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Olga Lysenko (Rússia, radicada na Inglaterra)
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“Livros, caminhos e dias dão ao homem sabedoria”.
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Provérbio árabe
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Olga Lysenko (Rússia, radicada na Inglaterra)
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Provérbio árabe
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Lucile Blanch (EUA, 1895-1981)
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Lucile Blanch nasceu em Minnesota em 1895, filha da pintora e litógrafa Lucille Linquist. Durante a Primeira Guerra Mundial ela estudou no Minneapolis School of Art com quem seria mais tarde seu marido, Arnold Blanch. Lá conheceu outros artistas de maior renome tais como Harry Gottlieb e Adolf Dehn. Depois foi para Nova York onde se casou com Arnold Blanch. Juntos ajudaram a construir a Colônia de Arte em Woodstock, no estado de Nova York. Divorciaram -se em 1935. Lucile Blanch faleceu em 1981.
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Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky (Rússia, 1868-1945)
óleo sobre tela
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Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky nasceu em Smolensk Governorate em 1868. Estudou na Academia de Arte Semyon Rachinsky; aprendeu a pintar ícones na Troitse-Sergiyeva Lavra em 1883 e pintura moderna na Escola de Pintura Escultura e Arquitetura de Moscou de 1884 a 1889, indo depois aprimorar sua tecnica em São Petersburgo na Academia Imperial das Artes nos anos de 1894 e 1895. Na década de 1890 foi para a França onde estudou e ateliês particulares. Especializou-se em pintura de gênero, concentrando-se no retrato de camponeses, retratos e na paisagem no estilo impressionista. Faleceu em Berlim em 1945.
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Nello Iovene (Itália, 1935)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Bíblia da Infância, miniatura e versão resumida da Bíblia eram uma maneira popular de apresentar os ensinos cristãos às crianças. Este exemplo é de 1815 em francês e contém 48 gravuras coloridas a mão.
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Ontem como era dia de aula, e a primeira deste semestre, achei que iria fazer uma postagem rápida, (uma coisa assim bonita e interessante, mas que não precisasse de muito pensar). E me lembrei dessas miniaturas que havia visto no jornal inglês The Telegraph. Mas mesmo essa postagem “fácil” levou mais tempo do que eu imaginava, Assim volto hoje com essa pequena coleção. As legendas são a tradução das legendas no jornal inglês. Divirtam-se são lindas.
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Meu pequeno alfabeto, quando este ABC foi publicado no século XIX foi o menor livro até então publicado a cores. Dividido em duas partes “O pequeno alfabeto de animais” e “O pequeno alfabeto de Pássaros”.
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Preces ouvidas, o menor manuscrito renascentista em existência é um livro de preces em latim que inclui 17 pinturas de santos, evangelistas e apóstolos, inclusive uma pintura bem delicada da Virgem Maria.
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O almanaque de Londres: este almanaque de 1736 era um de uma série impressa de meados do século XVII ao século XX. Almanaques vinham cheios de boas informações: datas, estatísticas e mapas. Você pode considerá-los Proto-IPhones…
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O livro de ouro de Ana Bolena, tudo indica que Ana Bolena usou esse livro de salmos em miniatura, que mostra um retrato de Henrique VIII, dedicado a uma de suas damas da corte, quando em 1536 ela se encontrava no cadafalso. Este livro pertence à Biblioteca Britânica.
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Atlas do Império Britânico, publicado por volta de 1928, é cópia do original encontrado na Biblioteca da Casa de Bonecas da Rainha Mary no Castelo de Windsor.
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Para mais fotos de livros em miniatura ver: The Telegraph
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Cyrill Edward Power (Inglaterra, 1871-1951)
gravura em linóleo
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Então, do Pará ao Rio Grande do Sul, o brasileiro lê em média 6 minutos por dia. É uma constatação devastadora. A pesquisa, feita pelo IBGE, como noticiou o jornal O Globo ontem, mostra que lemos 5 vezes menos por dia do que os americanos durante a semana e 6 vezes menos do que eles durante o fim de semana. Essa leitura inclui qualquer leitura. Não estamos falando simplesmente de romances, de entretenimento. Dedicamos muito pouco tempo à leitura de qualquer coisa: jornal, texto científico, romance, texto histórico, matemático, poesia, ciências naturais, físicas, qualquer coisa, provavelmente até livros de culinária.
Agora, como é que queremos ir para frente? Progredir? Tornar este país competitivo?
