Uma versão musical belíssima de uma antiga cantiga folclórica brasileira

6 01 2011

Anjo com coração, de Claudia Quioda.

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Se essa rua, se essa rua fosse minha

Canção folclórica brasileira

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Se essa rua, se essa rua fosse minha,

eu mandava, eu mandava ladrilhar,

com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes,

para o meu, para o meu amor passar.

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Nessa rua, nessa rua tem um bosque,

que se chama, que se chama solidão,

dentro dele, dentro dele mora um anjo,

que roubou, que roubou meu coração.

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Se eu roubei, se eu roubei teu coração,

tu roubaste, tu roubaste o meu também.

Se eu roubei, se eu roubei teu coração,

foi porque, só porque te quero bem.

AGORA OUÇA:

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Vida no campo, vídeo, desenho musicado

11 09 2010







Bolero de Ravel, numa versão diferente, vale a pena checar!

16 07 2010




Música e barulho podem conviver?

27 02 2010

 

Ilustração década de 1970.

Você enfrenta dificuldades para distinguir bem o que as pessoas dizem em festas? Tente estudar piano antes de sair de casa.    Músicos – de cantores de karaokê a violoncelistas profissionais- são mais capazes de ouvir sons direcionados em um ambiente ruidoso, de acordo com novas pesquisas que reforçam as indicações de que a música faz com que o cérebro funcione melhor.

Nos últimos 10 anos, houve uma explosão de pesquisas sobre a maneira pela qual a música funciona no cérebro“, disse Aniruddh Patel, titular da cátedra Esther Burnham de pesquisa no Instituto de Neurociências de San Diego.   Mais recentemente, estudos de ressonância magnética em cérebros demonstraram que a música ativa muitas partes diferentes do cérebro, e isso inclui uma sobreposição nas áreas em que o cérebro processa música e linguagem.

A linguagem é um aspecto natural a considerar no estudo de como a música afeta o cérebro, de acordo com Patel. Como a música, a linguagem “é universal, existe nela um forte componente de aprendizado, e ela tem a capacidade de transmitir significados complexos“.

 
Por exemplo, os cérebros de pessoas expostas a treinamento musical, mesmo que casual, têm uma capacidade ampliada de gerar os padrões de ondas cerebrais em gerais associados a sons específicos, sejam eles musicais ou falados, disse Nina Kraus, diretora científica do estudo e do Laboratório de Neurociência Auditiva da Universidade Northwestern, no Illinois.

As pesquisas anteriores de Kraus haviam demonstrado que, quando uma pessoa ouve um som, a onda cerebral gravada na mente em resposta é fisicamente idêntica à onda sonora original. De fato, “tocar” a onda cerebral produz um som quase idêntico.

Mas para as pessoas desprovidas de um ouvido musical treinado, a capacidade de produzir esses padrões decresce à medida que se intensifica o ruído de fundo, de acordo com diversas experiências. Os músicos, em contraste, treinaram suas mentes, inconscientemente, a reconhecer melhor os padrões sonoros seletivos, mesmo que o som de fundo seja mais intenso.

O efeito geral é semelhante ao de uma pessoa que esteja aprendendo a dirigir um carro dotado de câmbio manual, disse Kraus.   “Quando você começa a aprender a dirigir, precisa pensar sobre a alavanca de câmbio, a ação da embreagem, todas as diferentes partes envolvidas“, ela disse à National Geographic News. “Mas depois que você aprende, seu corpo sabe dirigir quase automaticamente“.

Ao mesmo tempo, as pessoas que sofrem de certos distúrbios de desenvolvimento, a exemplo da dislexia, enfrentam maior dificuldade para distinguir sons em meio ao ruído – o que constitui sério problema, por exemplo, para estudantes que se esforçam por ouvir o professor em uma sala de aula lotada.

A experiência musical poderia, com isso, se tornar uma terapia crucial para crianças portadoras de dislexia e de distúrbios associados à linguagem semelhantes, disse Kraus na reunião 2010 da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência, hoje.

 
Seguindo percurso semelhante, Gottfried Schlaug, neurocientista na escola de medicina da Universidade Harvard, constatou que pacientes de derrames que perderam a capacidade de falar podem ser treinados para pronunciar centenas de frases se aprenderem primeiro a cantá-las.

