Você sabia que aprender a ler modifica o cérebro?

11 11 2010

O aprendizado da leitura, um fenômeno recente demais para ter influenciado nossa evolução genética, tem um impacto importante sobre o cérebro, que se adapta e utiliza, independente da idade da alfabetização, regiões cerebrais destinadas a outras funções.  “Não existe um sistema cerebral inato especializado na leitura, temos que fazer uma colagem, utilizar sistemas que já existem“, explicou à AFP Laurent Cohen, do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm) e um dos coordenadores, ao lado de Stanislas Dehaene, do estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science.

Os pesquisadores conseguiram medir, através de um IRM (imagem por ressonância magnética), a atividade cerebral de 63 adultos voluntários com diferentes índices de alfabetização: 10 analfabetos, 22 pessoas alfabetizadas na idade adulta e 31 pessoas alfabetizadas na infância.   O estudo foi feito entre o Brasil e Portugal, países onde crianças analfabetas eram algo “relativamente frequente” há apenas algumas décadas.  Os adultos foram submetidos a diferentes estímulos, tais como frases orais e escritas, palavras, rostos, etc.

Os pesquisadores constataram que o impacto da alfabetização sobre o cérebro “era maior do que os estudos anteriores davam a entender”, e afeta tanto áreas visuais do cérebro quanto setores dedicados à fala.  “O aprendizado da leitura ativa o sistema visual nas regiões especializadas na forma escrita das letras, o que é normal, mas também nas regiões visuais primárias, onde chega toda a informação visual“, afirmou Cohen.

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Assim, para pessoas que aprendem a ler, as respostas aumentam também nas regiões primitivas “quando apresentamos quadros horizontais, já que nossa leitura é horizontal, mas não quando apresentamos quadros verticais“, segundo o especialista.  O cérebro recorre também a zonas especializadas na língua escrita, uma vez que a leitura “ativa o sistema da fala” para tomar consciência dos sons, e permite “estabelecer relações entre o sistema visual e o sistema de fala, as letras escritas e os sons“, destacou Cohen.

Aprender a ler, mesmo na idade adulta, provoca no cérebro uma redistribuição de uma parte de seus recursos. Deste modo, o reconhecimento visual dos objetos e de rostos cede parcialmente terreno à medida em que aprendemos a ler, e se desloca “parcialmente para o hemisfério direito”. Os cientistas ainda não sabem se aprender a ler tem consequências negativas sobre nossa capacidade de reconhecimento de rostos.

Os pesquisadores também constataram que a alfabetização na idade adulta tem o mesmo impacto sobre o cérebro que o aprendizado durante a infância. Nos adultos que aprendem a ler, “as mudanças que isto provoca são quase as mesmas” verificadas em pessoas que foram alfabetizadas na infância.

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FONTE:  Terra





Água mole em pedra dura, poesia infantil de Evelyn Heine

4 11 2010

Água mole em pedra dura

                                    Evelyn Heine

O totó não quer saber

de água nem de sabão.

Meu cachorro e meu peixinho

Não combinam nisso, não!

Mas eu pego ele de jeito,

Dou um banho bem morninho.

Tudo é bom e sai perfeito

Quando é feito com carinho!

 

Em: Animais de estimação, da coleção Poesias para Crianças, São Paulo, Brasileitura, Editora Todolivro, sem data.





O que há de novo e recomendado em livros para o seu adolescente

4 10 2010

Ilustração Maurício de Sousa.

Em outubro temos o Dia das Crianças — 12 de outubro — e também começamos a pensar no Natal e nas possibilidades de compra de presentes para os nosso filhos, sobrinhos, enteados, os jovens da família, todos aqueles a quem queremos agradar.   Livros são sempre um ótimo presente, não só para quem já gosta de ler, como para incentivar aquele que ainda não descobriu o prazer de ler.

Com o intuito de auxiliar na escolha dos livros que possam vir a interessar o seu adolescente — de 13 a 18 anos — compilei aqui uma listinha dos livros publicados em 2010, no Brasil, que têm tido boa repercussão entre esse grupo de leitores.

A observar: 

1) Leia bem a descrição das histórias para ver se agradaria ao seu presenteado.  Os livros aqui compilados são recomendados para aqueles acima de 13 anos.  Mas, cada pessoa se desenvolve de maneira diferente, assim como tem diferentes gostos.  Avalie bem para quem vai dar o volume escolhido.

2) Consultei ao todo 6 portais da internet  em que leitores avaliam e dão notas aos livros lidos.  Consultei  portais em diversas línguas, porque todos esses livros são de origem estrangeira.  No Brasil consultei o SKOOB —  www.skoob.com.br -Não listei nenhum livro cuja MÉDIA de avaliações estivesse abaixo dos 80% de aprovação.  Assim, pensei em garantir não só a diversificação de tópicos como também as diferenças entre preferências pessoais, nacionais e internacionais.

3) Este blogue é independente.  Não tenho parcerias com editoras, nem com livrarias.  A seleção foi feita por popularidade entre os adolescentes.  Não há ordem de preferência na listagem.

Boa leitura!

Ilustração Avelino Guedes.

Jogos Vorazes  —  Suzanne Collins

 

Mistura de ficção científica com mitologia e reality show, Jogos Vorazes é o mais novo fenômeno da literatura jovem, precursor de tendência no milionário mercado de Best-sellers juvenis: a dos romances ambientados num futuro pós-apocalíptico. Há mais de 85 semanas na lista de mais vendidos do The New York Times e de outras publicações de prestígio dos EUA, e elogiado por Rick Riordan, da série “Percy Jackson”, e Stephenie Meyer, da saga “Crepúsculo”, o livro, primeiro volume de uma trilogia, rendeu à autora Suzanne Collins lugar na balada lista de 100 personalidades mais influentes do ano da revista Time.

