Foram onze livros lidos em 2022 pelos membros do grupo Papalivros.
O último duelo, Eric Jager
A filha do fazedor de reis, Philippa Gregory
Berta Isla, Javíer Marías
Gente ansiosa, Fredrik Backman
Vozes de Batalha, Marina Colasanti
A casa holandesa, Ann Patchett
Autobiografia, Agatha Christie
O pianista da estação, Jean-Baptiste Andrea
A boa sorte, Rosa Montero
O lugar, Annie Erneaux
Diário de um velho louco, Jun’ichiro Tanizaki
Depois da festa de encerramento do ano, votamos nas melhores leituras dos últimos doze meses.
Em primeiro lugar
SINOPSE
Do consagrado autor de Coração tão branco e Os enamoramentos. É possível dizer que conhecemos uma pessoa, mesmo tão próxima, quando boa parte do que ela diz e faz permanece nas sombras?
Berta Isla e Tom Nevinson não passavam de adolescentes quando se conheceram e se apaixonaram. Em 1974, poucos anos depois das primeiras trocas de olhares no colégio madrilenho, já eram marido e mulher. Berta não sabia, mas Tom – filho de pai inglês e mãe espanhola, fluente em várias línguas e capaz de imitar sotaques e dicções com perfeição – fora recrutado para o serviço secreto britânico pouco antes do casamento. Tom engana Berta como pode, até que um incidente horripilante o obriga a revelar a atividade a que dedica boa parte dos dias. A regra, acatada por ela ao descobrir que o marido é um espião, e que deve valer por toda uma vida, é não fazer perguntas. Berta concorda, assim, em ignorar metade da existência de Tom, o que inclui a natureza de seus atos e os lugares por onde ele andou. Vivemos no escuro, diz ela, e mal conhecemos a pessoa com quem estamos casados. O quanto ainda há em Tom daquele adolescente que Berta conheceu e por quem se apaixonou?
Javier Marías retorna, aqui, ao tema da espionagem, eixo da monumental trilogia Seu rosto amanhã. Com a prosa elegante de sempre, disseca não apenas os perigos e dilemas morais de se levar uma vida dupla, mas as marcas que as zonas de sombra podem deixar no afeto e na intimidade.
“Haverá melhor romancista vivo que Javier Marías?”
– The Independent
Em segundo lugar
SINOPSE
O mundo inteiro conhece o virtuosismo literário de Agatha Christie. Sua extraordinária habilidade em desvendar os segredos ocultos da alma humana produziu oitenta e seis livros que continuam encantando gerações e gerações de leitores em todo mundo. Qual o segredo de Dame Agatha? Que mistérios cercavam a personalidade daquela pacata dona-de-casa que, oa escrever, transformava-se na diabólica Rainha do Crime? Essa resposta você encontra na Autobiografia que narra, com absoluta honestidade e lucidez, todos os pormenores de sua vida, desde a infância na pequena cidade de Torquay até os devaneios de sua mais remota vida amorosa.
Em terceiro lugar
SINOPSE
Após a Segunda Guerra Mundial, graças à conjugação de sorte e um investimento fortuito, Cyril Conroy entra no ramo imobiliário, criando um negócio que logo se tornará um império e levará sua família da pobreza a uma vida de opulência. Uma de suas primeiras aquisições é a Casa Holandesa, uma extravagante propriedade no subúrbio da Filadélfia. Mas o que seria apenas uma adorável surpresa para a esposa acaba desencadeando o esfacelamento de toda a estrutura familiar.
Quem narra essa história é o filho de Cyril, Danny, a partir do momento em que ele e a irmã mais velha — a autoconfiante e franca Maeve — são expulsos pela madrasta da casa onde cresceram. Os dois irmãos se veem jogados de volta à pobreza e logo descobrem que só podem contar um com o outro. E esse vínculo inabalável, ao mesmo tempo que os salva, é o que bloqueia seu futuro.
