Globo celestial com relógio, 1579
Fabricante: Gerhard Emmorser (trabalhando 1556-1584)
prata, banho de ouro sobre prata e latão
27 x 20 x 19 cm
Viena, Áustria
Globo celestial com relógio, 1579
Fabricante: Gerhard Emmorser (trabalhando 1556-1584)
prata, banho de ouro sobre prata e latão
27 x 20 x 19 cm
Viena, Áustria
Mulher lendo um livro, c. 1793-1800
Lâmpada decorativa
Porcelana de Sèvres, França
Artesãos: Louis-Simon Boizot e H. F. Vincent
Hermitage, São Petersburgo, Rússia
Ilustração mostrando a diferença de dias entre os calendário juliano e gregoriano, no ano e mês de sua adoção.
O mundo comemora este ano os 400 anos de morte de duas das maiores figuras das letras na cultura ocidental. Cervantes e Shakespeare são autores que revolucionaram as convenções estabelecidas para criações literárias. Suas influências são sentidas até hoje.
Cervantes e Shakespeare morreram no mesmo ano e, curiosamente, estabeleceu-se que ambos morreram também no mesmo dia. Mas isso não passa de uma convenção, de uma combinação do mundo literário. Não há dúvida de que ambos morreram no dia 23 de abril de 1616. Mas o dia 23 de abril de 1616 era em época diferente entre a Espanha e a Inglaterra. Como?
Simples: enquanto a Espanha já havia adotado o calendário gregoriano em 1616, a Inglaterra ainda usava o calendário juliano, que mostra o dia 23 de abril com 11 dias de atraso.
A Inglaterra só adotou o calendário gregoriano em 1752.
Um monge, uma rainha, um tesouro
Iluminura em manuscrito
Harley MS 4399, f. 22r
Meu nome não é comum. É um nome inglês, usado principalmente no final do século XIX e início do século XX. Não é uma invenção de minha mãe como muitos imaginam. Talvez por ter sido agraciada com um nome fora do comum, sempre prestei atenção a nomes. O povo brasileiro é muito criativo quando se trata de prenomes para seus filhos. Uma vez encontrei uma família em que todos os onze filhos tinham nomes que começavam com a letra Z. Na falta, pegaram nomes comuns e substituíram algumas consoantes por Z. Assim havia uma Zandra (Sandra) e uma Zezina (Regina).
Desde que fui seduzida pela história medieval coleciono nomes de mulheres. Porque aos nossos ouvidos, os nomes das princesas e rainhas medievais soam muitas vezes tão esdrúxulos quanto os nomes da família com Z.
Conheço quem procura nomes para filhinhos ou netinhos aproveito então para postar alguns nomes medievais para consideração:
Aalis, Abril, Adalgisa, Adelaide, Adelinda, Adeline, Adeltrude, Ágata, Agnes, Alda, Aldara, Aldith, Aldreda, Alice, Aline, Alix, Amanda, Anabela, Antia, Arabela, Armena, Astrili, Aurora, Ava, Avelina
Bailessa, Basilea, Basina, Baudelia, Beata, Beatriz, Begga, Belinda, Berta, Bertilla, Blanche, Bodélia, Bogdana, Bonita, Branca, Brites, Brunilda
Cândida, Cassandra, Catalina, Cecília, Celestina, Célia, Clara, Clarice, Clemência, Columba, Constância, Cristina, Cristiana
Denise, Dionísia, Dominica, Dragoslava, Dubravka, Dulce, Dulcina
Edith, Eleonora, Elizabeth, Emília, Emma, Esmeralda, Etheldreda, Ermengarda, Eugênia, Evelina, Everilda
Fabíola, Fada, Fastrada, Felícia, Filipa, Fina, Flor, Floridia
Gadea, Garsea, Gelvira, Genoveva, Gerberga, Gertrudes, Gervinda, Gisela, Golda, Gundred
Helena, Heloísa, Herminone, Herrad, Hilária, Hilda, Hildegarde, Hiltrude
Ida, Idônea, Igulina, Inês, Isa, Isabel, Isolda
Jimena, Joana, Jocosa, Juliana, Julieta
Laura, Laurenza, Leandra, Leonor, Letícia, Letula, Lia, Linora, Liutgarde, Lívia, Lorena, Luella, Luanda, Luba, Lúcia, Ludmila
Madelgarda, Mafalda, Maiorina, Maria, Marion, Martina, Mécia, Mencia, Margaret, Margarida, Marsília, Martina, Matilda, Matilde, Melia, Miane, Milina, Militsa, Miloslava, Mira, Mirabela, Miroslava, Molle, Mor, Moyli, Muriel.
