Lendo: “Jesus Cristo bebia cerveja”, de Afonso Cruz

20 06 2018

 

 

DSC03854aJESUS CRISTO BEBIA CERVEJA

Afonso Cruz

Alfaguara: 2014, 248 páginas

 

SINOPSE

“Um verdadeiro escritor, tão original quanto profundo, cujos livros maravilham o leitor, forçando-o a desencaminhar-se das certezas correntes e a abrir-se a novas realidades.” – Miguel Real, Jornal de Letras

Filha de um camponês e de uma mulher vinda da cidade, Rosa passou toda a vida no interior de Portugal. Após a morte dos pais, ela fica responsável por cuidar da avó, Antónia, uma senhora idosa que já não escuta bem e precisa de assistência frequente.

Rosa é uma garota linda, e acima de tudo determinada. O último desejo da avó é conhecer Jerusalém. Pois bem; empenhada em realizar este último pedido, e sabendo que a avó não pode mais viajar, a jovem decide levar a Terra Santa até ela; ou melhor, a transformar uma pequena aldeia numa Jerusalém cênica. Mas Rosa não sabe que essa operação irá colocar outras peças em movimento, que mudarão sua própria vida.

Afonso Cruz é um dos autores mais brilhantes da nova geração de escritores portugueses. Com um estilo envolvente, em Jesus Cristo bebia cerveja, o autor fala de acontecimentos que transformam o ser humano, num livro sobre amor, desejo e sacrifício.





Lendo: “Estamos todos completamente transtornados”, Karen Joy Fowler

7 06 2018

 

 

 

DSC03840Estamos todos completamente transtornados

Karen Joy Fowler

Rio de Janeiro, Rocco: 2018, 336 páginas

 

SINOPSE

Rosemary Cooke já teve uma irmã, repentinamente tirada do convívio familiar, e já sofreu o bastante por conta disso. Aos 22 anos, ela acaba de entrar para a Universidade da Califórnia e decide acertar as contas com a sua infância. Autora do bestseller O clube de leitura de Jane Austen, que virou filme e foi publicado no Brasil pela Rocco em 2017, Karen Joy Fowler ganhou o PEN/Faulkner Award e foi finalista do Man Booker Prize com o delicado e perturbador Estamos todos completamente transtornados, em que conta a história de um casal de cientistas que leva às últimas consequências seus experimentos com chimpanzés, na década de 1970. Narrado em flashback pela filha caçula dos Cooke, Rose, o romance, que também figurou na prestigiada lista anual de livros notáveis do jornal The New York Times e recebeu resenhas elogiosas dos principais veículos internacionais, escancara as fragilidades do comportamento humano e das relações familiares, com doses iguais de humor e amargura.





Lendo: “A casa do califa: um ano em Casablanca” de Tahir Shah

27 05 2018

 

 

 

DSC03834A CASA DO CALIFA: um ano em Casablanca

Tahir Shah

Tradução: Pedro Ribeiro

Rio de Janeiro, Roça Nova: 2008, 351 páginas

 

SINOPSE:

O livro descreve, com o mais refinado humor, o ano em que a família do autor se dedica a restaurar a Casa do Califa, uma mansão em ruínas em frente ao mar de Casablanca.
Mergulham então nos costumes locais, enfrentando todo o tipo de situação.

 

 





Lendo: “A inesperada herança do inspetor Chopra” , Vaseem Khan

19 05 2018

 

 

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Lendo:

A inesperada herança do Inspetor Chopra
Vaseem Khan
São Paulo, Editora Morro Branco: 2017, 312 páginas

SINOPSE
No dia de sua aposentadoria, o inspetor Chopra herda dois inesperados mistérios. O primeiro é o afogamento de um jovem pobre, cuja suspeita morte ninguém quer investigar. O segundo é um bebê elefante.

Enquanto sua busca por pistas o leva através da movimentada cidade de Mumbai – das ricas mansões ao submundo sombrio das favelas – Chopra começa a suspeitar que há bem mai por trás dos dois mistérios do que ele pensava. E rapidamente descobre que um determinado elefante pode ser exatamente o que um homem honesto precisa…

“Uma atmosfera colorida e vibrante transborda para fora de cada página nesta divertida e curiosa história” – Daily Express

“Mumbai, assassinatos e um bebê elefante combinados em um espirituoso mistério” – Books Monthly





Ética e estética, por Arnon Grunberg

16 05 2018

 

 

Paul Wonner The Newspaper 1960 painting oil on canvas, 120x 138O jornal, 1960

Paul Wonner (EUA, 1920 – 2008)

óleo sobre tela,  120 x 138 cm

 

 

“Não há ética sem estética. Quem negligencia a estética mais cedo ou mais tarde também pode enterrar a ética.”

