Curiosidade literária

9 07 2025

O papagaio verde, 1886

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 48 x 43 cm

Colação Particular

 

 

Gustave Flaubert (França, 1827-1880), autor da famosa obra Madame Bovary, tinha o hábito de ler em voz alta seus textos para seu papagaio. Ele achava que este era o melhor meio de se assegurar de um bom ritmo e da musicalidade de sua prosa. 





Palavras para lembrar: Stephen King

19 06 2025

À beira-mar, 1945

Milton Avery (EUA,1885-1965)

óleo sobre tela,  28 x 36 cm

Hunter Museum of American Art, Chattanooga, TN

 

 

“Livros são uma mágica portátil sem igual.”

 

Stephen King





Palavras para lembrar: C. S. Lewis

14 06 2025

Bailarina com tutu, lendo

Louise Amélie Landré (França, 1852- 1934)

óleo sobre tela, 37 X 53 cm

 

 

“Você nunca conseguirá me dar uma xícara de chá grande bastante ou um livro longo suficiente para me agradar.”

 

C. S. Lewis

 





Resenha: “A contagem dos sonhos”, Chimamanda Ngozi Adichie

11 06 2025
ilustração por IA.

 

 

Este é o quarto livro de Chimamanda Ngozi Adichie que leio.  Como outros leitores que gostam de sua escrita esperei dez anos para essa nova produção.  Finalmente A contagem dos sonhos veio, trabalho pós pandemia, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Júlia Romeu.  É óbvio que não há falta de assunto para a autora, nunca houve, por tudo que já li dela, Chimamanda continua loquaz na sua escrita. 

A sensação que tive é que após alguns anos sem publicar, a autora tinha muito, muito mesmo, a dizer sobre mulheres e seus sonhos.  O livro é extenso.  Sinto que poderia ser dividido em dois excelentes romances com diferentes diretrizes.  Isso porque ele relata desejos, sonhos e o cotidiano de quatro mulheres que lutam para se realizar economicamente, profissionalmente, além de preencherem seus destinos de esposas, amantes, mães e filhas.  Não é um conjunto fácil de tarefas a concretizar.  Essa luta, a persistência na busca, a procura do preenchimento do sonho é a coluna dorsal da obra. Ela trata das expectativas frustradas, dos obstáculos do dia a dia, e mostra a quase impossível ideia de casar sonho com realidade.  

 

 

Não falta vontade, perseverança, educação ou dinheiro a três dessas mulheres: Chiamaka, Zicora e Omelogor, as três nigerianas.  O caso de Kadiatou já é diferente desde de seu nascimento.  Outra obra deveria ser escrita para ela. Originária da Guiné ela se faz adulta dentro  dos ditames  da educação muçulmana.  Traz consigo os limites de seu papel social que diferem daqueles das outras três personagens, quando emigra, acaba sofrendo consequências traumáticas pelas quais não é responsável. 

As quatro mulheres são apresentadas em sequência, e têm suas vidas levemente entrelaçadas. Chiamaka abre a narrativa. Ela é escritora-jornalista especializada em escrever colunas para revistas de viagem, vem de família rica, emigra para os EUA, não tem problemas financeiros e é apoiada pelos pais, mas não consegue encontrar um parceiro de vida adequado.  Zikora, a segunda que conhecemos, é amiga de Chiamaka e pode até ter sido apresentada ao leitor anteriormente, já que sua história apareceu como um conto independente, em 2020, Zikora, pela Amazon Original Stories.  Lá, é personagem principal.  Aqui, a mesma história: advogada de sucesso em Washington DC, que se vê igualmente lograda na escolha de um companheiro de vida. Quando engravida é deixada de lado pelo homem que ama. Foi durante o parto e nos dias subsequentes que conseguiu perceber as dificuldades que sua mãe teve, e consegue reconciliar seu desejo com o que sua mãe imagina para ela e o neto. Omelogor, é prima de Chiamaka, mas as duas não poderiam ser mais diferentes. Ela também se muda para os Estados Unidos para estudar. Tem muito sucesso no campo das finanças.  Mostra também seu lado de defensora das mulheres quando dá conselhos para homens, incentivando-os a agir de maneira mais ‘civilizada’ em seu blog.  Entra em controvérsias, mas é autêntica.  Das três nigerianas, ela é a personagem mais  tridimensional, suas faltas, pecados, erros de julgamento a fazem uma pessoa completa.  Talvez seja a mais interessante das nigerianas.

 

Chimamanda Ngozi Adichie

Finalmente, na sequência, temos a história de Kadiatou, comovente, triste, de grande poder dramático.  Sua relação com as outras mulheres retratadas é que ela foi empregada de Chiamaka, e vai para os EUA, asilada, procurando uma vida melhor para sua filha.  Essa história, completamente diferente das outras, até mesmo no tom, lembra um caso real que chegou às manchetes dos jornais por volta de 2011, quando de uma camareira de hotel foi abusada por um homem de negócios de alto nível, em Nova York. Para mim, essa história deveria ser um livro à parte.  Principalmente porque na seção final quando voltamos a saber de Chiamaka — cujo relato fecha o livro — percebemos ainda com maior precisão a diferença de tom usado nas três primeiras narrativas, e a dela.  E também os problemas que afetam Kadiatou serem de muito maior grandeza do que os enfrentados pelas outras.