Apesar de suas conquistas ao longo da vida, Danny e Maeve só se sentem verdadeiramente confortáveis quando estão juntos. Narrada ao longo de cinco décadas, A Casa Holandesa é uma história sobre a dificuldade de superar o passado. Com bom humor e raiva, os dois rememoram inúmeras vezes seu relato de perda e humilhação e a relação entre o irmão indulgente e a irmã superprotetora enfim será colocada à prova quando os Conroy se virem forçados a confrontar quem os abandonou.
Uma saga sobre o paraíso perdido, A Casa Holandesa se debruça sobre questões de herança, amor e perdão, uma narrativa sobre como gostaríamos de ser vistos e quem de fato somos. E, embora seja um livro repleto de reviravoltas que farão o leitor devorar a história, seus personagens ficarão marcados por muito tempo na memória.
O Papalivros é composto por dezoito assíduos leitores que há dezenove anos se encontram para conversar e trocar ideias sobre livros, uma vez por mês. Portanto nossas recomendações podem ser levadas em consideração.
Boa sorte nas suas leituras de 2023. Esta época de Natal e férias é muito propícia às leituras, Aproveite-a!
“Como já mencionei, uma das teorias de minha mãe era que criança alguma deveria ter permissão de aprender a ler até os oito anos. Como essa teoria não foi cumprida por mim, tive licença de ler tanto quanto quis, e aproveitava todas as oportunidades para isso. A sala de aulas, como era chamada , era um cômodo no último andar da casa, quase completamente forrado de livros. Algumas das prateleiras eram dedicadas a literatura infantil: Alice in Wonderland [Alice no País das Maravilhas] e Through the Looking Glass [Através do Espelho]; os antigos, sentimentais contos vitorianos que já mencionei, tais como Our Little Violet [Nossa Pequena Violeta]; os livros de Charlotte Young, incluindo The Daisy Chain [A Corrente de Margaridas]; uma coleção completa, creio, de Henry, e, além disso, numerosos livros de estudo, romances, e outros tipos. Eu lia indiscriminadamente, escolhendo qualquer livro que me interessasse, lendo, portanto, muita coisa que não entendia, mas que retivera minha atenção.”
Em: Autobiografia, Agatha Christiie, tradução de Maria Helena Trigueiros, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:1979, pp. 97-8.
Adoro o acaso. Sempre aprendo por onde o acaso me leva. Domingo, já próximo do fim do ano, pensei nos meus cadernos ou jornais de 2023. Sim, tenho e mantenho alguns. Recebi de presente de uma amiga um belíssimo livro de páginas em branco, que ela encadernou. Recebi de outra amiga, na mesma ocasião, diversas ilustrações de pequeno tamanho, para que eu usasse neste journaling book. Uma terceira amiga, me deu um porta copos de cerâmica, feito por ela, porque sabe que gosto de tomar chá ou café enquanto leio. Elas três haviam combinado, é óbvio, depois de verem o que poucas pessoas conhecem: meu caderno de anotações literárias que mostra por onde andei e em que lugar li aquela frase especial, aquela passagem sem igual.
Meu caderno de frases ou trechos de leituras. Este é o de 2022, já está no finalzinho. Este caderno foi presente de minha sobrinha Anna Paula no Natal passado.
Pois, sim, parece uma coisa antiga, não é mesmo? Coisa do Século XIX. Mas é muito útil. Este blog segue em grande parte este espírito de anotar aquilo que acho interessante, é um Commonplace Book Digital, que já tem quatorze anos seguidos de anotações! Mas na internet as coisas desaparecem. Ando com vontade de imprimir em separado todas as passagens que já coloquei aqui. São muitos anos de postagens. Isso tudo começou quando eu tinha oito anos. E minha avó materna, vovó Albina, me deu de presente de primeira comunhão um caderno, com capa dura, onde era para eu colocar poesias de que gostasse. Havia um incentivo: eu poderia escrever com caneta a tinta para transpor as poesias. Até então eu só usava lápis. Daí para frente, tornou-se um hábito. Nem sempre bem mantido durante a adolescência, um período em que li muito, muito mesmo, mas anotei pouco. Mas tornou-se um hábito. Recentemente recuperei de caixas de guardados alguns desses cadernos. Uns dos anos 80. Outros dos anos 90. Posso sempre dizer quando andava atarefada, porque eles passam a ter anotações esparsas, mas tenho certeza que os livros lidos, naquela época de papel, têm muita coisa sublinhada e anotada nas margens.
