Descoberta inacreditável!

18 03 2025

Este painel do artista italiano Cimabue (1240-1302), o mestre de Giotto, precursor da Renascença italiana, foi encontrado em uma cozinha, em cima do fogão numa casa do interior da França, em 2019. Cimabue é conhecido por suas tentativas, algumas vezes bem-sucedidas de incorporar a perspectiva linear em suas obras na esperança de dar impressão de profundidade às cenas representadas.

É esse painel, acima, chamado Jesus escarnecido por Herodes e flagelado.  Com tema da Via Crucis que deixou de ser pintada com frequência  a partir do século XVII.  A obra foi adquirida pelo governo francês e hoje faz parte do acervo do Louvre.  Foi adquirida por €24.000.000 (vinte e quatro milhões de euros) ou aproximadamente R$150.000.000 (cento e cinquenta milhões de reais).

Uma exposição especial sobre Cimabue e sua época, com quarenta obras de seus contemporâneos abriu no Louvre em 22 de janeiro deste ano e ficará aberta ao público até 12 de maio de 2025.  É uma maneira de introduzir o novo painel do artista ao público francês e turistas.  Ele está ao lado da Maestà, [Madona entronada] do mesmo.

 

 

 

Maestà, de Cimabue, Louvre





Cuidado, quebra!

25 07 2024

Medalhão de faiança, 1500-1530

Cognominada: Bella Donna  (Mulher bela)

Faiança vitrificada, manufatura Deruta, Italiana

24 cm de diâmetro.

Museu do Louvre.

 

Foto: Jean-Pol GRANDMONT





Louvre pede e a população dá…

5 03 2024

O cesto de morangos selvagens, c. 1761

Jean-Baptiste Simeon Chardin (França, 1699-1779)

óleo sobre tela

Louvre

 

 

A tela, O cesto de morangos selvagens, c. 1761, de um dos maiores pintores de naturezas-mortas da França, Jean-Baptiste Simeon Chardin (1699-1779), foi alvo de uma campanha envolvendo o publico em geral, para que o Louvre, a comprasse e assim garantisse sua permanência na França.

A briga por esta tela, data de 2022, quando o Kimbell Art Museum, em Fort Worth, Texas a comprou em leilão.  Naquele ano, pela casa de leilões, a estimativa era que seria vendida por dezesseis milhões e quinhentos mil dólares.  O museu americano, que lançava no anonimato, estava interessado na aquisição desta tela e acabou vencendo os outros interessados, em acirrada guerra de lances.  Ao final do pregão,  pagou vinte seis milhões e oitocentos mil dólares.  Este lance vencedor quebrou todas as expectativas. 

Quando foi revelado que esta tela iria sair da França, o governo francês interferiu. Considerou o quadro tesouro nacional e deu ao Louvre dois anos para encontrar o dinheiro necessário para comprar o quadro pelo preço final do leilão.  Para inspirar ou lembrar bem aos franceses o que ele poderiam estar perdendo, a tela ficou exposta no museu do Louvre por este período de vinte quatro meses até que se resolvesse a compra.

Inicialmente foram grandes fortunas que contribuíram com alguns milhões de dólares.  O grupo de alta costura LVMH Moët Hennessy – Louis Vuitton garantiu dezesseis milhões.  A sociedade de Amigos do Louvre, e o próprio museu conseguiram arrecadar cerca de oito milhões de dólares. E no final cerca de dez mil doadores individuais completaram a quantia necessária, através de um projeto chamado Todos Mecenas que  envolve o público em geral a participar de compras para o museu como esta.  Esta foi a décima quarta vez que o projeto Todos Mecenas socorreu o Louvre, desde 2010 quando foi instaurado.  Trinta cinco mil pessoas já participaram; destes quatorze mil participaram mais de uma vez e cento e dezesseis indivíduos participaram de todas as campanhas até hoje.  Uma história feliz!