Ambientado num futuro sombrio, o livro narra uma luta mortal pela sobrevivência encenada por crianças e transmitida ao vivo para todos os habitantes de uma nação construída nas ruínas de um lugar anteriormente conhecido como Estados Unidos. Com este mote surpreendente e uma narrativa ágil, Jogos Vorazes já foi traduzido para mais de 30 idiomas e vem se tornando um crossover, atraindo leitores de diversas faixas etárias.

Editora: Rocco   ISBN: 9788579800245  Ano: 2010  Número de páginas: 400

Calafrio —  Maggie Stiefvater

Quando chega o inverno, Grace é atraída pela presença familiar dos lobos que vivem no bosque atrás de sua casa. Ela espera ansiosamente pelo frio desde que fitou pela primeira vez os profundos olhos amarelos de um dos lobos e sobreviveu ao ataque de uma alcatéia. Esses mesmos olhos brilhantes ela encontraria mais tarde em Sam, um rapaz que cresceu vivendo duas vidas: uma normal, sob o sol, e outra no inverno, quando vestia a pele do animal feroz que, certa vez, encontrou aquela garota sem medo.

Tudo o que Sam deseja é que Grace o reconheça em sua forma humana, e para isso bastaria que trocassem um único olhar. Mas o tempo de Sam está acabando. Ele não sabe até quando manterá a dupla aparência e quando se tornará um lobo para sempre. Enquanto buscam uma maneira de para torná-lo humano para sempre, têm de enfrentar a incompreensão da cidade, que vê nos lobos um perigo a ser combatido.

Calafrio é a história de dois jovens que aceitam correr todos os riscos pelo amor, até mesmo o de deixarem de ser quem são.

Editora: Agir ISBN: 9788522010509  Ano: 2010  Número de páginas: 336

Halo: os anjos descobrem o desejo  — Alexandra Adornetto

 

Três anjos são enviados à Terra com planos de se misturarem aos humanos para assegurar a paz e trazer a bondade. Gabriel, o Herói de Deus, um antigo guerreiro que se disfarça de professor de música; Ivy, serafim abençoada com poderes de cura; e Bethany, a mais nova e inexperiente do grupo, enviada como uma jovem estudante para aprender sobre a humanidade.

Após Bethany se encantar com a vida humana, ela começa a viver todas as experiências de uma adolescente normal, até se apaixonar por um rapaz e coloca toda a missão em risco. As forças do mal se aproveitarão dessa situação para pôr seus planos malignos em prática.

Um romance de tirar o fôlego, que responderá a pergunta: será que o amor é forte o suficiente para vencer as forças do mal?

Editora: Agir  ISBN: 9788500331091  Ano: 2010  — LANÇAMENTO  15/10  Número de páginas: 472

Sammy Keyes e o Homem Esqueleto
 — Wendelin Van Draanen 
 

Acompanhada por suas amigas Marissa e Dot, Sammy decide bater na porta da Casa dos Arbustos, um lugar amendrontador do qual nem os adultos gostam de falar, e em pleno Dia das Bruxas. Em sua primeira aventura, narrada em primeira pessoa, Sammy Keys tem que juntar as peças de um jogo que envolve uma casa sombria, brigas familiares, castiçais e livros valiosos, para desvendar um mistério do qual a polícia não dá conta, e ainda tramar uma vingança contra a irritante Heather, que espalhou uma mentira daquelas sobre a pequena heroína no colégio.

 

Editora: Rocco ISBN: 9788579800160  Ano: 2010  Número de páginas: 230

 

 

Brevíssima história de quase tudo —  Bill Bryson

 

Você sabia que cada átomo de seu corpo provavelmente fez parte de milhões de organismos, e de várias estrelas, antes de vir a ser você? Que uma pessoa de tamanho médio contém energia comparável à força de várias bombas de hidrogênio? Entre esses “comos” e “quens” das descobertas científicas, em Brevíssima história de quase tudo você conhece cientistas bizarros, teorias malucas que vigoraram por muito tempo e descobertas acidentais que mudaram os rumos da ciência.
Grande contador de histórias, Bill Bryson um dia se deu conta de que conhecia muito pouco o planeta em que vivia. Essa constatação foi o empurrão necessário para que ele reunisse todas as suas perguntas sobre ciência e saísse em busca de respostas. Durante três anos, leu centenas de livros e revistas e entrevistou especialistas das mais diversas áreas. O resultado desse esforço para entender – e explicar – tudo sobre o mundo apareceu primeiro em Breve história de quase tudo, e agora ressurge adaptado para o público infantojuvenil.
Ao contrário do texto didático tradicional, a prosa de Bill Bryson descarta a linguagem difícil, mas não abre mão da abordagem detalhada de cada tema. A preocupação do autor está em entender como os cientistas realizam suas descobertas e explicar para o leitor comum não só os mistérios da ciência mas também como, contra todas as possibilidades, a vida conseguiu prosperar nesse planeta maravilhoso que chamamos lar.

Editora: Companhia das Letrinhas   ISBN: 9788574064161  Ano: 2010  Número de páginas:  175

O Palácio de inverno —  John Boyne

 

Pode-se fugir da história? Será possível viver no anonimato após uma existência de fausto e glória? A vida comum é assim tão diferente da vida pública?   Geórgui Jachmenev passou a vida inteira se debatendo com essas questões, e agora, prestes a perder o grande amor de sua vida, tenta encontrar uma resposta para elas ao refletir sobre seu percurso num século XX que sempre lhe pareceu longo demais.
Seus feitos começaram cedo: aos dezesseis anos, em ação impulsiva e atabalhoada, o rapaz impediu um atentado contra a vida de ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar Nicolau II, que, agradecido, nomeou Geórgui o guarda-costas oficial de seu filho Alexei, destinado a ser o próximo czar. Uma reviravolta impressionante, que o levou da taiga russa para o fausto dos palácios moscovitas, cenário que, apesar da amplidão e luxo de seus imensos corredores, iria se revelar bem mais inóspito que os frios grotões de sua vida anterior.

