Flor silvestre e a ilustração de Euclides L. Santos

14 02 2012

Dando continuidade ao tema de ilustradores de livros do século XX, hoje apresento as ilustrações de Euclides L. Santos.  Elas foram feitas para o livro Flor Silvestre de Nilo Bruzzi,  publicado no Rio de Janeiro, pela Editora Aurora em 1962.  Nilo Bruzzi (MG 1897- RJ 1978) foi um escritor capixaba, melhor conhecido por sua poesia, ainda que tenha uma extensa lista de publicações que incluem contos, palestras e romances.  A primeira edição de Flor Silvestre foi de 1953.  Deve ter tido uma boa aceitação já que nove anos mais tarde há a publicação da 2ª edição do livro.  As ilustrações têm todas as características de estilo da década de 1950.

A mesma ilustração da capa, aparece de novo, em preto e branco, antes da página de rosto.

Euclides Luís dos Santos nasceu em Mussaré, PE, em 1908.  Pintor, desenhista e caricaturista.  Veio para o Rio de Janeiro em 1930, juntamente com o desenhista e caricaturista Nestor Silva.   Logo publicou seus primeiros desenhos no Para Todos,   O Jornal e Diário da Noite, e realizou exposição com seu companheiro de viagem na Sociedade Brasileira de Belas Artes em 1931. No período de 1933 a 1955 colaborou como ilustrador nas páginas de A Noite, A Noite Ilustrada, Vamos ler! (onde ilustrou o romance Oliver Twist de Dickens), Carioca, O Cruzeiro, O Malho e Revista da Semana.  Herman Lima, que o focalizou na História da Caricatura no Brasil (1963), referiu-se à intensidade de seu trabalho no campo da ilustração.  Como pintor recebeu as medalhas de prata e de ouro e o prêmio de viagem ao estrangeiro no SNBA, do qual participou inclusive em 1964.  [Roberto Pontual, Dicionário das Artes Plásticas no Brasil, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira: 1969]

“Corina França foi a primeira.  Trouxe uma braçada de rosas brancas…”

É uma pena que a impressão das ilustrações coloridas do livro, não tenha sido partcularmente boa.  A edição toda foi em brochura, com papel de baixa qualidade, mas as ilustrações foram feitas em papel couché e têm uma folha de papel fino protegendo.  Ao todo são 10 capítulos e 11 ilustrações de texto coloridas e a capa.

“…passeios, picnics na Crèmerie…”

“Pegado a esse terreno começa o prédio de O Primeiro Barateiro…”

Pela maneira como as cores foram reproduzidas, acredito que os originais sejam aquarelas.  Quem será que tem esses originais?

“… dizia que o clima era ótimo…”

“Era uma flor volante, vestido cor-de-rosa pálido…”

“Fez dela uma grande dama. Sensacional mesmo.”

“Caminhamos rumo à avenida conversando.”

“Dei-lhe o envelope com o dinheiro, dizendo-lhe quem o mandava.”

“…e fechou-nos por dentro. Voltou à poltrona…”

“Risonha e linda entrou segura ao meu braço na igreja…”

“…tinha criado asas, voado, vencido distâncias e pousado sobre o banco do jardinzinho de Batuíra…”





Imagem de leitura — Sarah Stilwell Weber

8 01 2012

Ilustração de Sarah Stilwell Weber.

Sarah Stilwell Weber nasceu nos Estados Unidos em 1878 e estudou desenho e ilustrção com Howard Pyle.   Ilustrou alguns poemas e histórias de Katharine Pyle, irmã do pintor que também era ilustradora e escritora, para a revista Harper´s Bazaar nos primeiros anos do século XX.  Em 1909 começou a fazer as capas para a revista Saturday Evening Post.  Foi muito produtiva no início da carreira, mas menos na década de 1920.  Faleceu nos Estados Unidos em 1939.





Imagem de leitura — Helen Stratton

1 01 2012

Ilustração para conto de fadas, 1903

Helen Stratton (Inglaterra, ativa entre 1891-1925)

Helen Stratton foi uma pintora inglesa retratista e trabalhou também como destacada ilustradora de livros, principalmente por suas ilustração dos Contos de Fadas de Andersen. Trabalhou em Londres.