 

Em: O homem sem doença, Arnon Grunberg, Rio de Janeiro, Rádio Londres: 2016, p. 53





Entre História e Romance, texto de Bernhard Schlink

11 05 2018

 

 

 

Allan Österlind. (1855 - 1938)The women at the windows,Duas mulheres à janela

Allan Osterlind (Suécia, 1855 – 1938)

óleo sobre tela

 

 

 

“Não leio romances, apenas livros de história. O que aconteceu de verdade é diferente daquilo que as pessoas imaginam. Quando nos informamos sobre a história, aprendemos sobre a realidade, não fantasias engenhosas, com frequência, tolas.  E quem acha que romances são mais coloridos que a história não usa sua fantasia imaginando como foram, por exemplo, César que amava Brutus como a um filho e foi apunhalado por ele; ou os astecas, que foram dizimados pelas doenças dos brancos antes mesmo de lutarem contra eles; as mulheres e crianças que foram pisoteadas na neve ou empurradas nas águas geladas, atravessando o rio Beresina, seguindo o exército de Napoleão. Tragédias e comédias, sorte e azar, amor e ódio, alegria e sofrimento — a história oferece tudo isso. Romances não conseguem nos oferecer nada mais.”

 

 

Em: A mulher na escada, Bernhard Schlink, tradução de Lya Luft, Rio de Janeiro, Record: 2018, pg 36.





Lendo: “Um cavalheiro em Moscou”, Amor Towles

6 05 2018

 

 

DSC03828.JPGUM CAVALHEIRO EM MOSCOU

Amor Towles

Intrínseca: 2018, 464 páginas

 

SINOPSE

Nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa, Aleksandr Ilitch Rostov, “O Conde”, é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial. Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor. Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.





Lendo ficção, por Charles Van Doren

28 04 2018

 

 

David Brooke, (Inglaterra) Written-Word-made-Flesh_sA palavra escrita incorporada

David Brooke (GB, contemporâneo)

 

 

“Apaixonar-se pela heroína é somente uma das formas pelas quais o leitor pode, e deve, participar do livro que está lendo. Romance, conto, ou poema, por exemplo, um leitor pode , e deve, compartilhar os triunfos e os sucessos dos personagens. Em Tom Jones, por exemplo, não somente me apaixonei por Sophia Western, sua amada, mas também compartilhei as angústias de Tom e seus sucessos na conquista final, inclusive Sophia, devo dizer. No caso de Orgulho e Preconceito fico muito feliz que Elisabeth e Darcy fiquem juntos no final, compartilhei a felicidade deles. Eu posso compartilhar o prazer da vitória da justiça num romance,na realidade, um romance só é bom quando a justiça é feita corretamente. Uma das grandes coisas relativas à Odisseia, que por sinal é o primeiro exemplo de western, é que no final, os caras bons conseguem o que merecem, assim como os maus recebem seu castigo.”

 

 

Em: A arte da leitura, Mortimer J. Adler e Charles Van Doren, É Realizações Editora: 2017, página 74.





Imagem de leitura — Richard van Mensvoort

9 04 2018

 

Richard van Mensvoort, (Holanda, 1972) Summer 2, Olieverf op doek, 50x40 cmVerão 2

Richard van Mensvoort, (Holanda, 1972)

óleo sobre tela, 50×40 cm





“A Inglaterra dos imigrantes”, texto de Hanif Kureishi

9 04 2018

 

 

767px-The_Secret_of_England's_Greatness'_(Queen_Victoria_presenting_a_Bible_in_the_Audience_Chamber_at_Windsor)_by_Thomas_Jones_BarkerO segredo da grandeza da Inglaterra, 1863

[Rainha Vitória presenteando uma Bíblia na Câmara de Audiência, no Castelo Windsor]

Thomas Jones Barker (GB, ? — 1882)

óleo sobre tela

National Portrait Gallery, Londres

 

 

 

“Por fim, Mamoon abriu os olhos para dizer: “Vivemos num país que só tem passado e nenhum futuro. SE sou conservador é porque desejo conservar o que considero o caráter desse passado, da Inglaterra, e do povo inglês. Sou imigrante, mas a Inglaterra é meu lar. Passei mais tempo neste deserto de macacos, nesta democracia de asnos, do que em qualquer outro lugar. Também tenho acompanhado sua comédia e sua tragédia com muito interesse. Quando eu era criança a Grã-Bretanha era o país mais poderoso do planeta, seus representantes eram temidos e admirados. Adoro o ceticismo que ele desenvolveu nos anos 60, a maneira como as figuras políticas, longe de serem idealizadas, como são muitas vezes em outros países, são avacalhadas e ridicularizadas sem medo.

“Porem agora, ao que parece, nós, escritores e artistas não temos permissão para ofender. Não devemos questionar, criticar ou insultar os outros, com medo de sermos perseguidos e assassinados. Hoje em dia, um escritor sem guarda-costas dificilmente pode ser considerado um escritor sério. Uma resenha ruim é o menor de nossos problemas. Qualquer idiota que acredite em qualquer insanidade deve ser tratado com complacência, porque é seu direito humano. O direito de falar é sempre usurpado, sempre condicional. Temo que o jogo esteja quase encerrado para a verdade. As pessoas não a desejam; não as ajuda a ficarem ricas.”

 

 

Em: A última palavra, Hanif Kureishi, São Paulo, Cia das Letras:2016, p. 117