Nancy (diminutivo de Annis), Nerys, Nina, Norma
Odília, Olívia, Osvalda,
Prudência, Petrônia, Petronilla, Primavera,
Rada, Radoslava, Raísa, Raquel, Regina, Rohese, Rohesita, Rosa, Rosalba, Rosalie, Rosalina, Rosamunde, Rosetta, Rosina, Roxane
Sabela, Sabina, Safira, Sancha, Sarah, Sence, Serafina, Sibil, Slava, Slavitsa, Sol, Stanislava, Stella, Suévia, Sunnifa, Sunniva, Suzana
Tânia, Tatiana, Teodora, Teodrada, Teofânia,Teresa, Tianna, Timothea, Tota
Urraca, Úrsula, Utta, Uxía (variação de Eugênia)
Vanda, Velma,Vilante, Violeta, Vitória, Vivili, Vrimia
Wulfrida
Xantho
Zafara, Zanna, Zenith, Zuzana
Considerando que muitas centenas de anos se passaram, é incrível o número de nomes medievais, dos anos 500 a 1400, que ainda sobrevivem.
Repouso da caravana no deserto, 1844
Ippolito Caffi (Itália, 1809-1866)
óleo sobre tela, 18 x 25 cm
Naquela tarde de verão egípcio, quando o sol se punha quase às nove horas da noite, devíamos visitar, no planalto de Gizé, as mais que célebres pirâmides de Queops, Quefrem e Miquerinos. Era o complemento da visita feita ao Museu do Cairo, onde já tínhamos visto a estátua de Queops, toda de marfim; o enorme colosso de Quefrem e o famoso grupo de Miquerinos ladeado pelas deusas de Jackal. Todos esses reis dormiam, há séculos, nas sombras das suas pirâmides, velada pela Esfinge, guardados pelas areias do deserto, mas agora expostos à curiosidade dos turistas. Podíamos ir a Gizé de automóvel: seria uma profanação! Imaginem o contraste de um “Chevrolet” americano junto à Esfinge de Gizé! Podíamos ir a cavalo: seria muito prosaico. Devíamos ir então a pé, como peregrinos, para prosternar-nos ante esses sarcófagos imortais? Não: ó o camelo é digna montaria de um hóspede do Egito. Só o dromedário, com sua giba em forma de pirâmide, completaria o quadro faraônico, daria a impressão da vida egípcia, sombra a mover-se nessa imobilidade do deserto. E descemos dos modernos automóveis do Cairo e tomamos os nossos dromedários a caminho da cidade dos mortos. A perspectiva, porém, dessa alimária tão alta e tão exótica, verdadeiro arranha-céu ambulante, começou a inquientar-nos. Nenhum de nós era atleta e como encarapitar-nos lá em cima, naquela corcova? A um aceno de mão do cameleiro, o dócil animal prosternou-se ante nós como a oferecer-nos a comodidade do amplo dorso, ampla cadeira balouçante, verdadeiro tombadilho de navio naquele oceano de areia. Vencidas as dificuldades da escalada, lá nos fomos, a passo lento, com todas as precauções, entre o riso escarninho dos cameleiros, sob a vaia dos que nos achavam bisonhos demais, rumo das pirâmides.”
Em: Pelos caminhos do mundo, Francisco da Silveira Bueno, São Paulo, Saraiva: 1956, p. 121.
Joana Beaufort, Rainha da Escócia, esposa do Rei Tiago I, Foremont Armorial, 1562.
