Imagem de leitura — Contardo Barbieri

17 04 2014

Barbieri_Contardo_Lettura_1964Leitura, 1964

Contardo Barbieri (Itália, 1900-1966)

gravura

Contardo Barbieri, nasceu em Pavia em 1900 formou-se pela Academia de Brera , em 1921. Pintor figurativo trouxe modernidade para a arte figurativa lombarda. Durante a década de 1920, simplificou o estilo influenciado pelo grupo italiano Novecento, onde ingressou após sua primeira exposição em Milão, em 1926. Daí por diante começou a expor regularmente; ganhou reconhecimento como principalmente de figuras femininas e belíssimas naturezas mortas. Dedicou-se também a paisagens. Foi nomeado diretor da Academia Carrara de Bérgamo, em 1931 quando desempenhou papel fundamental na renovação cultural da cidade. Faleceu em Milão em 1966.





Imagem de leitura — Giorgione

8 04 2014

Giorgione virgem lendoVirgem lendo

Giorgione (Castelfranco 1477- Veneza, 1510)

óleo sobre madeira, 76 x 60 cm

Museu Ashemolean, Oxford

Giorgione (Castelfranco Veneto , c. 1477 — Veneza, final de 1510) [Giorgio Barbarelli da Castelfranco], pintor italiano, do Renascimento. Giorgione foi o fundador da escola de pintura renascentista de Veneza apoiado por Giovanni Bellini e Ticiano, que muito aprenderam com ele.





Imagem de leitura — Francesco Netti

20 03 2014

Francesco Netti, La lettrice, 1873A Leitora, 1873

Francesco Netti (Itália, 1832-1894)

óleo sobre tela, 54 x 44 cm

Pinacoteca di Bari, Itália





Veneza do século XIII: os primórdios do capitalismo e da globalização

9 01 2014

Marco Polo sailing from Venice in 1271, detail from an illuminated manuscript, c. 15th century; in the collection of the Bodleian Library, Oxford, Eng.Marco Polo saindo em navio de Veneza, em 1271.  Detalhe de iluminura de um manuscrito do século XV, na Biblioteca Bodleian, na Universidade de Oxford.

QUASE TODOS em Veneza dedicavam-se ao comércio. As viúvas investiam em atividades mercantis e qualquer jovem desprovido de meios podia intitular-se “mercador” simplesmente aventurando-se no negócio. Apesar dos riscos enormes, riquezas inimagináveis atraíam os mais arrojados, os empreendedores e os bobos. Fortunas surgiam e evaporavam da noite para o dia, e muitas fortunas familiares venezianas provinham do êxito de uma única expedição comercial a Constantinopla.

Os mercadores venezianos desenvolveram todo tipo de estratagema para lidar com mudanças bruscas em seu meio de vida, o comércio mundial. Na ausência de padrões para o câmbio, as diversas moedas em uso eram um pesadelo na hora da conversão. O Império Bizantino tinha os seus besantes, as terras árabes seus dracmas, Florença seus florins. Confiando na proporção entre ouro e prata numa moeda para determinar o seu valor, Veneza tentava acomodar todas. Mercadores como os Polo evitavam o difícil sistema monetário, com sua inevitável confusão e depreciação e negociavam, com gemas tais como rubis, safiras e pérolas.

Para resolver suas necessidades financeiras sofisticadas e exóticas a cidade desenvolveu o sistema bancário mais avançado na Europa Ocidental. Bancos de depósito do continente são originários de Veneza. Em 1156, a República de Veneza tornou-se o primeiro estado desde a Antiguidade a obter um empréstimo público. Ela também emitiu as primeiras leis bancárias da Europa, com o fim de regulamentar a nascente indústria bancária. Como resultado dessas inovações, Veneza dispunha das mais avançadas práticas de negócios da Europa.

Veneza adaptou os contratos romanos às necessidades dos mercadores que negociavam com o Oriente. Sofisticados contratos marítimos de empréstimo ou de troca estipulavam as obrigações entre armadores e mercadores inclusive faziam seguro – obrigatório em Veneza a partir de 1253. O tipo de acordo mais comum entre os mercadores era o comenda ou, no dialeto veneziano, collegantia, um contrato baseado em modelos antigos. Numa tradução aproximada, o termo significava “negócio de risco” e, mais que um conjunto de princípios legais consistentes, era um reflexo dos costumes prevalecentes no comércio. Apesar de esses contratos do século XII e XIII pareceram antiquados suas exigências de precisão contável são surpreendentemente modernas. Eles exprimiram e respaldaram uma forma rudimentar de capitalismo muito antes do surgimento do conceito.