A dura experiência com esse mundo gélido de intrigas palacianas, às quais sempre era jogado contra sua vontade, e de grandes tensões e responsabilidade só foi apaziguada com a chegada do primeiro amor, Zoia. Mas os tempos eram agitados, e a história deixou pouco espaço para idílios: quando a Revolução Bolchevique tomou de assalto o país, e isolou toda a família do czar numa casa de campo nos arredores de Ekaterinburg, mais uma vez Geórgui teve de agir rápido a fim de salvar a si e a Zoia. A vida com ela lhe custaria pátria, família e prestígio, e ele jamais se arrependeu disso – mas e para Zoia, o que teria custado?
Numa narrativa fascinante, em que presente e passado vão convergindo em capítulos alternados, da Inglaterra dos anos Thatcher para a época dos czares russos, e dos anos difíceis da Segunda Guerra Mundial para o turbilhão da Revolução Bolchevique, acompanhamos Geórgui em meio a acontecimentos históricos decisivos que acabam por se revelar mero pano de fundo para uma história de amor que esconde um grande mistério, talvez maior mesmo que a própria história.

Editora: Cia das Letras  ISBN: 9788535917109  Ano: 2010  Número de páginas: 456

Anjos rebeldes — Gemma Doyle

Segundo volume da trilogia Gemma Doyle, ‘Anjos rebeldes’ traz de volta a protagonista no centro de uma trama que mistura segredos de família, sedução e mistério. Narrada em primeira pessoa pela jovem que dá nome à série, a história transporta o leitor para a Londres de 1895, numa reconstituição de época, e o conduz para o mundo interior de Gemma Doyle, uma garota que precisa descobrir seus próprios segredos para dominar uma mente inquieta e um coração cheio de vida, questionamentos e angústias. Herdeira de um incômodo dom sobrenatural – visões do futuro que têm o desconfortável hábito de se tornarem realidade -, Gemma Doyle se prepara, em ‘Anjos rebeldes’, para suas primeiras férias da tradicional Academia Spence, uma escola para moças para onde foi enviada depois da morte da mãe no dia do seu aniversário de 16 anos. Foi lá, no bosque da escola comandada com mãos de ferro pela Sra. Nightwing, que Gemma entrou em contato com seu dom de forma cada vez mais intensa, envolvendo-se com Felicity e Pippa, algumas das meninas mais invejadas e temidas do colégio, e com a humilde Ann, e descobrindo a ligação de sua mãe com um grupo muito antigo e misterioso conhecido como a Ordem. Mas agora que as férias estão chegando, Gemma só pensa em voltar a Londres como uma garota normal, reencontrar o irmão e a avó, participar de animadas festas usando seus melhores vestidos e flertar com o charmoso Simon Middleton. No entanto, sem que possa controlar seus poderes sobrenaturais, ela começa a ter repetidas visões em que aparecem três moças vestidas de branco, uma imagem de dor e frio à qual ela não consegue ficar alheia, e que trazem um terrível segredo.

Editora: Rocco  ISBN: 9788532579800030  Ano: 2010   Número de páginas: 472

 

100 dicas para conquistar um vampiro —  Arianne Brogini

Estar apaixonada não é fácil. Estar apaixonada por um vampiro, então, é trabalho dobrado. Não bastassem as dificuldades normais de um relacionamento, como crises de insegurança e ciúmes, ainda há a preocupação com o fato de que talvez ele possa amar com a mesma intensidade que deseja sangue. Mas garotas gostam de viver perigosamente, e se a recompensa for cair nos braços gelados de um vampiro-príncipe como Edward Cullen, todo risco é justificável. Neste livro, é possível encontrar 100 dicas infalíveis para conquistar um vampiro e agarrá-lo pelos caninos. As dicas também podem ser utilizadas com garotos não-vampiros.

Editora: Panda Books  ISBN:  // 8578880536  Ano: 2010  Número de páginas:  92

Academia de princesas — Shannon Hale

Em um povoado distante, a vida segue tranquila, até um anúncio chegar para modificar a vida de todos – o príncipe está buscando uma moça para ser sua noiva, e todas as meninas do reino deverão ser levadas para uma academia de princesas, para aprender os modos da corte. Entre elas, há uma que não deseja este futuro, mas infelizmente o desejo real é uma ordem.

Editora:  Record Galera  ISBN:  8501086541  Ano: 2010  Número de páginas: 272

Águia: os cinco ancestrais — Jeff Stone

A origem do Kung Fu é o tema da série Os Cinco Ancestrais, do norte-americano Jeff Stone, cujo quinto volume, Águia, chega às livrarias. A série – que foi traduzida para 12 idiomas e teve os direitos de adaptação para o cinema comprados pela Nickelodeon – recria a história dos cinco jovens monges que, segundo a lenda, deram origem ao Kung Fu. Cada um deles é mestre num estilo de luta – do tigre, do macaco, da serpente, da garça e da águia. Depois de sobreviverem juntos a uma tragédia, foram instruídos pelo Grão-Mestre a levar adiante sua filosofia de vida e a ensinar suas habilidades de luta.  Neste volume, velhas alianças são questionadas e novas são formadas, e os cinco ancestrais podem evitar a catástrofe se trabalharem unidos.