Frequentemente em aula, meus alunos se surpreendem com o grande número de herdeiros de tronos e de rainhas que morrem em idade que hoje consideraríamos jovem. A rainha aí acima ilustrada Joana Beaufort (1404-1445) não sofreu desse mal tendo morrido aos 41 anos. Sobreviveu o primeiro marido Rei James I (1394-1437), e ainda casou outra vez com James Stewart, o Cavaleiro Negro de Lorn (1399-1451). Sorte dela. Conseguiu dar a luz a muitos filhos que sobreviveram! Deixou portanto uma longa descendência que se espalhou e multiplicou pela Europa: Jaime II da Escócia (1430-1460), Margaret Stewart, princesa de França (1424-1445), John Stewart, Primeiro Duque de Atholl (1440-1512), James Stewart, Primeiro Duque de Buchan (1442-1499), Joana Stewart, Condessa de Morton (1428-1486), Eleonora da Escócia (1433-1480), Anabella da Escócia (1436-1509), Mary Stewart, Condessa de Buchan (1428-1465), Isabel da Escócia (1426-1499), Andrew Stuart, Bispo de Morray (?- 1501). John, James e Andrew Stewart foram filhos do segundo casamento. Tal feito era incomum, mesmo no início do século XV, como é o caso.
Quando voltamos os olhos para a Alta Idade Média, a realidade é outra. Tomemos o caso da Rainha Hildegarde, esposa de Carlos Magno (742 (?) – 814), que casou com ele em 771. Vinha de uma influente família da Alemannia. Sua união a Carlos Magno durou 12 anos, nos quais ela deu a luz a nove filhos, antes da idade de 25 anos, quando morreu. Quando seu primeiro filho nasceu, ela mal havia completado 14 anos. Só três herdeiros homens ficaram desse casamento de Carlos Magno que imediatamente se casou com Fastrada, filha de um conde francês. A mortalidade infantil era tão grande nessa época que reis procuravam assegurar filhos homens legítimos que pudessem herdar o trono. Carlos Magno se desapontou com a união a Fastrada que em onze anos lhe deu só duas filhas mulheres, portanto nenhum herdeiro para o trono. Ela morreu em 794, aos 29 anos.
Carlos Magno não era um homem insaciável. Mas para assegurar herdeiros ao trono, acabou se casando cinco vezes. Suas esposas foram Himiltrude, Desiderata, Hildegarda de Vinzgouw, Fastrada, Luitegarda da Alemanha. E muitos filhos. Filhos legítimos, com Himiltrude: Pepino (v.770-811); com Hildegarda: Carlos (v.772-811), Adelaide (?-774), Rotrude (v.775-810), Pepino de Itália (777-810), Luís I, o Piedoso (778-840), Lotário (778-779), Berta (v.779-823), Gisela (781-ap.814), Hildegarda (782-783). Com Fastrada: Teodrada (v.785-v.853), Hiltrude (ou Rotrude, Rothilde) (v. 787-?). E filhos ilegítimos com concubinas: com Madelgarda: Rotilde (790-852), com Gervinda: Adeltruda, com Regina: Drogo (801-855) e Hugo (v.802-844) e com Adelinda: Thierry (807-ap.818).
A procura por herdeiros homens foi uma constante na história. Não prover qualquer reino com um legítimo herdeiro foi sempre culpa da mulher, muitas vezes desconsiderada por sua inabilidade de salvar as alianças políticas, colocada de lado, divorciada legalmente ou não, abandonada, assassinada. Levou muito tempo para a mulher ser considerada uma pessoa além de provedora de filhos homens.
Ainda temos vestígios desses problemas. Uma das preferências por filhos homens das mais conhecidas é a que levou a China a ter, hoje, uma superpopulação de cidadãos do sexo masculino. O governo chinês, para conter o crescimento populacional no século XX, proibiu famílias de terem mais de um filho (essa regra acaba de ser mudada em 2016, para dois filhos). Com isso bebês do sexo feminino sofreram infanticídio nas mãos dos próprios pais que procurariam mais tarde por um filho homem.
Com esse conhecimento é praticamente impossível que não se apoie o feminismo. Eu sou feminista. E você?
