Helen Simonson e “O Major Pettigrew”, um revolucionário dos costumes sociais

28 10 2012

Aldeia inglesa

Peta Carley ( EUA, contemporânea)

óleo sobre tela

Uma preciosa contribuição à ficção inglesa contemporânea foi feita por Helen Simonson na aventura  passada no interior da Inglaterra, onde um major do exército britânico de 68 anos, aposentado e viúvo, se encontra, para surpresa própria, na expectativa de um novo romance com a dona de uma loja de conveniência em um pequeno vilarejo em Sussex.   A última façanha do Major Pettigrew [Rocco: 2010] é uma narrativa recheada de grande senso de humor, que nos leva do sorriso à gargalhada sonora; onde testemunhamos as dificuldades das decisões apropriadas e os tropeços sociais do protagonista, que por timidez, por limitações da boa educação atrapalha-se quando mais quer impressionar, numa clássica tensão entre desejo de acerto e comportamento social antagônico, como rege a comédia inglesa.

Ainda que pertencente à tradição da comédia de costumes tão bem explorada por Jane Austen,  Major Pettigrew divide com “Mr. Darcy” do romance do século XIX algumas poucas  características: o interesse pela pessoa inesperada; aptidão de ignorar os costumes sociais da época; inabilidade de se expressar da melhor maneira possível em circunstâncias delicadas e a galhardia.   Enquanto em Orgulho e Preconceito sorrimos mentalmente com as observações de “Lizzie”, neste romance, podemos rir às gargalhadas com a deficiência de coordenação entre a vontade e a ação do herói e pretendente amoroso.

A tensão nessa comédia é grande, causada pelo frequente embaraço do personagem.  A pressão entre a situação vivida e a vontade do Major é tanta que muitas vezes Pettigrew lembra em seu comportamento Basil Fawlty, personagem principal do programa Fawlty Towers da BBC, da década de 1970, onde no texto escrito e desempenhado por John Cleese há descompasso semelhante, se bem que na comédia para a televisão as ambições de Basil Fawlty, gerenciando seu pequeno hotel não tenham nada em comum com as situações vividas pelo major aposentado.

Muitos são os herdeiros literários de Jane Austen e eles se diferenciam não só pelo nível da crítica social como também pela época em que escrevem, porque as caracterizações na comédia de costumes dependem disso.  No século XX tivemos, entre outros, duas grandes mestras nessa arte: Barbara Pym e Elizabeth Bowen.  Helen Simonson parece mais relacionada a Barbara Pym.  Não tem o tom às vezes soturno de Elizabeth Bowen.  Como Barbara Pym, Helen Simonson manteve a trama na pequena aldeia, em personagens comuns aos vilarejos ingleses e ainda na característica de que a realidade e os planos feitos pelos personagens quase sempre têm somente um certo grau de sucesso e frequentemente aquele que não era esperado. A arte de retratar as pequenas frustrações do cotidiano de qualquer individuo, sem cair no dramalhão ou no ridículo é uma das características mais cativantes da literatura inglesa desse gênero.  Vidas prescritas pelas circunstâncias sociais, a traição de segredos mantidos a sete chaves, a transformação das vidas de personagens quando forças incontidas sobem à superfície são alguns dos pontos em comum entre todas essas escritoras.  A mestria das meias-palavras, do ofuscamento, das reticências, tão tipicamente ingleses, são nuances que nem sempre conseguem ser transportadas para outra língua ou cultura.  E aqui se faz necessário aplaudir a excelente tradução de Waldéa Barcellos que não poupa esforços para transmitir a insinuação maldosa dos personagens, o artifício literário  do não dito pelo dito.

Helen Simonson

Além do tremendo senso de humor, da análise sagaz de tipos que todos nós conhecemos, há outros aspectos que fazem dessa publicação um deleite.  Este romance é sobretudo contemporâneo nas situações, nos preconceitos, na realidade de uma Inglaterra pós império colonial.  Ter que aceitar súditos de países colonizados está na agenda social de todos  os países europeus colonizadores que no final do século XX, por causa da integração na Comunidade Europeia, tiveram que abdicar de suas colônias na África e na Ásia.  Cada um fechou o domínio colonial de maneira diferente, mas todos tiveram que aceitar em seu território muitos cidadãos que não tinham o perfil visual e cultural dos países sede.  Consequentemente temos na Europa hoje a abundância de coloridos de peles, de religiões outrora estrangeiras, de costumes alimentares diferenciados.  Como essa aceitação se faz na Inglaterra é um dos assuntos tratados por Helen Simonson, assim como: problemas de heranças, entre pais e filhos, e expectativas que temos de amigos e que eles têm de nós.  Tudo  habilmente administrado por uma escritora que diverte e dá ao leitor uma pausa e espaço para refletir sobre esse novo mundo: uma bem-vinda moratória aos jargões óbvios do politicamente correto.  Por tudo isso,  este é um livro para ser lido e degustado.