 





Esmerado: Bracelete Aquiles

2 03 2023

Bracelete Aquiles, 1846

Joalheiro: Giuseppe Girometti

Materiais: ouro, camafeu em sardônica,  ametistas e diamantes

Tamanho: Altura 4,1 cm, altura do camafeu 7,2 cm, comprimento 19 cm, altura da imagem 6 cm

Representado:  Guerreiro da antiguidade de perfil

LOUVRE





Em três dimensões: Anônimo

10 03 2017

 

3equestr

Estátua equestre, século IX

Alemanha

Bronze com resquícios de folha de ouro, 25 cm de altura

Louvre, Paris





Turner, anotações de Murilo Mendes

28 01 2016

 

 

111turnePaisagem com rio e baía ao fundo, 1835-40

Joseph Mallord William Turner (GB, 1775-1851)

óleo sobre tela, 93 x 123 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

♦  Vive? Pseudônimo, isolado numa casa de Chelsea, domínio da desordem e da poeira. O irmão de Ruskin refere que nunca viu nada tão impressionante “desde Pompéia”.

 

♦  Ignoram-no os acadêmicos ou não. Entre sábado e segunda-feira eclipsa-se na periferia londrina, instala-se nos bordéis: decifrará ou não o enigma do sexo, suas cores mordentes?

 

♦  Habita, familiar, a faixa do relâmpago, as ruínas do maremoto, a chama extinta, o reino das ondas giróvagas, o balanço dos navios correlativos, a fantasmagoria de Veneza que dorme esquecida em si própria, auto-espectra, a subversão da luz. Não “representa” coisa alguma. O pincel clandestino precede a marcha do impressionismo.

 

♦  É William Turner. A luz interna e a luz externa conjugam-se no seu quadro, onde a manhã anoitece.

 

1973

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p. 217.





Eu, pintor: Jacques-Louis David

29 09 2015

 

 

David_Self_PortraitAuto-retrato, 1794

Jacques-Louis David (França, 1748-1825)

óleo sobre tela, 80 x 64 cm

Museu do Louvre, Paris





Seria esse mais um Leonardo da Vinci?

21 03 2015

 

Isabella d’EsteRetrato de Isabella d’Este

Leonardo da Vinci (1452-1519) — ???

óleo sobre tela, 61 x 46,5 cm

 

O Retrato de Isabella d’Este, atribuído a Leonardo Da Vinci, foi recuperado em Lugano, na Suíça como resultado de uma complexa operação conjunta envolvendo o Ministério Público italiano em Pesaro, a Guardia di Finanza de Pesaro, e a Brigada de Tutela del Patrimonio Culturale em cooperação com autoridades suíças policiais que executaram um pedido de apreensão para a assistência judiciária internacional. A investigação desse caso começou em agosto de 2013, quando veio ao conhecimento de investigadores italianos que um advogado em Pesaro havia sido contratado para vender sem alarde, a pintura, que se encontrava em um cofre de um banco suíço, pertencente a uma família italiana. O preço: 95 milhões de euros. O retrato pertenceria a uma coleção particular de 400 obras, de propriedade de uma família italiana que pediu para não ser identificada. O Retrato de Isabella d’Este foi provavelmente comprado pelos avós dos atuais proprietários, dizem eles que há mais de um século. As suspeitas de que a pintura possa ser um genuíno da Vinci levaram à investigação científica.

O retrato criou uma celeuma internacional anterior quando o professor Carlo Pedretti da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), especialista na obra do pintor renascentista Leonardo da Vinci, atribuiu o quadro ao pintor. Dr. Pedretti reconheceu na pintura o esboço desenhado por Da Vinci por volta de 1449-1450. O desenho a giz retrata Isabella d’Este, Marquesa de Mântua, [Museu do Louvre, Paris]. Há, no entanto, uma grande incógnita a respeito: historiadores de arte têm debatido desde sempre se Leonardo de fato nunca pintou o retrato para o qual há o esboço. O mistério de 500 anos poderá ser solucionado com o quadro no banco suíço.