Em trabalho de pesquisa apresentado na mesma reunião, Schlaug demonstrou os resultados de terapia musical intensiva em pacientes com lesões no lobo esquerdo do cérebro, a área associada à linguagem.

Antes que iniciarem a terapia, esses pacientes de derrame respondiam a perguntas com frases e sons em larga medida incoerentes. Mas depois de apenas alguns minutos de trabalho com os terapeutas, eles conseguiam cantar “Parabéns a Você”, recitar seus endereços e comunicar que estavam sentindo sede.

Os sistemas subdesenvolvidos que respondem à música do lado direito do cérebro ganharam força e mudaram de estrutura“, disse Schlaug.  O índice de sucesso variava de acordo com a data do derrame e a severidade dos danos causados, ele informou. Mas diversos dos pacientes conseguiram por fim ensinar a si mesmos novas palavras e frases, ao transformá-las em canções, e alguns poucos deles conseguiram ir além das frases simples e fazer pronunciamentos curtos.

Em termos gerais, Schlaug disse que as experiências demonstram que “a música pode ser uma mídia alternativa para ativar partes do cérebro que de outra forma ficam inativas“.  Kraus, da Northwestern, concorda. Ela acrescentou que o estudo de música, não importa que idade tenha a pessoa, deveria ser universalmente encorajado, porque pode desempenhar papel chave na educação, em terapias clínicas e até mesmo em medidas protetoras para manter a mente aguçada quando uma pessoa envelhece.  “Além disso“, ela afirmou, “estudar música é em si inerentemente maravilhoso“.

Fonte: TERRA

Tradução: Paulo Migliacci ME





Porque é Carnaval … “Pelo telefone”, composição de Donga

15 02 2010

Carnaval em Madureira, 1924

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)

óleo sobre tela, 76 x 63 cm

Na postagem anterior, um texto de Ruy Castro, há uma referência ao samba Pelo Telefone, do compositor Donga.  Posto aqui a letra assim como um  vídeo para ilustração.

Pelo Telefone

Compositor: DONGA

O chefe da folia

Pelo telefone manda me avisar

Que com alegria

Não se questione para se brincar

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Ai, ai, ai

É deixar mágoas pra trás, ó rapaz

Ai, ai, ai

Fica triste se és capaz e verás

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Tomara que tu apanhe

Pra não tornar fazer isso

Tirar amores dos outros

Depois fazer teu feitiço

Ai, se a rolinha, sinhô, sinhô

Se embaraçou, sinhô, sinhô

É que a avezinha, sinhô, sinhô

Nunca sambou, sinhô, sinhô

Porque este samba, sinhô, sinhô

De arrepiar, sinhô, sinhô

Põe perna bamba, sinhô, sinhô

Mas faz gozar, sinhô, sinhô

O “peru” me disse

Se o “morcego” visse

Não fazer tolice

Que eu então saísse

Dessa esquisitice

De disse-não-disse

Ah! ah! ah!

Aí está o canto ideal, triunfal

Ai, ai, ai

Viva o nosso carnaval sem rival

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Se quem tira o amor dos outros

Por deus fosse castigado

O mundo estava vazio

E o inferno habitado

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Queres ou não, sinhô, sinhô

Vir pro cordão, sinhô, sinhô

É ser folião, sinhô, sinhô

De coração, sinhô, sinhô

Porque este samba, sinhô, sinhô

De arrepiar, sinhô, sinhô

Põe perna bamba, sinhô, sinhô

Mas faz gozar, sinhô, sinhô

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Quem for bom de gosto

Mostre-se disposto

Não procure encosto

Tenha o riso posto

Faça alegre o rosto

Nada de desgosto

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Ai, ai, ai

Dança o samba

Com calor, meu amor

Ai, ai, ai

Pois quem dança

Não tem dor nem calor

O chefe da polícia

Com toda carícia

Mandou-nos avisá

Que de rendez-vuzes

Todos façam cruzes

Pelo carnavá!…

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Em casas da zona

Não entra nem dona

Nem amigas sua

Se tem namorado

Converse fiado

No meio da rua.

