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Anita Fraga (Brasil, ativa no século XX, após 1930)
óleo sobre tela, 65 x 50 cm
[irmã da pintora Lucília Fraga]
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Anita Fraga (Brasil, ativa no século XX, após 1930)
óleo sobre tela, 65 x 50 cm
[irmã da pintora Lucília Fraga]
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Rachel Gans (EUA)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
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Mário Quintana
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Georgina de Albuquerque (Brasil, 1882-1962)
óleo sobre tela, 42 x 32 cm
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No início de setembro uma pequena notícia, durante a Bienal do Livro, aqui no Rio de Janeiro, atraiu a minha atenção: descobriu-se que apesar das vendas de livros de ficção terem aumentado muito no Brasil, os leitores brasileiros preferiam a ficção estrangeira. Preferem-na em grandes números. A leitura de ficção no Brasil aumentou no último ano 42%, mas só tivemos 11% de aumento nas vendas do mesmo gênero por escritores nacionais. Os brasileiros se recusam a comprar e a se render ao encanto dos escritores brasileiros. Isso não me pareceria normal não estivesse eu envolvida em projetos de divulgação da leitura. Sei que é verdadeiro. É uma daquelas nossas vergonhas, que varremos para debaixo do tapete, porque desvendá-la e trazê-la à luz, estragaria os prazeres de muita gente que se acredita responsável pela cultura nacional.
Aplaudo portanto o gesto de Paulo Coelho quando se recusou a participar como representante dos escritores brasileiros na maior feira de livros do mundo, a Feira de Frankfurt, na Alemanha, onde o Brasil é o país homenageado, este ano. Como divulgado pela Folha de São Paulo o escritor brasileiro mais vendido no mundo inteiro fez um ato de imolação a favor dos autores de ficção no Brasil, os verdadeiramente aclamados pelo público, aqueles que são lidos e relidos, e que representam a sociedade brasileira, de fato.
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Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)
gravura glicée, tiragem 10
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Paulo Coelho não aprova “a maneira como o Brasil representa sua literatura“. Concordo. Os critérios de escolha são uma incógnita. Por que? Porque uma feira como a de Frankfurt, uma feira comercial que tem representantes de editoras estrangeiras querendo fazer negócios, comprar livros brasileiros de autores brasileiros, deveria ser um local onde os escritores que mais agradam aos brasileiros, os escritores que mais vendem no Brasil, fossem escolhidos para nos representar. Por que imaginar que eles gostariam de comprar autores que não têm apoio dos leitores? As editoras não são ONGS. São negócios. Vivem de comprar e vender. Se não apresentamos autores vendáveis, roubamos de nós mesmos a oportunidade de fazermos a nossa cultura conhecida.
Fico surpresa com as escolhas de autores. Como explicar, por exemplo, que escritores como Eduardo Spohr, Thalita Rebouças, André Vianco, Raphael Draccon só para citar alguns, não estejam na lista daqueles que representam o gosto do leitor brasileiro? Alguns dos escritores brasileiros indo à feira só são fenômeno de vendas porque têm contratos governamentais. Cadê na lista os escritores que conseguem se fazer sem qualquer desses apoios? Que conseguem se apoiar em si mesmos, naquilo que escrevem?
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Maria Sylvia Cordeiro (Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 80 x 100 cm
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Manoel Costa Pinto disse que os autores escolhidos eram aqueles agraciados com os principais prêmios de literatura do país e com “qualidade estética”. “Qualidade estética”? O que é isso? E, sinceramente, escolher os autores que ganharam prêmios literários… esse é justamente o problema do Brasil. Na maioria da vezes damos prêmios a quem o brasileiro não lê e ignoramos acintosamente aqueles que são sucesso comercial. Eliminar quem é sucesso de vendas no Brasil é uma posição pretensiosa, de quem usa uma forma e quer que seus representantes sejam só desse ou daquele jeito, que caibam nos limites da “qualidade estética” do momento. Isso é um posicionamento elitista de quem acredita que o leitor, que não subscreve certa política, certa filosofia, o leitor, que não leva a sério as considerações filosóficas dos “profetas” da nossa literatura, é um ignorante, um imbecil, que não sabe escolher. É uma posição anacrônica que não cabe numa sociedade pluralista, numa sociedade onde ler faz parte daquilo que se faz por entretenimento, por diversão, por gosto.
Vergonha nacional este tipo de escolha “que vem de cima”. Esta lista nos rouba de uma melhor representação de quem somos para o mundo. Uma vergonha que Eduardo Sphor, autor que já vendeu mais de 600.000 volumes no Brasil, não esteja lá nos representando, nem Vianco, nem Thalita Rebouças, nem Raphael Draccon que são autores com fã-clube no Brasil. Pobre Brasil que continua a ver literatura como uma maneira de seleção de classe social, como um divisor de águas entre “os iluminados” e o povo. Estamos muito mal servidos, como em tudo o mais no país, para ser franca.