O livro de poesias qua ganhei aos 8 anos e mantive até os 12 anos. Eu adorava POESIAS, escrito em dourado na capa.
Aqui quatro dos livros de leituras, com o primeiro bem em cima.
Para cada novo caderno, dou uma decoração especial, na capa interior. Aquela imagem lá em cima, da capa da revista Colliers, de julho de 1929, só a imagem, vai para a primeira página do caderno de anotações de 2023. Cada novo caderno merece uma repaginada na diagramação. É uma bobagem dirão muitos, mas acredito que esses cuidados me ajudam a lembrar de trechos e passagens do que leio.
Fiquei muito curiosa de saber o que aquela jovem no trem lia enquanto todos os senhores permaneciam sentados escondidos atrás de seus jornais. Falta de cavalheirismo! Em 1929! O título do livro que ela lê, talvez tivesse algo a ver com essa falta de gentileza dos homens no trem. Acho que teve. Chama-se When knighthood was in flower [Quando o cavalheirismo florescia] Ironia… Mas será que esse livro existia ou será que foi um título inventado para a ocasião?
Sim, publicado em 1898
Trata-se de um grande best-seller, um romance histórico. Foca no caso de amor entre Mary Tudor, irmã mais nova de Henrique VIII e um homem comum, sem nobreza, Charles Brandon. Não dá sorte: ela é obrigada a casar na corte francesa, por arranjo prévio de Henrique VIII com Luís XII da França. Interessante notar que este livro foi o primeiro romance de Charles Major, que o publicou sob pseudônimo: Edwin Caskoden. Provavelmente querendo se proteger caso a publicação fosse um desastre.
E ainda, este romance, foi tão popular que três anos após sua publicação ainda estava na lista dos mais vendidos, de acordo com o The New York Times. E ele fomentou, por causa do sucesso que obteve, uma verdadeira febre de romances históricos. Foi transformado em filme, em peça de teatro. Teve uma longa vida, e ainda se encontra à venda caso vocês se interessem. Um dia talvez eu tenha tempo para ler. Mas gostei de refletir nas atividades deste domingo. Serendipidade é a palavra que vem à mente: o descobrir de coisas novas ao acaso. Com isso, não comecei ainda o planejamento do meu livro de livros de 2023. Temos ainda alguns fins de semana pela frente.
A expressão best seller, foi usada pela primeira vez em 1889, no jornal americano The Kansas Times & Star, em um artigo que falava dos livros mais vendidos. Mas o termo só passou a ser usado popularmente a partir de 9 de abril de 1942, quando o jornal The New York Timespublicou a The New York Times Best Seller List. Desde então a frase se tornou uma referência no mundo dos livros.
“Às vezes eu ficava com a impressão de que por conta das minhas leituras frequentes eu me chocava menos facilmente do que as pessoas ao meu redor, que eu sabia mais informações factuais — sobre sexo sim, mas também sobre furacões, danças folclóricas e Zoroastrismo. …”
Em: A esposa americana, Curtis Sittenfeld, tradução de Natalie Gerhardt, Rio de Janeiro, Editora Record: 2010, p. 341
Há um hábito nos Estados Unidos que bem poderíamos copiar. Copiamos tanta coisa que não se aplica ao Brasil e deixamos de lado algo que é aplicável, interessante, informativo e incentiva a leitura: todos fazem uma lista do que lerão no verão. Do pensador importante, ao aluno nos primeiros anos escolares, o hábito de ler no verão, nas férias de verão está inculcado no modo de viver americano. Por isso mesmo, por volta de final de maio e início de junho não é raro vermos nas revistas sugestões de leituras para o verão, para as férias, para o tempo de lazer. Muitas figuras da mídia prestam serviço à leitura, publicando os livros que levarão para a praia, montanha, estação de águas. Hoje republico aqui a lista de Bill Gates.