 

 

Da-Vinci-Isabella-DEsteDesenho a giz no Louvre e o quadro encontrado na Suíça.

 

Estima-se que Leonardo o tenha pintado a caminho de Veneza, vindo de Mântua, no final de 1499, quando o exército francês sitiou Milão. Leonardo da Vinci se juntou a todos os que fugiram da cidade. Em seu caminho para Veneza, o artista encontrou refúgio na cidade italiana de Mântua, centro político e artístico da Lombardia. Era convidado da nobre Isabella d’Este.

 

ashmolean, copia de LeonardoCópia de época do desenho de Leonardo, Ashmolean Museum, Oxford.

 

O especialista na Renascença Italiana e em Leonardo da Vinci especificamente, Dr. Martin Kemp, professor emérito de história da arte no Trinity College, Oxford, questionou a autenticidade da tela. Ele acredita que “não era o tipo de tela usada por Leonardo ou qualquer um de seu ateliê”.

Se a autenticação da pintura for correta, será uma descoberta histórica. Há no mundo só vinte-três grandes obras de arte atribuídas a Leonardo da Vinci. Sua preferência para suporte na pintura foi sempre a madeira, preferencialmente álamo ou o papel. No entanto, independentemente da atribuição, parece que a pintura foi exportada ilegalmente da Itália sem o benefício de uma licença de exportação apropriada e enquanto não está claro se a família enviou a pintura para a Suíça, para evitar roubo ou evasão de impostos, a sua remoção viola a lei italiana.

A Itália tem regras bem rígidas que exige que qualquer obra de arte com mais de 50 anos de idade, feitas por um artista morto, precise de uma licença especial para ser exportada. Isso vale para mudanças temporárias, (no caso de empréstimos para exposições, por exemplo) bem como vendas permanentes. Isso torna a falta de documentação sobre esta obra notável e altamente suspeita. A lei italiana sobre o movimento de obras de arte foi aprovada em 1939 especificamente para prevenir que obras-primas da arte antiga e renascentista saíssem ou cruzassem as fronteiras do país.

 

 

AP2004_01_MAINRetrato de mulher, provavelmente Isabella d’Este, c. 1500

Atribuído a Gian Cristoforo Romano (c. 1465-1512)

Terracota, [já foi policromada, mas perdeu a cor]

54 x 56 cm

Kimbell Art Museum, Fort Worth, Texas

 

Na Itália, o óleo de Isabella d’Este passará por uma avaliação mais aprofundada para determinar se o trabalho deve ou não ser confirmado, de forma conclusiva, como tendo a autoria de Leonardo da Vinci. Se não foi, será considerada uma obra “no estilo de”. A pintura, que mede 61 x 46,5 cm, certamente corresponde ao esboço de giz sobre papel da Marquesa de Mântua, no Louvre.

Sabe-se que Isabella d’Este escreveu duas cartas a Leonardo, em que solicitava obras de arte. Mas em ambas ela pedia o retrato de Jesus Cristo. Ela era uma colecionadora de antiguidades, uma patrona das artes, e uma das mulheres mais elegantes e poderosas do Renascimento italiano. Comissionou trabalhos a diversos outros pintores: Giovanni Bellini, Rafael, Ticiano. Portanto, não seria improvável que um pedido de um retrato também pudesse ter sido feito a Leonardo.

Datação por carbono realizada por um laboratório de espectrometria de massa na Universidade de Arizona confirmou que havia uma probabilidade de 95,4% que a obra tenha sido pintada entre 1460 e 1650. O exame de fragmentos retirados do trabalho mostrou que os pigmentos do retrato coincidem com aqueles usados por da Vinci e que a base foi preparada de acordo com a mesma receita detalhada pelo mestre.

