Troca de livros é incentivo à leitura em Moscou

9 04 2013

Ivan Stepanovich Ivanov- Sacachev (Rússia 1926-1980) a student of art history Uma estudante de história da arte, 1972

Ivan Stepanovich Ivanov-Sakachev (Rússia,  1926-1980)

têmpera e guache sobre eucatex, 124 x 100 cm

O jornal Moscou Times traz o aviso de que na noite do próximo dia 19 para 20 de abril, Moscou terá sua segunda  “Biblionoch” — uma noite de incentivo à leitura, onde livros são trocados ou são deixados em lugares públicos para serem apanhados por qualquer pessoa que os queira ler. Tudo feito de maneira anônima.

“Biblionoch” significa noite de livros e nessa noite muitas livrarias e bibliotecas da capital russa irão ficar abertas para o evento, que se pautou nas noites abertas dos museus, um acontecimento já bastante conhecido e divulgado na mesma cidade, chamado  de “Noite dos Museus”.

No ano passado, o evento foi quase improvisado e assim mesmo teve a participação de 30 bibliotecas de Moscou.  E no país mais de 750 organizações tiveram noite semelhante.  Este ano a “Biblionoch” conta com participação de grandes e conhecidas bibliotecas tais como Turgenev e Nekrasov e o Winzavod  Centro de Arte Moderna.

Além disso, haverá diversos jogos e brincadeiras, entre elas uma maratona de leitura que irá determinar que escritores contemporâneos mais contribuiram para a leitura dos residentes de Moscou.  Paralelamente autores mais populares se encontrarão com seus leitores e participarão de uma online conferência.

Não sou contra a celebração da leitura.  Sou a favor de todos os meios possíveis para incentivar a leitura.  Mas duvido muito que os hábitos de leitura e de não-leitura de qualquer pessoa se modifiquem por causa de uma noite. Um dia.  Uma troca de livros.  Isso deveria de ser chamado de “festa de livros” onde variados leitores saem de suas respectivas e confortáveis cadeiras para se auto-congratularem por serem leitores; trocar uma ou outra ideia sobre o que leram sem querer estrelato.  Estrelato não combina com leitura.

A leitura é um hábito. Precisa ser cultivado como um hábito como um vício. É para se fazer constantemente.  Sempre.  Com chuva ou com sol. No inverno e no verão, na rua, no ônibus, em casa. Na biblioteca. No jardim, na viagem, no quarto do hotel. Na sala de espera do dentista.  No fila do banco.  É assim como um vício social: você não pode viver sem.  A diferença entre a leitura e o tabaco é que ela só faz bem.





Palavras para lembrar — Jules Renard

6 04 2013

Emil Rau

Menina lendo no seu quarto, antes de 1936

Emil Karl Rau ( Alemanha, 1858-1937)

óleo sobre tela,  76 x 55 cm

“Cada uma de nossas leituras deixa um grão que germina.”

Jules Renard





Imagem de leitura — Clay Olmstead

30 03 2013

Clay Olmstead

Moça lendo, III

Clay Olmstead ( EUA, contemporâneo)

sem indicação de mídia, 61 x 71 cm

www.clayolmstead.com





Novos rumos na ficção científica?

30 03 2013

books logo rodney mathews

Ilustração de Rodney Mathews.

Um artigo interessante no Irish Times sobre a literatura de ficção científica, The new future od sci-fi,  atraiu a minha atenção nessa semana que passou.  Há muito que se fala da dificuldade de classificação das obras de ficção científica.  A fantasia e a ficção científica parecem se misturar em muitos momentos. Mas não importa, algumas obras acabam saindo da prateleira estritamente reservada às literaturas de gênero e entram para a categoria de clássicos da literatura mundial.  Desde de o século XIX que não faltam exemplos desse tipo de ficção considerada hoje parte integral, e essencial de uma boa educação.  Lá estão enfileirados nessas prateleiras  livros que estabeleceram o ramo da ficção científica  Frankenstein de Mary Shelley (1818), ao longo das obras do popularíssimo Júlio Verne, considerado o autor mais traduzido no mundo ( 148 línguas) com títulos como Viagem ao Centro da Terra (1864) Vinte Mil Léguas Submarinas (1870),  A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1873). No reino da fantasia, há também exemplos brilhantes do passado: As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (1726) parecem ter aberto essa porta para o mundo moderno, ainda que a tradição do gênero venha desde a antiguidade. A criação literária classificada como fantasia parece ser mais inclusiva do que a ficção científica, e conta com contribuição no século XIX, de George MacDonald com Phantastes (1858) e de diversos outros que ocasionalmente embarcaram nessa nave, como William Morris The Well at the World’s End (1892), The Wood Beyond the World (1892) livros que foram de grande influência para autores como C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien.

Mas aonde cai realmente a linha divisória que separa a ficção científica do resto da literatura?   E será essa uma questão importante?  Aparentemente escritores contemporâneos resolveram a questão simplesmente escrevendo.  E no processo não deram atenção a quaisquer limitações,  combinando a bel prazer características de ambos os gêneros para preencher suas necessidades narrativas.  O resultado é uma nova geração de escritores de ficção científica que não se enquadra perfeitamente aos moldes anteriormente determinados. Esses autores, ainda que não estejam ligados a qualquer movimento ou causa, parecem ter encontrado um meio de renovar um gênero considerado estagnado há algum tempo.  Se você está curioso faça uso da lista de autores selecionados por Gareth L Powell  para mostrar essa nova geração que é feita de escritores de diversas nacionalidades.  E  boa leitura!

