Leitura é mágica…

11 05 2023
Ilustração de Andrew Degraff




Imagem de leitura — Oscar Pereira da Silva

20 04 2023

Senhora lendo “O Paiz”,1885

Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867-1939)

óleo sobre tela, 31 x 25 cm.





Curiosidade literária

27 03 2023

.

A escritora inglesa Enid Blyton (1897-1968), falecida há mais de cinquenta anos, continua conhecidíssima no mundo inteiro por suas obras para crianças e adolescentes. Seus livros, continuamente reimpressos, são lembrados por adultos até hoje. Lembranças das aventuras das gêmeas no colégio Santa Clara, o grupo dos cinco detetives, a sociedade secreta dos sete amigos, todos são personagens queridos e firmemente enraizados na memória de milhares de adultos. Enquanto para as gerações mais recentes, Enid Blyton seria conhecida pelas séries televisivas dos anos 90 ao início do século XXI de Nodi [Noddy], o menino de madeira que vivia numa casinha em Toyland. Sua proeminência no mundo infanto-juvenil não é exagero: seus livros estão entre os mais vendidos do mundo, mais de 600 milhões de cópias desde a década de 1930. A escritora conta com oitocentas obras. Por causa disso foi acusada de usar escritores profissionais para produzir tanto. Negou veementemente e nunca foi confirmado o uso de ghost-writers.

É surpreendente, portanto, descobrir que a autora não gostava de crianças. Era conhecida pelos gritos constantes com os filhos reclamando do barulho que faziam. Vizinhos relataram a preferência da escritora por uma das filhas, favorecendo-a sempre que possível. Imogen, outra filha, relata em suas memórias que ela e a irmã eram levadas e obrigadas a permanecer em um aposento da casa, com a porta aberta, de tal maneira que pudessem ver a mãe e seus convidados, crianças, fãs e leitoras, recepcionadas pela escritora.





Uma festa de 15 anos…

17 03 2023
Mulherizinhas, ilustração de Becca Stadtlander.
Faço parte de um grupo virtual de leitores. Chamado Livro Errante, originário do Orkut, esse grupo, que no momento é fechado, comemora 15 anos de existência. Trocamos livros através do Brasil, cobrimos todo o território nacional. E aos poucos, à medida que íamos nos conhecendo, hoje somos muito amigos, nossos projetos se multiplicaram. Não só “esquecemos” livros em lugares públicos, mas sempre sob liderança de Regina Porto Valença, nos aventuramos a projetos maiores.
 
Hoje comemoramos a data construindo o acervo de uma biblioteca em Pernambuco. Cada um dos membros do grupo, voluntariamente, está contribuindo com 15 livros NOVOS, para crianças, adolescentes e jovens adultos. As entregas começaram hoje e cada um de nós se sente muito feliz com a perspectiva.
 
Em 15 anos CONSTRUÍMOS o acervo de TRÊS Bibliotecas carentes. É um prazer inigualável. É um prazer saber que podemos fazer diferença.
 
Comemorem comigo, a iniciativa de Regina Porto Valença, e façam um projeto de ajuda a bibliotecas carentes.
 




Peregrina elege as melhores leituras de 2022

31 12 2022

Este ano não li tanto quanto no passado.  Foi um ano muito difícil para mim, exaustivo física e emocionalmente.  Assim mesmo, com  muitas horas agonizantes, ao fazer esta lista, vi que dei conta de mais leituras do que imaginei.  Foram lidos quarenta livros e quatro livros abandonados  Reli alguns porque foram escolhas de grupos de leitura.  Mas não contei entre estes quarenta.

 