Feliz Ano Novo! — Um brinde! Viva o “apimentado” de meados do séc. XX

30 12 2011

Brinde ao Ano Novo, artista desconhecido, 1946.





Imagem de leitura — Angus McBride

15 11 2011

Histórias para a hora de dormir

Angus McBride (Inglaterra, 1931- 2007)

Guache sobre papel

Coleção Particular

[Nota: ilustração usada para a capa da revista Era uma vez [ Once upon a time, nº 13]

Angus McBride nasceu em Londres.  Ficou órfão de mãe aos 5 anos de idade e órfão de pai durante a Segunda Guerra Mundial, aos 12 anos de idade.  Foi educado na Escola do Coro da Catedral de Canterbury.  Depois de fazer o serviço militar, mudou-se para a África do Sul, por causa da má situação economica de pós-guerra na Inglaterra.   Fez bastante sucesso em Cape Town como ilutrador de livros, mas em 1961 voltou à Inglaterra, onde havia um maior mercado para as artes gráficas.  Na década de 1970 volta à Africa do Sul.  Ficou conhecido por suas ilustrações históricas.  Faleceu em 2007.





Howard Pyle o criador da aparência de Johnny Depp?

13 11 2011

O pirata do Caribe, de Howard Pyle.

Quem não se interessa por ilustrações, ou por ilustrações antigas, digamos do século dezenove, está perdendo a chance de se deliciar com imagens bonitas e interessantes que já puderam ser fonte de inspiração para pintores famosos.  Além disso, esse arsenal visual do passado pode ser de grande utilidade para criações contemporâneas, nas artes gráficas, nas visuais, ou até mesmo na composição de um personagem, para o teatro ou para o cinema, como o artigo de Emma Mustich, publuicado na revista eletrônica Salon deste mês, mostrou.  Na resenha da exposição Howard Pyle: American Master Rediscovered [Howard Pyle: a redescoberta de um mestre americano] mostra que atualmente ocupa o Delaware Art Museum, na cidade de Wilmington, Emma Mustich lembra que um dos mais interessantes personagens vividos por Johnny Depp no cinema, o Capitão John Sparrow, teve como inspiração imagens criadas nas ilustrações de Howard Pyle.

 

 

Howard Pyle, Captain Keith, (1907)

A retrospectiva de Howard Pyle (1853-1911) comemora os cem anos de morte do pintor e também os cem anos do museu de arte do estado de Delaware instituição para a qual pintor foi instrumental: seus amigos decidiram abrir o museu, depois da morte do pintor, na sua cidade natal.   A influência de Howard Pyle na vida artística americana não se limita à criação do museu.  Com suas ilustrações para Simbad on Burrator (1902), The True Captain Kidd (1902),  The Fate of the Treasure Town (1905) [texto de autoria do próprio pintor], Captain Keith, (1907) ele se tornou praticamente o autor da iconografia dos piratas, dos homens do mar; criador da imagem que todos, hoje, associamos aos piratas, no mundo inteiro.  Mais ainda, suas ilustrações para os grandes livros de aventuras e romances históricos, tais como O rei Artur e os cavaleiros da távola redonda,  Joana D’Arc, texto de Mark Twain, entre muitos outros, assim como seus próprios romances, como The Merry Adventures of Robin Hood, [As rocambolescas aventuras de Robin Hood], em que ele combinou diversas lendas e histórias sobre o herói inglês num único volume, e os adaptou para crianças, tornaram-se referência para todo o século XX.  E foram nas suas ilustrações que Hollywood foi procurar inspiração não só para as produções mais recentes mas também no início dos grandes estúdios.  Errol Flynn que ficou famoso na década de 1930 pelos filmes de aventuras tais como: Capitão Blood, A carga da brigada ligeira, O príncipe e o pobre e Robin Hood, entre outros, traz à pauta, com os trajes usados nessas produções, a influência das ilustrações de Howard Pyle nos figurinos de Hollywood.