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Em porta e janela

Fica a sentinela

De noite e de dia;

Com as arma embalada

Proibindo a entrada

Das moça vadia

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A lei da polícia

Tem certa malícia

Bastante brejeira;

O chefe é ranzinza

No dia de “cinza”

Não quer zé-pereira!

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Coro (civis)

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Me dá licença, não dou, não dou

Faça favô, não dou, não dou

Pra residença, não dou, não dou

Com pressa vou, não dou, não dou

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Coro (madamas)

Do chefe é orde? não vou, não vou

Sua atrevida, não vou, não vou

Entrar não pode, não vou, não vou

Vá pra avenida, não vou, não vou.

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Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos)
(Compositor e violonista)
5/4/1889, Rio de Janeiro (RJ)
25/9/1974, Rio de Janeiro (RJ)

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Porque é Carnaval… um texto de Ruy Castro

15 02 2010

Cabeça de palhaço, sem data

Belmiro de Almeida (Brasil, 1858-1935)

Crayon sobre papel, 16 x 15 cm

De 1930 a 1960, em termos de boa música e mau comportamento o Rio teve um Carnaval como nenhum outro lugar ou época.  Sendo uma cidade razoavelmente católica, produziu, sob as barbas do Cristo Redentor, Carnavais mais pagãos que os do próprio paganismo egípcio ou das bacanais romanas — aqui, o boi Ápis viraria croquete de botequim e Baco não pegaria nem aspirante no Clube dos Cafajestes, uma confraria de rapazes bem-nascidos e educados que usavam a alegria para fins saudavelmente imorais, como bailes, festas, orgias, com uma ou outra briga para manter a forma.

Por cair quase sempre em fevereiro, coincidindo com o esplendor do verão e convidando à pouca roupa, o Rio deixou longe em euforia os Carnavais invernais que o inspiraram, como os de Nice e de Veneza (os quais continuaram a ser o que sempre foram: belos bailes a fantasia).  O Carnaval carioca também permitiu ver que, em comparação, o de Nova Orleans era uma festa aristocrática, exclusivista e racista, de brancos e negros brincando iguais, mas separados.  No Rio, o samba e a marchinha nivelaram tudo.  A partir deles passou a haver um só  Carnaval para os negros, brancos e mulatos.

Carnaval, sem data.

J. Carlos (Brasil 1894-1950)

Nanquim e guache sobre papel, 18 x 27 cm

Seus criadores e intérpretes eram gente de todas as raças e classes, trabalhando e se divertindo juntos.  Nos anos 30, o cantor Mário Reis, branco de família rica, cantava os sambas que Ismael Silva, negro e pobre, fazia em parceira com o branco de classe média Noel Rosa, acompanhado por uma orquestra de músicos brancos e negros.  Dos três maiores cantores da época, Francisco Alves era branco, filho de portugueses; Orlando Silva era mulato, de cabelo passado a ferro; e o Sílvio Caldas, moreno de cabelo em escadinha, era o quê?  Era o “Caboclinho querido”.   Mas que importância tinha isso?  Terminada uma apresentação no rádio ou no teatro, saíam todos juntos e se sentavam às mesas do Café Nice, na avenida Rio Branco, ou de um humilde pé-sujo no Estácio,  e o samba continuava.  Tais combinações eram rotina no Rio.

A rigor nem eram novidade.  As bandas militares cariocas em fins do século XIX eram mistas, e a mais importante delas, a do Corpo de Bombeiros, tinha um maestro negro, Anacleto de Medeiros.  “Pelo telefone”, em 1917, já fora assinado por um preto e um branco, lembra-se?  A primeira orquestra de sambas e de choros, Os Oito Batutas, de Pixinguinha, criada em 1922, era preta e branca em partes iguais, quatro para cada lado, e tocava para platéias mistas, em cinemas e teatros.  Alguns anos depois, quando surgiu o rádio, os músicos negros de qualquer instrumento sempre tiveram espaço nas emissoras do Rio (em outras cidades do Brasil só eram admitidos como cantores ou percussionistas).  E as gravadoras americanas sediadas aqui nunca cometeram a torpeza de obrigar suas filiais brasileiras a produzir race records  (discos mais baratos de artistas negros para compradores idem), como faziam nos Estados Unidos com os jazzistas.  O samba e o jazz podem ter nascido ao mesmo tempo, dos mesmo avós africanos e molhado fraldas simultâneas, mas, defintivamente, seguiram caminhos diferentes.  (Não é uma vergonha, por exemplo, que o jazz tenha levado vinte anos para ter sua primeira formação “integrada”?  A qual foi o trio do clarinetista Benny Goodman, em 1936, com o pianista negro Teddy Wilson, e, no começo, só para gravações em estúdio, longe das vistas de uma platéia branca.)