O último duelo, Eric Jager

A filha do fazedor de reis, Philippa Gregory

Berta Isla, Javíer Marías

Gente ansiosa, Fredrik Backman

Vozes de Batalha, Marina Colasanti

O pianista da estação, Jean-Baptiste Andrea

A boa sorte, Rosa Montero

O lugar, Annie Erneaux

Diário de um velho louco, Jun’ichiro Tanizaki

A biblioteca da meia-noite, Matt Haig

Gente ansiosa, Fredrik Backman

A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero

Dôra Doralina, Rachel de Queiroz

Oscarina, Marques Rebelo

Talvez você deva falar com alguém, Lori Gottlieb

A noiva ladra, Margaret Atwood

Eliete: a vida normal, Dulce Maria Cardoso

Tudo é rio, Carla  Madeira

Sobre os ossos dos mortos, Olga Tokarczuk

Antes que o café esfrie, Toshikazu Kawaguchi

Herança, Miguel Bonnefoy

A última livraria de Londres, Madeline Martin

Oito assassinatos perfeitos, Peter Swanson

A casa de doces, Jennifer Egan

Os anos, Annie Ernaux

Persépolis, Marjane Satrapi

Ninféias negras, Michel Bussi

A ordem do dia, ÉricVuillard

Sete anos bons, Etgar Keret

Cães negros, Ian McEwan

Primeiros contos de Truman Capote, Truman Capote

Querida Kombini, Sayaka Murata

A Writer’s Notebook, Somerset Maugham

A lição de anatomia, Nina Siegel

Golden Ladies Age, Sylvia Barbara Soberton

A velha senhora, Simenon

Widow to widow, Genevive Davis Ginsburg

A palavra pintada, Tom Wolfe

Sobretudo de Proust, Lorenza Foschini

Confissões de um jovem romancista, Umberto Eco

 

ABANDONEI

Um milhão de pequenas coisas, Jodi Picoult  – não era meu momento para tanta violência emocional

A lista de Brett, Lori Nelson Spielman — trama romântica juvenil de má qualidade

Uma rosa só, Muriel Barbery — esta não  é a Muriel Barbery de A elegância do ouriço.  Entediante.

Amêndoa, Nedjema, ridícula tentativa de sensualidade

Ainda devo algumas resenhas.  Todas começadas assim que terminei a leitura, mas nenhuma acabada.  Ficará para este ano que entra, contanto que meu mundo se estabilize.

Foram oito os livros selecionados como os melhores de 2022.  Nada mal.  20% de  toda leitura. Foi difícil colocar alguma ordem entre eles.  São  diferentes, oferecem variadas aventuras e enfoques.  Mas escolhendo os três melhores.  Os outros cinco ficam todos no mesmo escalão: 4º lugar.

 

1º lugar

SINOPSE

Do consagrado autor de Coração tão branco e Os enamoramentos. É possível dizer que conhecemos uma pessoa, mesmo tão próxima, quando boa parte do que ela diz e faz permanece nas sombras?

Berta Isla e Tom Nevinson não passavam de adolescentes quando se conheceram e se apaixonaram. Em 1974, poucos anos depois das primeiras trocas de olhares no colégio madrilenho, já eram marido e mulher. Berta não sabia, mas Tom – filho de pai inglês e mãe espanhola, fluente em várias línguas e capaz de imitar sotaques e dicções com perfeição – fora recrutado para o serviço secreto britânico pouco antes do casamento. Tom engana Berta como pode, até que um incidente horripilante o obriga a revelar a atividade a que dedica boa parte dos dias. A regra, acatada por ela ao descobrir que o marido é um espião, e que deve valer por toda uma vida, é não fazer perguntas. Berta concorda, assim, em ignorar metade da existência de Tom, o que inclui a natureza de seus atos e os lugares por onde ele andou. Vivemos no escuro, diz ela, e mal conhecemos a pessoa com quem estamos casados. O quanto ainda há em Tom daquele adolescente que Berta conheceu e por quem se apaixonou?

Javier Marías retorna, aqui, ao tema da espionagem, eixo da monumental trilogia Seu rosto amanhã. Com a prosa elegante de sempre, disseca não apenas os perigos e dilemas morais de se levar uma vida dupla, mas as marcas que as zonas de sombra podem deixar no afeto e na intimidade.

“Haverá melhor romancista vivo que Javier Marías?”
The Independent

2º lugar

SINOPSE

O lado mais sombrio da humanidade, o trauma do passado, uma história de amor. Com sua prosa única, McEwan está em seu melhor em Cães negros.

June e Bernard, membros do partido comunista inglês, se conhecem em Londres, em 1946. Apaixonam-se perdidamente e decidem se casar. Mas durante a lua-de-mel, na França, um acontecimento misterioso altera para sempre a percepção de mundo de June. Anos depois, os dois acabam se separando.

No fim dos anos 1980, Jeremy, o genro do casal, tenta compreender como um amor tão profundo não resistiu às diferenças ideológicas. E é lendo os escritos da sogra que ele descobrirá o que ocorreu anos atrás.

