Cartas que me devolveste rasgadas, soneto de Alfredo de Barros

18 01 2025

Els Bleekrode lendo na cama,1936

Meijer Bleekrode (Holanda,1896-1943)

óleo sobre tela, 101 x 78 cm

 

 

Cartas que me devolveste rasgadas

 

Alfredo de Barros

 

Se é tudo quanto tens pra me dizer,

Fora melhor calar essa atitude.

Tinha mais graça e tinha mais virtude

Se m’o desses apenas a entender.

 

Se em teu amor por vezes eu não pude

O sentido dum gesto compreender,

— Propósitos de nunca responder

Têm um alcance que a ninguém ilude.

 

Tranquilamente, como sol que finda,

Morria o sonho sem olhar ainda

Para o rasto deixado antes de si. . .

 

Assim, talvez jamais acreditasse

Que só por ter beijado a tua face

Andei louco de amor atrás de ti.

 

 

Em: Versos de cinzas, Alfredo de Barros, Lourenço Marques {Maputo], 1946





Imagem de leitura: Reynaldo Fonseca

16 01 2025

Lição de casa, 2007

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925-2019)

óleo sobre tela, 81 x 100 cm

 

 

Reynaldo Fonseca é um dos pintores brasileiros de que mais gosto.  Gosto do silêncio em suas imagens,  da tradição clássica que todas suas obras respiram, podendo estar lado a lado com uma tela renascentista, por exemplo, sem estar diminuída, apesar de usar linguagem diversa.  Gosto também do mistério e do ocasional aceno ao surrealismo figurativo.  Seus quadros são atemporais, quase místicos. Eles aspiram a algo maior do que a própria imagem, do que a própria pintura. Sou parcial à sua obra. Sim, eu teria muitas de suas telas em casa, vivendo comigo. 





Imagem de leitura: František Reichentál

6 01 2025

Dois Talmudistas, 1932

František Reichentál (Eslováquia-EUA, 1895-1971)

óleo sobre tela





Imagem de leitura: Emma Fordyce MacRae

18 12 2024

A garota italiana

Emma Fordyce MacRae  (Áustria, EUA, 1887-1974)

óleo sobre tela,  91 x 81 cm





Imagem de leitura: Fanny Brügger

6 12 2024

Senhora lendo com Spaniel no colo

Fanny Brügger (Alemanha, 1880-1965)

óleo sobre tela, 38 x 48 cm





Imagem de leitura: Guillermo Marti Ceballos

27 11 2024

Leitora I, 2008

Guillermo Marti Ceballos (Espanha, 1958)

óleo sobre tela





E veio o domingo…

24 11 2024

A leitora

Catherine Marché (França, contemporânea)

óleo sobre madeira, 53 x 60 cm

 

 

“Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.”

 

Carlos Drummond de Andrade

 





A intrigante primeira frase…

21 11 2024

Jovem leitora

Birgit Stern (Alemanha, 1970)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm

 

 

“No verão de 1917, Robert Grainier participou da tentativa de assassinato de um operário chinês flagrado roubando, ou pelo menos acusado disso, no armazém da companhia ferroviária Spokane International, na estreita faixa de terra que forma o cabo da frigideira do mapa de Idaho.”

 

Em: Sonhos de trem, Denis Johnson, tradução de Alexandre Barbosa de Souza, São Paulo, Companhia das Letras: 2012.

 

 





Imagem de leitura: Marie Aimée Lucas-Robiquet

21 11 2024

Um momento de silêncio, c. 1897

Marie Elisabeth Aimée Lucas-Robiquet (França, 1858-1959)

Óleo sobre tela,  16 x 12 cm





Minuto de sabedoria: Blaise Pascal

15 11 2024

Homem lendo

Joseph Lorusso (EUA, 1964)

óleo sobre placa, 29 x 29 cm

 

O presente inexistente

 

Nunca nos detemos no momento presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos, e não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos, que pensamos naqueles que não são nada, e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste. É que o presente, em geral, fere-nos. Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir. Tentamos segurá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão, para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.
Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.



Blaise Pascal, in “Pensamentos”

 

(Blaise Pascal, 1623-1662)