O que as une é a constante procura do amor e da felicidade. Todas acabam frustradas pelos homens que escolhem, pelas escolhas que fazem ou pelas pressões sociais.  Com esse perfil fica óbvio que Chimamanda Ngozi Adichie continua dando voz às frustrações das mulheres que lutam contra o machismo, o racismo e desigualdades sociais. Tudo dentro do tradicional perfil de suas obras, que conquistaram, a cada publicação, milhares de leitores devotos. Mas neste livro acredito que ela poderia ter sido mais sucinta.  O livro é longo. E se arrasta em algumas passagens.  Para mim, sua melhor obra até hoje, mais redonda, mais completa, é Meio Sol Amarelo, narrativa de grande impacto.  Se você nunca leu Chimamanda Ngozi Adichie, recomendo que comece com Hibisco Roxo, o mais leve e mais direto de seus romances. Mas recomendo A contagem dos sonhos com as restrições mencionadas acima.

De cinco estrelas, no máximo eu lhe daria entre três e quatro.  Mas não há meios pontos nesse jogo.  Fico com quatro, em admiração por todo trabalho dessa escritora. 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





A lista de leitura de Elena Ferrante

26 05 2025
Ilustração John Crandall (?)

 

 

Em 2020,  a Wikipedia me diz, a escritora italiana Elena Ferrante, que se tornou muito popular na década passada com a quadrilogia napolitana, publicou uma lista de 40 romances escritos por mulheres que ela recomendaria.

Há muito passei da fase de ler um livro pelo sexo de autor.  Mas confesso que na década de oitenta do século passado, passei alguns anos, talvez uns cinco anos lendo exclusivamente mulheres, fora os livros que eu lia para as resenhas publicadas no jornal da cidade onde morei nos Estados Unidos.

Sei que cometo uma gafe, para os tempos modernos, ao dizer que há uma diferença na escrita de homens e mulheres. Essa afirmação não é bem vista em muitos círculos.  Mas não é o caso aqui de abrir esse assunto.  O que quero comentar aqui?  A lista de Elena Ferrante.  Já li alguns dos quarenta livros, e li algumas das autoras, mas outros livros.  Não seria a minha lista de autoras favoritas, mas é uma lista.  Como todas as listas, tem alguns vieses fortes, mesmo dentro da seleção de autores mulheres.

 

 

Dessa lista li e recomendo

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie. Não é meu livro favorito dela. Meio sol amarelo é a minha preferência das quatro obras que li da autora. Mas é o mais querido do público.

O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion

O Amante, de Marguerite Duras

Os Anos, de Annie Ernaux

Amada, de Toni Morrison

O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy

 A Porta, de Magda Szabò

Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar

Um homem bom é difícil de encontrar e outras histórias de Flannery O’Connor, que na lista aparece em inglês, mas está traduzido no Brasil.

Li algumas das autoras, que recomendo, mas li outros livros: Margaret Atwood, Rachel Cusk, Nathalia Ginzburg, Doris Lessing, Iris Murdock, Edna O’Brien.

Alguns livros tenho em casa. Mas eles me intimidam por seus tamanhos generosos: Uma vida pequena e O intérprete de males. Confesso que olho para eles e me pergunto: vou querer mesmo a companhia desse livro pelas próximas quatro, cinco semanas? Olho para as capas, elas não me seduzem. Os pobres volumes voltam para as prateleiras.

Há outras autoras na lista de que não gosto. Em outra ocasião explico porque. Escolham um, pelo menos, da lista como projeto de leitura para 2025. Ainda sobram sete meses neste ano!

 





Palavras para lembrar: Eugène Delacroix

25 05 2025

Verde

Albert Ramos Cortés (Espanha, contemporâneo)

óleo sobre tela, 51 x 41 cm

 
“O mais atraente triunfo do escritor é fazer pensar aqueles que podem pensar.”

Eugène Delacroix

 

 

 





Dia a dia…

19 05 2025

ONTEM

Discussão do livro A CARTEIRA. Livro de maio de 2025.
Muitas gostaram, algumas acharam mais ou menos, uma se decepcionou e eu realmente não gostei. Mas quem gostou…gostou muito. 😊





Leitura é mágica!

13 05 2025
Ilustração de Igor Morski





Trova do beijo

30 04 2025
Beijo, ilustração Lynn Buckham (EUA, 1918-1982, década de 50.

 

Um filósofo de peso

é desta sentença o autor:

o beijo é fósforo aceso

na palha seca do amor.

 

(Bastos Tigre, 1882-1957)





Paul Auster: livros

28 04 2025

Dia de leitura, 2008

Linda Apple (EUA, 1946)

óleo sobre tela, 15 x 15 cm

 

 

“É por isso que os livros não vão desaparecer. É impossível.  É o único momento em que entramos verdadeiramente na mente de um estranho, e  fazendo isso encontramos o que há de comum na nossa humanidade. Então, o livro não pertence só ao escritor, pertence ao leitor também, e juntos fazemos o que ele é.”

 

Paul Auster

 

Tradução livre: Ladyce West

 

— * — * — *

“And that’s why books are never going to die. It’s impossible. It’s the only time we really go into the mind of a stranger, and we find our common humanity doing this. So the book doesn’t only belong to the writer, it belongs to the reader as well, and then together you make it what it is.”