Vejo com frequência nas redes sociais um enorme ressentimento contra os nossos vizinhos do norte, os americanos porque “querem dominar o mundo” culturalmente. Mas, eles pelo menos se dedicam a aprender, a ler, a explandir os conhecimentos. Domínio cultural, através de filmes, de livros, de programas de televisão acontece mesmo. É subproduto de um país que se dedicou a uma educação generalizada para toda a população, de uma cultura que se dedicou ao estudo e à leitura. De um país que dá todo o apoio possível à criatividade quer ela seja científica ou não. Somos levados no cabresto por eles, sim, culturalmente. Mas para lutar contra esse domínio, não adianta sair às ruas, nem pedir dinheiro para o governo bancar projetos culturais. Porque os brasileiros nem sequer sabem da importância desses projetos. Não sabem porque não lêem. E niguém nasceu sabendo. E a única maneira de se complementar o que se conhece, o que se sabe é lendo.
Não é culpa da internet. Hoje para se usar a internet, para se construir uma base de conhecimento que possa levar ao manuseio da internet, da cultura virtual, não se pode ser unicamente um usuário, um visitante das páginas sociais e bater papo com os amigos. É um erro pensar que visitar os amigos nas redes sociais é dominar a internet, que é progresso. Para que possamos realmente fazer uma contribuição para o mundo virtual, é necessário saber como virar esse conhecimento técnico a nosso favor. E no entanto, sem ler, não chegaremos lá.
Não lemos. Portanto não expandimos os nossos cérebros, não aumentamos o nosso conhecimento pragmático ou emocional. Estamos nos tornando, em passos rápidos, uma cultura de zumbis, de não pensadores. Em compensação gostamos de vegetar em frente da televisão. 85% do tempo livre dos brasileiros é gasto em frente da televisão. Deixamos assim que outros pensem por nós.
Há horas que dá muito desânimo.
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Fonte: Brasileiro passa muito tempo longe dos livros, O GLOBO
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Nesta semana o jornal gaúcho Zero Hora publicou duas matérias de interesse para quem se preocupa com a baixa taxa de leitura no Brasil. O foco de ambas as publicações foi o número de volumes impressos por título. Nos grandes centros do Brasil, parece que a leitura anda aumentando. Cá pela zona sul do Rio de Janeiro, ir a uma livraria no fim de semana é ocasião certa de encontrar dezenas de pessoas se acotovelando, como se livros estivessem sendo distribuídos gratuitamente. Além disso, podemos ter a certeza de encontrar casualmente vizinhos, amigos, colegas de trabalho que, sem combinação prévia, acabam emendando a compra de um livro em um bate-papo informal no café da livraria ou no café mais próximo. Quer a livraria fique num shopping ou tenha portas abertas para a rua, o burburinho no local é de aquecer o coração de quem se preocupa com a educação brasileira.
Mas observando o número de exemplares publicados nas nossas edições de sucesso, os números parecem ridiculamente pequenos para o tamanho da nossa população. As maiores tiragens de livros no país são de 600.000 – seiscentos mil – volumes. Nesse nicho ficam os autores de grandes vendas internacionais como a trilogia iniciada com o volume 50 tons de cinza de E. L. James. O último volume da trilogia, 50 tons de liberdade, já saiu com mais de 500.000 – quinhentos mil — exemplares impressos. Parece muito não é mesmo? Mas somos 197.000.000 — cento e noventa e sete milhões – 600.000 exemplares são equivalentes a ⅓ de 1%. Parece insignificante. E essa é a maior tiragem de um livro no Brasil. Triste.
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Ilustração Adam Pekalski.–
Grandes sucessos editoriais de autores brasileiros têm ainda menores tiragens. Aqui focamos nos brasileiros. Os dois títulos de maior tiragem são elevados pelas religiões em que se firmam.
Ágape, do padre Marcelo Rossi – 500.000
Casamento blindado de Cristiane e Ricardo Cardoso – filha e genro do Bispo Edir Macedo – 230.000
Só depois é que encontramos o mega-seller Laurentino Gomes.
1889 – tem edição de 200.000
Seguido por:
Manuscrito encontrado em Accra de Paulo Coelho — 100.000
Luís Fernando Veríssimo – novo título ainda não divulgado – sairá com 100.000 também
Carcereiros de Dráuzio Varella – 80.000
Guia politicamente incorreto da filosofia – Luís Felipe Pondé – 50.000
A graça da coisa de Martha Medeiros – 50.000
Mas há também o que poderíamos chamar de círculo vicioso. De acordo com o Consultor Editorial Carlos Carrenho, as tiragens grandes não refletem só a expectativa das editoras. As livrarias também preferem os livros com maior tiragem. De acordo com ele “A primeira coisa que as livrarias perguntam é qual a tiragem inicial. Usam a informação para avaliar o tamanho da aposta naquele título.”