SINOPSE
Depois de causar tantos danos ao planeta, será que conseguimos transformar a natureza, mas dessa vez para nos salvar? Em reportagem original, Elizabeth Kolbert, vencedora do Pulitzer pelo alarmante A sexta extinção, entrevista biólogos, engenheiros genéticos e atmosféricos e outros especialistas para tentar responder a essa pergunta e nos mostrar como os cientistas estão remodelando a Terra. Com uma linguagem direta e por vezes bem-humorada, este livro é uma injeção de esperança e informação, e aponta que ainda há tempo de corrigir os problemas que colocam em risco a vida como a conhecemos.
A autora examina com atenção o mundo novo que estamos criando. Ao longo de sua trajetória, Kolbert encontra biólogos tentando preservar o peixe mais raro do mundo, que vive em uma pequena piscina no meio do Mojave; engenheiros transformando a emissão de carbono em pedras na Islândia; pesquisadores australianos desenvolvendo um “supercoral” capaz de sobreviver a temperaturas mais altas; e físicos analisando a possibilidade de atirar fragmentos de diamantes na estratosfera para refrescar a Terra.
Segundo Kolbert, a civilização pode ser vista como um exercício de dez mil anos desafiando a natureza. Em A sexta extinção, ela explorou como nossa capacidade de destruição remodelou o mundo natural. Dessa vez, reflete como muitas formas de intervenção que colocaram a Terra em risco estão cada vez mais sendo vistas como a única esperança para sua salvação. Sob um céu branco é uma investigação surpreendente dos desafios que enfrentamos.
SINOPSE
Um relato íntimo e fascinante da história em formação — feito pelo líder que nos inspirou a acreditar no poder da democracia.
No comovente e aguardado primeiro volume de suas memórias presidenciais, Barack Obama narra, nas próprias palavras, a história de sua odisseia improvável, desde quando era um jovem em busca de sua identidade até se tornar líder da maior democracia do mundo. Com detalhes surpreendentes, ele descreve sua formação política e os momentos marcantes do primeiro mandato de sua presidência histórica — época de turbulências e transformações drásticas.
Obama conduz os leitores através de uma jornada cativante, que inclui suas primeiras aspirações políticas, a vitória crucial nas primárias de Iowa, na qual se demonstrou a força do ativismo popular, e a noite decisiva de 4 de novembro de 2008, quando foi eleito 44º presidente dos Estados Unidos, o primeiro afro-americano a ocupar o cargo mais alto do país.
Ao refletir sobre a presidência, ele faz uma análise singular e cuidadosa do alcance e das limitações do Poder Executivo, além de oferecer pontos de vista surpreendentes sobre a dinâmica da política partidária dos Estados Unidos e da diplomacia internacional. Obama leva os leitores para dentro do Salão Oval e da Sala de Situação da Casa Branca, e também em viagens a Moscou, Cairo e Pequim, entre outros lugares. Acompanhamos de perto seus pensamentos enquanto monta o gabinete, enfrenta uma crise financeira global, avalia a figura de Vladímir Pútin, supera dificuldades que pareciam insuperáveis para aprovar a Lei de Assistência Acessível (Affordable Care Act), bate de frente com generais sobre a estratégia militar dos Estados Unidos no Afeganistão, trata da reforma de Wall Street, reage à devastadora explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon e autoriza a Operação Lança de Netuno, que culmina com a morte de Osama bin Laden.