Howard Pyle, A vinda de Lancaster, 1908

 

Sua contribuição para as artes visuais como pintor, independente de sua dedicação às artes gráficas é enorme. Foi um naturalista, fundador da reserva natural The Brandywine Conservancy a norte do estado de Delaware, que existe até hoje, bem admnistrada, sem problemas financeiros, protegendo a natureza: flora, fauna, fontes de água.  Howard Pyle foi também professor de importantes pintores americanos do século XX: Alice Barber Stevens, N C Wyeth, Elizabeth Shippen Green, Maxfield Parrish, Ethel Franklin Betts, Jessie Willcox Smith, Harvey Dunn, Violet Oakley, Sarah Stilwell Weber, Thornton Oakley, Frank Schoonover entre outros.  E foi ainda bastante apreciado por outros pintores de seu tempo.  Na biografia do pintor ameircano  N.C. Wyeth descobrimos que Vincent van Gogh numa carta a seu irmão Theo escreveu: “Você conhece a revista americana Harper’s Monthy?  Há coisas lá que me deixam bobo de admiração, incluindo os desenhos de um vilarejo Quaker, como nos tempos antigos de Howard Pyle.” 

É mais do que justa a comemoração dos 100 anos do Museu de Arte de Delaware, mas mais importante ainda é a comemoração do legado deixado por este artista plástico, visionário, que, nascido em meados do século XIX, ainda influencia diversos campos da vida de seus compatriotas em pleno século XXI.





As ilustrações de LeBlanc para Fábulas de Monteiro Lobato

30 10 2011

Página de frente do livro Fábulas de Monteiro Lobato.

Continuando a nossa coletânea da memória visual brasileira, hoje damos uma olhadinha nas ilustrações de André LeBlanc, para as Fábulas de Monteiro Lobato.  André LeBlanc tem melhor chance de ser estudado porque fez carreira não só aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos também.  Nascido no Haiti em 1921, LeBlanc, estudou nos Estados Unidos.  Apaixonado pela brasileira Elvira Telles acabou trabalhando tanto aqui no Brasil quanto nos EUA.  Lá, foi assistente de Will Eisner no The Spirit, e trabalhou com Sy Berry na revista O Fantasma.  Também contribui para as tirinhas diárias dos jornais, das histórias de Flash Gordon, Apartmento 3-G e Rex Morgan. LeBlanc também foi professor na Escola de Artes Visuais de Nova York.  Faleceu em 1998. As ilustrações de André LeBlanc para Fábulas de Monteiro Lobato se restringem ao texto.

A capa dessa edição é de autoria do ilustrador e artista plástico Augustus, [Augusto Mendes da Silva] nascido em 1917, em Santos, SP; estudou desenho com Máximo de Azevedo Marques.   Responsável por grande parte das capas dos livros de Monteiro Lobato, Avgvstvs [assinado como em Latim] era um artista plástico dedicado principalmente ao retrato, mesmo tendo trabalhado com desenho  gráfico para propagand [foi o responsável pelos anúncios do Biotônico Fontoura].   Faleceu em 2008, em Florianópolis, deixando não só mais de 1000 retratos de personalidades, na sua maioria paulistanas, mas os protótipos de Narizinhos, Pedrinhos, Emílias, Dona Bentas e demais personagens de Lobato, que permanecem até hoje nas imaginações de milhares e milhares de brasileiros.

Capa da frente e de trás, de Avgvstvs

Ilustrações de André LeBlanc, texto

A cigarra e a formiga

— Que quer?  — perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.

O reformador do mundo

— Eu trocaria as bolas, passando as jaboticabas para a aboboreira, e as abóboras para a jaboticabeira.

O rato da cidade e o rato do campo

No melhor da festa, porém, ouviu-se um rumor na porta.

O velho, o menino e a mulinha

— Carreguemos o burro às costas.  Talvez isso contente o mundo…

O pastor e o leão

Apareceu diante dele um enorme leão, de dentes arreganhados.

A assembléia de ratos

— Acho — disse um deles, que o meio de nos defendermos de Faro-fino é lhe atarmos um guizo no pescoço.

O galo que logrou a raposa

Ao ouvir falar em cachorro, Dona Raposa não quis saber de histórias, e tratou de por-se ao fresco.

Os dois viajantes na Macacolândia

E o viajante neurastênico, arrastado dali por cem munhecas, entrou por ali numa roda de lenha que o deixou moído por uma semana.

A menina do leite

Treque, treque, treque, lá ia Laurinha para o mercado com uma lata de leite à cabeça.

O burro na pele do leão

Firmou a vista e logo notou que o tal leão tinha orelhas de asno.