Imagem de leitura — Aubrey Beardsley

19 02 2012

Pierrô na biblioteca, 1896

Desenho para a série “Pierrot’s Library” [ A biblioteca de Pierrô]
Aubrey Beardsley (Inglaterra, 1872-1898)





Imagem de leitura — Philip Naviasky

14 02 2012

Garota lendo, s/d

Philip Naviasky, (Inglaterra, 1894-1982)

Philip Naviasky nasceu em Leeds na Inglaterra em 1894, filho de imigrantes poloneses. Ganhou uma bolsa de estudos para a Leeds School of Fine Art  em 1907 e aos 18 anos tornou-se o mais jovem estudante aceito para a Royal Academy Schools.  Apesar de ter morado a maior parte de sua vida em Leeds, viajou muito conhecendo bem os seguintes países: Irlanda, Sul da França, Áustria, Itália, Espanha, Portugal, EUA, México e outros países.  Ficou melhor conhecido como retratista.  Morreu aos 90 anos em 1982.





Imagem de leitura — James Archer

31 01 2012

A morte do rei Artur, 1860

James Archer (Inglaterra, 1823-1904)

óleo sobre madeira, 51 x 43 cm

City Art Gallery, Manschester, Inglaterra

James Archer nasceu em Edinburgo, na Inglaterra.  Estudou pintura na Trustee’s Academy com Sir William Allan e Thomas Duncan.    Em 1840 foi aceito na Academia Real da Escócia e fez sua primeira exposição lá em 1842.  Tornou-se um associado e mais tarde um professor da academia.  James Archer foi um pintor histórico e um excelente retratista.  Morreu em 1904 em Surrey.





Imagem de leitura — William H. Patten

27 01 2012

Virgem Maria e o Menino Jesus, 1853

William H. Patten ( Inglaterra, ?-?  século XIX)

aquarela e guache

Bristol Museum & Art Gallery

Inglaterra





Imagem de leitura — Brenda Burke

24 01 2012

Ilha de verão, s/d

Brenda Burke (Inglaterra, contemporânea)

gravura, tiragem 650

http://www.terigalleries.com/burke.php





Imagem de leitura — Emile Vernon

16 01 2012

Uma bela jovem lendo seu livro de orações, s/d

Emile Vernon ( França 1872- Inglaterra, 1919)

òleo sobre tela

Emile Vernon nasceu em Blois, na França em 1872.   Pouco se sabe a respeito de sua vida.  Pintor acadêmico que trabalhou intensamente tanto na França quanto na Inglaterra como retratista de belas jovens da sociedade e  um pouco menos, mas também de cenas de gênero.  Foi estudante na Escola de Belas Artes, em Tours. Depois migrou para Paris onde parece ter estudado com  Bouguereau.   Já no início do século XX encontra-se em Londres.  Faleceu em 1919.





Imagem de leitura — Sophie Anderson

3 01 2012

O livro de histórias das crianças, s/d

Sophie Anderson (Inglaterra, 1823-1903)

óleo sobre tela

Birmingham Museums & Art Gallery

Inglaterra

Sophie Gengembre Anderson foi uma pintora inglesa, nascida na França em 1823, que se especializou em pintura de gênero e em particular pintura de crianças e mulheres de vida rural.  Filha de pai francês e mãe inglesa, Sophie Anderson morou nos Estados Unidos quando a família saiu da França fugindo da revolução de 1848.   Nos EUA morou em Ohio e na Pansilvênia onde encontrou pela primeira vez seu futuro marido o pintor inglês Walter Anderson.  Voltou permanentemente para a Inglaterra em 1894.  Faleceu  em Cornwall em 1903.





Imagem de leitura — Helen Stratton

1 01 2012

Ilustração para conto de fadas, 1903

Helen Stratton (Inglaterra, ativa entre 1891-1925)

Helen Stratton foi uma pintora inglesa retratista e trabalhou também como destacada ilustradora de livros, principalmente por suas ilustração dos Contos de Fadas de Andersen. Trabalhou em Londres.





Imagem de leitura — Angus McBride

15 11 2011

Histórias para a hora de dormir

Angus McBride (Inglaterra, 1931- 2007)

Guache sobre papel

Coleção Particular

[Nota: ilustração usada para a capa da revista Era uma vez [ Once upon a time, nº 13]

Angus McBride nasceu em Londres.  Ficou órfão de mãe aos 5 anos de idade e órfão de pai durante a Segunda Guerra Mundial, aos 12 anos de idade.  Foi educado na Escola do Coro da Catedral de Canterbury.  Depois de fazer o serviço militar, mudou-se para a África do Sul, por causa da má situação economica de pós-guerra na Inglaterra.   Fez bastante sucesso em Cape Town como ilutrador de livros, mas em 1961 voltou à Inglaterra, onde havia um maior mercado para as artes gráficas.  Na década de 1970 volta à Africa do Sul.  Ficou conhecido por suas ilustrações históricas.  Faleceu em 2007.