Assim fica difícil quebrar barreiras. Se as livrarias não estão interessadas em tiragens menores, como pode o autor aumentar as suas vendas até que consiga um número razoável em volume de venda? Porque diferente de outros países as nossas editoras não se dedicam a promover os títulos que publicam. Comparo com os Estados Unidos, onde morei por muitos anos, e não vejo por aqui a dedicação que as editoras de lá dão ao promover os livros que publicam. É claro que lá também se pede muito dos escritores. Eles viajam de uma costa a outra do país dando entrevistas e se encontrando com leitores em livrarias, cafés, grupos de leitura, exaustivamente. Isso não vejo acontecer por aqui fora do eixo Rio-São Paulo. Ocasionalmente sim, mas não regularmente.
Temos ainda muito o que fazer no Brasil.
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FONTES:
Saiba quais são os livros de maior tiragem no Brasil
Tiragens iniciais gigantescas de livros indicam tendências de mercado e estratégia de vendas
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Fachada da Casa Batlló, construída em 1875-1877
Reformada por Gaudí entre 1904-1906
Antoni Gaudí (Espanha, 1852-1926)
43 Paseo de Grácia, Barcelona, Espanha
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No Ano Novo, uma decisão que parecia pequena e inconsequente: ler mais não-ficção durante o ano acabou sendo, de todas as decisões que tomei e que ainda espero cumprir, a que mais tem-me agradado e já penso em repeti-la, porque há momentos, como da leitura de A vida não é justa de Andréa Pachá, juíza da 1ª Vara de Família de Petrópolis, em que o contato com o mundo real, além da ficção, tornou-se muito prazeroso.
Neste pequeno livro de vinhetas jurídicas, vemos a crônica do dia a dia brasileiro e com ela delineia-se um retrato da criatividade nativa quando a tarefa é encarar os tropeços da vida. A narradora, a juíza, tem um toque suave na linguagem, acarinhado por humor comedido e afável no relato dessas fatias de vida real. Mas acima de tudo Andréa Pachá tem compaixão. E por causa disso, muitos dos casos, que, de outra feita, poderíamos ignorar passando os olhos superficialmente, tornam-se pontos de apoio para a reavaliação da nossa gente, do nosso sistema de valores, da nossa brasilidade. Estamos a nos olhar no espelho. E a surpresa é boa, muito melhor do que o esperado.
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Depois dessa leitura parece que a realidade é mais fantasiosa do que a imaginação dos romancistas. No entanto, o escritor, qualquer escritor de ficção, é uma só pessoa e tem como limite sua experiência. Na leitura dessa coleção de crônicas, com cada página virada, vemos uma miríade de comportamentos que retratam variadas narrativas de vida; uma pluralidade de soluções, por vezes desencontradas, mas vividas por personagens reais, cada qual interpretando a vida com seu próprio vernáculo.O resultado final para o leitor é ser testemunha, junto com Andréa Pachá, da imensa riqueza do comportamento humano, além da profunda solidão encontrada no âmago de todos nós.
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Andréa Pachá–
A metáfora que encontrei para descrever o resultado da leitura foram as fachadas dos prédios do arquiteto espanhol Antoni Gaudí, cuja Casa Batlló ilustro acima. Formadas por mosaicos de objetos nem sempre belos (garrafas, cacos de vidro, cacos de cerâmicas, canecas, pratos de louça do diário) essas fachadas tornam-se padrões de beleza universal quando assimiladas, em conjunto, e superpostas de maneira estética. Assim também vi a nossa gente, o nosso povo retratado por Pachá. Nem sempre tomadas individualmente essas pessoas são belas, por dentro. Mas cada qual com sua maneira de viver, de sofrer, exerce a atividade mais cara que nos é dada, a liberdade de interpretação da vida: pode ser a mulher que por seguir os preceitos de sua nova fé não se aninha mais na cama do marido, ou o amigo de uma mãe solteira que adota o filho dela como seu, sem compromisso matrimonial. As razões e as soluções são inesperadas, às vezes deselegantes, frequentemente inacreditáveis, mas o resultado no todo é belíssimo. Triste. Mas belo. E me deu o que às vezes tem-me faltado: confiança no ser humano. Fé em um futuro melhor. Imprevisível, mas provavelmente melhor.