Outono: Ricardo Reis

25 03 2025

Leitor, 1971

Louay Kayyali (Síria, 1934-1978)

óleo sobre tela

Ministério da Educação em Damasco

 

 

“Quando, Lídia, vier o nosso Outono,

com o Inverno que há nele, reservemos

um pensamento, não para a futura

Primavera, que é de outrem

nem para o estio, de quem somos mortos,

senão para o que fica do que passa

o amarelo atual que as folhas vivem

e as torna diferentes.”

 

Ricardo Reis





Outono: Luís Fernando Veríssimo

20 03 2025

 

 

“O outono é a única estação civilizada. A primavera é um descontrole glandular da Natureza. O inverno é o preço que a gente paga para ter o outono, e por isso está perdoado. O verão é uma indignidade. […] Clássicos ao pé do fogo, um vago cachorro e sherry seco contra o catarro. Um gentleman não deve suar, meu caro.”


Luis Fernando Verissimo, Em Algum Lugar Do Paraíso





Outono: Elizabeth Coatsworth

10 06 2024

As belezas de Beacon Hill

Mary Ann Laing (Canadá, 1953)

óleo sobre tela, 45 x 45 cm

“A mágica do outono tomou conta do campo; agora que o sol não está amadurecendo nada,  ele brilha pelo prazer do momento dourado; para satisfação do Éden; para agradar a lua, pelo que sei.”

 

Elizabeth Coatsworth

 

Tradução: Ladyce West

 

 

 

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“The magic of autumn has seized the countryside; now that the sun isn’t ripening anything it shines for the sake of the golden age; for the sake of Eden; to please the moon for all I know.”
 
― Elizabeth Coatsworth, Personal Geography: Almost an Autobiography





Outono: Miguel Torga

20 04 2024

Luz de outono, 1888

Theodore Robinson (EUA, 1852-1896)

óleo sobre tela

Florence Grimswold Museum, Old Lyme, CT

 

 

 

Vento que passas, leva-me contigo.
Sou poeira também, folha de outono.
Rês tresmalhada que não quer abrigo
No calor do redil de nenhum dono.
Leva-me, e livre deixa-me cair
No deserto de todas as lembranças,
Onde eu possa dormir
Como no limbo dormem as crianças.

 

Miguel Torga





Outono: Elizabeth George Speare

17 04 2024

Paisagem com homem e arado, 1889

Vincent van Gogh  (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 33 x 41 cm

Hermitage, Rússia

 

 

 

 

“Depois dos dias grandiosos de setembro, o sol de outubro encheu o mundo com calor ameno… A árvore de bordo frente à entrada queimava como uma gigantesca tocha vermelha.  Os carvalhos ao longo da estrada brilhavam em amarelo e bronze. Os campos se estendiam como um tapete de joias, esmeralda e topázio e granada.  Para qualquer lado que ela fosse a cor gritava e cantava à sua volta… Em outubro qualquer evento inesperado é possível.”

 

Elizabeth George Speare, The Witch of Blackbird Pond  — tradução deste trecho: Ladyce West

 

 

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“After the keen still days of September, the October sun filled the world with mellow warmth…The maple tree in front of the doorstep burned like a gigantic red torch. The oaks along the roadway glowed yellow and bronze. The fields stretched like a carpet of jewels, emerald and topaz and garnet. Everywhere she walked the color shouted and sang around her…In October any wonderful unexpected thing might be possible.”
― Elizabeth George Speare, The Witch of Blackbird Pond




Trova do outono

10 04 2024

 

 

Outono, folhas rolando,

amarelas pelo chão,

lembram minh’alma chorando

os sonhos que ao longe vão.

 

(Georgina M. Xavier)





Outono: Hal Borland

16 06 2023

O jardim do Hospital Saint Paul, (Folhas caindo),1889

[Saint-Rémy-de-Provence]

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

Museu Van Gogh, Amsterdã

 

 

 

“Dois sons do outono são inconfundíveis… o rápido farfalhar das folhas quebradiças ao longo da rua… pelo vento turbulento e o tagarelar de um bando de gansos em migração.”