A raposa sem rabo

A raposa finalmente conseguiu fugir, embora deixando na ratoeira a sua linda cauda.

O leão, o lobo e a raposa

— Diga lá o que é — ordenou o leão, já calmo.

Qualidade e quantidade

Disse asneiras como nunca, tolices de duas arrobas, besteiras de dar com um pau.


O cão e o lobo

— Fique-se lá com a sua gordura de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.

O corvo e o pavão

— Repare como sou belo!  Que cauda, hem?

O macaco e o gato

— Amigo Bichano, você, que tem uma pata jeitosa, tire as castanhas do fogo.

A mosca e a formiguinha

— Ora, ora! — exclamou a mosca.  Viva eu quente e ria-se a gente.

Os dois burrinhos

— Socorro, amigo!  Venha acudir-me que estou descadeirado…

O cavalo e as mutucas

Volta e meia, plaf!  uma lambada e era um inseto a menos.

O ratinho, o gato e o galo

O ratinho por um triz que não morreu de susto.

Os dois pombinhos

O pombinho assanhado beijou o companheiro e partiu.

Os dois ladrões

Enquanto isso um terceiro ladrão surge, monta no burro e foge de galope.

O lobo e o cordeiro

— Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber!

Segredo de mulher

— Pois então ouça:  meu marido esta  noite botou dois ovos…

A galinha dos ovos de ouro

João Impaciente descobriu no quintal uma galinha que punha ovos de ouro.

O leão e o ratinho

Atraído pelos urros, apareceu o ratinho.

O burro sábio

— Grande pedaço d’asno!  Roubaste o tempo, a nós e a ti…

Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Editora Brasiliense, s/d [1960s], 20ª edição.





As ilustrações de Dorca para o livro infantil: Os três irmãos de Vicente Guimarães

6 10 2011

Capa, Os três irmãos, Vicente Guimarães, Editora do Brasil, sem data, sem local.

Volto a mencionar a necessidade de estudarmos os ilustradores brasileiros do passado.  Eles fazem parte da nossa herança cultural.  Muito pouco existe a respeito daqueles que ilustraram os livros que nos fizeram sonhar, daqueles que ilustraram os livros em que nossos pais aprenderam a ler.  Muitas das ilustrações do início do século XX eram estrangeiras.  Mas a medida que os textos para crianças — e para adultos também — foram se popularizando com autores nacionais, vimos um bom número de artistas gráficos se dedicar à ilustração.  Há alguns impecilhos óbvios para este estudo: 1) livros para crianças se deterioram com facilidade. 2) as edições de livros de meados dos século XX pecavam pela falta de informações básicas tais como data, local da editora, como acontece com este livro em que focalizo as minhas atenções hoje.  Não tenho idéia da data.  Pelo traçado das ilustrações imagino que sejam do início da década de 1960.  Na internet outros volumes com fotografias do mesmo livro têm outras capas e outras ilustrações.  O mais antigo desses é de 1960, mas outra edição  com outras ilustrações.  3) a premissa de que muito poucas crianças saberiam ler, e ainda menos crianças teriam pais comprando livros, fez com que as tiragens de cada um desses livros fossem muito pequenas.  Assim, torna-se muito difícil salvaguardarmos as imagens e encontrarmos referências biográficas sobre os ilustradores.

Página de abertura.

A página acima não é assinada por quem ilustrou o livro: Dorca.  Há uma outra assinatura que reproduzo abaixo e que me parece ser  Tom 62.  Caso seja isso é possível que todas as páginas de abertura da coleção Histórias Encantadas dessa editora tenham sido iguais, só mudando o nome do livro.  Há de se verificar com outros volumes da coleção.

Assinatura de quem?

Daqui por diante as ilustrações, com a palheta reduzida a três cores, são de autoria de Dorca [sic, sem “s” no plural, como esse nome é mais comumente grafado].  Nem todas as ilustrações são de página inteira.  Grande parte é.  Mas para facilitar só coloquei as imagens aqui, abstendo-me de mostrar qualquer trecho de texto que aparecesse na página.  As legendas são minhas, de acordo com as imagens.

” — Vi o senhor entrar na igreja e ouvi sua oração.”

” Luís tomou a bolsa e pôs-se a contemplá-la.”

