção de líquido. Quando tem abundância de água, ele elimina esse excesso em forma de urina. Pode ser que esses dinossauros, em um ambiente desértico, poderiam ter a mesma capacidade”.

 

 

 

Com a descoberta dos urólitos, Araraquara ganha mais um argumento a favor do reconhecimento da importância de seu acervo paleontológico. Conhecida pelos especialistas como ‘a cidade das calçadas jurássicas’, ela conta com o apoio da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e das universidades italianas de Gênova e Pisa para alavancar a construção de um museu paleontológico, que promete estimular o turismo na região.

 

“Esse é o único lugar do Brasil onde são encontrados vestígios da existência de dinossauros e de mamíferos do final do período Jurássico”, conta Fernandes. Por enquanto, o projeto, que faz parte do plano de metas da prefeitura, ainda não tem data certa para sair do papel.

 

Atualmente, o lar permanente dos dois urólitos é o Museu Histórico de Araraquara, mas uma das placas poderá ser vista até o dia 30 de abril na Oca do Parque Ibirapuera, na capital paulista, onde está em cartaz uma exposição sobre dinossauros e outros animais pré-históricos. Lá também estão expostos outros icnofósseis encontrados na formação Botucatu: uma coleção de 45 peças, com pegadas de dinossauros, de mamíferos e de animais invertebrados, como escorpiões e besouros.

 

 

 

 

 

 

http://www.visiteararaquara.com.br/index.php?id=117

 

http://cienciahoje.uol.com.br/45751

 

http://www.angelfire.com/ar/paccanaro/dinobrasil2.html

 

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1404590-EI319,00.html