Paul Gauguin (França, 1848-1903)
óleo sobre tela, 56 x 40 cm
Portland Museum of Art, Maine
Paul Gauguin (França, 1848-1903)
óleo sobre tela, 56 x 40 cm
Portland Museum of Art, Maine
Friedrich Adolf Hornemann (Alemanha, 1813-1890)
óleo sobre tela, 46 x 60 cm
Günter Grass
Jeanne [Cocotte] Pissarro lendo, 1899
Camille Pissarro (França, 1830-1903)
óleo sobre tela
Coleção Ann e Gordon Getty
Autoria disputada. Charpentier? Thomas J. Richter ?
óleo sobre tela.
Hoje o grupo de leitura Papa-livros completa 12 anos de atividades ininterruptas. Foram 144 livros lidos. Uma grosa. Não é um pequeno sucesso. Num país em que poucos têm o hábito da leitura essa é uma etapa a ser comemorada. Das 20 pessoas ativas 4 estão nele desde o primeiro ano, 3 são “fundadoras” (pertencem desde de o primeiro encontro) e a quarta, a partir do segundo encontro. Mas temos algumas com 11 e 10 anos de grupo, 8 e assim por diante.
O grupo de leitura já passou por muitas transformações. Começou na casa de uma de nós. Hoje se encontra em lugar público. Já fomos um grupo misto, hoje somos só mulheres. Decidimos que preferimos assim. Já tivemos falecimento, divórcio, reconciliação, viuvez, netos, casamentos de filhos, divórcio de filhos, e tudo mais que aparece na vida normal de pessoas normais. No momento, temos um filhote, bebê de menos de 1 ano, Pedro, nosso talismã. Gostamos de festas. Fazemos duas por ano. Hoje e no Natal. O grupo inclui pessoas dos 32 aos 86 anos. Somos católicos, judeus, budistas, ateus e tudo combinado… O que nos une é a vontade de ler. Depois, gostamos das discussões sobre o que lemos. E aos poucos as amizades se estreitam. Mas pense bem, quantos amigos, que não trabalham com você, você vê durante o ano, pelo menos 12 vezes? Garanto que não são muitos. Amizades não aparecem automaticamente, principalmente depois que somos adultos. No nosso caso, amizades vêm com os encontros mensais e encontros que cada um tem com membros do grupo, à parte, durante o mês. Com telefonemas. Com uma foto mandada por email; uma mensagem por celular. Encontros fora do grupo são incentivados, pois só assim as amizades conseguem florescer; se solidificam.
Incentivo todos que gostam de ler a participarem ou a formarem um grupo de leitura. Garanto que isso dará uma repaginada na sua vida. É impressionante a pluralidade de reações a um livro, a uma obra, a um enredo. De repente vemos aquilo que lemos de uma forma diferente… Temos tido muito mais pedidos para entrada no grupo do que é possível atender. O ideal são 12 pessoas. Já havíamos aumentado para 15, por concessões a membros. E recentemente, desde novembro do ano passado, passamos a ser 20, quando adotamos os membros órfãos do grupo de leitura Entrelinhas, nascido com a nossa bênção e que se desfez. Ganhamos nós, porque tivemos uma renovada total, não só nas discussões como nas propostas de leitura. Desde o início nos comprometemos a não ler os clássicos tradicionais. Procuramos os livros que acabaram de ser lançados, ou algum que tenha impressionado alguém. Nossas discussões são informais, às vezes pendem para o lado pessoal, às vezes para a análise mais formal. Com frequência falamos de história, de política, de problemas sociais. Muitas vezes de experiências que vivemos. Cada livro traz consigo uma variedade enorme de assuntos que podem ou não ser abordados. Só depende da vontade do grupo. Temos as profissões mais variadas: psicólogos e psicanalista, advogadas, escritora, arquiteta, artista plástica, ambientalista, relações internacionais, tradutora/intérprete, engenheira, mães de família, professoras de ioga, língua estrangeira e outras.
Quando fizermos quinze anos faremos uma grande festa, reunindo todos os membros presentes e passados. Pensando longe? Acho que não. Quando já se leu 144 livros, o que são 36 mais? Nada… uma brisa…
Quero expressar publicamente o meu apreço a todas que contribuíram para mais um ano de atividades e sucesso. Sem a contribuição de cada uma não teríamos sucesso. Em ordem alfabética: Albertina, Ana Maria, Andréa, Chaia, Camille, Cibele, Elizabeth, Fabiana, Gisela, Inez, Léa, Luba, Lucia L., Lúcia S., Magali, Maria Eugênia, Melissa, Mônica, Rosi e Vera. Que venham mais 12 anos. E muitos outros mais. Foi a dedicação de vocês, o comprometimento, a habilidade de se desvencilhar de obrigações uma vez por mês, a boa vontade de muitas vezes ler aquele livro que não agrada, a aceitação de que nem sempre as discussões são interessantes mas continuar para ver no que dá, a aceitação de opiniões contrárias ao que se pensa, e o respeito às decisões sempre democráticas. Por tudo isso, pelo calor humano, pela simpatia com o outro, pelo bom humor, pelo dar-se e receber, por tudo que temos feito juntas, o meu profundo agradecimento. São vocês que fazem o grupo. Eu, só organizo. Aproveito para agradecer também ao nosso garçom favorito, Sr. Deusdeth, por sempre nos dar atenção tomando nota dos detalhes de cada pedido de exceção: “sem alface”, “com queijo”, “sem amendoim”, “posso substituir…”, etc. Não é fácil com 20 mulheres. Enfim estou grata a todos. Pronta, para mais doze aventuras por ano!