Outros países, Inglaterra, Estados Unidos e grande parte dos países europeus — os de 1º mundo — já dedicaram suas pesquisas nas áreas das artes gráficas aos ilustradores de livros para crianças.  Um exemplo sempre lembrado quando se pensa em ilustrações para crianças  é da inglesa Beatrix Potter.

Era verdade! A boa velhinha não mentira.  Agora ia ser invencível.”

Nos EUA há também os famosos ilustradores Maxfield Parrish e Norman Rockwell, ambos trabalhando mais tarde que Potter, na Inglaterra, mas ainda na primeira metade do século XX.  No entanto,  o número de ilustradores de livros para adultos e crianças é enorme a partir da segunda metade do século XIX nos Estados Unidos.

“Joãozinho, ali mesmo, ao pé de uma árvore, sentou-se e abriu o livro precioso.”

Na França temos outros tantos ilustradores famosíssimos: Grandville, Gustave Doré são só dois de dezenas de artistas de peso que se dedicaram às ilustrações de livros tanto de crianças quanto de textos para adultos.

“Acontece que, um dia, a filha do rei ficou seriamente doente.”

[A  ilustração acima é um exemplo deliciosomente anacrônico.  a história se passa num reino encantado, e o remédio para a princesa, podemos ver claramente é uma injeção de penicilina! ]

“Correu imediatamente ao seu encontro e foi dizendo: — Bom dia, boa velhinha.”

” — Mas o monstro azul é muito forte. Até hoje não foi vencido por nenhum ser humano.”

— Não tenha receio, meu irmão. Eu sou invencível.  Não há na terra quem possa comigo, nem mesmo um gigante.”

“Apoderaram-se da caixinha e saíram correndo.”

“Não havia remédio algum.  Viam-se escritas algumas palavras em idioma desconhecido para eles.”

” Joãozinho abraçou Luís e resolveu voltar com ele para o palacete.”

“Causou admiração o aparecimento dos três rapazes, ao palácio.”

“Assim que a moça surgiu na sacada, a multidão prorrompeu em vivas.”

Ficam aqui, então,  as ilustrações dessa edição de Os três irmãos, para entretenimento de todos e quem sabe para instigar uma pesquisa mais aprofundada sobre a ilustradora e sobre a história da ilustração infantil no Brasil.





Ilustrações de Joselito para o livro “Princesinha do Castelo Vermelho” de Vicente Guimarães

15 09 2011

A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, Rio de Janeiro, edição do autor:1950, capa e ilustrações de Joselito. 2ª edição

Para quem, como eu, sempre teve um interesse na literatura e que trabalhou com as artes plásticas é surpreendente a falta de informação que temos quer nas bibliotecas, quer na internet, sobre ilustradores de livros brasileiros para crianças.  Dentre eles há o ilustrador que se assina  Joselito que, ao que eu saiba, ilustra pelo menos quatro obras de Vicente Guimarães [Vovô Felício].  Trabalhando em meados do século XX este artista gráfico, cujo nome não aparece em nenhum dos dicionários de artes plásticas de que disponho, tem um traço firme, elegante.   E um colorido fascinante.  Suas composições estão dentro dos parâmetros estéticos de pós-guerra.    Joselito seria certamente merecedor de um estudo mais aprofundado, não só pelo seu trabalho mas também pela influência que exerceu sobre algumas gerações de crianças brasileiras que embalaram muitos de seus sonhos nos textos de Vicente Guimarães e nessas imagens.  Suas mais famosas ilustrações, no mundo das crianças, talvez sejam as das aventuras de João Bolinha, de Vicente Guimarães.    Abaixo seguem as ilustrações de página inteira do livro Princesinha do Castelo Vermelho.   Há muitas outras ilustrações nesse livro, em preto e branco, que tenho esperanças de colocar mais tarde no blog.  Espero que ao final, vocês concordem comigo sobre a necessidade de conhecermos melhor aqueles que tanto influenciaram gerações de brasileirinhos.  Isso é válido também para outros ilustradores que tempo e espaço permitindo iremos conhecendo ao longo dos próximos anos… 

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo 1

Mireninha gostava imensamente dos animais e nunca os maltratava.  Sua distração predileta consistia em ouvir o canto dos passarinhos no pomar.” 