Editora: Rocco  ISBN:  // 8561396229  Ano: 2010  Número de páginas: 248

Vingança em chamas —  John Marsden

Como num jogo de dados, a cada lance tudo pode mudar. Ellie, Lee, Homer, Fi e Kevin seguem em frente, resistindo ao poderoso invasor de seu país. Eles fazem de tudo para atrapalhar os planos dos inimigos, porém são pegos de surpresa. O destino prepara uma terrível armadilha, e os cinco jovens acabam dentro do grandioso aeroporto militar de Wirrawee, cercados por centenas de soldados fortemente armados e treinados para matar. A coragem, entretanto, fala mais alto. Os amigos colocam em prática um plano superaudacioso e totalmente suicida. Lidando com conflitos internos, a saudade dos pais e de outras pessoas amadas que se foram – e também com uma dolorosa traição -, Ellie segue em frente. Seu mundo agora é um lugar insano, devastado pela guerra. Às vezes, sobreviver parece uma ilusão, um sonho impossível, mas a esperança não morre. Nem mesmo nas piores situações.

Editora: Fundamento ISBN: 8576763672  Ano: 2010  Número de páginas: 232

 

Quem tem medo da noite? —  John Marsden

Uma guerra destrói prédios, casas e pontes de um país, assim como vidas inteiras, o jeito de ser e de pensar de seus habitantes. Será que Ellie perdeu para sempre sua doçura e sua gentileza? O destino colocou outra vez Ellie e seus amigos diante de um desafio – cuidar de um grupo de órfãos da guerra, extremamente afetados pelo horror que viram e viveram. Não vai ser fácil para cinco adolescentes – um pouco mais velhos que essas crianças – tomarem para si essa responsabilidade. Enquanto provam, com a ajuda das crianças, que ainda há espaço para a esperança e a afeição em seus corações, Ellie, Fi, Homer, Lee e Kevin não podem esquecer que a morte os espreita em todos os lugares. Os cinco lutam para escapar de perigosas armadilhas e precisarão de muita força, coragem e sangue-frio para sobreviver ao inimigo que invadiu sua pátria e lentamente se aproxima do único local seguro para eles. Será esse o fim de Ellie e seus amigos?

Editora: Fundamento  ISBN: 8576764164  Ano: 2010  Número de páginas:  212

 

Blue bloods, vampiros de Manhattan — Melissa de la Cruz

Quando o Mayflower aportou nos Estados Unidos, em 1620, trazia a bordo homens e mulheres que lançariam as bases da sociedade norte-americana. Mas entre os Peregrinos havia também aqueles que não estavam apenas fugindo de perseguições religiosas. Eram os Blue Bloods – um clã que acumulou grande poder e riqueza, tornando-se um dos mais influentes grupos da sociedade de Nova York. Schuyler acabou de completar quinze anos. Veias azuis começam a saltar sob a pele pálida de seus braços. Sente um desejo insaciável por carne crua, e estranhas visões de tempos remotos assombram sua mente. E quando uma garota de seu colégio é encontrada morta, sem nenhuma gota de sangue no corpo, Schuyler não sabe o que fazer. Poderiam ser verdadeiras as histórias de vampiros?

Editora: ID  ISBN: 8516067475  Ano: 2010  Número de páginas: 336

 

O caso da Senhorita Canhota — Nancy Springer

A jovem inglesa Enola Holmes permanece solitária, vivendo sozinha na maior, mais sinistra e suja cidade do mundo. Sua mãe ainda é uma incógnita, e para dificultar essa busca, Enola está sendo procurada pelo detetive mais famoso do mundo – seu próprio irmão, Sherlock Holmes. Para que possa continuar livre, ela precisa enganá-lo. Ao encontrar um esconderijo cheio de brilhantes desenhos feito a carvão, ela sente como se fosse uma alma gêmea da garota que fez aquelas obras de arte – mas a garota, a jovem Srta. Cecily desapareceu sem deixar rastros. Desbravando as ruas sombrias onde os assassinos espreitam, Enola deve descobrir como as pistas – uma escada inclinada, um balconista vesgo e alguns panfletos de política – podem levá-la a encontrar a moça canhota. Mas para salvar Srta. Cecily de um poderoso vilão, Enola se arriscará a revelar mais do que ela pode.

Editora: Bonobo  ISBN: 8576792990  Ano: 2010 Número de páginas: 214

Cupcake  —  Rachel Cohn

Aos 18 anos, Cyd Charisse mora em Nova York, no quarto vazio do apartamento do seu meio-irmão Danny, longe dos pais (e de suas regras), mas também das amigas Pão-Doce, Helen e Autumm. A Pequena Rebelde pensa em se inscrever num curso de culinária, e está determinada a encontrar o melhor cappuccino da sua nova cidade; algo que lembre Siri e a antiga vida dos expressos espumados de São Francisco. Ah, e por falar no ex-namorado surfista, a peça chave do novo Plano é não sofrer porque abandonou seu grande amor para que ele pudesse ir morar na Nova Zelândia, e assim aproveitar o que Manhattan tem a oferecer (ou seja, meninos bonitos e interessantes). Na busca pelo capuccino perfeito, quebra o pé e é atendida por um paramédico lindo. Atraída pelo aroma divinal de café a uma loja nada sofisticada, acaba sendo contratada como barista. Uma profissão adequada para alguém viciado em cafeína. Cyd está mais madura e consciente de suas escolhas, mas será que a Big Apple está realmente preparada para ela?

