Retrato da Sra.Vighi, 1930-1936
Cagnaccio di San Pietro
Cognome de Natalino Bentivoglio Scarpa, (Itália, 1897-1946)
óleo sobre madeira, 103 x 72 cm
Coleção Particular
Retrato da Sra.Vighi, 1930-1936
Cagnaccio di San Pietro
Cognome de Natalino Bentivoglio Scarpa, (Itália, 1897-1946)
óleo sobre madeira, 103 x 72 cm
Coleção Particular
Julien Jacques LeClerc (França, 1885-1972)
ilustração para La Vie Parisiènne, década de 1920
À luz do lampião, 1890
Harriet Backer (Noruega, 1845-1932)
óleo sobre tela, 64 x 66 cm
Coleção Rasmus Meyer
The Bergen Art Museum
Jorge Luis Borges
Octavian Smigelschi (Romênia, 1866-1912)
óleo sobre tela, 65 x 75 cm
Museu Nacional Brukental, Sibiu, Romênia
Étienne-Prosper Berne-Bellecour (França, 1838-1910)
óleo sobre madeira, 37 x 25 cm
Em leilão Christie´s — 2005
Paul-Émile Chabas (França, 1869-1937)
Óleo sobre tela, 37 x 55 cm
Coleção Particular
500.000 checos na fronteira nazista, 1938
Reginald Marsh (EUA, 1898-1954)
Têmpera sobre eucatex, 61 x 45 cm
Coleção Particular
“Depois de termos visto os principais teatros e dancings de New York, começamos a levar uma vida mais estável e sossegada. Artur começou a estudar mais e a escrever o livro com vontade. Eu lia muito também. Andava pelas livrarias catando novidades e lia em inglês tudo o que podia. De vez em quando recebia carta de Elisabeth e Simone, com presságios tristes sobre a situação europeia. Não tinham mais esperanças de paz e se preparavam para enfrentar “uma época Terrível”, como escreveu Elisabeth com T grande.
À noite, gostávamos de andar a pé na Broadway observando os hábitos dos americanos, admirando os inumeráveis anúncios luminosos e o movimento surpreendente. Mais de uma vez jantamos nos automáticos. Eu gostava de por o níquel para ver o pratinho cair em baixo com uma torta de frango e salada; mais adiante um pouco de morangos e creme. Colocávamos tudo na bandeja e escolhíamos uma mesa de canto, onde saboreávamos nosso jantar improvisado, acompanhado de grandes copos de chope espumando e e escorrendo pela mesa de mármore.
Ríamos das nossas travessuras, como se fôssemos crianças sem juízo.
Eu notava como as moças e senhoras eram respeitadas em New York; muitas vezes à meia noite encontrávamos em plena Broadway um grupo de três ou quatro moças que vinham do teatro ou do cinema, tomavam qualquer coisa numa confeitaria e iam tranquilamente para suas casas, falando e rindo alegremente, quase sem serem notadas pela multidão. Outras vezes víamos duas ou mais senhoras, já matronas, algumas de óculos, jantando juntas num restaurante em trajes de baile, rindo e fumando, depois iam ao teatro e atravessavam as ruas movimentadas, sem ninguém olhar sequer para elas. E, às vezes, já era tarde, fora de horas.
Eu dizia a Artur:
— Eu gostaria de viver aqui, mulher nesse país tem personalidade, não precisa viver acompanhada por homens para ser alguém.
Artur confirmava e admirava-se também da independência absoluta das mulheres nos Estados Unidos.”
Em: O romance de Teresa Bernard, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Ed. Brasiliense Ltda: 1945, 4ª edição, pp. 371-2 [Primeira edição:1941]