Para os venezianos, o mundo era assombrosamente moderno de outra maneira: ele era “plano”, isto é, mundialmente ligado para além das fronteiras e dos limites, fossem estes naturais ou artificiais. Eles viam o mundo como uma rede de rotas comerciais e oportunidades constantemente em mutação que se estendiam por terra e mar. Por barco ou em caravanas, os mercadores venezianos viajavam aos quatro cantos do mundo em busca de especiarias, gemas e tecidos valiosos. Graças à sua iniciativa, minerais, sal, cera, remédios, cânfora, goma-arábica, mirra, sândalo, canela, noz-moscada, uvas, figos, romãs, tecidos (especialmente seda), peles, armas, marfim, lã, penas de avestruz e papagaio, pérolas, ferro, cobre, pó de ouro, barras de ouro,  barras de prata e escravos asiáticos chegavam à Veneza, provenientes da África, do Oriente Médio e da Europa Ocidental, por meio de complexas rotas comerciais.

Itens ainda mais exóticos chegavam à cidade a bordo de galés estrangeiras. Imensas colunas de mármores, pedestais, painéis e blocos, arrancados de templos ou edifícios em ruínas em Constantinopla ou alguma cidade grega ou egípcia, amontoavam-se no cais. Esses restos da antiguidade, lápides de civilizações mortas ou moribundas, terminavam em uma esquina qualquer da Piazza San Marco, ou na fachada de um palazzo ostentoso habitado por algum duque ou rico mercador.

A diversidade de mercadorias levou Shakespeare a comentar por meio da personagem Antônio em O Mercador de Veneza, que “o lucro e o comércio da cidade/dependem de todas as nações”. O comércio veneziano era sinônimo de globalização – outro conceito embrionário da época. Para estender seu alcance, os venezianos formavam parcerias com governos e mercadores distantes que desconsideravam as divisões raciais e religiosas. Árabes, judeus, turcos, gregos e, mais tarde, mongóis faziam parcerias comerciais com Veneza, mesmo quando pareciam ser seus inimigos políticos…

Em: Marco Polo: de Veneza a Xanadu, Laurence Bergreen, tradução Cristina Cavalcanti, Rio de Janeiro, Objetiva: 2009, pp 28-30.





A natureza humana em O advogado do diabo de Morris West

9 11 2013

José LIMA, Interior de Igreja, OST, Capela da Ordem III de S. Francisco, Olinda, PE, 1972, 60x73cm,Interior de Igreja, 1972

[Capela da Ordem Terceira de São Francisco, Olinda, PE]

José Lima (Brasil,?-?)

óleo sobre tela, 63 x 70 cm

Eu já havia lido O advogado do Diabo de Morris West na minha adolescência.  Tinha gostado.  Mas,  por causa do novo papa, Francisco I,  a conversa no grupo de leitura caiu sobre a Igreja Católica e resolvemos voltar a este livro. Os dezessete membros do grupo já haviam lido esse romance na adolescência, o que atesta para sua popularidade.  Este e As Sandálias do Pescador do mesmo autor. Qual não foi então a minha surpresa, ao descobrir enquanto lia o romance, que eu não me lembrava de quase nada da história! Foi como ler um novo livro. E que livro!  Prazer do início ao fim.

Morris West não foi um autor popular por demagogia ou marketing. É um ótimo escritor. Cuida dos personagens. Introduz nuances psicológicas, problemas sociais, e, além disso, é um excelente observador da natureza humana, de suas frustrações e insatisfações.  Conhece e retrata os valores de cada personagem com abundância de detalhes e economia de palavras que fazem um texto enxuto, preciso e ponderado. Encantador.

O título O advogado do Diabo – por favor, não confundir com o filme mais recente com o mesmo nome que não tem nada a ver com este livro – se refere ao processo dentro da Igreja Católica pelo qual todos aqueles que estão sendo considerados para beatificação precisam passar. Entendo que esse processo sofreu mudanças depois das reformas trazidas à Igreja pelo Papa João XXIII, mas o romance de Morris West é anterior a 1963 e nele vemos a Igreja Católica como ainda operava depois da Segunda Guerra Mundial. Mas então, qual a razão do título?  A Igreja não pode confiar só no que seus fiéis lhe dizem. Precisa ter certeza de que os milagres aconteceram, de que os candidatos eram dignos.  Chamavam de advogado do Diabo, aquele membro da própria igreja, que é designado para descobrir as falhas de caráter, de ações, de intenções de quem é considerado para beatificação. O advogado do Diabo é o religioso que tem como dever provar que o candidato à santificação não deveria ser santificado. É o promotor digamos assim e não o advogado de defesa do candidato à santificação.