Editora: Record [Galera]  ISBN: 8501079529  Ano: 2010  Número de páginas:  288

Diário secreto de Sara Swan —  Margaret Clark

Neste livro, Sean termina com Sara e sua tia-avó chata muda para o seu bairro. Ela ainda precisa arrumar dois namorados um para ela e outro para sua mãe, que, além de ter se tornado uma tirana em casa, ainda foi dar aula em sua escola e virou a professora mais rígida de todos os tempos.

Editora: Fundamento  ISBN: 8576764571  Ano: 2010  Número de páginas: 158

Intriga  — Anna Godbersen

Um mundo de mistério, traições, rivalidades, escândalos e segredos protagonizados por três jovens socialites. ‘Intriga’ volta a 1899, quando Manhattan começava a se transformar no coração do mundo, a Quinta Avenida abrigava as mansões de algumas poucas e abastadas famílias e os jovens da alta sociedade se exibiam em fabulosos vestidos e elegantes fraques em animados bailes madrugada adentro. Dessa vez, a trágica morte da jovem Elizabeth Holland, uma das mais belas meninas da cidade, volta os olhares de toda a comunidade para os seus conhecidos mais próximos – seu noivo, sua irmã e sua melhor amiga.

Editora: Rocco  ISBN: 9788579800221  Ano: 2010  Número de páginas: 392





A presidência letrada: o que lêem os presidentes?

29 09 2010
Presidente dos Estados Unidos Barack Obama

Recentemente no jornal carioca O GLOBO os atuais candidatos à Presidência da República responderam a perguntas sobre os livros que haviam lido e que mais os marcaram.  As respostas foram tão variadas quanto os candidatos, mas havia uma tendência a citação dos clássicos, literários ou políticos, de Proust a Machado de Marx a Nietzche, como se uma leitura mais atual, até mesmo sobre a nossa história não pudesse ser mencionada sem aprovação dos partidos.  É claro que este tipo de pergunta é considerada de somenos importância no nosso país. Basta examinarmos aqueles a quem elegemos.  Pena! 

 Lendo um artigo de Tevi Troy de11 de setembro na National Review intulado Freedom Frenzy: A Look at Presidential Reading Lists  What they say about our presidents, and us.[ Frenesi de Liberdade:  Um olhar nas listas de leitura presidenciais: o que elas falam  sobre os nossos presidentes, e a nosso respeito] podemos perceber entre outros aspectos, as grandes diferenças não só de educação mas culturais entre os dois países gigantes da América do Norte e da América do Sul.  

 Não vou fazer aqui uma comparação entre os presidentes do Brasil e o dos EUA.  Seria extremamente injusto para conosco.  Vou simplesmente relacionar a lista de leitura de Barack Obama e as consequências de suas escolhas no mercado americano, que se preocupa em seguir o que qualquer presidente lê e principalmente este presidente.  

Enquanto passava duas semanas de férias no refúgio presidencial de verão em Martha’s Vineyard, o presidente americano decidiu comprar e ler o mais recente romance de Jonathan Frazen,  Freedom [ Liberdade].  Algumas semanas depois, o jornal The New York Times mencionou em três lugares diferentes este fato, o que indica, como Tevi Troy mostra,  que os americanos estão sempre querendo saber o que seu presidente está lendo e que há uma grande atração, uma mística sobre o assunto.  E é claro que quando um presidente americano lê um livro, é muito bom para as vendas desse livro.  Vejamos:

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No dia 8 de março, o Barack Obama mencionou que estava lendo o livro lançado em 1986, de Edmund Morris, The Rise of Theodore Roosevelt . – uma biografia do vigésimo sexto presidente dos Estados Unidos,[1901 a 1909]. Imediatamente as vendas desse volume, originalmente publicado 24 anos antes, subiram para 7.000 volumes. 

 

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As vendas do livro de Richard Price, Lush Life  [ no Brasil, Vida Vadia, Cia das Letras: 2009] dobraram em tamanho por várias semanas depois que  a Casa Branca colocou esse título de um romance passado em Nova York nos dias de hoje,  numa lista de leitura de Obama.

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Outra obra da mesma lista, Kent Haruf , Plainsong ,publicada em 2000 vendeu 5.000 cópias mais que o normal em 2010.

 Como Tevi Troy menciona não é só este presidente,  Barack Obama,  que eleva as vendas de livros que a população americana descobre estarem sendo lidos por seus presidentes.  O mesmo interesse ocorre e ocorreu com outros presidentes. 

 É  fascinante —  não é mesmo? – ver um presidente de um país desenvolvido dando-se ao trabalho de ler, não só “os clássicos” mas o que está sendo publicado.  Tão, mas tão longe da nossa realidade que chego a suspirar.  Que tempos melhores nos afaguem.

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A lista completa dos livros que Barack Obama levou para ler nas suas 2 semanas de descanso em Martha’s Vineyard:

The Way Home de George Pelecanos ~ suspense em Washington. D.C.

Vida Vadia,  Richard Price ~ romance que se passa no Lower East Side, em Nova York.

Hot, Flat & Crowded,  Thomas Friedman ~ sobre os benefícios para a América com  a proteção ao meio ambiente. 

John Adams, David McCullough ~ biografia do segundo presidente dos EUA.

Plainsong, Kent Harul ~ romance sobre 8 personagens diferentes vivendo em Colorado.





Imagem de leitura — Julius LeBlanc Stewart

5 08 2010

Lendo em voz alta, 1883

Julius Leblanc Stewart ( EUA, 1855-1919)

Óleo sobre tela, 97 x 118 cm

Julius LeBlanc Stewart ( Filadélfia 1855- Paris 1919).  “O Pintor da Belle-Époque” — Pintor americano que passou a maior parte de sua vida profissional na França.   Filho de um milionário do açúcar, Le Blanc Stweart pintou a vida de luxo de sua família e seus amigos.  Seu pai tornou-se um grande colecionador de arte o que contribuiu para a melhor educação artística de Julius.  Especializou-se em grandes grupos, onde frequentemente se colocava no meio, com um auto-retrato.  Seu talento foi bastante reconhecido e seus trabalhos expostos regularmente no Salão de Paris desde 1878 até o início do século XX.  Ajudou também a divulgar a arte americana em Paris  no Salão de 1894.  Suas pinturas são tão ricas quanto o ambiente que representam.