Uma terra prometida é extraordinariamente pessoal e introspectivo — o relato da aposta de um homem na história, da fé de um líder comunitário posta à prova no palco mundial. Obama fala com sinceridade sobre os obstáculos de concorrer a um cargo eletivo sendo um americano negro, sobre corresponder às expectativas de uma geração inspirada por mensagens de “esperança e mudança” e sobre lidar com os desafios morais das decisões de alto risco. É honesto sobre as forças que se opuseram a ele dentro e fora do país, franco sobre os efeitos da vida na Casa Branca em sua esposa e em suas filhas e audacioso ao confessar suas dúvidas e desilusões. Jamais duvida, porém, de que no grande e incessante experimento americano o progresso é sempre possível.
Brilhantemente escrito e poderoso, este livro demonstra a convicção de Barack Obama de que a democracia não é uma bênção divina, mas algo fundado na empatia e no entendimento comum e construído em conjunto, todos os dias.
SEM TRADUÇÃO NO BRASIL
How could General Electric—perhaps America’s most iconic corporation—suffer such a swift and sudden fall from grace?
This is the definitive history of General Electric’s epic decline, as told by the two Wall Street Journal reporters who covered its fall.
Since its founding in 1892, GE has been more than just a corporation. For generations, it was job security, a solidly safe investment, and an elite business education for top managers.
GE electrified America, powering everything from lightbulbs to turbines, and became fully integrated into the American societal mindset as few companies ever had. And after two decades of leadership under legendary CEO Jack Welch, GE entered the twenty-first century as America’s most valuable corporation. Yet, fewer than two decades later, the GE of old was gone.
Lights Out examines how Welch’s handpicked successor, Jeff Immelt, tried to fix flaws in Welch’s profit machine, while stumbling headlong into mistakes of his own. In the end, GE’s traditional win-at-all-costs driven culture seemed to lose its direction, which ultimately caused the company’s decline on both a personal and organizational scale. Lights Out details how one of America’s all-time great companies has been reduced to a cautionary tale for our times.
SEM TRADUÇÃO NO BRASIL
The Overstory, winner of the 2019 Pulitzer Prize in Fiction, is a sweeping, impassioned work of activism and resistance that is also a stunning evocation of—and paean to—the natural world. From the roots to the crown and back to the seeds, Richard Powers’s twelfth novel unfolds in concentric rings of interlocking fables that range from antebellum New York to the late twentieth-century Timber Wars of the Pacific Northwest and beyond. There is a world alongside ours—vast, slow, interconnected, resourceful, magnificently inventive, and almost invisible to us. This is the story of a handful of people who learn how to see that world and who are drawn up into its unfolding catastrophe.
SINOPSE
Um paciente com câncer terminal consegue recuperar sua vida. Um talentoso médico desafia o HIV. Duas mulheres com doenças autoimunes descobrem que seus corpos se viraram contra elas. Imune entrelaça de maneira única essas histórias com o desejo e os esforços da humanidade para desvendar os mistérios da saúde e da doença, lançando nova luz sobre o sistema imunológico.
O sistema imunológico é a linha essencial de defesa do corpo, um guardião vigilante que enfrenta doenças e cura feridas, mantendo a ordem e o equilíbrio para que possamos continuar vivos. Suas legiões de soldados microscópicos — das células T até as “exterminadoras naturais”” — patrulham nosso corpo, passando informações por uma rede quase instantânea de comunicação. Com o decorrer dos milênios, ele foi aperfeiçoado pela evolução para encarar um número praticamente infinito de ameaças.
Apesar de toda a complexidade impressionante, o sistema imunológico pode ser danificado por cansaço, estresse, toxinas, idade avançada e nutrição pobre — características quase indispensáveis da vida moderna — e até mesmo por excesso de higiene. Paradoxalmente, é uma arma magnífica mas frágil, que pode se voltar contra o próprio corpo com resultados alarmantes, levando desordens autoimunes a níveis epidêmicos.