Tendo como pano de fundo a Europa pós-Segunda Guerra e as marcas deixadas pelo conflito, McEwan usa seu estilo cristalino para elaborar com precisão uma história sobre o lado mais sombrio da humanidade, e seu constante ataque ao amor.

“Brilhante. Uma reflexão impressionante sobre o poder do amor.”
The New Yorker

3º lugar

SINOPSE

Com “Dôra Doralina”, Rachel une o Nordeste ao Rio, e é exatamente nessa união que surge o romance de amor. Sem ser um romance policial, a obra registra uma realidade regional que termina por nos inserir no quadro histórico da formação brasileira . A história de amor que une Dôra ao Comandante, sem sacrificar os personagens menores nos envolve e suas presenças completam a galeria dos que se destacam não apenas neste romance, mas em toda a obra de Rachel. A romancista conferiu a Dôra uma sensível dimensão humana, quando a vemos vivendo, amando, sofrendo, como símbolo e imagem de nossa própria condição. São duas personalidades que fascinam – das Dores. Maria das Dores e o seu comandante. Aqui está o amor como liberdade. Liberdade é a paixão da obra de Rachel.





Papalivros vota nas melhores leituras de 2022!

5 12 2022

 

 

 

Foram onze livros lidos em 2022 pelos membros do grupo Papalivros. 

 

O último duelo, Eric Jager

A filha do fazedor de reis, Philippa Gregory

Berta Isla, Javíer Marías

Gente ansiosa, Fredrik Backman

Vozes de Batalha, Marina Colasanti

A casa holandesa, Ann Patchett

Autobiografia, Agatha Christie

O pianista da estação, Jean-Baptiste Andrea

A boa sorte, Rosa Montero

O lugar, Annie Erneaux

Diário de um velho louco, Jun’ichiro Tanizaki

 

Depois da festa de encerramento do ano, votamos nas melhores leituras dos últimos doze meses.

 

Em primeiro lugar

 

 

SINOPSE

Do consagrado autor de Coração tão branco e Os enamoramentos. É possível dizer que conhecemos uma pessoa, mesmo tão próxima, quando boa parte do que ela diz e faz permanece nas sombras?

Berta Isla e Tom Nevinson não passavam de adolescentes quando se conheceram e se apaixonaram. Em 1974, poucos anos depois das primeiras trocas de olhares no colégio madrilenho, já eram marido e mulher. Berta não sabia, mas Tom – filho de pai inglês e mãe espanhola, fluente em várias línguas e capaz de imitar sotaques e dicções com perfeição – fora recrutado para o serviço secreto britânico pouco antes do casamento. Tom engana Berta como pode, até que um incidente horripilante o obriga a revelar a atividade a que dedica boa parte dos dias. A regra, acatada por ela ao descobrir que o marido é um espião, e que deve valer por toda uma vida, é não fazer perguntas. Berta concorda, assim, em ignorar metade da existência de Tom, o que inclui a natureza de seus atos e os lugares por onde ele andou. Vivemos no escuro, diz ela, e mal conhecemos a pessoa com quem estamos casados. O quanto ainda há em Tom daquele adolescente que Berta conheceu e por quem se apaixonou?

Javier Marías retorna, aqui, ao tema da espionagem, eixo da monumental trilogia Seu rosto amanhã. Com a prosa elegante de sempre, disseca não apenas os perigos e dilemas morais de se levar uma vida dupla, mas as marcas que as zonas de sombra podem deixar no afeto e na intimidade.

“Haverá melhor romancista vivo que Javier Marías?”


The Independent

 

Em segundo lugar

 

 

 

SINOPSE

O mundo inteiro conhece o virtuosismo literário de Agatha Christie. Sua extraordinária habilidade em desvendar os segredos ocultos da alma humana produziu oitenta e seis livros que continuam encantando gerações e gerações de leitores em todo mundo. Qual o segredo de Dame Agatha? Que mistérios cercavam a personalidade daquela pacata dona-de-casa que, oa escrever, transformava-se na diabólica Rainha do Crime? Essa resposta você encontra na Autobiografia que narra, com absoluta honestidade e lucidez, todos os pormenores de sua vida, desde a infância na pequena cidade de Torquay até os devaneios de sua mais remota vida amorosa.