Descobrindo a esposa através dos livros — um trecho de Os Diários de Pedra, de Carol Shields

3 08 2010

Homem lendo, 1881

Vincent van Gogh ( Holanda 1853-1890)

técnica mista: aquarela e carvão

Museu Kröller-Müller, Otterlo, Holanda

Uma passagem das mais interessantes do livro Os diários de pedra de Carol Shields, cuja resenha publiquei recentemente aqui mesmo no blog, mostra a descoberta que um homem faz da mulher que o abandonou, subitamente, sem nada dizer.  A cena se passa no Canadá nos anos 20 do século XX.  É simultaneamente delicada, enternecedora, engraçada.  E fala da solidão, da inabilidade de se demonstrar o amor.  Realmente fascinante.

***

Fazia um ano que ela tinha ido embora quando ele resolveu fazer uma faxina na sala – tapete, cadeiras, tirar o pó e botar tudo para arejar, e no fundo da caixa de costura dela ele encontrou quatro livros pequenos.  Livros românticos, ele achava que se chamava esse tipo, livros femininos, com capa de papel macio.  Nove centavos cada um, o preço estava carimbado nas costas: Livraria dos Nove Centavos.  Não sabia ao certo como ela arranjara aqueles livros, mas imaginava que os tinha comprado do caixeiro-viajante judeu, comprado e lido em segredo, como se ele algum dia fosse negar-lhe esse prazer tão insignificante.

Ele mesmo começou a ler aqueles livros nas noites de inverno.  Era melhor do que ficar olhando o relógio, ouvindo o seu tique-taque, ou escutando o gelo caindo dos ramos sobre o telhado.  A essa altura ele tinha instalado um pequeno e potente aquecedor a lenha na sala, para esquentar o ambiente, coisa que a esposa vivia pedindo.  Lia, devagar, pois, verdade seja dita, ele nunca em sua vida tinha lido um livro inteiro, da capa à contracapa.  Achava agradável pensar que conseguia decifrar a maioria das palavras, virando as páginas uma por uma, prestando atenção: Lutar por um coração, de Laura Jean Libby, O que o ouro não compra, por uma tal de Sra. Alexander, À mercê do mundo, por Florence Warden e Jane Eyre, de Charlotte Brontë.  Esse último era o seu predileto; havia episódios na história que lhe traziam à garganta uma sensação doce e dolorosa, e nesses momentos ele sentia a esposa perto, separada por algumas batidas do coração, tão perto que ele quase podia estender a mão e acariciar a carne do interior de suas coxas.  Ficava pasmo com a quantidade de pessoas que recheavam aqueles livros.  Cada um era um mundinho, povoado e mobiliado.  E como falava aquela gente dos livros!  Falar, falar, viviam pela língua.  Muito do que diziam era tolice, mas também razoável.  Falar afastava a raiva.  As palavras eram trocadas como se troca dinheiro por mercadoria.  Algumas das frases pareciam poemas, nada do jeito como as pessoas falam na realidade, mas mesmo assim ele as pronunciava em voz alta e as decorava, de modo que, se por algum acaso a esposa resolvesse voltar para casa e retomar o seu lugar, ele estaria pronto.  Se essa bobagem de falar difícil era a maior necessidade dela, ele estaria preparado para satisfazê-la – um vulcão de palavras cheias de doçura e sentimento.  Ó lindos olhos, Ó rosto precioso, Ó pele mais bela.  Ou frases que falavam de coração transbordante, desejo crescendo no peito, súbitas centelhas de um corpo acolhendo outro, ou mesmo a simples declaração de amor: Eu te amo, sussurrou ao ouvido expectante dela.  Adoro-te por inteiro.

Ou, se essas declarações lhe fossem demasiado difíceis, como suspeitava que seriam, iria simplesmente olhá-la nos olhos e pronunciar o nome dela: Clarentine.  Falando a princípio com delicadeza, como se faz para acalmar uma criança arisca, forçando a voz a permanecer suave, falando diretamente para aquele rosto que pertencia para sempre ao Clube Feminino de Ritmo e Movimento mas não a ele, aquele rosto querido e imóvel.  Clarentine.  Clarentine.

Em:  Os diários de pedra, Carol Shields,  tradução de Eliana Sabino, Rio de Janeiro, Editora Record: 1996, páginas 111 e 112.

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NOTA:  Todas as autoras mencionadas nesse texto existiram de verdade.





Se ela soubesse ler, poema de Agenor Silveira

17 07 2010
Cartão postal, anúncio inglês para uma marca de chá.

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Se ela soubesse ler

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                                                 Agenor Silveira

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Se ela soubesse ler — que bom seria!

                Que bom!  com que prazer

E comoção meus madrigais leria,

                Se ela soubesse ler!

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Se soubesse escrever – oh!  que alegria

                Não havia de ser!

Que páginas de amor me escreveria

                Se soubesse escrever!

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Mas quantas outras, quantas, não podia

De estranha procedência receber!

E então – que horror!  Que grande horror seria,

Podia a todas elas responder,

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Permita o justo céu que a desalmada,

Que assim me soube o coração prender,

Aprenda a amar-me apenas, e mais nada,

Porque mais nada lhe convém saber…

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Agenor Silveira ( São Paulo, SP 1880 )– contista, poeta, filólogo, diplomado em direito, jornalista e advogado.