Arlequins, 1939

Dimmitri Ismailovitch (Rússia, 1892 – Brasil, 1976)

Óleo sobre tela, 59 x 37 cm

Alguém já comentou admirado que o brasileiro “é um negro de todas as cores”.  Se se estava referindo ao carioca, que se orgulha dessa mistura, era perfeito.  Aqui somos mesmo neguinhos assumidos, das mulatas de olhos verdes aos “brancos” como eu, com leite e café na família.  Sem esquecer as louras autênticas, de pele clara e olhos azuis e sobrenome europeu — elas podem ser tudo isso, mas a bunda não nega e o jeito para sambar, também não.  O Rio é uma exuberante variedade de cores de pele e olhos, texturas de cabelo e formatos de nariz e lábios — resultado de cinco séculos de gip-gip-nheco-nheco sobre redes, catres, chaises longues, camas com dossel, de pé contra uma bananeira, ou na praia mesmo, à milanesa.  Todos no Rio temos um pé na África e os que não têm, gostam de dizer que têm.  Mesmo porque não podem jurar que não tenham.  Sabe-se lá o que, em 1850, o nhonhô estava  fazendo com a vovó nos fundos do sobrado?

Em:  Carnaval no fogo: crônica de uma cidade excitante demais, Ruy Castro, São Paulo, Cia das Letras: 2003, páginas: 86-89





Musica da semana: Missa Luba,Credo com Les Troubadour du Roi Baldouin

24 12 2009

Gravação de 1965, Missa Luba com Os Trovadores do Rei Balduíno. Direção do Padre Guida Haazen.

A Missa Luba é uma criação do Congo. Não apresenta qualquer influência ocidental. Kyrie, Glória e Credo são cantados na tradição kazala, que existe hoje no povo Ngandanjika (Kasai). Sanctus e Gloria são reminiscentes da Canção do Adeus em Kiluba. Um ritmo autêntico dos Kasai serve de base para Hosana, enquanto que Agnus Dei se baseia numa música Benea Lulua (Luluaburgo). O mais incrível é o fato dessa missa não ter forma escrita. Alguns ritmos, harmonias e embelezamentos são puro improviso.
O Padre belga Guido Haazen, reconhecendo o valor cultural de manter estas formas originais de música, tomou as rédeas de torná-la de novo saudável. Fundou o coral Os Trovadores do Rei Baldouin, um coral com uma seção de percussão e com aproximadamente 45 meninos de 9 a 14 anos, e 15 professores da Escola Kamina. Em 1958 o coral fez uma volta pela Europa de seis meses, cantando para platéias na Bélgica, na Holanda e na Alemanha.
Padre Haazen é um daqueles raros homens que como missionário, foi para o Congo equipado com um pouco mais do que a Bíblia. Os jovens cantores que ele dirige são verdadeiramente únicos: artistas congoleses. A apresentação deles é verdadeira religiosa, não só cristã.





Música da semana: Planes like Vultures, le Loup

24 11 2009





Música da semana: Haja o que houver, Madredeus

3 11 2009




Música da semana: Cold in here, Aaron Young

5 10 2009

Nesta mês em que comemoramos entre outras coisas o DIA DA CRIANÇA, achei que seria uma boa ouvirmos com cuidado os conselhos de Aaron Young, e prestarmos atenção as crianças que temos em casa, na família, entre os amigos, à nossa volta.  Uma delas pode estar sofrendo.

Belíssima melodia para um assunto muito sério.