 

Em terceiro lugar

 

 

 

SINOPSE

Após a Segunda Guerra Mundial, graças à conjugação de sorte e um investimento fortuito, Cyril Conroy entra no ramo imobiliário, criando um negócio que logo se tornará um império e levará sua família da pobreza a uma vida de opulência. Uma de suas primeiras aquisições é a Casa Holandesa, uma extravagante propriedade no subúrbio da Filadélfia. Mas o que seria apenas uma adorável surpresa para a esposa acaba desencadeando o esfacelamento de toda a estrutura familiar.

Quem narra essa história é o filho de Cyril, Danny, a partir do momento em que ele e a irmã mais velha — a autoconfiante e franca Maeve — são expulsos pela madrasta da casa onde cresceram. Os dois irmãos se veem jogados de volta à pobreza e logo descobrem que só podem contar um com o outro. E esse vínculo inabalável, ao mesmo tempo que os salva, é o que bloqueia seu futuro.

Apesar de suas conquistas ao longo da vida, Danny e Maeve só se sentem verdadeiramente confortáveis quando estão juntos. Narrada ao longo de cinco décadas, A Casa Holandesa é uma história sobre a dificuldade de superar o passado. Com bom humor e raiva, os dois rememoram inúmeras vezes seu relato de perda e humilhação e a relação entre o irmão indulgente e a irmã superprotetora enfim será colocada à prova quando os Conroy se virem forçados a confrontar quem os abandonou.

Uma saga sobre o paraíso perdido, A Casa Holandesa se debruça sobre questões de herança, amor e perdão, uma narrativa sobre como gostaríamos de ser vistos e quem de fato somos. E, embora seja um livro repleto de reviravoltas que farão o leitor devorar a história, seus personagens ficarão marcados por muito tempo na memória.

 

O Papalivros é composto por dezoito assíduos leitores que há dezenove anos se encontram para conversar e trocar ideias sobre livros, uma vez por mês.  Portanto nossas recomendações podem ser levadas em consideração.

 

Boa sorte nas suas leituras de 2023.  Esta época de Natal e férias é muito propícia às leituras,  Aproveite-a!





Sublinhando…

14 11 2022

Mulher

Armand Schönberger (Hungria, 1885-1974)

pastel sobre papel,  18 x 13 cm

 

“Como já mencionei, uma das teorias de minha mãe era que criança alguma deveria ter permissão de aprender a ler até os oito anos. Como essa teoria não foi cumprida por mim, tive licença de ler tanto quanto quis, e aproveitava todas as oportunidades para isso.  A sala de aulas,  como  era chamada , era um cômodo no último andar da casa, quase completamente forrado de livros.  Algumas das prateleiras eram dedicadas a literatura infantil: Alice in Wonderland [Alice no País das Maravilhas] e Through the Looking Glass [Através do Espelho]; os antigos, sentimentais contos vitorianos que já mencionei, tais como Our Little Violet [Nossa Pequena Violeta]; os livros de Charlotte Young, incluindo The Daisy Chain [A Corrente de Margaridas]; uma coleção completa, creio, de Henry, e, além disso, numerosos livros de estudo, romances, e outros tipos.  Eu lia indiscriminadamente, escolhendo qualquer livro que me interessasse, lendo, portanto, muita coisa que não entendia, mas que retivera minha atenção.”

 

Em: Autobiografia, Agatha Christiie, tradução de Maria Helena Trigueiros, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:1979, pp. 97-8.





O acaso sempre ensina…

23 10 2022

Adoro o acaso.  Sempre aprendo por onde o acaso me leva.  Domingo, já próximo do fim do ano, pensei  nos meus cadernos ou jornais de 2023.  Sim, tenho e mantenho alguns.  Recebi de presente de uma amiga um belíssimo livro de páginas em branco, que ela encadernou.  Recebi de outra amiga, na mesma ocasião, diversas ilustrações de pequeno tamanho, para que eu usasse neste journaling book.  Uma terceira amiga, me deu um porta copos de cerâmica, feito por ela, porque sabe que gosto de tomar chá ou café enquanto leio.  Elas três haviam combinado, é óbvio, depois de verem o que poucas pessoas conhecem: meu caderno de anotações literárias que mostra por onde andei e em que lugar li aquela frase especial, aquela passagem sem  igual.

Meu caderno de frases ou trechos de leituras. Este é o de 2022, já está no finalzinho. Este caderno foi presente de minha sobrinha Anna Paula no Natal passado.