Obras: 

Quatro contos: Moeda antiga, 1912

Versos de bom e mau humor, 1919

Rimas, 1919

Colocação de Pronomes, 1920

Ouro de 24, 1927





A experiência de participar de um grupo de leitura

4 07 2010

Leitura de verão, 1958

Donald Moodie (Escócia, 1892-1963)

Óleo sobre tela

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Como um grupo de leitura mudou a minha vida

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Na ocasião do lançamento do Times Book Club, em março de 2010, o jornal britânico, The Times,  publicou um artigo de autoria de Alyson Rudd, em que ela descrevia o que mudara, na sua maneira de ler um livro, depois de ter aderido a um grupo de leitura. 

O convite, ela reconta, veio depois de alguns encontros com  mães das crianças que freqüentavam os primeiros anos da escola, onde Alyson matriculara  seu filho.  “Você não gostaria de participar de um clube de leitura?” um dia lhe perguntaram.   Inicialmente,  o convite lhe pareceu ter o mistério de quem está sendo convidado  para participar de  uma sociedade secreta.  Sentiu-se lisonjeada inicialmente, mas logo preocupada pois não tinha o hábito de ler ficção contemporânea.  Acabou aceitando participar com o objetivo de se aproximar de outras mães de crianças da escola.  Lá se vão dez anos.

O primeiro romance que leu foi  White Teeth [ Dentes Brancos, Cia das Letras, 2003] de Zadie Smith.  Apesar de muito bem escrito Alyson Rudd não gostou dessa leitura:  a autora fez esforço demais em mostrar uma Inglaterra multi-cultural; mostrou  personagens demais e muito distantes da sua realidade.   Não se igualava, por exemplo, à ficção de Gogol que ela acabara de ler.  Mas mesmo assim,  esta foi uma ocasião que ficou marcada em sua vida, e da qual se lembra vividamente até hoje, desde a leitura do livro, o encontro e o debate, ao queijo Brie e às uvas que as componentes do grupo degustaram ao conversarem sobre os problemas do texto.  

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Lendo, 2003

Peter Harrap ( Grã-Bretanha, 1975)

Óleo sobre tela

Não foi uma boa escolha, não é mesmo?”  a mulher que havia sugerido o livro admitiu.  Mas, apesar de ter sido um experiência frustrante, o livro afinal não tinha sido tão terrível e o queijo e o vinho foram muito bons e as novas amigas pareciam bem divertidas.   E assim seguiu-se para o próximo livro:  Four Letters of Love de Niall Williams [Quatro cartas de amor, Rocco:1999].  O título lhe pareceu horrível.  Tinha aquele jeito de ser um romance açucarado, provavelmente monótono.  Uma carta de amor é mais do que suficiente, pensou.   Mas leu o livro, e foi aí que se tornou uma fã incontestável do grupo de leitura:  Quatro cartas de amor se mostrou um romance notável, que flui;  um livro de uma beleza incontestável, que Alyson nunca teria lido se não fosse membro do grupo. 

À primeira vista, um clube de leitura soa contra-intuitivo.  A leitura é uma busca solitária, uma oportunidade para calar o mundo do trabalho ou o barulho do avião, ou da televisão.  Alyson se lembrava de que por anos, depois de devorar um grande romance,  sempre se sentia vazia ao terminá-lo.  Era como se as férias acabassem subitamente e para trás ficassem o mundo novo, a sociedade independente, as atribulações, o  assassinato, o resgate do amor ou o ódio, tudo de que participara intensamente desaparecia com o virar de uma página final.

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Jessie lendo, s/d

Paul Maze ( França/Inglaterra, 1887-1979)

óleo pastel

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Os clubes de livro ou grupos de leitura são uma cura para esse súbito mal, para essa depressão momentânea.  Em vez de se sentir perdido ao terminar um romance cativante, você sente a excitação da antecipação: o que o resto do grupo pensa em fazer desse livro?    Que será que este livro despertou nas outras pessoas?   E tem mais:  não se precisa mais impingir um livro de que se gosta a uma amigo e esperar que ele se decida a lê-lo, para vir a saber do resultado dos seus esforços.   Com um grupo de leitura você conhece um grupo de pessoas que está lendo o mesmo que você, ao mesmo tempo que você.  E você começa a ouvir dicas:  “o livro está ficando chato, ou ele melhorou muito depois de um início lento ou tedioso;  você  já chegou na parte onde o sacerdote… ? Não, não me conte, não estrague tudo….”

O encontro  mensal representa o encerramento de um pequeno ciclo; ele fecha com chave de ouro o processo da leitura, e nos faz esquecer da tristeza de deixar aquele mundo para trás.  Além do que o encontro marca o início de um novo ciclo.  É hora de começar um novo livro.  Em vez pensar ou dizer para alguém que não participou da mesma experiência com suspiro: “Ah, isso me comoveu tanto” e ser olhado com curiosidade como se você fosse um pouco diferente, você pode dizer isso e receber um aceno  de cabeça, de compreensão, sem que muitas palavras sejam trocadas.   

Mulher lendo, 2005

Alex Cree ( Inglaterra, contemporâneo)

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Um grupo de leitura pode ajudar a resolver aqueles pequenos detalhes  que nos irritam porque parecem não fazer sentido numa narrativa.  “Será que o menino vê o assassinato  ou imagina ter visto?”  Juntos, os membros do grupo se ajudam e você monta as pistas.  E você pode até mesmo concluir que o autor foi deliberadamente obtuso, sinuoso, velado.  E se não chegar a uma resposta concreta, pelo menos, você conseguiu compartilhar a sua frustração e, assim, neutralizá-la, sabendo que outras pessoas entendem do que você está falando. 