Interior com a filha do pintor (Angelica),c .1935-36
Duncan Grant (Grã Bretanha, 1885-1978)
Óleo sobre tela
Coleção de Dick Chapman e Ben Duncan
Daniel Alejandro Rojas Espinoza (Chile, 1973)
Blaise Vlaho Bukova (Croácia, 1855-1922)
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Recentemente a revista The Economist publicou um artigo sobre a necessidade dos escritores atuais voltarem a atenção para o lado comercial da profissão. Não necessariamente para a escrita comercial, mas para a contabilidade, para os números. Isso se faz necessário porque as editoras estão competindo por leitores e querem ver seus livros resenhados, blogados, comentados nas mídias sociais. Com um menor número de livrarias independentes não há mais atenção dada ao público mais exigente, aquele que se encantaria com uma obra de um tema menos popular. No momento, as editoras só se preocupam em favorecer alguns poucos títulos, para os quais sabem que terão leitores, cujo investimento para o marketing trará retorno garantido. Desse modo não gastam tempo nem dinheiro impulsionando escritores ainda desconhecidos ou livros com temas menos populares. A atenção das editoras se concentra nos títulos que têm maiores chances de venda. Desejam aqueles livros que criam seguidores, marcando lugar nos jornais, criando filas nas livrarias, às três da manhã para a primeira compra de um novo título. Os escritores que se cuidem. A indústria editorial anda muito bem obrigada. Em 2013, as publicações quintuplicaram, isso mesmo, cresceram cinco vezes quando comparadas com os números de dez anos atrás.
Hoje escritores precisam estar atentos aos diversos níveis de marketing começando pelos contatos com pessoas que podem influenciar nas vendas. Já se foi a era dos críticos literários, dos jornais especializados. Tudo hoje é marketing. Tornou-se importante o endosso de celebridades, de pessoas famosas. E se as vendas são muito boas, os próprios escritores se tornam celebridades. Nesse caso o problema é que eles podem ser pessoas introvertidas, dadas à reflexão e quase nunca à arte de vender. Muitos autores se sentem incomodados com técnicas de venda sugeridas por especialistas em marketing ou com a aproximação invasiva de um público curioso pelo que escritores consideram desimportante. Mas, como lembra a revista, nenhum escritor pode, como em priscas eras, se esquivar de fazer a sua parte na promoção do livro que lhe custou tanto tempo de dedicação.
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Guillaume le Baub (França, 1958)
técnica mista
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Isso não resolve, no entanto, um dos grandes problemas dos autores: pouquíssimos conseguem viver exclusivamente da venda de seus livros. Mesmo aqueles que têm mais de um título vendendo bem não conseguem viver exclusivamente da escrita. Eles então suplementam sua subsistência dando palestras, fazendo consultoria ou ensinando. Seus honorários crescem de acordo com o sucesso de vendas. Hoje eles precisam de se envolver na campanha de marketing, precisam de uma página na web, nas redes sociais, canal no Youtube, pequenas histórias para download gratuito, como bônus para quem os segue e assim por diante. O emprego de um especialista em marketing não é raro e vale a pena saber que tópicos estão em pauta para o próximo livro.
Mas nada disso, absolutamente nada disso, funcionará a favor do autor se o livro publicado não tiver um mínimo de bom conteúdo, se não for bem escrito, sem erros gramaticais. A arte de escrever bem ainda é necessária. O que mudou é que o escritor precisa se dedicar à comercialização de seus livros, promovê-lo, escrever um blog, ter um website, encantar auditórios, dominar as redes sociais, polir sua imagem nas mesmas, agradar a gregos e troianos, ter senso de humor, ter assunto, estar do lado certo nas agendas político-sociais, alavancar vendas, favorecer encontros, suscitar interesse na sua pessoa ou nos seus livros, entusiasmar fãs, incrementar o guarda-roupa, sair bem na foto. É fácil! Ainda sonha em ser escritor?
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Artigo mencionado: Authorpreneurship
Steve Henderson (EUA, 1957)
óleo sobre tela, 96 x 121 cm