Pois, sim, parece uma coisa antiga, não é mesmo?   Coisa do Século XIX.  Mas é muito útil.  Este blog segue em grande parte este espírito de anotar aquilo que acho interessante, é um Commonplace Book Digital, que já tem quatorze anos seguidos de anotações!  Mas na internet as coisas desaparecem.  Ando com vontade de imprimir em separado todas as passagens que já coloquei aqui.  São muitos anos de postagens.  Isso tudo começou quando eu tinha oito anos.  E minha avó materna, vovó Albina, me deu de presente de primeira comunhão um caderno, com capa dura, onde era para eu colocar poesias de que gostasse.  Havia um incentivo: eu poderia escrever com caneta a tinta para transpor as poesias.  Até então eu só usava lápis.  Daí para frente, tornou-se um hábito.  Nem sempre bem mantido durante a adolescência, um período em que li muito, muito mesmo, mas anotei pouco.  Mas tornou-se um hábito.  Recentemente recuperei de caixas de guardados alguns desses cadernos.  Uns dos anos 80.  Outros dos anos 90.  Posso sempre dizer quando andava atarefada, porque eles passam a ter anotações esparsas, mas tenho certeza que os livros lidos, naquela época de papel, têm muita coisa sublinhada e anotada nas margens.

O livro de poesias qua ganhei aos 8 anos e mantive até os 12 anos. Eu adorava POESIAS, escrito em dourado na capa.
Aqui quatro dos livros de leituras, com o primeiro bem em cima.

Para cada novo caderno, dou uma decoração especial, na capa interior.  Aquela imagem lá em cima, da capa da revista Colliers, de julho de 1929, só a imagem, vai para a primeira página do caderno de anotações de 2023.  Cada novo caderno merece uma repaginada na diagramação.  É uma bobagem dirão muitos, mas acredito que esses cuidados me ajudam a lembrar de trechos e passagens do que leio. 

Fiquei muito curiosa de saber o que aquela jovem no trem lia enquanto todos os senhores permaneciam sentados escondidos atrás de seus jornais.  Falta de cavalheirismo!  Em 1929!  O título do livro que ela lê, talvez tivesse algo a ver com essa falta de gentileza dos homens no trem.  Acho que teve.  Chama-se When knighthood was in flower [Quando o cavalheirismo florescia] Ironia…  Mas será que esse livro existia ou será que foi um título inventado para a ocasião?

Sim, publicado em 1898

Trata-se de um grande best-seller, um romance histórico. Foca no caso de amor entre Mary Tudor, irmã mais nova de Henrique VIII e um homem comum, sem nobreza, Charles Brandon.  Não dá sorte:  ela é obrigada a casar na corte francesa, por arranjo prévio de Henrique VIII com Luís XII da França.  Interessante notar que este livro foi o primeiro romance de Charles Major, que o publicou sob pseudônimo: Edwin Caskoden.  Provavelmente querendo se proteger caso a publicação fosse um desastre.

E ainda, este romance, foi tão popular que três anos após sua publicação ainda estava na lista dos mais vendidos, de acordo com o  The New York Times.  E ele fomentou, por causa do sucesso que obteve, uma verdadeira febre de romances históricos. Foi transformado em filme, em peça de teatro.  Teve uma longa vida, e ainda se encontra à venda caso vocês se interessem.  Um dia talvez eu tenha tempo  para ler.   Mas gostei de refletir nas atividades deste domingo.  Serendipidade é a palavra que vem à mente: o descobrir de coisas novas ao acaso.  Com isso, não comecei ainda o planejamento do meu livro de livros de 2023.  Temos ainda alguns fins de semana pela frente.

©Ladyce West, 2022, Rio de Janeiro





Curiosidade literária

21 02 2022

Leitora, 1932

Luiggi Scarpa Croce (Itália, 1901- 1967)

óleo sobre tela, 59 x 45 cm

Museu Cívico de Rovereto

 

A expressão best seller, foi usada pela primeira vez em 1889, no jornal americano The Kansas Times & Star, em um artigo que falava dos livros mais vendidos.  Mas o termo só passou a ser usado popularmente a partir de 9 de abril de 1942, quando o jornal The New York Times publicou  a The New York Times Best Seller List.  Desde então a frase se tornou uma referência no mundo dos livros.





Palavras para lembrar: Emily Dickinson

12 01 2022

Nos degraus

Monica Castanys (Espanha, 1973)

óleo sobre tela

 

“Nunca escrevo meu nome nos livros que compro até que os tenha lido, porque só então posso chamá-los meus”

Emily Dickinson