Suspeita-se que da Vinci possa ter concluído o retrato depois de encontrar d’Este novamente em Roma, em 1514. O retrato de colorido muito rico mostra uma transposição fiel do esboço no Louvre. A postura da senhora retratada, seu penteado e vestido são quase idênticos. Ela traz o sorriso enigmático que perdura nos lábios conhecido nas obras de da Vinci, como a Mona Lisa. A tiara dourada na cabeça de Isabella d’Este e a folha de palmeira ela segura como um cetro são detalhes não encontrados no esboço e podem ter sido adicionados por alunos de da Vinci.





“A valise do professor”, de Hiromi Kawakami

8 06 2014

 

 

NicolasChaperonhermesVenus & Hermes; painting by Nicolas ChaperonHermes e Vênus

Nicolas Chaperon (França, 1612-1656)

óleo sobre tela, 110 x 134 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

Meu conhecimento da tradição literária japonesa é nula. Conheço alguns escritores contemporâneos, mas não o suficiente para poder colocar a obra de Hiromi Kawakami em contexto. Assim, minha leitura de A valise do professor é feita pelos padrões e associações ocidentais. A história de uma simplicidade cativante, contada de modo direto sem rebuscados, de fácil leitura, retrata a vida de duas pessoas solitárias, que se reconhecem, que mantêm um relacionamento morno, e que encontram, no final, uma maneira mais íntima de se relacionarem. Elas são: Tsukiko uma mulher de 38 anos, solteira, que passa muitas de suas noites em um bar, sozinha, bebendo e comendo, sem grandes amigos e o Professor, de quem ela havia sido aluna, que viúvo, também, leva uma vida semelhante, só. Encontram-se em um bar e aos poucos desenvolvem uma amizade, fortemente enraizada na alimentação e na bebida. Apesar dos mais de 30 anos de idade que os separam, Tsukiko e o professor desfrutam de uma relação satisfatória para ambos.

 

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Este é um romance delicado de grande sensibilidade às diferentes exigências que cada um tem para se relacionar com o mundo. Por trás dessa simples história há algo que nos preenche, que nos fascina. Talvez seja porque corresponde ao que trazemos no seio da cultura ocidental: o arquétipo de Mercúrio ou Hermes como psicopompo, um ser que guia a nossa percepção sobre o mundo que nos cerca e media os nossos desejos inconscientes. Neste romance o professor exerce esse papel, o de guia, o papel de psicopompo, abrindo o caminho para que uma nova Tsukiko apareça e saia de seu casulo, que bata asas e viva a vida. E o ponto alto dessa instrução vem com introdução dela ao amor. O professor como um bom guia da alma, oferece novas oportunidades para que Tsukiko aprimore seus sentidos. Ele a acompanha e a ensina a transitar entre os extremos que a vida lhe apresenta. E oferece também uma passagem segura para o conhecimento de sua própria alma. Até mesmo na lida com o submundo ele a guia — dos sonhos e pesadelos à aceitação da morte.

 

Hiromi-Kawakami-c-Tomohiro-Muta-1013x1024Hiromi Kawakami

O título, que se refere à valise que o professor leva consigo a todos os lugares, corresponde ao arquétipo, pois trabalha com o símbolo da transição, o levar algo de um lugar ao outro. Não importa o conteúdo dessa valise, o que importa é que é o símbolo da viagem, da transição entre dois mundos esteja presente. Quando Tsukiko finalmente recebe a valise e a preserva, sabemos que ela entendeu e está pronta para assumir o papel do professor. Está, de agora em diante, incumbida em ser a facilitadora entre mundos, para quem dela necessite.

 

 





Esmerado: capa de espelho em marfim, século XIV

20 05 2014

 

 

 

Louvre258ivoryHorseWomenCoolSmCapa de espelho [lado de trás] em marfim com cena de enamorados a cavalo, século XIV.

Museu do Louvre, Paris