Copacabana no início, por Pedro Nava

4 04 2015

ana vasco, copacabnaCopacabana, 1901

Anna Vasco (Brasil, 1881-1938)

óleo sobre tela

“Às vezes saímos para fazer visitas. Eu gostava das da zona sul e nascente Copacabana. O mar era entrevisto de longe, logo que se desembocava nos altos do Túnel Velho. Lá íamos visitar a grande amiga de tia Alice, solteirona e rica, que a todos impressionava pela dignidade de sua presença, pela miopia e pela peruca que usava aberta no meio da testa e esculpindo dois bandós simétricos de cabeleira de santo de pau. Sua vida era austera e piedosa: sempre condenava as fraquezas e escorregões da carne.  Assim atravessou mocidade, a segunda mocidade, ficou madura, mas ao galope dos quatro cavaleiros do apocalipse da menopausa — arranjou seu Landru. Não a matou — mas foi roendo aos poucos seus prédios, suas apólices, suas joias, suas ações, suas pratas, seus cristais, suas porcelanas e quando já não havia o que cardar, plantou a noiva de tantos anos. Morreu abandonada pelo moço (que ela achava a cara de George Walsh), curtida de paixão e marginalizada pela família. Sua pobreza tornava-a mais culpada aos olhos dos sobrinhos. Eu gostava de sua casa, de seu beijo estalado, do seu sempiterno bolo de aipim e do seu convite sugestão amplidão azul. Vamos menino! tire os sapatos e vá brincar na areia! Ia e pasmava. As  ondas vinham altas, empinadas, lisas, oscilantes, como que hesitantes, como se se fossem cristalizar naquele bisel ou coagular-se naquele dorso redondo da serpente marinha coleando do Leme à Igrejinha; paravam um instante de instante, suspensas um instante, decidiam de repente e deflagravam quebrando num estrondo barulhos luzes marulhos espumas — se procurando nos leques se sobreabrindo  sobre as areias. Era mais ou menos no Posto 5 e ainda havia conchas para apanhar, tatuís para desentocar no praiol deserto e impoluído. Ou simplesmente andar, sentindo nas solas nuas a frescura da praia molhada e seu derrobamento  sob os pés inseguros, ao retorno das águas. …”

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio: 1976, 2ª edição, p. 76





Imagem de leitura — Hans Olaf Heyerdhal

31 03 2015

At the Window. 1881 Hans Olaf Heyerdahl. Swedish, (1857-1913)À janela, 1881

Hans Olaf Heyerdhal (Noruega, 1857-1913)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm

Galeria Nacional, Oslo





Imagem de leitura — Albano Vitturi

23 03 2015

Albano Vitturi (Itália,) Album de guerra, 1922, ostÁlbum de guerra, 1922

Albano Vitturi (Itália, 1888-1968)

óleo sobre tela, 75 x 80 cm

Coleção Particular





Imagem de leitura — Ricardo Cejudo Nogales

20 03 2015

 

Ricardo Cejudo NogalesMoça lendo, s/d

Ricardo Cejudo Nogales (Espanha, 1952)

óleo sobre tela, 55 x 45 cm





Imagem de leitura — Zinaida Serebriakova

17 03 2015

 

 

Boris Serebriakov by Zinaida Serebriakova (1908)Boris Serebriakov, 1908

Zinaida Evgenievna Serebriakova (Rússia, 1884– 1967)

óleo sobre tela

 





Grandes começos, XII de XII, escolha de Ana Maria Machado

17 03 2015

Iakovos Rizos,Ιάκωβος Ρίζος-Κυρία στον καναπέSenhora deitada no sofá, c. 1885-1890

Iakovos Rizos (Grécia, 1849-1926)

óleo sobre tela, 43 x 60 cm

National Gallery, Atenas

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Foi no verão de 1998 que meu vizinho Coleman Silk — que, antes de se aposentar dois anos antes, tinha sido catedrático de literatura clássica no vizinho Athena College durante mais de vinte anos, além de acumular mais dezesseis como decano da universidade — me confidenciou que, aos 71 anos de idade, estava tendo um caso com uma faxineira que trabalhava na faculdade.”

 

Philip Roth, A nódoa humana

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.





Imagem de leitura — Alexander Utkin

17 03 2015

 

 

Alexander Utkin (Russia, contemporâneo) Pássaro em gaiola de ouro, ost, 61x51cm

Pássaro em gaiola de ouro

Alexander Utkin (Rússia, 1964)

óleo sobre tela, 61 x 51cm





Grandes começos, XI de XII, escolha de Ana Maria Machado

16 03 2015

 

 

Jean Francois Raffaelli (1850-1924) Lecture au Foret de Fontainebleau Oil on canvas,dated 1872 lower 40.5 x 30.5 cmLeitura na Floresta de Fontainebleau, 1872


(França, 1850-1924)

óleo sobre tela, 40 x 30 cm

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Ai, me dá vontade até de morrer. Veja a boquinha dela como está pedindo um beijo — beijo de virgem é mordida de bicho-cabeludo.  Você grita vinte e quatro horas e desmaia feliz.”

 

Dalton Trevisan, O vampiro de Curitiba

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.

 

 





Grandes começos, X de XII, escolha de Ana Maria Machado

15 03 2015

 

Occupations de journées maussades ... Frank O. SALISBURY (1874-1962), Tales of enchantment (1910)Ocupações para um dia de tédio, 1910

Frank O. Salisbury ( Grã-Bretanha, 1874-1962)

óleo sobre tela

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Foi um número errado que começou tudo, o telefone tocando três vezes, altas horas da noite, e a voz do outro lado chamando alguém que não morava ali.”

 

Paul Auster, Trilogia de Nova York

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.





Imagem de leitura — Mark Gingerish

14 03 2015

 

kelliereading, Kellie Reading · Mark Gingerich 24 x 20 in.Kellie lendo

Mark Gingerish (EUA, 1962)

óleo sobre tela, 50 x 60cm

www.markgingerish.com