Moedas das Cruzadas encontradas no forte do Parque Apollonia, Israel.Ano Novo, hora de limpar antigas notas e manter o computador completamente limpo, eis que me deparo com um número enorme de artigos de interesse que selecionei para o blog, mas que por falta de tempo, não postei… Resultado vamos nos lembrar de algumas notícias do passado, porque já que tenho as fotos e os dados é melhor passar adiante.
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Um pote de ouro, avaliado em quinhentos mil dólares, do tempo das Cruzadas foi encontrado em Israel enterrado em um forte romano. Aparentemente as moedas foram enterradas por soldados da ordem do Cavaleiros Hospitalários, uma ordem militar cristã criada no século XI, quando se encontraram sob um grande ataque de soldados muçulmanos. Os cavaleiros foram aniquilados em abril de 1265.
Forte no Parque Nacional Apollonia, Israel.
As moedas valiam uma fortuna, mesmo em 1265, quando se acredita que tenham sido escondidas de propósito, dentro de um jarro quebrado para garantir que não seriam descobertas. O forte construído pelos romanos, hoje no Parque Nacional Apollonia, foi destruído em abril de 1265, pelas forças mamelucas. A ideia de enterrar o jarro quebrado, repleto de areia, com as moedas dentro,foi bem sucedida. O tesouro contém mais de 100 moedas de ouro da época das Cruzadas. O local havia sido conquistado pelos soldados cristãos em 1101 e tomado de volta pelo exército muçulmano em 1265.
Fonte: Daily News (Inglaterra)
Título e nome do autor no dorso dos livros, não foi uma constante na história dos livros. Nos primeiros livros essas informações se encontravam na capa da frente e na do verso. Mais tarde elas se encontravam só na capa da frente. E finamente no dorso. A ordem reflete a maneira como os livros eram guardados. Primeiro, durante o início até meados da Idade Média, eles eram guardados sobre uma mesa, ou superfície. Depois, mais tarde na Idade Média, eram guardados de pé com a capa da frente à mostra, de cara para o leitor. E finalmente, no período moderno, título e nome do autor passaram para o dorso quando os livros foram guardados em estantes, como fazemos até hoje.
Edy Gomes Carollo (Brasil, 1921-2000)
óleo sobre tela, 73 x 60 cm
“A casa era uma dessas belas construções do fim do século passado, com jarrões na cimalha, florões, monograma, cinco janelaços de fachada, com gradis prateados onde dragões simétricos ficavam frente a frente, ladeando o ornamento central; jardim de gramado liso, duas palmeiras imperiais e a fonte de pedra que escorria seu fio de prata sobre limos e peixes vermelhos; portão com pilastras de granito; o clássico caramanchão de cimento imitando bambu e o colmo de palha e todo trançado de trepadeiras. O prédio de D. Adelaide era de porão habitável (cujo pé-direito era mais alto que os dos apartamentos de hoje) e de andar superior luxuoso, cheio de ornatos esculpidos nos tetos, vidraças biseautées, vastos salões, lustres com pingentes de cristal; um sem-número de quartos; portas almofadadas com maçanetas lapidadas; pias, bidês e latrinas de louça ramalhetada; vastas banheiras de mármore onde a água chegava pelo bico aberto de dois cisnes de pescoço encurvado e feitos de metal amarelo sempre reluzentes do sapólio. Bela casa, na segunda etapa de sua existência. Porque a primeira e inaugural era sempre a residência de grande do Império ou figurão da República. A segunda, pensão familiar. A terceira, casa de cômodos. Depois cabeça-de-porco — substituída pelos arranha-céus de hoje. Lá está o atual, com os apartamentos que encimam a Casa Cabanas e a Papelaria Dery. Mesmo número: 252.”
Em: Balão Cativo:memórias/2, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio: 1973, p. 188.
Faiança policromada
Itália, escola de Pesaro, 35 x 22 x 23 cm
Hermitage, São Petersburgo
Ladyce West é historiadora da arte e escritora. Seu primeiro livro de poesias À meia voz, foi publicado em novembro de 2020, pela Autografia. Encontra-se à venda em todas as livrarias e em ebook na Amazon.