 A ascensão dos grupos de leitura transformou a maneira como nos sentimos a respeito da leitura propriamente dita.  Onde inicialmente havia geeks agora há os que ditam as tendências sociais.  Livros são o máximo!   Livros viraram moeda comum.  E o eterno  “Para que time você torce?”  pode ser facilmente trocado pelo “O que você está lendo agora?”  numa conversa casual.   É mais interessante descobrir se alguém leu Cormac McCarthy, The Road, [ A Estrada, Alfaguara Brasil: 2007] ou viu o filme.  É claro que não há problema algum em ter feito ambas as coisas, e os grupos de leitura com freqüência vão assistir juntos a versão cinematográfica de um livro e depois decidir qual é o melhor.   E nem sempre é o livro que ganha, um exemplo disso foi o filme baseado no  romance de  Ian McEwan, Atonement , [Reparação, Cia das Letras: 2002].  

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Mulher lendo, 2006

Tina Spratt ( Irlanda, contemporânea)

óleo sobre tela

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No final das contas, o que sobra é a experiência compartilhada.  Já que se pode assistir a qualquer programa de televisão  praticamente a qualquer  momento bastando gravá-lo, por que a grande maioria prefere assistir a EastEnders e Britain’s Got Talent, [ NT: dois programas na televisão inglesa] quando eles vão ao ar?  É porque queremos participar do bate-papo sobre os programas, mais tarde no trabalho ou na escola.  Torna-se uma experiência muito mais divertida, se você souber de milhões de outras pessoas estão rindo ofegantes no mesmo momento que você.  O mesmo acontece com os livros.
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Os grupos de leitura se espalharam como um vírus antes de Oprah e Richard & Judy lançarem suas versões na televisão.   Ambos os programas fizeram grande sucesso porque fizeram o que todos os bons clubes do livro devem fazer:  expandiram os limites de suas audiências. Oprah pediu a uma nação inteira que lesse One Hundred Years of Solitude, de Gabriel García Márquez [Cem anos de solidão, Record: 2009] – e ninguém se assustou.  No programa de Richard & Judy os leitores se entregaram às páginas de Half of a Yellow Sun  de Chimamanda Ngozi Adichie [ Meio sol amarelo, Cia das Letras: 2009].  Esses livros foram escolhidos, não porque eram apostas seguras, mas porque seriam amados.

 

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Mulher lendo, s/d

Richard Combes ( Inglaterra, contemporâneo)

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É menos maçante ler um livro problemático se você não está sozinho e mais agradável devorar um excelente livro se você sabe que poderá compartilhar seus pensamentos, quase que imediatamente, após a sua leitura com pessoas amigas que saberão do que você está falando.   Um bom livro sempre faz a gente se sentir especial, como se o autor nos tivesse em mente enquanto escrevia.  Ser transportado para longe do seu sofá ou da sua espreguiçadeira para a época vitoriana ou para o espaço sideral, é sempre possível.  Mas quando você volta à Terra  e se encontra em sua cadeira predileta, é muito mais agradável poder falar sobre a sua viagem com alguém que também esteve lá.

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Tradução e adaptação de Ladyce West.

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Para o txto original:  The Times





O sol é para todos, romance de Harper Lee faz 50 anos de popularidade!

17 06 2010

O problema com que todos nós vivemos, 1964

Norman Rockwell ( EUA, 1894-1978)

óleo sobre tela

[Para a revista LOOK de 14-01- 1964]

Old Corner House Collection, Stockbird, Massachusetts

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Na Inglaterra o livro O sol é para todos, [To kill a mocking bird] da escritora  Harper Lee, é um dos livros mais populares ficando em quinto lugar na preferência do público, abaixo  de Orgulho e preconceito [ Pride and Prejudice] mas acima da Bíblia, um fato intrigante considerando-se que o romance foi publicado há exatamente 50 anos, que se passa no sul dos Estados Unidos na época da Depressão.  O enredo se desenrola na cidade fictícia de Maycomb  e um dos temas centrais trata da discriminação racial, discriminação de classe e a procura da justiça para um inocente.  Levando isso em consideração li o artigo que a BBC publicou ontem, justamente analisando essa popularidade, que não é justificada só por ser um livro adotado em muitas escolas.  Ao que tudo indica sua popularidade ultrapassa gerações.  Seus fãs tanto os jovens e quanto seus pais, o consideram uma leitura inigualável.  Além disso, as bibliotecárias entrevistadas nessa mesma enquete do World Book Day admitiram ser O sol é para todos o livro que mais indicavam. 

A narrativa é feita por uma adolescente.  Ou talvez, por uma pessoa idosa lembrando-se de sua adolescência.  O adolescente como narrador tem um longa e forte tradição na literatura americana, cujo principal propulsor dessa voz foi conquistado por  Huckleberry Finn, no livro As aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain.  Em O sol é para todos, Scout, é a filha de um advogado que defende um homem negro da acusação de estupro de uma menina branca, e é através de seus olhos que entendemos a sociedade que a cerca.    Este é de fato um livro sobre justiça, cheio de esperança, de valores morais universais, que não têm nem idade, nem país de origem.  E que todos nós, adultos, jovens ou crianças almejamos.  É um livro de alto astral.  E é, também,  onde aprendemos a tentar ver a realidade através dos olhos de outrem; de andar nos seus passos, de conhecer o seu caminho.  São experiências e atitudes universais que nos mostram a nossa própria humanidade. 

E você?  Já leu O sol é para todos?





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

26 05 2010

Praia de Copacabana.  Domingo. Ressaca.  Sol de outono.  16 horas.  Hora de ler o jornal!