Escritores:  Adam Christopher  autor de Empire State e Seven Wonders, Aliette de Bodard com a trilogia Obsidian and Blood;  Lauren Beukes autora de In Moxyland Zoo City;  Chuck Wendig com seu Black Birds ;  Lavie TidharLou Morgan,Emma Newman, com o título Between Two Thorns; Kim Lakin-Smith com o livro Cyber Circus e Tim Maughan.





Palavras para lembrar — James Russell Lowell

26 03 2013

Maria Sherbinina (Moscou, Russia, 1965)

Leitura, 2005

Maria Sherbinina (Rússia, 1965)

óleo sobre tela, 72 x 80 cm

Maria Sherbinina

“Livros são como abelhas que levam o pólen da vida de uma mente para a outra.”


James Russell Lowell





Palavras para lembrar — Lin Yutang

18 03 2013

Károly Ferenczy, Man Sitting on a Log (1895, Hungarian National Gallery, 1895)

Homem sentado no tronco de árvore, 1895

Károly Ferenczy (Hungria, 1862-1917)

óleo sobre papelão, 62 x 77 cm

Galeria Nacional da Hungria, Budapeste.

“O homem sábio lê tanto livros quanto a vida em si”.


Lin Yutang





Imagem de leitura — George Van Hook

15 03 2013

George Van Hook Looking at Metcalf 2011.

Uma leitura tranquila, observando Metcalf, 2011

George Van Hook (EUA, 1954)

óleo sobre tela, 51 x 61 cm

George Van Hook

George Van Hook nasceu em 1954  no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos.  Sempre apreciou a pintura impressionista.  Estudou pintura, formando-se pela Humboldt State University.  Passou um ano viajando na Europa onde estudou a pintura de mestres europeus.  Ao retornar estabeleceu-se na Califórnia, até casar e  formar uma família.  Hoje mora e mantem seu estúdio em Cambridge, NY, próximo a Albany.





Palavras para lembrar — Ezra Pound

11 03 2013

Leonid Osipovich Pasternak (1862-1945) inspiração, ost

Os tormentos do trabalho criativo

Leonid Osipovich Pasternak ( Rússia, 1862-1945)

óleo sobre tela, 63 x 81 cm

“Os homens não entendem os livros até que tenham vivido um pouco, ou melhor, nenhum homem entende um livro profundo, até que tenha visto ou vivido pelo menos parte de seu conteúdo”.


Ezra Pound





A cela do religioso, texto de Aluísio de Azevedo

5 03 2013

64newtes

Monge franciscano lendo, 1661

Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Holanda, 1606- 1669)

Óleo sobre tela, 82 x 66 cm

Museu de Arte Sinebrychoff, Helsinque, Finlândia

“A porta abriu-se sem ruído. Ele entrou, e a porta fechou-se de novo, silenciosamente.

O lugar em que o venerando religioso acabava de penetrar, era uma triste cela, sombria e espaçosa, com uma janela gradeada e fechada, e apenas frouxamente esclarecida por uma clarabóia do teto. As paredes, nuas de alto a baixo, tinham uma cor sinistra de osso velho. Em uma delas havia um grande nicho com a imagem da Virgem da Conceição, quase de tamanho natural; a um dos cantos, uma negra estante toscamente feita, pejada de grossos alfarrábios amarelecidos pelo tempo; no centro, uma mesa de madeira escura com um breviário em cima, ao lado de uma candeia de azeite, um pedaço de pão duro e um cilício cru; junto à mesa, um banco de pau”. 

Em: A mortalha de Alzira, Aluísio de Azevedo, publicado pela 1ª vez em 1892, primeiro capítulo, em domínio público.





Conhecer o outro é o que a leitura me permite

2 03 2013

julia-beck-self-portrait-1882

Retrato da pintora Julia Beck, 1882

Richard Bergh Malningen (Suécia, 1858-1919 )

óleo sobre tela

Museu Nacional da Suécia, Estocolmo

No início de fevereiro fiz uma postagem sobre o novo livro de David Shields em que ele discursa sobre o valor da literatura [Qual é o valor da leitura literária?] e minha amiga Nanci, que muito me prestigia lendo com atenção este blog, lembrou que na minha postagem eu havia me esquivado de responder à pergunta título.  Pedi a ela um tempinho para responder.  Chegou a hora da verdade.  Não há uma única resposta.  São muitas, assim como muitas fui e sou. A cada fase da vida a leitura literária teve uma ou mais funções.

Livros sempre fizeram parte da minha vida.  Cresci numa família de leitores. Não só meus pais eram leitores, mas tios e avós também.  Desse modo posso dizer que fui programada para fazer da leitura um hábito para a vida toda.  Ponderei sobre a questão e acho que encontrei o meu fio da meada: a leitura literária me permite conhecer o outro, aquele diferente de mim.