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Aniversário, 1915
Marc Chagall (Rússia, 1887– França1985)
óleo sobre papelão , 81 x 100 cm
MOMA, Nova York
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Foi com assombro que me lembrei hoje do livro de Erica Jong Fear of Flying [Medo de Voar — nos dias de hoje publicado no Brasil em formato bolso]. NPR [National Public Radio] nos Estados Unidos comemorou os quarenta anos da publicação desse livro que se tornou, quase imediatamente após sua publicação, um marco no movimento pela igualdade de direitos das mulheres. Minha leitura desse romance, onde a heroína se dá ao direito de querer e gostar de ter uma vida sexual ativa, foi um tempinho depois da publicação. Eu estava na faculdade, nos Estados Unidos, quando o li e mesmo assim foi um livro de grande impacto. Não era, nem pretendia ser, uma obra de grande valor literário. Mas foi marcante. Na época, eu morava em Baltimore e viajava todos os dias, ida e volta, de trem para College Park, mais ou menos uma hora de viagem entre as cidades, para estudar na Universidade de Maryland. Lembro-me de ler este livro nessas longas viagens de trem; e de que, encabulada com o realismo das cenas retratadas, encapei o volume com papel de presente, para não alardear o que eu lia. A mente era pudica, mesmo que eu já fosse casada. Na época eu era membro da NOW (National Organization for Women], totalmente engajada, defendendo, o que considerava ser uma das maiores injustiças no mundo, um dos direitos femininos mais básicos, ainda não completamente satisfeito: a igualdade de salários entre os que fazem o mesmo trabalho. Nunca voltei a ler Medo de voar. Já sugeri sua leitura a algumas amigas. Tenho certeza de que se o relesse hoje perderia sua mágica, porque para tudo há o momento certo e revisitar o passado em geral desaponta. Mas não podia deixar de marcar essa passagem assim como a própria NPR não pode deixar de fazê-lo. É o retrato de uma época, de uma preocupação. Um momento da história cultural.
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Blaise Vlaho Bukovac (Croácia, 1855-1922)
óleo sobre tela, 73 x 96 cm
Coleção Particular
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Bukovac nasceu Biagio Faggioni, na cidade de Cavtat ao sul de Dubrovnik na Dalmácia. Seu pai era um italiano de Gênova e sua mãe era de ascendência croata. Bukovac recebeu formação artística em Paris, para onde ele foi enviado pelo patrono (Knez) Medo Pucić . Seus pequenos estudos e esboços encantaram seu professor, Alexandre Cabanel e Bukovac se tornou um estudante na prestigiada École des Beaux-Arts. Bukovac morreu em Praga .
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Almada Negreiros (Portugal, 1893-1970)
Coleção Particular
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John Ruskin
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Livros para os militares americanos em serviço é um programa começado durante a Primeira Guerra Mundial para atender aos soldados que queriam ter alguma coisa para ler quando estivessem de folga. Foi aí que começou um programa de sucesso. A Associação Americana de Bibliotecárias começou então a entregar livros e revistas aos militares de prontidão, financiados pelas “ações [bônus] de guerra” que levantaram USD$ 5.000.000 – cinco milhões de dólares na época – através de doações da população em geral que foram convertidos na distribuição de mais de 7.000.000 – sete milhões – de livros e revistas, construindo 36 bibliotecas no front, e providenciando livros para mais de 500 locais, incluindo hospitais militares.
A bibliotecária geral da Marinha dos Estados Unidos, Nellie Moffit, gerencia o programa de bibliotecas para militares, em entrevista para o Serviço de Imprensa das Forças Armadas Americanas, lembrou que este ano eles já investiram USD $12.000.000 – doze milhões de dólares — em materiais para bibliotecas digitais. Isso significa que esses fundos, uma vez aplicados, fizeram investimento equivalente a USD$ 725.000.000 – setecentos e vinte cinco milhões de dólares — em materiais e serviços. O que, sem dúvida, é um grande retorno no investimento do governo.
A crise atual no governo certamente terá reflexos nas bibliotecas militares, e como todos no país eles também terão que lidar com eventuais cortes quer em horas, em pessoal ou em orçamento de materiais. Mas irão tentar minimizar o impacto, se possível, tentar manter os serviços de costume. As bibliotecas continuam sendo de importância central para o bom estado de espírito e bem estar no terreno de guerra.
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Fonte: Book Patrol
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O astrônomo, 1668
Johannes Vermeer (Holanda,1632-1675)
Óleo sobre tela, 50 x 45 cm
Museu do Louvre, Paris
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Jonathan Swift em 1726 publicou o livro Viagens de Gulliver, hoje considerado uma das obras precursoras da ficção científica. Nesse romance picaresco no capítulo III, intitulado Viagem a Laputa, astrônomos, personagens de Swift, descrevem duas luas em Marte, mencionando seu tamanho e órbita. A descrição foi bastante próxima da realidade encontrada 150 anos mais tarde, quando Asaph Hall em 1877 descobriu as luas Phobos e Deimos circulando em volta de Marte.
Mas Swifft não foi o único a escrever sobre as duas luas de Marte. Voltaire, 24 anos depois de Swift, em 1750, publicou o conto Micromégas, onde também descrevia essas duas luas de Marte. Teria ele sido influenciado por Swift? Teriam ambos tido uma ajuda externa? De algum visitante extra-terrestre?
Hoje há duas crateras em Deimos chamadas de Swift e Voltaire em homenagem a esses dois escritores.