O Advogado do Diabo_638x957

Este é o enredo.  Aparente.  Mas  o texto pode e deve ser lido em diferentes níveis.  Além da perseguição à verdadeira vida do possível santo, processo que corre como em um livro policial, vemos o mundo pelos olhos de um homem submerso em uma crise emocional e de identidade: o Monsenhor Maredith Blaise, católico de nacionalidade inglesa, que há muito mora na Itália, está distante do mundo e de si. Encarregado da investigação e diagnosticado com câncer terminal, encontra-se contrabalançando duas empreitadas distintas — viver com dignidade e julgar a santidade de outrem — certo ele só tem a certeza de que o futuro é de dias contados. Portanto, aproxima-se dessa investigação de maneira distante e duvida do acerto de sua escolha.  Temos uma visão do que lhe aflige pelas palavras do Cardeal Eugenio Marotta que, ao lhe dar a missão de advogado do diabo, o descreve assim: “Não há paixão na sua vida, meu filho. O senhor nunca amou uma mulher, nem odiou um homem, nem sentiu piedade por uma criança. Apartou-se demasiado tempo e é, agora, um estranho no seio da família humana. Jamais pediu nada nem deu nada. Jamais conheceu a dignidade da privação nem a gratidão de um sofrimento compartilhado com outrem. Eis aí a sua enfermidade. Eis aí a cruz que o senhor talhou para os próprios ombros. Aí é que começam não só as suas dúvidas, como também os seus temores…pois um homem que não pode amar o seu semelhante tampouco pode amar a Deus”.

Confrontado, mais tarde, com a vida do milagroso Giàcomo Nerone, enquanto julga a possibilidade de beatificação, o monsenhor tem a oportunidade de fazer amigos e desfrutar do calor de suas companhias: Aurélio, o Bispo de Valenta se mostra uma pessoa interessante e genuinamente solícito; enquanto a seriedade e determinação do judeu e médico da aldeia Aldo Meyer movem sua admiração.  Tecidos nessas amizades estão os verdadeiros sentimentos de Meredith Blaise que reaparecem e tomam vigor, na mesma proporção em que seu corpo se deteriora. Mas a meio caminho floresce a compaixão, o amor ao próximo e o entendimento de que as pessoas são o que são e tudo o que se pode fazer é mostrar a elas as escolhas que têm.  Cada qual tomará o seu caminho e será responsável por ele.

morris westMorris West (1916-1999)

Publicado em 1959, nem a Igreja nem o mundo são mais os mesmos que aparecem no romance. Mas isso não afeta o seu entendimento, o prazer da leitura e, sobretudo os princípios humanistas expostos tão sucinta e claramente pelo autor. Tudo embalado em uma das mais interessantes narrativas que encontrei nos últimos tempos: Morris West consegue fazer dos vários e muitos habitantes da pequena  Gemello Minore— do candidato a santo ao padre local e sua empregada; do médico à amante do “santo” e seu filho bastardo; da já-nem-tão-jovem condessa ao seu companheiro homossexual e pintor medíocre  — , faz de todos, verdadeiros personagens, tridimensionais, com dilemas morais e de sobrevivência que os leva a ações nem sempre lógicas; mas mesmo que não simpatizemos com eles ou seus problemas, conseguimos entendê-los graças à habilíssima narrativa com que nos são apresentados.  A prosa refinada, com alguns parágrafos que nos fazem querer recortar o livro, separá-los e meditar sobre suas implicações, é a cereja do bolo.  Este é um romance policial, histórico,  psicológico; rico em questões de ética, pronto para o debate moral. Como um bom livro acaba mais ou menos em aberto, deixando que o leitor defina por si e para si o verdadeiro significado do que lhe é apresentado. Um romance que entrega muito mais do que se espera.  E como tal, prova o grande escritor que o produziu.  Segue então, muito recomendado.  Vou reler outros do autor.





Imagem de leitura — Ciro d’Alessio

5 04 2012

Pique-nique, 2007

Ciro d’Alessio (Itália, contemporâneo)

Ciro d’Alessio

Pintor napolitano.





Imagem de leitura — Adolfo Belimbau

11 02 2012

Jovem lendo na varanda, s/d

Adolfo Belimbau (Itália, 1845 – 1938 )

óleo spbre tela, 52 x 62 cm

Adolfo Belimbau nasceu no Cairo, Egito em 1845.  Autodidata dedicou-se à paisagem, a cenas de gênero oriental e ao retrato.  Seus trabalhos estão expostos na Galeria de Arte Moderna di Palazzo Pitti em Florença.





Fevereiro, já se ouve o rufar dos tambores (V)

5 02 2012

Carnaval em Roma, 1839

Alexandre Petrovich Myasoedov (Rússia, 1806-1852)

óleo sobre tela

DETALHE DA TELA ACIMA





Imagem de leitura — Michele Righetti

26 01 2012

Poemas do Gato Vermelho, 2006

Michele Righetti ( Itália, morando em Singapura)

acrílica sobre tela, 140 x 120 cm

http://www.michelerighetti.com

Michele Righetti nasceu  num pequeno vilarejo entre Bologna e Florença, nos Apeninos.  É pintor, ilustrador e escultor.  Reside em Singapura.





Imagem de leitura — Fulvio de Marinis

25 01 2012

Leitura, s/d

Fulvio de Marinis (Itália, 1971)

Fulvio de Marinis nasceu em Nápoles, na Itália em 1971.   Formou-se pela Academia de Arte de Nápoles.  Pintor de estilo clássico que de dedica à pintura de gênero e ao retrato,