 

Hal Borland   (EUA, 1900-1978)

 

 

Tradução : Ladyce West

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“Two sounds of autumn are unmistakable…the hurrying rustle of crisp leaves blown along the street…by a gusty wind, and the gabble of a flock of migrating geese.”
— Hal Borland




Outono: Robert Frost

7 06 2023

Floresta outonal com casas

Walter Moras (Alemanha,1856 – 1925)

óleo sobre tela, 60 x 100 cm

 

“Minha tristeza, quando está aqui comigo, pensa que esses dias  escuros, chuvosos do outono são tão bonitos possível; ela ama a árvore ressequida, nua; e caminha pela trilha encharcada do pasto.” 

 

Robert Frost

Do poema:  My November Guest

 

tradução: Ladyce West

 
 
 
My November Guest
 
Robert Frost  (1874 –1963)
 
My sorrow, when she’s here with me,
     Thinks these dark days of autumn rain
Are beautiful as days can be;
She loves the bare, the withered tree;
     She walks the sodden pasture lane.
Her pleasure will not let me stay.
     She talks and I am fain to list:
She’s glad the birds are gone away,
She’s glad her simple worsted grey
     Is silver now with clinging mist.
The desolate, deserted trees,
     The faded earth, the heavy sky,
The beauties she so truly sees,
She thinks I have no eye for these,
     And vexes me for reason why.
Not yesterday I learned to know
     The love of bare November days
Before the coming of the snow,
But it were vain to tell her so,
     And they are better for her praise.
This poem is in the public domain.

Nota: Robert Frost está entre os muitos poetas americanos que admiro.  Tenho um cantinho de meu coração reservado para seu domínio.  E quanto mais admiro mais difícil se torna a tradução porque sei de conotações que ligam à obra inteira do escritor.





Outono: P. D. James

2 06 2023

Outono em Cornwall, 1925

Walter Elmer Schofield (EUA, 1866-1944)

óleo sobre tela

 

 

 

“Era um daqueles dias ingleses de outono perfeitos que acontecem com mais frequência na memória do que na vida.”

 

P.D. James (A Taste for Death (Adam Dalgliesh, #7))

 

Tradução: Ladyce West

 

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“It was one of those perfect English autumnal days which occur more frequently in memory than in life.”
P.D. James (A Taste for Death (Adam Dalgliesh, #7))

 





Outono: Helen Bevington

1 06 2023

Uma estrada do interior no outono, 1918

Edward Wilkins Waite (Grã-Bretanha, 1854-1924)

óleo sobre tela

 

 

 

“O estímulo sazonal é forte entre poetas. Milton escrevia sobretudo no inverno.  Keats esperava que a primavera o acordasse (como havia feito anteriormente nos meses de abril e maio de 1819). Burns escolheu o outono.  Longfellow gostava do mês de setembro. Shelley brilhava nos meses quentes.  Alguns poetas, como Wordsworth,  trabalhavam ao ar livre. Outros, como Auden, permaneciam em lugares com cortinas fechadas. Schiller precisava do perfume de maçãs apodrecidas  à sua volta para escrever um poema.  Tennyson e Walter de la Mare tinham que fumar.  Auden bebia muito chá, Spencer café; Hart Crane álcool. Pope, Byron e William Morris eram criativos às altas horas.  E assim por diante.”

 

Helen Bevington (When Found, Make a Verse of)

 

Tradução: Ladyce West

 

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“The seasonal urge is strong in poets. Milton wrote chiefly in winter. Keats looked for spring to wake him up (as it did in the miraculous months of April and May, 1819). Burns chose autumn. Longfellow liked the month of September. Shelley flourished in the hot months. Some poets, like Wordsworth, have gone outdoors to work. Others, like Auden, keep to the curtained room. Schiller needed the smell of rotten apples about him to make a poem. Tennyson and Walter de la Mare had to smoke. Auden drinks lots of tea, Spender coffee; Hart Crane drank alcohol. Pope, Byron, and William Morris were creative late at night. And so it goes.”

— Helen Bevington (When Found, Make a Verse of)