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

 Capítulo I

“A menina procurou o passarinho e foi encontrá-lo preso em grossa teia de aranha.  Estava cansado de tanto debater com uma das asas.  A outra emaranhara-se nos fios.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo II

“Quem teria rebentado?  Ninguém sabia responder.  Finalmente, acusaram a arrumadeira de quarto, que se chamava Amélia e era muuito amiga de Mireninha, a quem sempre contava lindas histórias.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo II

“Na varanda estava o papagaio, triste e mudo. Mireninha pegou a ave e começou a alisá-la:”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo III

“Todo dia a menina voltava à caverna da pedreira para palestrar com seus novos e encantadores amigos e com a linda fada que lhe dera o dom de compreender a linguagem dos bichos.” 

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo III

“Com a chegada da lua, a menina mais enlevada ficou.  Sentou-se nas grossas raízes de uma velha mangueira para descansar um pouco.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo IV

” Uma tarde, ela estava jogando milho para as pombas, quando, de longe, veio vindo um pombo cinzento, grande, de pescoço grosso e topete.  Pousou na cerca de arame e dali voou para o ombro da Princesinha.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo IV

“Assim que a argola foi retirada, o pombo transformou-se em um belo jovem.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo V

“Quando esta, no dia seguinte, se acercou do lago, encontrou seus amigos, nadando, alvoroçados, de um lado para o outro.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo V

“Assim que ela chegou as águas moveram-se com mais força e delas emergiu um peixe grande, muito vermelho,com escamas douradas e linda coroa na cabeça.  Era o rei dos peixinhos dourados.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VI

“O caçador chamava-se Saulo, porém era mais conhecido pela alcunha de ‘O moço da cara preta’.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VI

“Uma vez, eu e Mário, meu colega de escola, passávamos perto da chácara do avarento e vimos, dependurados nos galhos, lindas mangas madurinhas.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VII

” As águas do lago começarama subir, surgiram algumas bolhas e, em seguida, apareceu o rei dos peixes.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VII

“A fada bateu a varinha de condão, e apareceu uma linda carruagem, puxada por inúmeras parelhas de passarinhos verdes, de peito amarelo  e topete vermelho.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VIII

“Ainda não havia penetrado no bosque, quando avistou, à beira do caminho,mpequeninas frutas vermelhas, que pareciam saborosas.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VIII

“Era uma grande onça malhada, estirada no chão, à sombra da  velha gameleira.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo IX

“Nisto, apareceu-lhe um morcego preto, trazendo no pé uma flor amarela.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo IX

“A Fada apareceu e perguntou o que a menina desejava.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo X

“Do lago dos peixinhos dourados, ia a princesinha para o jardim, apreciar as flores.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo X

“O mais deslumbrante acontecimento do dia do casamento foi a manifestação dos passarinhos.”

Aqui estão as vinte ilustrações — duas para cada capítulo — feitas por Joselito para esse livro.  O texto em azul fui eu mesma que escolhi como significante para as imagens mostradas, mas no livro essas ilustrações coloridas são de página inteira e não têm nenhum texto ligado a elas.  Há muitas outras ilustrações em preto e branco, também feitas por ele,  com gosto e um bocado de humor.  Vou postá-las numa outra ocasião. 





Imagem de leitura — Walter Crane

4 05 2011

Em casa: um retrato, 1872

Walter Crane (Inglaterra, 1845 — 1915)

aquarela e têmpera sobre papel

Leeds City Art Gallery

Walter Crane, RSW, (Inglaterra, 1845-1915) foi um pintor, ilustrador, designer, escritor e professor.  Desde criança mostrou ter habilidade para a pintura e o desenho que foi prontamente encorajada por seu pai, o retratista e miniaturista Thomas Crane (1808-1959).  A série de desenho para ilustrações que Walter Crane fez para o livro Lady of Shalott de Tennyson, foi primeiro  mostrado a Ruskin que se encantou com o uso das cores.  Mais tarde quem acreditou no talento de Walter Crane foi o gravador William James Linton de quem Crane foi aprendiz.  De 1859 a 1862 Walter Crane aprendeu as técnicas da exatidão e da economia de traços num desenho para ser transposto para a xilogravura.  E se esmerou no assunto.  Teve uma carreira de grande sucesso, morrendo em 1915 aos 75 anos.