De maneira clara e fácil, Richtel guia seus leitores em uma investigação científica que vai da Peste Negra, passando por importantes descobertas do século XX, como vacinas e antibióticos, até os laboratórios de tecnologia de ponta que estão revolucionando a imunologia — talvez a história mais extraordinária e significativa da medicina de nossa época. Imune torna acessível revelações sobre imunoterapia para o tratamento de câncer, microbiomas e autoimunologia que estão mudando milhões de vidas, além de capturar em detalhes como estas terapias poderosas, junto com nosso comportamento e ambiente, interagem com o sistema imunológico, muitas vezes com consequências positivas, mas sempre com o risco de causar um desequilíbrio desastroso. Fazendo uso de sua experiência como jornalista do The New York Times e entrevistando dezenas de cientistas renomados mundialmente, Matt Richtel produziu um livro notável: tanto uma investigação dos enigmas profundos da sobrevivência quanto uma reportagem incrivelmente humana sobre a vida a partir do ponto de vista de seus quatro personagens principais, cada um contribuindo com um detalhe essencial de nosso sistema de defesa.
Escolha um desses títulos, leia e se insira no debate mundial sobre a nossa sobrevivência no planeta. Eu, certamente irei ler pelo menos dois desses livros, assim que terminar A dança do universo, de Marcelo Gleiser. Outro livro imperdível.
O grupo Papalivros leu os seguintes livros em 2020.
Três irmãs, três rainhas, Philippa Gregory
O desvio, Gerbrand Bakker
Os sete maridos de Evelyn Hugo, Taylor Jenkins Reid
Os segredos que guardamos, Lara Prescott
A vida pela frente, Émile Ajar
A paciente silenciosa, Alex Michaelides
Pátria, Fernando Aramburu
Eleanor Oliphant está muito bem, Gail Honeyman
A espiã vermelha, Jennie Rooney
O crepúsculo e a aurora, Ken Follett
A herdeira, Daniel Silva
Trânsito, Raquel Cusk
Todos os anos nas reuniões de dezembro escolhemos as melhores leituras. Cada membro vota nas três melhores leituras do ano, em ordem de preferência. Para cada primeiro colocado são atribuídos três pontos, para o segundo colocado atribuímos dois pontos e um ponto para o terceiro colocado por leitor. Ao final somamos todos os pontos e o livro com o maior número ganha. Sim, em nossos dezessete anos de leituras já tivemos empates. Mas isso não aconteceu em 2020. A preferência neste ano passado dentro de casa, na maioria dos meses, a preferência foram os livros de ficção histórica. Aqui vai então a cédula de votação e o resultado.
Em 3º lugar: Pátria,Fernando Aramburu
Em 2º lugar: Três irmãs, três rainhas, Philippa Gregory
Em primeiro lugar: O crepúsculo e a aurora, Ken Follett
Neste ano de pandemia, houve clara preferência pelos livros de ficção histórica, nem sempre essa é a escolha para esse grupo. Mas é interessante notar que dos doze livros, nove foram mencionados pelos leitores como parte dos três melhores do ano. Isso não é comum. Em geral há um ou dois preferidos e os votos se dividirem mais no terceiro lugar. Muito bom, porque mesmo que alguém não tenha gostado de uma ou duas leituras, foi também capaz de ler um ou dois livros que achou muito bons.
E assim hoje, com no dia que seria nossa festa natalina, nossa votação foi por Whatsapp e o encontro será hoje à noite via internet. Terminamos na telinha do computados o ano de leituras e encontros do Papalivros, que em 2021, completará 18 anos de existência. Boas leituras a todos. Ficam aqui, dessa forma, algumas sugestões para presentes neste fim de ano.
Os livros restantes em ordem de preferência:
4º lugar: Os sete maridos de Evelyn Hugo, Taylor Jenkins Reid
5º lugar, empate: A espiã vermelha, Jennie Rooney e A vida pela frente, Émile Ajar